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Arte para Bixo 2011


São Carlos possui uma movimentação cultural muito forte que se desenvolve desde meados do século XX. Atribui-se como razões fortes a presença de duas universidades públicas no município. Contudo, tanto a USP São Carlos quanto a UFSCar passaram por um hiato na década de 1990 se compararmos ao forte ativismo cultural de outrora. 

Já entrando nos anos 2000, surgiram manifestações organizadas como o MACACO, Movimento Artístico e Cultural do CAASO (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira), na USP, e o Festival Contato, na UFSCar. Ainda, percebia-se que apesar de desenvolver-se discussões e atividades no campo, era preciso contaminar mais o meio universitário. Daí iniciativas que se apropriam também dos espaços no começo dos anso letivos das duas universidades: Na Semana de Recepção de Calouros da USP, em 2010, fez-se a Macacada; Na UFSCar, no mesmo ano, fez-se o Arte pra Bixo.


 


E este ano, com bom fôlego, o Arte pra Bixo continua este trabalho na UFSCar. Em 2010, com apoio do CAJAR (Centro Academico José Albertino Rodrigues, Ciências Sociais, UFSCar), o próprio DCE-UFSCar, além da Rádio UFSCar e o Massa Coletiva, trouxeram uma série de oficinas e intervenções, assim como as apresentações das bandas Maracutáia e Aeromoças e Tenistas Russas de São Carlos, Os Rélpis de Araraquara, e o Paris Tetris, atração internacional direto de Varsóvia, na Polônia.

Agora em 2011 continuam a iniciativa, com oficinas de radiolivrismo, audiovisual, circo e dança de rua. E com o forte apelo na música, traz a seu público nomes importantes da música no país, em especial fomentando o instrumental, e dá uma amostra do melhor de São Carlos, ao mesmo tempo em que aposto nos embalos do Samba e do Soul. 

Teremos a Jude Airplane, sui generis de São Carlos brincando com Ska e a Companhia da Barganha, bom grupo de Samba-Soul, também de São Carlos, encabeçado por uma voz poderosa, que vimos se apresentando no Festival de Talentos da UFSCar em 2010.

Também acompanha a noite uma nova proposta do famigerado Fator Acochativo. Esforço sinergético de duas bandas instrumentais de São Carlos, o Aeromoças e Tenistas Russas e o Malditas Ovelhas, se apresentaram em 2010 na Semana do MACACO sob a alcunha Malditas Aeromoças e o Fator Acochativo. Desta vez, aliam-se a outros fatores e deixam o puro instrumental para entrar no Hip-Hop, com o Sub Loco Coletividade, dando origem ao Sub Loco e o Fator Acochativo, grande promessa de São Carlos para todos que estiverem na noite.

Ainda, vem de São Paulo o Sandália de Prata, Samba Rock que já deixou boas marcas no SESC São Carlos. Fecham a noite o Mamma Cadela, grupo instrumental que passou pela USP - São Carlos na Semana do MACACO em 2007 e o Macaco Bong, instrumental cuiabano, que fez diversas apresentações na UFSCar e no Contato, com última passagem pela cidade em 2009.


ARTE PARA BIXO

Data: 01 de Março, Terça-Feira
Horário: 16h
Grupos de Discussão
Oficinas
Discotecagem Radiofônica Independência ou Marte
DJ Caixa Preta
VJ OCari
Jude Airplane (Alternativo/Ska - São Carlos)
Companhia da Barganha (Samba/Soul - São Carlos)
Sandália de Prata (Samba/ Samba-Rock - São Paulo)
Sub Loco e o Fator Acochativo (Rap/Instrumental - São Carlos)
Mamma Cadela (Instrumental - São Paulo)
Macaco Bong (Instrumental - Cuiabá)
Local: Gramado do Ginásio de Esportes, Área Sul, UFSCar, São Carlos, SP
Entrada Gratuita

Aeromoças e Tenistas Russas Ao Vivo na Macacada

Uma das coisas mais bacanas que um show pode render, para público, banda e produção, é o chamado bootleg, registro em áudio ou vídeo desta apresentação. Apesar de ser uma prática bastante constante com os grandes nomes da música, no Brasil não há grandes iniciativas neste sentido. O cenário independente, contudo, vem mudando esta perspectiva e lançando algum material deste porte.

Em São Carlos, aqui no Programa Bluga, já disponibilizamos um bootleg muito bacana de um dos primeiros shows da turnê do Móveis Coloniais de Acaju gravado no CAASO (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira, na USP-São Carlos), em 2009. Pra quem não lembra, está aqui para baixar! Em 2010, em parceria com o MACACO (Movimento Artístico e Cultural do CAASO), capturamos uma série de shows, no Festival Macacada, nas Noites do Macaco e na 6ª Semana do MACACO.

Já devíamos ter publicado este material há um bom tempo, mas antes tarde do que nunca, lançamos mão do primeiro destes materiais, o bootleg da banda são-carlense que abriu o primeiro Festival Macacada no dia 26 de Fevereiro de 2010 no Campus 2 da USP São Carlos, a Aeromoças e Tenistas Russas - leia a resenha da noite aqui. Disponível para ouvir e baixar faixa-a-faixa ou todo o álbum no player abaixo, é o primeiro de uma série que vamos lançar gradualmente aqui no blog. Fiquem atentos para mais novidades!

OUÇA E TAMBÉM BAIXE NA ÍNTEGRA AQUI!


Aeromoças e Tenistas Russas - 2011 - Ao Vivo na Macacada

Setlist
01. Saguis; 02. Bang Bang; 03. Insomne; 04. Mirela; 05. Instrumental 1456; 06. Solarística; 07. Kirilenko; 08. Sex Sugestion; 09. Samba!; 10. Jacques Villeneuve Experience; 11. Smonkey Skulls;

Festival Macacada realizado no dia 26 de Fevereiro de 2010, no Campus 2 da USP-São Carlos, promovido pelo MACACO (Movimento Artístico e Cultural do CAASO - Centro Acadêmico Armando de Sales Oliveira). 

Capturado direto da mesa de som em dois canais pelo Programa Bluga (http://programabluga.blogspot.com/) e lançado como bootleg virtualmente no dia 24 de Janeiro de 2011.

Agradecimentos o Julinho, responsável pela sonorização da noite que possibilitou a captura do áudio e a banda Aeromoças e Tenistas Russas (http://myspace.com/aeromocasetenistasrussas) que cedeu as gravações para este bootleg. 

Aeromoças e Tenistas Russas lançam novo clipe: Jacques Villeneuve Experience

À época do YouTube, quando sempre é mais fácil ver direto a banda em um vídeo ao vivo do que quem sabe achar um videoclipe de uma ou outra música, são raras as bandas, especialmente no cenário independente, que fazem este tipo de registro, seja pelo registro, seja pelo merchan que o instrumento propicia na mídia.

Só que quando se tem uma banda nascida no audiovisual, ter um clipe não é nenhum luxo, é desejo. Assim é com o pessoal do Aeromoças e Tenistas Russas, que já descera seu segundo clipe.

Lançado na semana passada, Jacques Villeneuve Experience trás o conhecido instrumental regravado num clima bastante diferente, caindo muito bem ao Pulp-Noir do roteiro. Realizado pela produtora também são-carlense Cinestrange e com distribuição pela DF5 - Distribuidora de Filmes Fora do Eixo, prepara o terreno para o lançamento do primeiro álbum cheio da banda no próximo ano.

Jacques Villeneuve Experience from DF5 - Distribuidora de Filmes Fo on Vimeo.


Veja também o primeiro clipe da banda, com Solarística, clicando aqui!

Mais detalhes sobre a produção no texto no blog AeroRussas!


Malditas Aeromoças e o Fator Acochativo: Do MACACO para o mundo!

Se na sexta-feira última da 6ª Semana do MACACO tinhamos um clima de encerramento, não fossem as atividades se extenderem ainda por um sábado inteiro, seria um grandioso final o Festival no Campus 2 da USP São Carlos, que já começacava a deixar vontades por mais, apontando novas promessas para o lugar. E ali, depois do Graveloa e o Lixo Polifônico (leia aqui), Lisabi, Mama Gumbo e L´Avventura (leia aqui), prontificando-se a este fechamento, vinha pela primeira vez o projeto Malditas Aeromoças e o Fator Acochativo!


Como o nome sugere, trata-se do encontro de dois dos maiores nomes do independente saídos de São Carlos, Malditas Ovelhas! e Aeromoças e Tenistas Russas. Dividindo o mesmo palco, uma reunião que certamente já devia ser desejada por muitos, já que ambas têm sua base na música instrumental e trazem raízes comuns. O projeto foi alavancado pelo próprio MACACO, cumprindo um papel que já deu origem a várias outras manifestações pela cidade, desde o grupo de danças folclóricas Girafulô, ao Zero16 e o grupo Teatro Acaso.

Acompanhando a trajetória de ambas as bandas, agrada muito ver as mudanças e evolução de cada uma, culminando para o que são hoje, grupos consistentes e de composições bem trabalhadas, com maturidade e personalidade o suficiente para serem capazes de promover este encontro levando para o projeto as características que definem cada uma, e mais do que isso, fazendo surgir um novo e inusitado som: tem-se um terceiro grupo, que não é apenas a soma deles.


A palavra que vem à mente é sinergia, variável já presente em cada banda, que potencializa-se pelo contato que os grupos tem entre si. Tanto uma como a outra já serviram de público espectador muitas vezes um ao outro, apreciando mutuamente seus trabalhos, familizariando-se a ponto de entender a proposta para agora promoverem um diálogo natural.


E então, preparava-se um show, na verdadeira essência da palavra, com diversos momentos, ora tocando juntos seus próprios trabalhos e de quebra uma versão espetacular de Suco de Tangerina, dos Beastie Boys, ora em separado, apresentando suas composições, e, pasmem, fazendo uma versão do trabalho um do outro. Haveria ainda, pra calar a noite, uma jam ao final.

Fizeram isto com nove macacos ao palco: quatro malditos - Eduardo Rodrigues nos synths e afins, Bruno de Almeida no clarinete durante o encontro Malditas Aeromoças e no baixo ao excerto Malditas Ovelhas!, Yraê de Araújo na guitarra e José de Miguel revezando-se entre percussão e bateria; quatro aeromoças - Thiago "Hardie" Gonçalves no sax alto e soprano durante os excertos com os dois grupos e revezando-se entre as paletas e sua guitarra verdinha e cereja, Juliano Parreira no baixo, Gustavo "Hooligan" Palma nos teclados e Nilo AMFG também revezando-se entre bateria e percussão; e um alienígena, Jovem Palerosi, do Independência ou Marte, entrando com efeitos de um kaoss pad.

Se a simples visão da profusão de instrumentos no palco, com baixo e guitarra, teclados e sintetizadores, sax e clarinete, bateria, percussão e afins poderia dar a impressão de que teríamos redundâncias e cacofonias, não foi nem de longe o que ocorreu. Sem excessos, cada um a seu devido espaço. Sempre é difícil diferenciar o que é improviso e o que não é, já que em ambos os casos as próprias músicas me dão a impressão de serem improvisos bem trabalhados, ou originadas de improvisações. Mas houve sim um excerto de improvisação, ao final, em que rolou uma grande jam, fechando a noite com chave de ouro. E quem acha que a esta altura o público já rareava engana-se; o povo ficou até o fim, sendo que muitos provavelmente vieram apenas para conferir o Malditas Aeromoças e o Fator Acochativo. Com certeza ainda os veremos tocando músicas uns do outro pela estrada afora ao menos.



E assim como a Semana do MACACO não se encerrava naquela sexta-feira, tendo ainda mais um dia de atividades e saraus pela cidade, muito menos o MACACO, Movimento, findava suas propostas para o ano. E na mesma toada tem-se o Malditas Aeromoças e o Fator Acochativo.

E o fator acochativo? O fator acochativo é referência, símbolo e representatividade, a uma cena já clássica do filme Árido Movie, de 2004, dirigido por Lírio Ferreira, com monólogo de Selton Mello sobre ledas, veneno do rato do gabiru e o fator acochativo.



Setlist Malditas Aeromoças e o Fator Acochativo
1. Suco de Tangerina; 2. Ode ao Viajante; 3. Stop (ATR); 4. Insomne (ATR); 5. Smokey Skulls (ATR); 6. Kirilenko (ATR); 7. Perseguida (ATR); 8. Dancing in the night (MO!); 9. Lá na lua (MO!); 10. Fossilizado (MOA); 11. Dalai Lombra (MO!); 12. Jacques Villeneuve Experience (MO!); 13. Solarística; 14. JAM;

Na segunda-feira passada parte deste trabalho foi apresentado na Radio UFSCar, no Programa Independência ou Marte, com direito a comentário do guitarrista Hardie. Está lá no blog do programa no portal Fora do Eixo e dá pra ouvir o podcast abaixo. Logo logo veremos se disponibilizamos o áudio desta puta apresentação por aqui!



Mais fotos desta e outras noite da Semana do MACACO podem ser vistas no Picasa do MACACO e também no Flickr do Massa Coletiva.

Texto: Felipe Adachi e Vanderlei Reis

Fotos: Vincent de Almeida e Massa Coletiva

Twittadas!

Já faz um tempo que estamos no twitter, desde que a coisa se mostrou interessante o suficiente para ter acesso a informações, a despeito dos outros aspectos de uma rede social que a ferramente contempla.

Nisso, passamos a lançar várias coisas interessantes por lá, desde links de notícias, textos, vídeos e, claro, música, a divulgação de shows por São Carlos e região.

Então, não podemos deixar as informações só por lá e vamos lançar aqui também os links, como o pessoal do Move That Jukebox faz , só que com os links que eles não publicam mas julgam interessantes, e inspirado no que o Fábio Zelesnki começou em seu blog, o Café & Vitrolas e o Bruno Nogueira faz no PopUp! (e estes hyperlinks não estão aí só pra justificar nada, mas pra dar uma espiadela, que são fontes interessantes, interessantes!).

Então, se tudo der certo, inauguramos mais uma "movimentadíssima" sessão aqui no Programa Bluga e lançamos todo sábado as twittadas mais relevantes da semana. Afinal, já era hora de postarmos alguma coisa aqui, não é? Segue lá:

Resenha: Aeromoças e Tenistas Russas, meninos e crescidos.


Já fazia um bom tempo que se precisava voltar a falar aqui destes camaradas. Conheci a Aeromoças e Tenistas Russas ainda no começo de suas apresentações, em 2008. Na época, já me impressionaram bastante, enquanto explorávamos novas bandas do meio dito independente de São Carlos. Hoje, três anos mais, muito mudados, nada mais justo que abordá-los novamente. E nenhum momento seria mais oportuno para fazê-lo que não na própria São Carlos quando atravessam uma turnê por dois estados, com onze shows, ao lado de uma das mais importantes bandas do cenário no país.

Quando em 2008 resenhei pela primeira vez a banda (a resenha pode ser vista aqui), eles já vinham de alguns bons shows em São Carlos, tendo passado pelos palcos do DCE-UFSCar, do CAASO e pela festa de lançamento do Mozilla Firefox 3.0, no Armazém Bar. Nesta época, tinham um repertório bastante enxuto, mas bem redondinho, com composições autorais e mesmo umas instrumentais, entremeadas por versões de músicas como Um Lugar do Caralho de Jupiter Apple e Fuscão Preto de Beto Lee até lances como Superstition e Play That Funky Music White Boy, com estas duas últimas tocadas sem vocais, só no sax. Enganavam os desavisados ao mostrar sujeitos barbados e não as comissárias das asas da Panair servindo coca-cola e muito menos o serviço no saque de uma Anna Kournikova.


Desta vez, já tendo carimbado o passaporte por Uberlândia e Uberaba, Franca e Araraquara, na noite de 23 de Março fariam mais um lance no palco do DCE-UFSCar, universidade onde surgiu a banda, o quinto show da turnê. Quem abria aquela noite eram The Baggios, duo sergipano de guitarra e bateria numa linha de blues rock a la White Stripes e Black Keys. Quem vinha na sequência eram os sujeitos do Porcas Borboletas (e a resenha desse show está aqui), com seu pós-punk oitentista bebedor dos paulistanos de vanguarda e dos clubes de esquina, já com mais de dez anos de estrada. Mas quem fechava mesmo esta Noite Fora do Eixo eram os Aeromoças e Tenistas Russas. Se para muitos quem encerra a noite é a banda principal, aqui quem fazia este papel então eram eles, donos da casa, mantendo o público vivo e ansioso até o fim.

E traziam uma tenista, não a Kournikova, mas uma Kirilenko. E faziam uns e outros voar, senão nas poltronas da primeira classe, em devaneios oníricos sem mesmo fechar os olhos.

Naquela primeira resenha sobre a AeTR, o importante era entender as influências que a banda tinha enquanto grupo de estudantes do curso superior de Imagem e Som da UFSCar. Tanto as referências musicais, das mais distintas pela própria origem de seus integrantes, quanto a abordagem diferente sobre cinema, propaganda, plástica, enfim, arte, dada pelo choque universitário, permeavam suas composições, bastante passionais neste sentido. Hoje, contudo, assomam-se a estes outros fatores, como ter botado os pés em palcos de vários cantos, dos bares mais infernais às grandes armações de festivais país afora, apresentando-se a públicos muito diferentes, desde condições de equipamento castigado e técnico de som ruins até a acústica de um teatro, tudo lado a lado com bandas das mais distintas. Assimiladas estas experiências, aliadas ao próprio tempo juntos, que lhes dá mais chances para conhecer um ao outro seja no dia-a-dia daqueles que dividem sala de aula e casa, seja na composição, no ensaio, no estúdio, no palco e nos bastidores, há um amadurecimento notável.

Hoje, saem daquela linha inicial de músicas mais atiradas, cruas, para um novo material bem trabalhado, com mais personalidade ainda, sem contudo perder energia. As muitas influências permanecem, mas convergem melhor dentro de uma mesma música, sem excessos.

No conjunto de suas composições mais recentes ainda exploram vários sentimentos, ora mais etéreos e cíclicos, como em Solarística, ora mais explosivos, como em Kirilenko. Em conversas com o grupo revelou-se muito do seu método composicional, feito em cima de jams, em que um trás um riff bacana, outro uma melodia e desta experimentação tem-se o refino do material que chega até nós. Daí as composições tão diversas, fazendo um show ir da melancolia a rebeldia em poucos minutos.


Claro, há que se lembrar que há um fio que liga estes elementos todos, criando uma identidade bastante única para o grupo. Este elo passa a ser, em suas últimas composições, a acuidade com que passam a tratar seu material mais bem acabado ao mesmo tempo em que exploram um lado pop, grande pegada de suas músicas desde um primeiro momento. Atacam com assinaturas ritmicas que marcavam o progressivo, o que é bastante inusitado ao som proposto, porém, em composições por vezes espasmódicas, mais curtas mesmo que o comum do Pop Rock. Estas composições curtas vem possivelmente como característica do trabalho feito em cima de jams, explorando certos temas, como no Jazz, a exaustão, sem as deixar pobres, muito menos desgastados. Ao final, usam da música enquanto linguagem máxima para expressar seus sentimentos ao mundo, instrumento natural. O fazem buscando certos moldes em diferentes meios, fazendo sua sonoridade rememorar a várias outras e ao mesmo tempo reverberar originalidade. E estes são os aspectos que, como outros nomes, os fazem sobressair-se a um mundo onde surgem bandas e mais bandas, facilitadas pela disseminação e democratização da tecnologia.

Em suas peças últimas este amadurecimento de suas ferramentas de composição é notável. O reflexo deste trabalho é imediato no contágio do público que passa a também cantarolar mesmo suas instrumentais, tão forte são as linhas impostas ali. Tal empolgação por parte da platéia é conseguida por poucas instrumentais. Se chamá-los de Pop Rock seria leviano apesar deste poder por conta daquelas características pouco usuais, nada mais próximo do que apontá-los como Pop Rock Progressivo.

Mas não só pelo seu trabalho direto enquanto música há esta aproximação forte com o público. Também há um trabalho forte na formação deste, através de contatos e deixando suor na estrada.

Na noite que tomamos para ilustrá-los, Aeromoças já com seus três anos fica lado a lado com gente feito o Porcas, com bem mais tempo de estrada, em turnê por onze cidades. Ao longo da turnê, ora abriam, ora fechavam pro Porcas, mas em São Carlos precisavam fechar, porque fizeram um show épico, com um setlist acertadíssimo feito para a turnê e participações especiais com direito a jam session ao final, mostrando em casa, aos amigos, onde eles chegaram. Era antes de tudo uma pequena prova de vitória. Isto tudo por um processo longo, sempre galgado, de penetração e conquista. Me lembro de uma primeira experiência longe de casa, quando iam a Brasília apresentar-se pela primeira vez num Festival, apesar de sempre estar circulando pela região de São Carlos, Araraquara, Ribeirão e afins, pra saber depois que acabou não acontecendo. Depois disso, passaram pela 4ª Semana do MACACO apresentando-se com o que viria a ser o Projeto Acusmática, fazendo trilha sonora ao vivo para o curta Regen numa parceria com a RUA. Passariam então pelo Festival Contato em mais de uma ocasião, Festival de MPB da UNESP de Ilha Solteira até o Festival Macondo Circus em Santa Maria no Rio Grande do Sil, no fim de 2009. Já entrando este ano, fariam uma empreitada forte, ao singrar o estado de São Paulo tocando em oito cidades pelo Grito Rock. Esta, assim como a turnê que acabam de atravessar, é uma possibilidade dada pela articulação forte existente hoje entre os diversos coletivos de música independente do Circuito Fora do Eixo, como comentávamos outro dia. Esta inserção neste contexto se deu muito por este esforço do grupo e proatividade, parando hoje dentro de um dos que mais cresce hoje, o Massa Coletiva, em São Carlos, figurando mesmo no portifólio de bandas que o coletivo porta, que passa a alavancar isto exponencialmente. Hoje não mais presos a São Carlos, encaram-se como profissionais, saindo às portas do mundo.

Dito isto, entremos aos pontos mais imediatos do ao vivo, fazendo o que começamos aqui fazendo, trazendo as impressões mais fiéis dos shows, relatos vivos. Lá já a alta hora como sempre estavam os sujeitos que entoam às Aeromoças e Tenistas Russas. Thiago "Hardie" Gonçalves, alternando-se em guitarra e sax, com algumas incursões aos vocais, Juliano Parreira ao baixo e alguns backing vocals, Luiz Gustavo "Hoolis" Palma nos teclados e mais backings, e Nilo Gomes na bateria. Quando em 2008 seu show tinha lá sua dúzia de músicas, apenas metade delas era própria. Agora, apresentam todas sendo suas, sinal do apreço que passam a ter por sua capacidade depois destes caminhos todos trilhados.

Abriam esta apresentação com um excerto instrumental foderoso, mostrando para aqueles que quem sabe ainda não conhecessem seu nome que não se tratava de um grupo qualquer, quando fazem mesmo o rock dispensando a guitarra em alguns momentos para inserir a sonoridade do sax na faixa Jacques Villeneuve Experience. Combinação bombástica, faz todos já de cara balançarem. Aos que conheciam, era já uma melodia impregnada na cabeça, como muitas outras, por aquele forte molde pop a que se apegam. Continuando no instrumental, mostravam uma de suas últimas composições, estreiada a nossos ouvidos no Festival Contato de 2008, Smonkey Skulls, com Hardie já com guitarra a mão. Está é mais um daqueles exemplos em que exploram vários recortes dos mais divertidos agregando-os em torno de uma linha.

Sagüís, terceira da noite, seria mais uma instrumental, não fosse o convite para a participação do MC J.Gheto fazendo versos de improviso acompanhando uma das mais frenéticas faixas da banda, das primeiras bacanudas compostas. Cantava lá ele "Vem com nóis quem puder, escuta nóis quem quiser" dando vazão aos sentimentos presos na rítmica.

Depois desta era hora de mergulhar no tempo de suas primeiras composições. Aqui num dos poucos momentos do show exploram o lirismo de letras a suas músicas, com impressões mais imediatas de suas intenções, justamente naquele primeiro ciclo de seus trabalhos. Armavam o Bang Bang, com uma mais simples, mas de letra mais esquizofrênica de todas, feito o ícone saído do cinema novo que lhe dá nome. Emendavam Samba, letra das mais icônicas, de refrões fáceis mais verdadeiros que caem a boca do povo, que os entoa a todo show, com espaço até para cantarolar de melodia dissociado do instrumental, feito o que seria muito da própria estrutura do samba que lhe dá nome.

Este excerto de letras cotidianas e irreverentes dos seus primeiros trabalhos ainda marcam muito seu repertório, deixando margem a apontar a fase como transição. Se existe um limar de material, deixando de lado composições como Ensolaradas e Desfibrila, que há muito não vejo ao vivo, ouso dizer, contudo, que isto é uma aceitação deste material, valorizar de um trabalho antigo que caiu ao gosto popular, em especial no tocante a Samba. Daí é que surge o termo, parafraseando Fred Gomes, que prova que eles fazem "música instrumental cantada". E mesmo estas músicas mudaram muito desde a época dos primeiros shows. Ganharam novos arranjos dando mais corpo a algumas, mais ritmo a outras, tornando tudo mais interessante.

Outro momento para celebrar com convidados e amigos novos surge Sex Sugestion, no que chamaram de Motel Version. Composição das mais recentes, já com uns rearranjos provavelmente feitos nessas incursões estradeiras do Grito Rock e da turnê Fora do Eixo, apontando ainda mais uma das várias participações da noite, com o Moita, do Porcas Borboletas, empunhando a guitarra enquanto Hardie fazia as vezes novamente ao sax dourado-esmalte-preto.

Já com a guitarra de volta às mãos de Hardie, traz-se mais uma de suas composições com letra, Mirella, também uma daquelas seis primeiras autorais com que se apresentaram em 2008, falando das crises do homem frente à uma mulher, temática por muito abordada na história do Rock. Na sequência, com Instrumental 1456, a idéia de música instrumental cantada é reforçada, quando no próprio título da faixa carrega-se o "instrumental" e ao mesmo tempo trata-se de uma música com letra e tudo. Isto, muito porque as vozes são usadas dentro da melodia traduzida então por baixo e guitarra, servindo também de instrumento.


Encaminhando-se para o excerto final, encerrariam sua apresentação mostrando todo seu fulgor justamente com minhas três composições preferidas. E isto muito porque são as mais bem lapidadas, resultado final de seus processos. Com Insomne, davam espaço para Jack, percussionista do Porcas, ainda com seu set de percussão bizarríssimo montado no palco, munido de latas de tinta, pedaços de metal e canos diversos, como muito visto em brincadeiras com outra banda instrumental conhecida de todos. Essa é a maturidade de que falamos. Esta faixa, se fossemos relacionar suas músicas e a metragem e cunho dos filmes, seria um curta dos mais experimentais hoje. Explora aquelas temáticas e evolui para um final arrebatador, com elementos do avant-garde.

Seguiram com Solarística, que facilmente poderia ser apontada como melhor faixa já composta pela banda. Texturas várias, melodias escolhidas a dedo, cercadas em ambiente bizarro, quase hostil, ao mesmo tempo que hipnotizante. Justamente, uma das mais aclamadas pelo público. Isso, porque dá pra sentir que é das melhores, quando põe todos a captar e emanar energias invisíveis e inconscientes, de maneira inebriante.

Fecharam tudo com uma das mais recentes músicas, Kirilenko. Levada já a estúdio, sua gravação teve todo o processo registrado aqui, com tudo feito no home studio do Massa Coletiva. Esta, vem para provar a miríade de sentimentos explorados pelos barbados do AeTR. Depois de buscar certo desespero invocando a insônia, entrar em sonhos de fato na consciência, um despertar de energia. Agitada, finalmente fazendo alusão com uma tenista, Maria Kirilenko, apontando ao mesmo tempo a beleza e a energia vibrante. Neste excerto final, se algo pode ligar as três, todas instrumentais, são as diferentes energias que se sente uma-a-uma.
Mas fecharam tudo mesmo? Depois até de saírem do palco, os pedidos foram muitos, não podendo deixar de rolar mais uma. Não um repeteco, mas um encore. Escolheram para tanto rememorar a época em que tocavam versões de músicas conhecidas, com a sua versão de Play The Funky Music White Boy. Claro, outra intenção escondida aí era poder trazer ao palco vários convidados e fazer uma jam. Jovem Palerosi em intervenções de scratchy e samples, incrementando-se depois com mais percussões do Jack. Sem parar, contudo, saíram daquele Funk para entrar na verdadeira sessão de improviso, chamando Gustavo Koshikumo, que vinha acompanhando as duas bandas pela turnê garantindo o bom som saindo dos PA, para se apossar da Tajiminha verde e cereja de Hardie enquanto ele desfilava os dedos pelo sax. Caíram nisso até no Reggae depois de quinze minutos de despudor final, com Jack chamando todos com um "Vamô Saravá!".

Ainda passariam depois de São Carlos por Campinas, Bauru, Ribeirão Preto, São Caetano e Bragança. Toda esta turnê é documentada no blog Fora do Eixo Tour. Antes de vir ao palco na nossa terça-feira daqui, já tinham aportado por São Carlos na segunda-feira, batendo ponto no programa Independência ou Marte na Rádio UFSCar junto do Porcas, falando um pouco sobre a turnê e rolando uma jam entre as duas bandas. Tudo pode ser conferido na íntegra no player abaixo.



De últimas considerações, se lá em nossa primeira resenha sobre eles se dizia que iriamos acompanhar de perto a evolução da banda, que mal começava e já vinha "com um repertório bem pensado, com material corajoso, regado a inusitados atrativos", pois bem, estivemos presentes em vários de seus momentos e aqui está sua virada, talvez um auge, que esperamos ser um primeiro. Com um público já consolidado, resta saber como irão mante-lo sem perder toda esta identidade já bem construída. Há que se lembrar que o público é mutante e apesar dele ter o nome Aeromoças e Tenistas Russas a ponta da língua, novas levas de nomes vem a pauta a toda hora, muitos deles com dinâmicas semelhantes a este grupo. Mais que isto, como estes sujeitos irão explorar esta identidade, sem deixar suas composições se renderem às demandas imediatas do público ou seu modo de composição estagnar, é o mais inquietante. Há que se conduzir tais mudanças com sensatez.


Setlist da Turnê
01. Jacques Villeneuve Experience; 02. Smonkey Skulls; 03. Sagüís; 04. Bang Bang; 05. Samba; 06. Sex Sugestion (Motel Version); 07. Mirella; 08. Instrumental 1456; 09. Insomne; 10. Solarística; 11. Kirilenko;
BIS
01. Play That Funky Music (emendando jam de reggaes e tudo!)


E mais fotos da passagem da turnê em São Carlos podem ser vistas no nosso Picasa!


Cobertura/Agenda: Última chamada para o Festival Gaia


Realizar-se-á nesse fim de semana, dias 26 e 27 de março, sexta-feira e sábado, o Gaia - 1º Festival Sustentável de Cultura, promovido pelo Coletivo Colméia Cultural, numa realização conjunta com o Circuito Fora do Eixo, com parceria da Prefeitura de Araraquara. O evento terá o parque Pinheirinho como cenário para as diversas atividades: pirofagia, esquetes, cinema, teatro, dança, palestras, workshops, performances, malabarismo, exposições, intervenções e instalações artísticas, fotografia, artesanato, graffiti, literatura, gastronomia, oficinas, camping, shows, 10 bandas, e mais sabe-se lá o que e o dia todo, desde manhã, cedinho; ufa! Tudo em prol do pensamento sobre a sustentabilidade ambiental – importante destacar o peso que o evento trás sobre essa dimensão.


No último domingo, dia 21 de março, o Colméia realizou, juntamente com a Prefeitura e Fora do Eixo São Paulo, o primeiro Pocket Show do ano – edição especial, pois contou com bandas da turnê do circuito: Aeromoças e Tenistas Russas de São Carlos e, pela primeira vez na cidade, Porcas Borboletas de Uberlândia, Minas Gerais. A turnê passou nessa terça-feira por São Carlos, no DCE UFSCar, e continua circulando pelo interior paulista. Não me prenderei aqui numa resenha das bandas, já que na verdade esse texto tem o intuito de entrar para a seção Agenda, mas logo quitaremos a dívida com uma nova e merecida eminente resenha sobre nosso caro Aeromoças e Tenistas Russas, e, em outra oportunidade, podemos nos dedicar ao Porcas Borboletas – vou me conter, por hora, em comentar que, quanto a banda mineira, me chama a atenção a influência de Arrigo Barnabé na adoção da estética das histórias em quadrinhos transposta em música, um dos aspectos que marca o trabalho de Arrigo.

O Pocket Show, que ocorre no Teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues, já é conhecido pelo público araraquarense. É um espaço que tem sido ocupado desde o início pelo GUTE – Grupo Urucum de Teatro Experimental. O grupo possui um repertório em constante transformação, como sugere seu nome, permeia por diversas formas de expressão e não se fixa numa fórmula, experienciam artes circenses, mímica, comédia escrachada, esquetes, performance, poesia, teatro de rua: é o integrante essencial para que se tenha a integração das artes buscada pelo Coletivo Colméia. Juntamente com a banda psicodélica araraquarense Os Rélpis, o Grupo Urucum é pilar fundamental da constituição do coletivo. Completam essa colméia o grupo Piromagia e a banda Ruido Fino, que já conectada ao coletivo se prepara para circular pelo Fora do Eixo após se apresentar no Grito Rock da cidade, em fevereiro.

A inserção de Araraquara, pela primeira vez, no festival integrado Grito Rock desse ano foi o primeiro produto do Colméia. Para Caiubi Mani, baixista do Os Rélpis, a formação do coletivo, que se deu no segundo semestre do ano passado, sempre teve como norte se tornar um dos 43 pontos que existem atualmente espalhados por 20 estados brasileiros pelo Circuito Fora do Eixo. É atribuído ao Massa Coletiva de São Carlos, ponto de referência regional do circuito, parte do esforço para o Colméia figurar na rede.

Dessa vez, por iniciativa do coletivo, surge o Festival Gaia, uma produção de caráter mais autônomo, onde esses artistas reforçam sua função técnica de produção do espaço artístico. Segundo Caiubi não há distinção no coletivo entre artista e produtor, todos respondem por essas tarefas: artista igual pedreiro – citando o lema que é título do álbum da banda Macaco Bong, de Cuiabá (MT).

O Pocket foi o terceiro evento realizado envolvendo o Colméia. Após o Grito Rock, durante os preparativos para o Gaia, lançaram um pré-festival no dia 12 de março, também no Teatro Wallace, sendo um importante meio de divulgação e movimentação artística, unindo o útil ao agradável. Já o pocket show não teve esse intuito formal, mas foi na prática a última chamada para o Gaia, criando o clima para o que está por vir. Durante a execução de Sax Sugestion (Motel Version), na apresentação de Aeromoças e Tenistas Russas, uma performance surpreende o público. Com um figurino composto somente por embolados de estopa, tendo folhas por entre os fios e o corpo inteiro coberto por pigmentação esbranquiçada tal qual lama seca, a artista, com batuque e poesia, revelava a Natureza por trás de sua feminilidade. Oscilando por outras vielas teatrais, o grupo Urucum trás Shirley, uma escrachada personagem satírica inspirada nos programas de prêmios na TV. Bem mais poético, Brincadeira com Bexiga e é um belo trabalho de mímica que incute peso e leveza, vida e personalidade ao mais ordinário objeto, tornando-o magnífico. Outros espetáculos se seguiram refletindo a constante vontade de criar e recriar do grupo. Dois Idiotas contou com a participação de Garboso, vocal que toma a frente do Os Rélpis.

Contudo, não fosse a dança, nada seria completo. Muitos assistiram ao espetáculo Contraste (peço desculpas por não ter prestigiado). Mas somente alguns foram presentados com a expressão pura da Cia. Caipira. Permeando pelo público, oferecia o privilégio de uma relação íntima e única com a artista. O convidado é equipado com fones de ouvido conectados a um mp3 player; a trilha sonora é pretexto para num átimo sentir-se envolto, a ponto de perder o fôlego diante da intensidade dos movimentos próprios de um momento singular, com a ciência de que a expressão da alma em passos verdadeiros nunca se dá duas vezes. Tal qual esboço do hábil desenhista que capta o movimento do corpo que passa, Estudos para dia sem sapatilha trata da essência, ao passo que flana sem intermédios pela multidão e supera a distância que a sapatilha delimita entre a dança e a vida.

Neila Andrade diz que a Cia. Caipira não almejou agora grandes espaços e nem procurou destaque no evento, está interessada na pesquisa, por isso deixa claro que vieram realizar estudos – se dispensam sapatilhas, ainda mais palco; mas têm ocupado os espaços. A performance foi levada para a Mostra Audiovisual de Cambuquira (MOSCA) em julho do ano passado, em outubro na Unesp Araraquara e este ano, em março, novamente na Unesp, em ocasião da programação dedicada aos calouros. Possuindo também outras propostas, A Cia. Caipira – Grupo de Dança Contemporânea de Araraquara é formada pelas bailarinas Dany Gianotti, Hiadine Correa e Neila, com Direção de Maria Moema. Focado no trabalho artístico, o grupo não discute inserir-se no Colméia Cultural, mas poderemos ter a felicidade de nos deparar com as meninas já nesse Festival Gaia. Não é de se pensar duas vezes e acabar deixando de prestigiar a respeitável produção artística araraquarense contida nesse inédito festival.

A cobertura do Programa Bluga sobre o Gaia começa aqui, em breve postaremos o que rolou. Confira a programação completa e outras informações na página do Colméia Cultural.

Resenha: Nevilton é destaque no Grito Rock 2010 na região!


Chega mais uma vez à Região Central do Estado de São Paulo o maior festival integrado da América Latina, o Grito Rock. O evento é uma realização dos circuitos Fora do Eixo e Toque no Brasil, redes de produção cultural que fomentam a circulação de músicos pelo Brasil e países vizinhos. A cidade de São Carlos, através do Massa Coletiva, foi contemplada este ano pela terceira vez com o festival, contando com dois dias de programação. Já a cidade de Araraquara, graças a organização do coletivo de artistas e produtores culturais Colméia Cultural, se integrou ao festival pela primeira vez. Cabe então nos determos um pouco nesse inédito e carnavalesco Grito Rock 2010 Araraquara.

Não houve desculpas para marcar toca no domingo de carnaval. A Kruppa: Arquitetura, Arte e Cultura, em forma de parceria, com boa cerveja e no ponto, abrigou em seu belo espaço a programação recheada mesmo sendo de apenas um dia. A Colméia Cultural, além de receber as bandas, ofereceu ao público uma instalação artística, feira de troca e intervenções de teatro e circo que também rolaram em São Carlos, com destaque para a peça Trato Duvidoso, muito bem escrita e representada por Dado Marcondes e Guito Brito.

Foram então cinco bandas. Aeromoças e Tenistas Russas (São Carlos/SP) e Almighty Devildogs (Bauru/SP), precedidos respectivamente por Ruído Fino (Araraquara/SP) e Dom Amaro (Ribeirão Preto/SP), fizeram excelentes apresentações. O agressivo Almighty Devildogs traz um frenético e atordoante surf punk ligado no modo “foda-se”, mas às vezes com guitarras viajantes e toques eletrônicos espaciais de um integrante mascarado outrora abduzido pelos alienígenas paranaenses do Trilöbit. Já a banda são carlense realmente impressionou. Um conciso caldeirão jazz fusion sob o primoroso saxofone de Thiago “Hard” nas instrumentais e progressivas faixas Insomne e Jacques Villeneuve Experience. A mistura de AeTR não se contenta com pouco, suas receitas variadas trazem como ingredientes um autêntico e próprio rock'n'roll e um pouco de blues, mas principalmente o funk e o soul, assim como o nosso samba também, sem fazer miscelânea, numa confluência coerente de sonoridades. Saguis expressa muito bem esse cardápio, a composição instrumental acid jazz com samba agita o público já familiarizado com seu tema marcante. Smonkey Skulls também agita e ainda traz uma pitada de surf para completar o tempero. Com Samba!, o Aeromoças, além de tudo, mostra que sabe encaixar uma boa letra. Foi a apresentação de mais alto nível.

No entanto contávamos com a presença do grande destaque do Grito Rock na região. Trata-se do Nevilton, banda recente que colocou no mapa do circuito a cidade de Umuarama, no Paraná. Lançaram esse ano seu primeiro EP oficial intitulado Pressuposto, produto de um projeto estético lapidado em apenas 3 anos de estrada. Nevilton é promessa de sucesso em 2010 e foi apontado pelo sítio Scream & Yell como o segundo melhor show de 2009 atrás apenas do Móveis Coloniais de Acaju, que preenche o palco com nove músicos e metais de sopro diversos, enquanto nossos amigos conquistaram a classificação com um show de apenas três músicos. Nevilton de Alencar, de 23 anos, membro que dá nome ao grupo, e Tiago “Lobão” voltaram ao Brasil após uma experiência de alguns meses em Los Angeles, nos Estados Unidos, e trouxeram na bagagem um primor a mais para vestir de um refinado pop as letras em português, mantendo um certo caráter brasileiro. Nesse contexto, foram convidados para encerrar as apresentações na Estação Cultura de São Carlos na terça-feira e o festival em Araraquara no domingo.

No aconchegante espaço do Kruppa, o vocalista e guitarrista Nevilton, ou apenas Ton, e Lobão, com seu baixo, não pouparam energia. Acompanhados pelo novo baterista Eder Chapolla, os dois a frente se lançam em respeitáveis saltos ensaiados mostrando que não é necessário um grande palco para um bom show. E isso eles realmente sabem fazer, tudo bem encaixado, vocais na medida, presença de palco, interação com o público, limpeza e primor na execução dos instrumentos. Somente o forte calor da noite de carnaval da Morada do Sol foi capaz de impedir que a totalidade dos presentes dançassem com a empolgante e envolvente apresentação. Calor exaustivo que não afetou certos integrantes do Colméia Cultural responsáveis por uma saltitante performance cuja inspiração nos movimentos dos sapos pareceu para Ton a melhor explicação. O Colméia mostra que faz e se diverte, e Nevilton topa a brincadeira. Os demais, que haviam se contentado apenas em cantar a pegajosa letra recém aprendida de A Máscara, contagiaram-se pela animação conduzida pelas faixas Vitorioso Adormecido, O Morno e Pressuposto, presentes no EP.

Na terça-feira pudemos ver os jovens de Umuarama no palco novamente. O consolidado Grito Rock são carlense proporcionou uma boa estrutura de palco, som e iluminação, além do histórico e peculiar cenário da gari da estação ferroviária de São Carlos com trens em movimento e arrebatadores apitos. Houve mostra de vídeo, intervenções artísticas e discotecagem, além de festas no bar Armazém com Juca Culatra e Power Trio (Belém/PA) e mais do que há de bom. Completando a sequência de mais de dez bandas em dois dia na estação, dentre elas Eu Serei a Hiena (São Paulo/SP) e Os Rélpis (Araraquara/SP), sobe ao palco a banda Nevilton por volta das 21h30. O público era diverso e estava tímido, mas parecia que logo a apresentação agradaria a todos que aos poucos se aproximavam a convite do simpático vocalista. Já na segunda música, Bolo Espacial, transparece o detalhamento da produção do espetáculo nos movimentos empolgantes bem ensaiados e no cuidadoso backing vocal de Lobão. E, obtendo resposta do público, sentiu-se a vontade Ton para descer do palco através de uma inusitada acrobacia cuja elasticidade, após puxar ritmo de carnaval na platéia, lhe serviu para retornar ao palco por meio de uma cambalhota sem soltar a guitarra! Tudo pronto para, covardemente, grudar em nossas mentes a melodia da música Pressuposto, que já entoavam os espectadores antes de sua execução.

Mas o que de fato faz Nevilton além de um show impecável e animado com melodias viciantes? Eles citam algumas referências, dentre elas Los Hermanos. E sim, isso é visível, mas ao som que fazem, tal comparação é simplória, pois Nevilton é uma confluência sutil de uma linguagem ampla que se construiu no rock, principalmente pelos Beatles, fonte da qual se servem mesmo que por algumas goladas, mas o fazem diretamente, aproveitando-a sem intermédios. Ton solta no vocal dissonâncias agudas inspiradas em Stephen Malkmus, embora lembre Nando Reis em outros momentos. Entoa letras que geralmente não tratam de outra coisa senão de relacionamentos pessoais a qual todo jovem já provavelmente passou, e que, descritos de modo genérico, faz com que a maioria dos ouvintes se identifique. A sonoridade das palavras é boa.


Com grande domínio, a banda arriscou um forró e foi correspondida prontamente, a interação com o público foi excelente. Em A Máscara, estavam todos com as mãos para o alto batendo palmas, momento em que o trabalho de iluminação e toda a estrutura de palco fez diferença. E a coisa só cresceu ainda mais. Na sequência, Tempos de Maracujá trouxe os audaciosos agudos do vocal de Ton, além de um belo e empolgante gritaço! Com Me Espere, Menino Lobo, para finalizar com tudo, um solo de guitarra virtuoso, porém nada gratuito. Não contente, o agitado Ton destruiu na bateria que Chapolla abandonou para saltar loucamente na platéia ao fechar a grande apresentação com louvor e glória. Esforços não foram poupados para isso! O encerramento do show foi coisa linda de Deus, deixando todos na pilha pra a festa no Armazém que viria a seguir.

Mais fotos do Grito Rock 2010 em São Carlos aqui e aqui!


Ensaio: Do Grito Rock São Carlos - Continuando.


Este ensaio dá continuidade ao texto publicado aqui na ocasião do Grito Rock de 2009, em que falava-se do evento em São Carlos e de seu organizador, o Massa Coletiva, numa de suas primeiras grandes ações feitas na cidade. A bem da verdade, tomou-se ali o Grito Rock e o Massa como exemplo para pincelar as ideias que giravam ao redor da lógica estabelecida em torno dos festivais de música independente, as bandas que deles participam e o público que os assiste.

Na época, nos trouxeram várias críticas em cima das próprias considerações daquele texto, que falava numa menor escala da lógica envolta no mercado paralelo que é a música independente e apontava com maior destaque os entraves por ele gerados a evolução enquanto forma e conteúdo da música, deixando de lado questões como a visibilidade e até certo o respaldo ganhos por este mercado. O texto ainda é pertinente dentro destes aspectos, quase passível de republicação mudando-se tão somente a data, já que não houve grandes mudanças neste cenário. Contudo, algumas justificativas carecem de maior delonga, então, eis aqui outra tentativa.

Naquele texto de 2009, houve interessantes réplicas nos comentários de Cardelli, vocalista e guitarrista dos Visitantes. Contudo, lá não se falava em falta de originalidade por parte das bandas, como inferia Cardelli, mas sim da estagnação em torno de forma e conteúdo e mesmo da estética por elas produzida. Estagnação, senão retrocesso, que ainda assim dá margem a originalidade, mas frente a insistente pós-modernidade na mescla de gêneros e elementos étnicos recai na fórmula maceteada usada por um sem número de nomes da música hoje.

De todo modo, a crítica daquele texto não era tímida, só era ponderada, porque de fato há aspectos interessantes nessa história toda. A crítica, na verdade, reside no simples fato de que nada se faz de diferente falando dos festivais do independente, coletivos e afins. Cria-se apenas um mercado paralelo, uma franca necessidade dos tempos em que implode o número de bandas e o acesso a elas fica facilitado, pela velocidade tanto da produção musical quanto de sua divulgação em função do mar de tecnologia aberto nos últimos vinte, trinta anos, mas mais especialmente na última década. E este mercado não é recente, provavelmente sempre existiu, sob diferentes óticas, em diferentes momentos.

Por exemplo, hoje mesmo, tomemos das metrópoles, grande São Paulo. Essa articulação lá não parece precisar de fato dos coletivos, acontecendo de uma maneira ou de outra. Tanto que o grande coletivo paulistano é o próprio Massa Coletiva, em São Carlos. Não seria estranho pensar no representante estadual dentro do Fora do eixo estando fora da capital? Mas faz todo sentido. Em tempos de ALTERCOM, São Paulo tem canais de comunicação demais, muita informação transitando nos meios, sendo tão fácil chegar as pessoas que algumas preferem a inanição a aproveitar o que a cidade oferece. Fato é que em São Paulo o mercado independente e o mercado convencional se mesclam, em certa medida, de tal forma que é difícil desvincular um do outro, aos olhos menos atentos. Fora dos grandes centros esta iniciativa é provavelmente necessária para fazer tudo acontecer, do contrário o mundo iria definhar, já que o grande mercado ali não chega. Afinal, não é essa a ideia, fora do eixo? Que eixo? Rio-São Paulo. Curitiba, Brasília, em menor escala. Porto Alegre?

Inegavelmente há uns vários aspectos interessantíssimos dos festivais envoltos na rede estabelecida de música independente, em específico do dito Grito Rock, que nunca deixo de comentar. Depois de limpar os pés no capacho da porta de entrada do ano, se cria uma outra agitação para a época de Carnaval, colocando indiretamente alguns questionamentos a esta conturbada e polêmica festividade. Afora isto, quando se põe em xeque desta maneira muitas das atividades desenvolvidas na linha destes festivais, outros produtores não ligados a estes coletivos e alheios a esta lógica acabam empolvorosos. E vale destacar que este mercado é cada vez mais monstruoso ao perceber como é exponencial o número de cidades envolvidas nos festivais, bandas circulando e público participando.

Um reflexo da forte articulação destes coletivos é por exemplo a possibilidade de bandas ligadas a estes atravessarem em menos de um mês as cidades de um estado inteiro, senão várias cidades ao longo do país, pelo Grito Rock. Os Rélpis, de Araraquara, ligados ao coletivo Colmeia Cultural, e o Aeromoças e Tenistas Russas, de São Carlos, ligados ao Massa Coletiva, são exemplo notável disto. A despeito da boa qualidade do material, sem esta ponte propiciada por iniciativas como as do Toque no Brasil, portal que agenciava bandas, casas de shows e os coletivos para o Grito Rock, bem como o apoio e articulação dos Coletivos, eles não teriam conseguido esta visibilidade tão facilmente. Logo, conquistaram o Estado, especialmente porque os dois shows estão muito bons, a ponto de precisarmos resenhar Os Rélpis com urgência e re-resenhar AeTR, com o repertório muito mudado já.

Há ainda o mérito do desenvolvimento sustentável, a patavinha da economia solidária e tudo o mais, mas não vamos entrar nesta discussão no momento, deixamos as considerações pobres mesmo neste quesito.

Retomando, como bem é mostrado no Identidade Musical usando da palavra de Luiz Tatit, sempre houve o independente, o artista a margem das grandes gravadoras ou mesmo de qualquer gravadora, que acumulava tanto a função técnica quanto a artística. Afinal, as verdadeiras demos não eram fitinhas com um nome escrito na fita crepe a caneta? E em alguma instância, a grande maioria tanto de antes quanto de agora invariavelmente pensa em atingir, senão o grande mercado das gravadoras, pelo menos o status dos artistas delas.

Sendo bastante pragmático, me apoio mais uma vez no texto do Carlos Rogério do Identidade Musical, apontando que os modelos continuam os mesmos e o público mal sabe a valorizar os projetos ousados. Mas aquela conversa sobre estagnação rivaliza com os projetos ousados. A questão é que mesmo os projetos ousados, citados por Carlos Rogério, como Macaco Bong e Porcas Borboletas, não o são tanto assim. Macaco Bong bebe de muitos elementos lá de fora, vide Russian Circles. Porcas, poutz, já me eram óbvias influências da estranhamente desconhecida Vanguarda Paulistana antes mesmo deles surgirem junto do Paulo Barnabé. Claro, nem por isso deixamos de gostar e desmerecemos. É bom trazer estas influências, é bom mostrar ao mundo que mais há, é bom inseri-las aqui, e é bom fazer o que se quer.

Se é que ainda não se aponta armas às bandas que continuam a produzir seguindo modelos velhos ou inserindo-se em fórmulas já concebidas de inovação, o que se questiona aqui faz muito tempo é o papel destes coletivos todos, destes festivais todos, enfim, da música independente, em mudar esta concepção estabelecida e tão enraizada do que é fazer música. Acontece que o interesse destes grupos não é mudar isto, pelo menos não o que importa. Afinal, é notório que toda esta rede é uma mercado paralelo, uma indústria exatamente como o mainstream, com um modelo de negócios como bem diz Pablo Capilé para O Inimigo ou como Bruno Nogueira no Pop Up! afirma ao apontar o caráter de feira de negócios que se vê na Feira da Música do Circuito Fora do Eixo. Quase demora pra se perceber isto. E o pior é que todos eles tem plena consciência disto. E não se importam. Afinal, é um ganha-pão. Engraçado é que eles debatem, insistem na proposta, vendem a ideia a todo custo, mas nunca dizem quanto ganham.

Aí, é mais demorado ainda perceber que não, eles não estão aí pra mudar o modo de fazer música. Não é o interesse deles, talvez sequer seja seu papel. Eles estão aí para mudar o modo de vendê-la. Ou não mudar, mais propriamente, apenas encontrar alternativas para fazê-lo. No termo 'mercado da música independente', a música é a mesma, só muda o mercado. Parafraseando o bom dito do nobre Djalma Nery Ferreira Neto, a música independente é feito a abolição da escravatura: É só uma conjuntura da lógica de mercado se adaptando a novas condições sociais.


Cobertura: Festival Macacada no Campus 2



E para começar 2010 com o pé direito, temos enfim a primeira atividade cultural da USP São Carlos, situada no (ainda) tão subaproveitado Campus 2! Trata-se da Macacada, festival promovido pelo MACACO, juntamente com a SAAero (Secretaria Acadêmica de Engenharia Aeronáutica) e a SAPA (Secretaria Acadêmica Pró-Ambiental), para integrar as atividades da Semana de Recepção dos Calouros, inclusive figurando na Calourada Unificada com apoio do DCE Livre da USP Alexandre Vannucchi Leme, oferecendo aí algo um pouco diferente dos polêmicos eventos tradicionais.

Contudo, não só trazer o MACACO desde o primeiro momento do ano letivo da USP São Carlos era a intenção da Macacada. Um aspecto deste festival que deve ser salientado são as justificativas a escolha do local de sua realização, o Campus 2. Há várias ideias envoltas nesta proposta. Em uma primeira análise, faz-se justamente com que os estudantes conheçam melhor a área para onde ocorre a desenfreada expansão de vagas da USP de São Carlos, com os cursos novos ali instalados, como as Engenharias Aeronáutica, Ambiental e de Computação, além da Física Computacional e da novíssima Engenharia de Materiais. Apesar de já ter lá seus cinco anos de uso corrente, afora estes estudantes com aulas regularmente, os demais cursos desconhecem as condições dali, assim como a própria população da cidade, que apesar de conhecer seu nome, sequer sabe onde fica. Assim, fazer o uso do espaço por uma ação deste porte é também fazer seus problemas serem conhecidos de todos.

Outro aspecto interessante desta escolha está na tentativa de aproximação da população dos bairros próximos, buscando a integração entre estudantes e comunidade. Afinal, trata-se de um espaço público, embora a USP tente fechar suas portas ao mundo exterior a todo custo. Com atividades realizadas durante a tarde daquele 05 de Março à porta do Campus, fazia-se um convite à população. Infelizmente, o choque ainda é grande demais e houve pouca participação. Novas tentativas são necessárias, com contato mais direto e parceria conjunta com a comunidade.

Enfim, num espaço privilegiado destes, com gramado aconchegante e sem vizinhos por perto, há possibilidades infinitas para todo tipo de atividade. Não usá-lo seria, definitivamente, um pecado.

Agora, vamos falar de música?

Abrindo a noite, tivemos a já conhecida e da casa Aeromoças e Tenistas Russas. Aos que não conhecem, confesso que visualmente não são tão atraentes quanto o nome sugere, mas acabam compensando com a boa música. Não me arrisco a classificá-los em qualquer estilo, já que cada música carrega elementos distintos, passando pelo jazz, samba, pop rock e mesmo o eletrônico. Para pessoas como eu, que não conferiam um show dos caras há bastante tempo, agradáveis surpresas, como as músicass Insomne e Kirilenko, recém saídas do forno. Ecleticidade é sempre bom, mas com tanta variação de estilos, às vezes instrumental, às vezes cantado, a impressão que me passa é que estão passando por uma fase de transição, limando o estilo e se encontrando. Bom, esperamos que agora que estão caindo às graças do público, com produção renovada com camisas, discos e videoclipes (como esse aqui), não deixem de continuar tocando por aqui. Quando conquistarem fama internacional e uma legião de fãs no Japão, aí sim dá-se uma colher de chá. E vai lá o vídeo da música nova, Kirilenko, gravado direto na Macacada:


Depois de alguns minutinhos da sempre boa discotecagem do Independência ou Marte, sobe ao palco Jennifer Lo-Fi, vinda diretamente da metrópole. Como os caras nunca tocaram em São Carlos e nunca foram comentados aqui pelo no blog, vai lá uma introdução: Jennifer Lo-Fi é composta por Sabine Holler, Filipe "Miu", Caio Freitas, Luccas Villela e Gustavo Santos. Cortes de cabelo extravagantes, camisas listradas, dancinhas esquisitas: nota 10 no quesito indie.

Ao começo do show da J-LoFi, houve alguns problemas técnicos com o vocal, mas afora isso, a banda surpreende bastante. Também, com um bom vocal feminino e toneladas de efeitos aliados a bom gosto e criatividade não poderiam dar em coisa ruim. E no bom gosto, ficam claras as influências de bandas como The Mars Volta e Sonic Youth. Sempre tive muita vontade de ver esses caras ao vivo e, realmente, foi um belo show, apesar de me parecer que estavam se sentindo pouco à vontade no palco, sem entrar numa dinâmica boa com o público.

Mais um tempinho para curtir o vento gelado que aramava naquele dia em que quase choveu e partimos para um instrumental dos bons, vindo lá de Recife: A Banda de Joseph Tourton. Quem foi Joseph Tourton eu não sei exatamente, mas a banda que começou tocando numa rua que levava seu nome consiste dos nomes Diogo Guedes, na guitarra e efeitos, Gabriel Izidoro, na outra guitarra, escaleta, flauta e mil efeitos, Rafael Gadelha no baixo, e Pedro Bandeira, na bateria. À primeira ouvida, as primeiras relações que me vêm à mente são outras instrumentais, feito Hurtmold e mesmo Malditas Ovelhas!, esta já bem conhecida por cá. Claro, Joseph Tourton traz um inconfundível toque pernambucano a mais. Os caras também fazem bom uso de instrumentos menos convencionais como a flauta transversal e a escaleta, além de empregarem muito bem os recursos oferecidos pelos laptops que carregam a tira-colo durante o show. Muito bom saber que o rock experimental vem adquirindo representantes de peso no cenário alternativo brasileiro.

Bom, sobre o QISP, Quinto Impacto de São Paulo, acho que não tenho muitos comentários a fazer, já que o mundo do Hip-Hop é algo completamente desconhecido para mim. Limito-me a dizer que a aceitação do público foi muito boa, e acredito inclusive que muitas pessoas presentes estavam lá exclusivamente para ver o QISP. Vale comentar que, apesar de já conhecermos na mesma vibe os sancarlenses do Zero16, o QISP faz seu rap usando não só de discotecagem, mas com baixo, guitarra e bateria rolando no palco, o que é um atrativo a mais, além de três sujeitos no repente. Acho interessante e, obviamente, muito bom, o fato de que um festival com bandas de estilos tão variados tenha dado tão certo.

E para aumentar ainda mais a variedade de estilos, a noite se encerra com o bom MPB do Quizumba para acabar bem sancarlense, do jeito que começou. Ao contrário do que achei que aconteceria, com o último show já as duas e tantas da madrugada e apesar do frio, foi justamente o mais cheio, ao menos na concentração de público imediatamente a frente do palco. Há um público cativo da banda, que espera ansiosamente para vê-la. Encerrar com música brasileira realmente é uma boa pedida, naquele vocal gostoso e o instrumental bacana já conhecidos de outras paragens.

E assim a Macacada invade o Campus 2! Bom, esperemos que continuem por lá. Árvore é que não vai faltar.

E tem mais fotos aqui! E podem aguardar mais surpresinhas!!!

Ah sim, tem os setlists:


Aeromoças e Tenistas Russas
01. Saguis; 02. Bang Bang; 03. Insomne; 04. Mirela; 05. Instrumental 1456; 06. Solarística; 07. Kirilenko; 08. Sex Sugestion; 09. Samba!; 10. Jacques Villeneuve Experience; 11. Smonkey Skulls;

Jennifer Lo-Fi
01. Escafandro; 02. Instrumental; 03. Catarse; 04. Ataraxia; 05. Delírio Coletivo; 06. Coletivo Segundo; 07. Michael Caine; 08. Pedacabo;


A Banda de Joseph Tourton
01. 16 Minutos; 02. Lembra o quê?; 03. Salomão; 04. Provolone; 05. 100 m; 06. Aquaplanagem; 07. #03;

QISP
01. RG Manifesto; 02. Retrato Brasileiro; 03. Viagem com Consciência; 04. Medley Tim Maia (Azul da Cor do Mar/ Se Me Lembro Faz Doer); 05. Ataque Popular; 06. Nove Anos Atrás; 07. Olhar Acima de Nós; 08. Racionais MC´s (Fórmula Mágica da Paz); 09. Periferia da Paz;

Quizumba
01. Bola de Meia, Bola de Gude; 02. Ladeira da Preguiça; 03. Conta Outra; 04. Domingo no Parque; 05. Samba do Grande Amor; 06. E o Mundo Não se Acabou; 07. Lavadeira do Rio; 08. Anjo de Fogo; 09. Prece Cósmica; 10. Curto de Véu e Grinalda; 11. A Volta do Malandro; 12. Naquela Mesa; 13. Cara Valente; 14. Para Ver as Meninas; 15. Águas de Março; 16 Tive, Sim; 17. Pedro Pedreiro; 18. Dinheiro (Participação Especial-J.Gheto, do Zero16); 19. Santana; 20. Panis et Circenses; 21. Amor; 22. A Deusa dos Orixás; 23. Partido Alto; 24. Sem Compromisso; 25. Camisa Listrada; 26. Ave Maria no Morro; 27. Bandeira Branca;


Fotos por: Catita Alves (Aeromoças e Tenistas Russas), João A. Cassaro Júnior (Palco) e Vincent de Almeida (Jennifer LoFi, A Banda de Joseph Tourton, QISP e Quizumba).