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Chinese Cookie Poets em fotos!

Há duas semanas o Chinese Cookie Poets fez sua passagem por São Carlos, ao lado do projeto Sin Ayuda. Tiveram participação no programa Independência ou Marte, na Rádio UFSCar, falando um pouco sobre seu projeto e sua trajetória, também deixando o registro de seus trabalhos em sessão ao vivo nos estúdios - é possível ouvir e baixar o programa na íntegra aqui. E, como não poderia deixar de ser, aportaram no palco aberto do DCE UFSCar no dia 20 de  Setembro, como anunciamos aqui



Daquela noite, deixamos de fazer nossa costumeira resenha, mas publicamos impressões fotográficas, bastante expressivas, que só não falam mais que a música destes poetas milenares. Todavia, de rápidas palavras podemos dizer que é um dos projetos mais originais no país, falando de free jazz e experimentalismos Avant-guard, beirando o R.I.O. Pareiam-se a trampos como o PigSoul e Satanique Samba Trio. Chinese Cookie Poets é um trabalho incrível que o mundo precisa conhecer. E se só tem essa sorte quebrando o biscoito.

 




Mais fotos dessa e outras noites podem ser vistas nos nossos álbuns no Picasa!


Chinese Cookie Poets e Sin Ayuda em São Carlos


Semanas atrás duas bandas das mais bacanas do último ano anunciaram turnês rodando capital e interior de São Paulo. Aportando pela primeira vez pelo estado, direto do Rio de Janeiro, Chinese Cookie Poets faria São Paulo, São Carlos e Bauru. Sin Ayuda, vindos lá do Vale do Paraíba, fariam São Paulo, Sorocaba e São Carlos. Detalhe, as duas, em São Carlos, no mesmo dia!


 

E assim surgia mais um dos palquinhos malucos na UFSCar, eventos nascidos da urgência louca de colocar as bandas que transitavam pela região nos palcos para o público são-carlense. Tocada pelo Aparelho Coletivo, recém inaugurado ponto Fora do Eixo de linguagem musical, essa será uma Noite Fora do Eixo que tem tudo para ser uma das melhores do ano.



Afinal, são dois grupos interessantíssimos, já falavamos no nome deles quando apontavamos quem seria legal pro Contato trazer este ano. Chinese Cookie Poets, trio instrumental, guitarra, baixo e bateria, faz música que foge do mais convencional, brincando com a colagem de estilos, do free jazz ao noise. Seu primeiro EP é um homônimo lançado em 2010, embasbacante. Seu segundo EP, Dragonfly Catchers and Yellow Dog, recentemente lançado, é uma fantástica mostra de seu poder ao vivo. Enquanto isso o Sin Ayuda também acabava de lançar material, um disco cheio, Noise Reminders. Banda com integrantes de várias outras bandas bacanas, só podia ser um projeto fodido. Como bem nos fala o nome do álbum, lembram o ouvinte do barulho das guitarras em meio a passagens de um violão folk. Imperdível! Mesmo.

Ah, e de quebra nessa vinda os caras do Chinese Cookie Poets aportam pelos estúdios da Rádio UFSCar e se apresentam ao vivo no programa Independência ou Marte desta semana. Fiquem ligados, às 22h desta Segunda!



Palquinho Maluco 

Sin Ayuda (Taubaté)
Chinese Cookie Poets (Rio de Janeiro)
Sessão DF5

Data: Terça-Feira, 20 de Setembro de 2011, às 22h
Local: Palco do DCE-UFSCar, UFSCar, São Carlos, SP.
Realização: Aparelho Coletivo e Circuito Fora do Eixo
Entrada livre e gratuita


FUSCA 2010


Realizado desde 2007 à época do TUSCA (Torneio Universitário de São Carlos) justamente para oferecer contraposição às festas fechadas e estigmatizadas, dando outras possibilidades a cidade e aos universitários, o FUSCA, Festival Universitário São Carlos Alternativo, chega em 2010 a sua quarta edição, com festas abertas e gratuitas.


De 11 à 13 de Novembro, com noites abertas nos palcos do DCE-UFSCar junto do Campus da UFSCar e no CAASO (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira) na USP São Carlos, é mais uma vez iniciativa de estudantes envolvidos com Cultura, do MACACO (Movimento Artístico e Cultural do CAASO) e das entidades de representação estudantil máximas das duas universidades públicas que São Carlos abarca.

Em 2009 o FUSCA integrou também o FULEC, Festival Universitário Livre de Educação e Cultura, e fez apresentações com bandas de São Carlos e região, grupos culturais e convidados de São Paulos. Destacavam-se lá a primeira apresentação d´Os Rélpis em São Carlos, banda de Araraquara que viria a excursionar por todo o Brasil neste último ano e também o pessoal do Eletrofan, apresentando trabalho e formação nova que os relançaria na mídia especializada, com o último álbum prestes a sair.

Este ano, novamente se faz cumprir estes papéis, trazendo uma série de bandas que ainda não passaram por São Carlos e tem um bom trabalho. Hierofante Púrpura e Popstars Acid Killers são promessas que se precisa conhecer. Neste 4º FUSCA ainda tem batalha de monobandas, com Xtreme Blues Dog vs. Iguan White vs. Thee Undead Big Blues Shit, confrontando bandas de um homem só de São Paulo, da cidade de Tiros,em Minas Gerais, e Curitiba. Além disto, apresenta a outro público grupos da própria cidade de São Carlos e região: Há o Samba-Rock do grupo Black P., a heterogeneidade  africanos dos ritmos direto do Congo do Arsenal de Belle Melodie, a proposta de rock alternativo do Bexigão de Pedra e mais mesmo um soundsystem apenas com mulheres, o Sound Sisters, lado a lado com o sempre presente Ganja Groove.


4º FUSCA 

Quinta-Feira, 11 de Novembro, 23h
Local: DCE-UFSCar
Sound Sisters (Reggae/Dub - São Carlos)
Bexigão de Pedra (Rock Alternativo - São Carlos)
Ganja Groove (Reggae/Dub - São Carlos)


Sexta-Feira, 12 de Novembro, 23h
Local: CAASO - USP São Carlos 
Arsenal de Belle Melodie (Música Africana - São Carlos)
Black P. (Samba-Rock, São Carlos)


Sábado, 13 de Novembro, 23h
Local: CAASO - USP São Carlos 
Batalha de Monobandas: Xtreme Blues Dog (São Paulo) vs. Iguan White (Tiros, MG) vs. Thee Undead Big Blues Shit (Curitiba, PR)
Hierofante Púrpura (Rock Psicodélico - São Paulo)
Popstars Acid Killers (Punk/Garagem - São Paulo)

E vale lembrar mais uma vez que todas as atividades são abertas e gratuitas! 



Arte do cartaz por Alexandre Vergara 

PigSoul


"Rock pesado brasileiro com influências de Mike Patton, John Zorn, Dillinger Escape Plan, Koenji Hyakkei, Sleepytime Gorilla Museum, Estradasphere, Secret Chiefs 3."

Figurava assim o PigSoul no caderno de programação do 10º FEIA, o Festival do Instituto de Artes da UNICAMP, quando apresentaram lá o projeto entitulado Gesellschaftsgründung, do alemão Incorporação. As referências eram assombrosas, do Zeuhl de Yoshida Tatsuya ao  Avant-Prog do Sleepytime Gorilla Museum.

Agora, pela primeira vez em São Carlos se apresentavam em mais uma Noite Fora do Eixo no dia 10 último, no palco do DCE-UFSCar. Noitada organizada pelo Massa Coletiva, onde tocavam ao lado do Thriven e a discotecagem radiofônica do Independência ou Marte. Com uma proposta sem igual, mostravam aqui os ares da graça de seu álbum Chorume da Alma, ou Slury of the Soul, na íntegra, ao vivo, e estavamos lá para ver e viver.


Mas e então, que vem a ser a proposta do PigSoul? Nada mais nada menos que uma manifestação do RIO, o Rock In Oposition, no Brasil. E, raios, que vem a ser o RIO? Trata-se de uma proposta de, muito antes de gênero musical, um movimento, que buscava afirmar certas manifestações pela Europa e América enquanto música, a despeito da crítica da época taxá-los de outra coisa. O RIO carrega um sentimento de indignação, por excelência, uma contraposição à indústria, justamente como o Punk faria com o Rock Progressivo ainda a sua origem, mas implodindo de dentro do próprio Progressivo.

A imagem e semelhança da proposta criada para esta Noite Fora do Eixo, vinha o cartaz de divulgação. Com todas as informações da noite, nomes e símbolos, tatuadas no corpo de um jovem com a alça da blusa por cair e os seios excitados, uns diriam que é mais uma ode à repressão da figura feminina e uma exploração de sua imagem para instigar o consumo em uma sociedade machista. Talvez este seja justamente o retrato preterido inconscientemente e, pior, a interpretação tida pela grande maioria daqueles que a virem. Contudo, uma outra leitura, talvez imediata, talvez mais atenta, pudesse muito bem transpor aquele universo a proposta do PigSoul, do RIO, das Noites Fora do Eixo, do Massa Coletiva: Uma sublevação na música, no Rock, na indústria do entrenimento. E isto se dá pela exploração do sentimento libertário contido ali, quando à própria mulher é permitido este desejo e à sociedade é confrontada com a imagem proibida deste, denunciando-a assim como ao marasmo na música das massas e a exploração desta música e por consequência de seu público pela mídia e grandes corporações.

Enquanto movimento iniciado por meia-dúzia de nomes, havia uma espécie de plataforma política a que se fazer adesão para verdadeiramente ser aceito dentro do RIO: A excelência musical, o comprometimento em desbancar a indústria musical e o comprometimento social com o Rock. Aqui, mais uma vez, o PigSoul se mostra verdadeiro, com seus integrantes esbanjando domínio técnico sobre seus instrumentos, músicos da academia que são, e dotados de expressividade assombrosa; Pisavam por São Carlos numa Noite Fora do Eixo, proposta justamente alternativa a indústria musical convencional, que passa a ter aqui certa raiz comum com o RIO; E, por último, se fazer RIO  no Brasil não for um comprometimento sem tamanho, não sei que é.

Fazer RIO torna-se relativamente mais fácil, claro, quando os membros do PigSoul estão em outros varios projetos, tomando por exemplo o próprio Thriven que tem membros comuns ao PorcoAlma. Um projeto como Thriven é indiscutivelmente mais palatável à grande massa, tanto que ali abria a noite e segurava o clima madrugada adentro deixando a excelência do PigSoul para o final, aumentando a pressão à cabeça do público no negrume cozido daquela terça. Thriven trata-se de uma proposta bem mais rentável, há que se dizer. Assim, parece mesmo que o RIO não sai desta esfera, permanece na sua pura essência, discutindo a música para poucos. Mas seria para poucos de fato?

Mesmo naquela fria noite o famigerado palco do DCE-UFSCar, palquinho como dizem os conhecidos do lugar onde vem se desarolando as Noites Fora do Eixo em São Carlos costumeiramente, estava cheio. Há que se considerar que era a primeira semana de aula ali na Universidade, garantia de bom público, mas é inegável que o formato das Noites Fora do Eixo naquele espaço se consolida bem sucedido, atraindo do amante da música ao boemio eterno. Permanecia ainda, já às duas da manhã o público, curioso por conhecer o extravagante projeto conceitual. Fato é que o bizarro, ápice pós-moderno, está mais mais em voga do que nunca.

E o álbum Chorume da Alma, take único de mais de trinta minutos baixou em São Carlos nos devaneios de Gustavo Boni (baixo, de seis cordas, também da Thriven ), Daniel Rossi "Brita" (guitarra de sete, SETE, cordas e trombone), Rafael Montorfano, (teclado, sintetizador e gritos) e Luis André "Gigante" (mais de duas horas em cima da bateria com a Thriven e o PigSoul) na maior exatidão que a frita complexidade e o capricho que o espaço ao improviso permitiam, executado justamente nos seus pouco mais de trinta minutos. Saindo dali uns impressionados, em transe, outros decepcionados, uns bestificados e outros mesmo indiferentes, desentendidos, fato é que se cumpria um dos papéis maiores que aponta o Rock In Oposition: Chocar.

Iniciativa ímpar no Brasil, já que, se tanto, aproxima-se do RIO o Satanique Samba Trio, o mais brasileiro que o Rock In Opposition poderia ser, propiciaram uma apresentação como a muito não se vê por estas terras, se é que seria possível, de tantas outras investidas. Também, pudera! O show é realmente único, como que intransponível à palavra.

Só que, mais, como se o próprio RIO já não fosse por vezes uma grande e elaborada pilhéria, o PigSoul não se bastava em instigar com o Chorume. Mostrariam uma piada dentro da piada com algumas "musiquinhas" de um novo projeto, chamado Tupinikings of Metal, absurda fábula em que o Deus do Metal joga um raio numa tribo indígena para fazer nascer ali um Deus do Metal brasileiro. Carregada de clichês, a insana brincadeira chega a ser sofisticada, deitando para uma das últimas não-pedidas da noite um Drone safado, chamado Comendo a Própria Mãe, a la Sunn O))). Dar as caras deste jeito depois da profusão sonora que havia sido o Chorume da Alma só fazia jus a proposta como um todo, lembrando os absurdos de outra referência lá, Mike Patton, voz da Ópera ao Grindcore. Restaria saber se eles levam a cabo a alcunha e fazem a dita produção deste novo álbum. Uma apresentação de RIO no Brasil, que dirá, em São Carlos, já era inusitadíssimo. Mas, DRONE?!?


Acontece de o RIO não figurar exatamente um estilo musical, uma vez que centrava-se em torno de uma não-causa. E assim pode-se apontar o PigSoul, a soma descontrolada e ao mesmo tempo precisamente mensurada de elementos, nunca desvelando-se, sempre alheio ao público, a massa.

Mas estes sujeitos do PigSoul não eram de todo desconhecidos afinal. Ao mesmo tempo em que tinham membros comuns na Thriven, o Metalcore que se apresentava antes naquela mesma noite, o PigSoul divide pares com o Eletrogroove, de Campinas, a quem já tinhamos resenhado aqui uma apresentação, na ocasião da 4ª Semana do MACACO, em 2008. Outra proposta instigante, bebendo do Jazz e do Rock, do Punk e do Progressivo, do Afrobeat e do Eletro.

Da mesma maneira nossos sujeitos usam destes elementos apontando para outras vertentes, carregando todas as dualidades, de sentimentos e cores, que se manifestam na sua música em um balaio só. O álbum Chorume da Alma estava disponível, completinho, até uns dias atrás para audição no SoundCloud, plataforma que, vale comentar sempre, é em muito superior ao MySpace para a divulgação de bandas Infelizmente resta apenas um excerto lá, mas há o Last.fm  da banda conta com a versão em um track só do álbum, para download gratuito inclusive!

Muito da sonoridade apresentada em o Chorume da Alma aparenta também ser um trabalho feito pelo próprio prazer e satisfação dos autores, fazendo ali uma música preocupada, carregada das angústias destes. Se quem sabe esta não era a pretensão destes para com o público ouvinte, é o que se passa a eles, havendo identificação. Da mesma maneira que há transgressão, como também o é a excitação dos seios de nossa menina no cartaz.




Mais fotos no nosso Picasa!



Resenha: Falsos Conejos Malditas Ovelhas!


Eis que somente nessa quinta-feira, 12 de novembro, fomos alertados com os dizeres “¡Peligro!”. Espalhado pela cidade, o anúncio de última hora conseguiu ainda precaver alguns de não perderem, nesse mesmo dia e gratuita, mais uma atração internacional que o Massa Coletiva não pode deixar de trazer para São Carlos. Usando o famigerado adjetivo que remete a nossos vizinhos sul-americanos, falamos de nossos hermanos Falsos Conejos, que encerraram sua turnê pelo Brasil antes de retornar nesse fim de semana à província de Buenos Aires (Argentina), passando por La Plata e enfim chegando a cidade origem, Cidade Autônoma de Buenos Aires.

E para abrir a peligrosa noite de animais nada dóceis da música instrumental no salvador Palquinho do DCE, não haveria melhor anfitrião do que nosso caro Malditas Ovelhas! (com exclamação no nome, por favor), além, é claro, do Independência ou Marte na Discotecagem Radiofônica executada por Young Man e Felipe Silva que também comanda a Operação de Som da banda são-carlense, figurando como seu live mixer.

Chegamos pouco depois da meia-noite a tempo de conferir parte da primeira leva de música brasileira atual através da discotecagem radiofônica. Por volta da meia-noite e meia sobe ao palco o Malditas Ovelhas!: quatros integrantes comandam guitarra, baixo, bateria, percussão, escaleta e teclado. Teclado? É, o synth de sempre queimado a dois dias obrigou os caras a partirem para um plano B. Mas isso não foi motivo para estragar a apresentação de nossos anfitriões. Longe disso. O MO! mostra que sempre tem o maior prazer em mandar seu som na cidade mesmo após rodar pelo país.


Nesse contexto o público parece variado. As notícias de um palquinho na Federal correm por veredas obscuras, numa trama comunicativa indecifrável que dá num determinado público resultante. Então aqueles que, por inocência, esperavam do palquinho uma festa, ainda assim puderam se balançar um pouco com esse instrumental-experimental nos momentos de brasilidade regionalista que se serve o Malditas!. Bebendo do manguebeat, o regionalismo da percussão e bateria que se destaca dos temas principais, mas estrutura temas como os de Slide e Esqueleta, agradou o público na Federal e fez parte da platéia se movimentar no início da apresentação.

Na seqüência, Saldo/Extrato, trazendo uma pitada de funk na distorção da guitarra, deu uma guinada na apresentação trabalhando o tema do capital financeiro de maneira mais sutil que sua possível e distante referência progressiva (arrisco eu): Money, do Pink Floyd. Criando um clima menos regionalista a meados da apresentação, o Malditas Ovelhas! fez com que alguns se envolvessem com o minimalismo onírico de Vril e a melancolia de Perseguida, que encaminharam o final da apresentação. Nesse ínterim, deparamo-nos com uma faixa que nos pareceu nova: Fossilizado. Pelo nome (arriscando de novo), talvez fruto de algum encontro com a banda instrumental Fóssil, que se apresentou no Festival Contato desse ano assim como o próprio Malditas Ovelhas!.

A apresentação de cerca de uma hora revela uma ótima produção constante do grupo que pôde deixar de fora muita coisa boa como a faixa Ódio ao viajante, que costuma ser um dos pontos altos da apresentação, pois todos os integrantes se reúnem em torno da bateria e percussões e a as executam simultaneamente. Mesmo assim, estava muito bem aberto o palco para o convidado principal e ficamos, como sempre, satisfeitos com o Malditas Ovelhas!. Enquanto se davam os preparativos no palco, pôde-se desfrutar de mais um bloco da discotecagem de Jovem, recheada com o que já rolou de melhor por São Carlos e que já visitou os estúdios da Rádio UFSCar como Trilöbit, e ainda, o que queremos que ainda role por aqui como Maquinado. Felipe Silva também assume a discotecagem, deixando a operação de som mais com o técnico contratado pelo DCE.

Enfim sobe ao palco por volta das três da matina nossos caros señores - assim foi anunciado o principal da noite. No entanto, diferentemente da atração anterior, onde se via o uso de um caráter musical próprio do país de origem da banda, nada se pôde perceber de especificamente argentino nos Falsos Conejos. Ainda mais para nós brasileiros, que sempre esperamos algo relacionado ao tango ao nos depararmos com legítimos porteños. E, de fato, já anuncia essa postura o título de uma de suas demos, AntiTANGO!

É claro que isso não é motivo para ficar decepcionado. Dramática e tensa, reforçada por bruscas pausas, a primeira faixa Estrobos já mostra a força do instrumental argentino. Na seqüência, guitarra, baixo e bateria desenvolvem faixas um pouco menos digeríveis, mas que fazem juz quando nos referimos a banda como power trio. A faixa K-co traz uma poderosa guitarra cuja força, infelizmente, o equipamento da sonorização contratada não foi capaz de suportar.


Houve alguns problemas, um dos músicos até levou choque, mas depois de resolvidos os contratempos, parece que os caras voltaram mesmo é com carga elétrica. Após uma interessante versão de National Anthem do Radiohead, nosso hermanos desenfrearam a faixa Sobrevuelo, dançante e frenética, fez alguns dançarem como coelhos, falsos, com pilhas alcalinas. E para fechar sem desanimar, Delia, la psico, com seu tema marcante, repetitivo e envolvente, conduzido pelo baixo pouco tradicional nos momentos de livre sonoridade da guitarra.

Os Falsos Conejos devem ter assumido o palco durante cerca de uma hora. A produção agradeceu a apresentação e os señores também ficaram gratos ao Malditas por ter feito rolar o lance. Muchas gracias ao sr. Du Rodrigues! Que voltem os porteños ano que vem! A noite se encerrou com mais uma leva radiofônica para os derradeiros. Mas nós, já satisfeitos, decidimos ir embora após termos que rachar um álbum da atração internacional, pois em fim de turnê, estavam esgotados. Se bem que, se houvesse mais, dividiríamos os custos do mesmo jeito, pois o negócio é distribuir logo, grátis, para que mais gente ouça e assista, pois o legal é ver ao vivo com a galera e só gastar é com cerveja.

Segue o setlist da noite instrumental:

Maditas Ovelhas!
01. Slide; 02. Esqueleta; 03. Saldo/Extrato; 04. Nova Orgum; 05. Vril; 06. Fossilizado;
07. Perseguida; 08. Lá na lua;

Falsos Conejos
01. Estrobos; 02. Villazon; 03. K-co (Caco); 04. Panq; 05. National Anthem; 06. Sobrevuelo; 07. Delia, la psico;

Resenha: Quizumba no Palquinho da Federal

Quizumba! Verdadeiro tesouro do cenário musical são-carlense,não poderíamos deixar de prestigiar mais um show deles, desta vez no Palquinho da Federal, no dia 11 de março. Depois de uma apresentação interrompida na Semana do Bixo, no Palquinho do CAASO, e outra na Praça do Mercado no Dia Lilás, no Mês da Mulher promovido pela Prefeitura Municipal, do qual eu peguei apenas a última música, finalmente pude checar a banda mais uma vez, agora na UFSCar.

Primeiro, uma introdução: a banda Quizumba é composta por Marina Casonato, ou Tika, no vocal, Gui Ambrósio no baixo, Pablo Mendoza na guitarra e Fábio Salvatti nas baquetas. O repertório da banda traz essencialmente música brasileira, de estilos variados, mas todas de extremo bom gosto, misturando clássicos como Chico Buarque, Elis Regina, Milton Nascimento e Secos e Molhados com artistas mais atuais, representantes da "Nova MPB", como Maria Rita, Céu, Marisa Monte, Los Hermanos e Vanessa da Mata. Aqui, um muito obrigado pela valorização dos músicos atuais, mostrando que ainda existe boa música brasileira, infelizmente não mais tão reconhecida como antigamente. Uma das desvantagens do excesso de informação é que muita coisa boa fica no anonimato, debaixo de tanta porcaria. Esperemos que o "P" da sigla volte com força algum dia.

Já que estamos nesse assunto, bem que a banda poderia incorporar mais alguns nomes ao repertório, hein? Meninas como as do DonaZica, Andréia Dias e Iara Rennó. É uma pena ver gente boa assim ser tão desconhecida. Seria um prazer imenso para o pessoal do Programa Bluga vê-los no Quizumba! E, claro, ao vivo também.

Agora, ao show propriamente dito. Infelizmente e mais uma vez, por razões diversas (leia-se "nos perdemos!"), chegamos ao palquinho um tanto quanto atrasados, o que me impossibilita de comentar o início da noite em maiores detalhes. Ao invés disso, me limitarei a dar uma visão geral e uma impressão minha, particular, do evento.

Lá pela meia-noite, o show começa (ao menos para nós) em grande estilo, com Parabolicamará de Gilberto Gil, seguido de Prece Cósmica, de Secos e Molhados, esta que parecia ser bem conhecida do público presente. De cara, destaca-se a linda voz de Tika, e o instrumental bem dosado da banda, transpondo para os instrumentos do rock sambas e afins. Depois de uma pequena pausa, aparentemente por conta de uma corda estourada, a continuação com Além do Que se Vê, original do Los Hermanos (e não Loser Manos, como alguns por aqui insistem em chamar). Mesmo sendo fã dos caras, admito que achei tanto o arranjo quanto o vocal do Quizumba mais atraentes do que o original, um fato que parece se repetir com bastante freqüência (vide Deixa o Verão com Mariana Aydar, Casa Pré-Fabricada com Maria Rita, entre outras mais).

Durante todo o show, vê-se um público bastante animado e familiar com o repertório, o que me surpreendeu muito. O pessoal cantava e dançava junto da maioria das faixas, com destaque para Cara Valente de Marcelo Camelo, famosa na voz de Maria Rita, e A Rita de Chico Buarque. Bom saber que a boa música ainda tem grande audiência, caçando bem os lugares apropriados para ouvi-la. Pablo Mendoza abusa dos pedais em várias partes do show, como em Camisa Listrada da Carmem Miranda, e rouba a cena (coisa bem difícil ali, visto que temos o excelente vocal da Tika na linha de frente) em determinados momentos, como em Mistério do Planeta dos Novos Baianos.

Completam ainda o setlist adaptações muito bem elaboradas de músicas de Céu, Vanessa da Mata, Elis Regina, Marisa Monte e Chico Buarque, este último que, sem querer desmerecer o restante, consideramos o ponto alto do show. A Volta Do Malandro foi onde Tika mostra do que realmente é capaz no vocal fazendo da música algo memorável. Impossível não lembrar da versão da mesma canção que vimos e comentamos com Mônica Salmaso, cantando ao lado do Pau Brasil, mas não vou cometer a injustiça de comparar as duas.

Iniciando-se o fim, a banda continua com Deixa o Verão dos Hermanos, mais uma vez com uma versão mais interessante do que a original. Sinceramente, me passou um pouco batido, já que ainda estava um pouco aturdido com a Volta do Malandro. Depois de Muito Pouco, de Maria Rita, a banda nos presenteia com as duas primeiras músicas próprias da noite em que estreiavamos os ouvidos também: O Cobrador; e a próxima, cujo nome infelizmente desconheço, mostrando que não só de versões e releituras vive Quizumba. Seria deveras interessante ver essas e eventuais outras faixas da banda gravadas em estúdio! Tenho certeza que o resultado seria muito, muito bom. O grupo se despede com Velha Roupa Colorida de Elis Regina, deixando o público pedindo mais. É uma pena que não tenham voltado noutro bis, mas, afinal, tudo que é bom um dia acaba.

Para contentar os ânimos, eis que o próximo show do Quizumba já está marcado, para o dia 19 de Abril, às 15h no SESC de São Carlos, como bem visto na nossa agenda, por sinal. Mais fotos para lembrar do show também na conta do Picasa do Programa Bluga!

Fotos: Vincent de Almeida