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BEBOP A LULA 2011

No próximo fim-de-semana acontece em São Carlos novamente o Festival Bebop a Lula, encabeçado por uma das mais famosas bandas instrumentais da cidade, The Dead Rocks.


O festival leva o nome de música que marcou época e foi para versões de um sem número de bandas, de The Beatles à Raul Seixas. Be-Bop-A-Lula, surgida com Gene Vincent no final da década de 1950, refletiria todo o movimento da época. Justamente nessa toada bem as atividades que acontecem de 17 à 19 de Março, com programação oficial centrada no SESC São Carlos. Passam pelo Rock and Roll mais propriamente dito, o Rockabilly, Contry, Surf Music e toda a imagem que remete a época.


Nesta sua quarta edição, trazem inclusive o ícone desta geração no Brasil, Erasmo Carlos. Além das atividades no SESC, vem junto uma programação não-oficial também, chamada Bailes Noturnos de Verão, no Armazém Bar.




FESTIVAL BEBOP A LULA E BAILES NOTURNOS DE VERÃO

17 DE MARÇO, QUINTA

Horário: 21h.
Local: SESC São Carlos
Entrada: R$ 10,00 a inteira

TINKY DRINK PARTY:
DJ Johnny Crash (Jovem Guarda e Rock and Roll)
DJ Marky Wildstone (Surf Music e Músicas Hawaianas) 
Horário: 23h
Local: Armazém Bar
Entrada: não-divulgada



18 DE MARÇO, SEXTA

Jazz Brothers (SP)
Horário: 19h30
Local: SESC São Carlos
Entrada Gratuita

GARAGE SURF NIGHT:
Horário: 23h
Local: Armazém Bar
Entrada: não-divulgada



19 DE MARÇO, SÁBADO

The Broken Toys (Argentina)
Horário: 16h.
Local: SESC São Carlos
Entrada gratuita

TERROR FEVER com homens-banda:
The Great Munzini (Alemanha)
Michel Skarekrows (França)
Dead Elvis (Alemanha)
Horário: 23h
Local: Armazém Bar
Entrada: não-divulgada


O Armazém Bar fica na Rua Sete de Setembro, 2109, Centro. O SESC São Carlos, na Avenida Comendador Alfredo Maffei, 700.

Projeto B - A Viagem de Villa-Lobos

Já havíamos visto os rapazes do Projeto B durante a Virada Cultural Paulista em Piracicaba, na mesma ocasião em que Yann Tiersen passava pelo país. Contudo, apenas uma apresentação não basta para um trabalho como o desenvolvido aqui. Então, eis que a oportunidade para vê-los novamente surgiu na quinta passada, numa das mais interessantes iniciativas que já passaram pelo SESC São Carlos: A série instrumental Sem Palavras, que em Maio já havia nos trazido o também célebre Quarteto Pererê.

Com seus trabalhos iniciados ainda em 1999,o Projeto B completava em 2009 seus dez anos, fazendo seu instrumental que mescla influências do erudito contemporâneo ao jazz usando de instrumentos elétricos e bateria lado-a-lado com sopros e piano. Também em 2009 completava-se cinquenta anos da morte de Heitor Villa-Lobos, uma das principais influências do Projeto B, levando a homenagem do grupo no que seria seu trabalho último, A Viagem de Villa-Lobos. Terceiro álbum, tem não só sua turnê passando por diversos SESC por todo São Paulo, mas também sua publicaçao pelo selo SESC, que vem investindo em expressivos trabalhos de brasilidades, como outro bastante admirado por aqui, Macunaópera, de Iara Rennó

E nesta publicação, A Viagem de Villa-Lobos é um trabalho requintadíssimo não só nos rearranjos da obra do compositor, mas também no corpo do álbum físico, com alguns dos desenhos do caderno que acompanha o álbum aqui ilustrando a postagem. Trata-se do trabalho gráfico espetacular de Manu Maltez, aquele mesmo do Manu Maltez e Grupo Cardume, que ainda estamos por ver ao vivo e onde alguns do Projeto B também incursionam .

Esta última e mais consolidada formação do Projeto B vem para nós com Yvo Ursini na guitarra elétrica, Leonardo Muniz Corrêa no sax alto e clarinete, Amilcar Rodrigues no trompete e surdinas, Henrique Alves no baixo elétrico, Vicente Falek no piano e Mauricio Caetano na bateria.

Quando propõe-se a levar Villa-Lobos mais uma vez em uma gravação, em um arranjo novo, o Projeto B preocupa-se com um dos aspectos mais importantes desta obra, explorando a urbanicidade caótica que acometia o paulistano da época. E refletir hoje este mesmo sentimento  seria fácil, uma vez que os elementos permanecem, não fosse a freneticidade que se acumulou a eles. E este novo elemento é o que faz diferença no trabalho do Projeto B, que amplia as peças de Villa-Lobos compostas em sua maioria para o piano, transpondo-as para o leque de efeitos de guitarras, pianos e sopros numa inusitada dinâmica poliritmica e improvisos vários. Aí reside a revitalização da obra, não tirando seu aspecto modernista, mas alavancado-a ao pós-modernismo.

Dito isto, vamos a apresentação. Nada poderia ter sido mais icônico ao abrir com um arranjo de Bruxa (A Boneca de Pano), parte da obra que lançaria Villa-Lobos como gênio dos trópicos. Era uma arranjo de Muniz corrêa em cima da última das peças da primeira suite para piano sobre temas infantis brasileiros, a Prole do Bebê nº1

Na sequência, Choros Nº5  "Alma Brasileira", adaptação de Yvo Ursini da peça originalmente feita apenas para clarinete e flautas, e Saudades das Selvas Brasileiras Nº1, uma ciranda composta para piano transposta aqui nos arranjos de Muniz Corrêa. Esta última reservava um solo de guitarra de Ursini e dava espaço a um solo de bateria inusitadíssimo de Maurício Caetano, que arrancou aplausos verdadeiros da platéia.

Para a próxima, trariam Le Sacre du Printemps (A Sagração da Primavera), de Ígor Stravinsky. Apesar de não constar no álbum que dá nome ao show, é um dos arranjos mais interessantes, que evidenciaria a ligação entre a obra de Stravinsky e as composições de Villa-Lobos. Daí se tira o nome do álbum de quando o brasileiro viaja a Europa e volta altamente influenciado depois de ter entrado em contato com a produção emergente de lá. E esta versão da introdução da peça justamente não está em A Viagem de Villa-Lobos porque os direitos de registro de qualquer adaptação não foram permitidos pelo próprio Stravinsky em nota póstuma, infelizmente. Contudo, ao vivo é possível apresentá-lo, para nossa graça. Quem não viu ao vivo, pode conferir ainda nesta gravação pelo Instrumental SESC Brasil:


Na sequência, dois arranjos do homem das teclas no grupo, Vicente Falek. O primeiro, em cima da peça para piano Cirandas Nº2 "A Condessa", seguido do rearranjo dos Estudos para violão Nº12 e Nº8, tocados juntos, destacando-se aí ora guitarra, ora baixo, que tem ali seu espaço para um belo solo.

Encerrariam a apresentação com mais uma arranjo de Yvo Ursini em cima da peça de Villa-Lobos para piano Choros Nº2. Encerrariam? Não exatamente. Apesar de um teatro com poucas pessoas, entusiásticos aplausos e exaltados assobios os trouxeram de volta. Apresentaram então para o derradeiro final uma composição própria, Ouvido, de Yvo Ursini, que apesar de também prestar homenagem à Villa-Lobos, mostrava demais influências do grupo como se via em outros de seus trabalhos, como no primeiro álbum, Andarilho, e o segundo, A Noite, publicado por outro selo bacana no Brasil, o Editio Princeps, que trouxe republicações do Grupo Um e Som Nosso de Cada Dia, que inclusive já trazia o quarto ato da Sagração da Primavera de Stravinsky, Rondes Printanières, em meio a outras composições que mostrariam também os ambientes urbanos que o grupo explora em seu trabalho.




Bárbara apresentação. A atmosfera não poderia ser mais propícia, desde o uso da iluminação da sala do SESC São Carlos destacando os músicos momento a momento como nunca havia visto, comparando mesmo com peças de teatro, até uma excelência da captura do áudio e ajuste da sonorização. Pudera, a  técnica de som da noite era de Felipe Julián, membro do grupo Axial, que também por aqui já passou. E vale lembrar que Ursini e Muniz Corrêa, aqui do Projeto B, também fazendo parte deste outro que considero expoente da música no país.

E o Projeto B figura ali como uns poucos grupos no país empurrando as vanguardas, trazendo o erudito ao cotidiano e o cotidiano ao erudito, em diferentes frentes, como o próprio Axial, ou Satanique Samba TrioCumieira e como fizeram e fazem, HermetoArrigoMário Campos. Iniciativas ímpares, a que devemos estar atentos.


Setlist
01. Prole do Bebê nº1 - Bruxa (A Boneca de Pano); 02. Choros Nº5  "Alma Brasileira"; 03. Saudades das Selvas Brasileiras Nº1; 04. Le Sacre du Printemps (A Sagração da Primavera); 05. Cirandas Nº2 "A Condessa"; 06. Estudos para violão Nº12 e Nº8;  07. Choros Nº2 BIS 08. Ouvido.

Anotações do Show: Quarteto Pererê em São Carlos, e com Ivan Vilela de quebra!


Ontem, quinta-feira, acabou que a oportunidade derradeira para ver o Quarteto Pererê aconteceu aqui mesmo em São Carlos, em apresentação no SESC.

Apesar de conhecer a proposta do grupo a um bom tempo, só fui entrar em contato de fato com o material depois de topar com eles novamente a pouco tempo com a coletânea Sons do Brasil, idéia bacaníssima da Cooperativa de Música, que trás um CD com diversas faixas em MP3 dos artistas de seu catálogo, um DVD com vídeos e um encarte bacaníssimo carregado de informações, que servem muito bem a divulgação da melhor maneira possível: conhecendo.

Cabem aqui parenteses pra falar da Cooperativa, que abarca nomes que já passaram por aqui, como Axial, e trocentos nomes de trabalhos admiráveis, como A Barca, Manu Maltez e Grupo Cardume e, não menos importante Projeto B, por quem tenho grande apreço e irei ver ao vivo pela primeira vez na Virada Cultural Paulista em Piracicaba neste sábado. Claro, eles virão para o SESC São Carlos em Junho, no dia 17, pelo mesmo trabalho que trouxe o Quarteto Pererê, a Série Instrumental Sem Palavras. Mas isso é só uma desculpa para os vermos não uma, mas DUAS vezes.

Voltando ao Quarteto Pererê. Se apresentavam pela primeira vez no SESC São Carlos, com seu trabalho que se confunde entre o erudito e o popular. Convidavam e homenageavam Ivan Vilela, pesquisador de cultura e música populares, violeiro e professor da ECA, Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Ivan Vilela também esteve recentemente em São Carlos, participando do I Seminário de Políticas Culturais realizado pela CEC, Coordenadoria  de Eventos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de São Carlos.



Munidos também de uma viola caipira, um violão de sete corda, um violino e um leque de gaitas cromáticas, conseguiam com esta variedade de instrumentos passear por diferentes trabalhos e época, indo de Villa-Lobos à Guinga. Abriram a apresentação com  Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos, trazendo no repertório ainda Senhorinha (Guinga), As Montanhas (Madredeus) e mesmo uma composição anônima do século XII, Istampita Palamento, entre vários arranjos de seu primeiro álbum Ebulição e o segundo e último trabalho, Balaio, cuja canção título serviu de entrada para Ivan Vilela, declamando o poema de Gildes Bezerra

Depois de apresentar-se homenageando e sendo homenageados com Ivan Vilela, deixaram-no só ao palco, para que então se apresentasse solo na viola caipira com alguns de seus trabalhos, que compõe seu último álbum, Dez Cordas, de 2007, com um arranjo magnífico para Carreirando, homenagem a Tião Carreiro de Pereira da Viola e um trabalho que saltava aos ouvidos, com Eleanor Rigby, de Lennon e McCartney, ou João e Paulo, como o mestre chamava.


Voltaram para apresentar também um arranjo do último álbum de seu convidado, Pescador, composição original de Xisto Bahia, para findar a apresentação. Obviamente não tardaram para trazer um bis, com Corta Jaca, de Chiquinha Gonzaga.

O Quarteto Pererê trata-se de uma jóia rara. Com mais de oito anos de estrada, merece muito maior projeção, dada acuidade do trabalho feito e justamente por isto não se podia deixar de comentar a apresentação aqui no Programa Bluga, por mais rápidas que sejam as anotações do show. Meninos, ouçam!

Cobertura: Terreno Baldio no SESC Vila Mariana


Passado aproximadamente um ano do último show do Terreno Baldio, período durante o qual sempre haviam pedidos de novos shows nos mais variados lugares e festivais, eis que eles finalmente voltam para uma apresentação. Dessa vez no auditório do SESC Vila Mariana em São Paulo, com 130 lugares que se esgotaram dias antes da apresentação. Bom sinal, afinal sucesso de público sempre é indício de futuros shows. Ansiosos pela apresentação nos posicionamos em nossos lugares para aguardar a entrada da banda, o que não tardou em ocorrer. Os remanescentes da formação original: João Kurk, o carisma em pessoa e mais belas vozes nacionais, nos vocais, Roberto Lazzarini, maestro, compositor e gênio musical brasileiro, e nos teclados Mozart Mello, ícone brasileiro pra qualquer guitarrista que se preze. Completando a formação temos o novo baixista Geraldo Vieira, que conquistou a todos desde a primeira música, e os já conhecidos do público Edson Ghilardi na bateria e Cássio Poleto no violino.

Sempre muito simpáticos saúdam o público e abrem com a impecável Este é o Lugar, música ideal para introduzir o Terreno e toda sua filosofia para os que ainda não a conhecem, pois ao contrário do que se podia esperar, nem só dos esperados fãs de progressivo, aficionados por Gentle Giant e adjacentes era feito o público, dentre famílias e demais frequentadores do SESC foi bonito ver pessoas que não conheciam a banda se deixar encantar por ela.

Também não é por menos, pois existe em torno da banda todo um universo, quase uma mitologia, o Terreno em si é um daqueles lugares mágicos que em algum momento você sabe que existe escondido no mundo e que particularmente durante esse show foi transportado para aquele auditório, tornando cada um dos espectadores cúmplices de um acontecimento mítico em que todos puderam ceder ao impulso de dançar, de festejar e comemorar, mesmo que sentados. Afinal, eles são uma bandas que consegue transpor musicalmente todo o misto de sensações e desejos que uma boa narrativa consegue trazer. Quando ouvimos qualquer de suas músicas, mais que nos transportarmos para a situação de que ela conta, sentimos essa situação, nos sentimos não apenas parte dela, mas ELA como um todo, assim quando escutamos Água que Corre, segunda música do show, mais que visualizar um caminho que flui, nos sentimos fluindo por ele, como se nós fossemos essa água ou demais elementos naturais sempre tão bem personificados pelo Terreno.

É sempre difícil escolher momentos de destaque de um show desse, mas se vamos faze-lo é justo dar o mérito à sequência que se inicia com a instrumental O Vôo Sempre Continua, que Lazzarini, sempre muito carismático e brincando com o público, diria funcionar devido ao seu "teor de auto ajuda", afinal contem várias crescentes que se encadeiam, mas cujo mérito recai muito na maneira como as linhas de teclado conversam com todos os outros instrumentos, em especial a guitarra, tornando a todos ali presentes impossível segurar as palmas. Depois dessa vem Despertar, onde Lazzarini novamente dá um show à parte para então culminar na clássica Pássaro Azul, introduzida com um duo de guitarra e violino: o momento de Mozart Mello mostrar porque é uma figura tão emblemática para todos os guitarristas do país.


Sendo a única do CD Além das Lendas Brasileiras, a irreverente Saci Pererê sempre que aparece dá aquele gostinho desse álbum, que, infelizmente não foi muito abordado no show. Uma lástima, uma vez que muitos esperavam algumas músicas dele desde a última apresentação. E aqui chegamos ao talvez único ponto negativo do show, a Set-List foi exatamente a mesma da apresentação anterior. Ainda que essa seja uma boa seleção, e que o Terreno Baldio seja o disco de estréia e bastante característico da sonoridade da banda, as pessoas sentem falta de mais músicas do "Além das Lendas" durante o show. Mesmo no bis, aclamado pela platéia ao fim da apresentação, foi feita uma repetição de Grite - longe de reclamar, e não que eu ache que exista alguma outra música tão eficiente para um "Gran Finale" à altura da experiência que é um show deles.

Como de fato o foi, com a platéia cantando junto o refrão de Grite, naquele ar de libertação que essa música reflete tão bem. Afinal, o Terreno Fala sobre liberdade, sobre voar, sobre um lugar onde tudo é possível, e é assim que parece a todos num show como o deles.


O Set List oficial foi:
Este é o Lugar / Água que Corre / Quando as Coisas ganham vida / AqueIôo / O Vôo Sempre Continua / Despertar / Pássaro Azul / Saci Pererê / Velho Espelho / Relógio do Sol / Grite BIS - Grite


Fotos por Erick Fernandes



Cobertura: 14 BIS - 30 anos no SESC Pinheiros


Hoje em dia o 14 BIS é uma daquelas bandas de que boa parte das pessoas gosta/conhece alguma coisa, mas que não consegue localizar no nem quando, nem onde ou como começou a gostar. Foi assim para mim por bastante tempo, cresci ouvindo os clássicos da banda nas mais diversas situações mas não posso dizer que gostava com aquele gostar consciente e especial até alguns anos atrás, na ocasião que me deparei com todo o movimento mineiro em que ela estava inclusa, e contextualizando aquele repertório já conhecido pude finalmente reconhecer nele todo seu valor. E esse show, ocorrido no último dia 9 foi o ápice desse reconhecimento (existem inúmeras razões para eu nunca ter ido a um show deles antes e, embora em algum momento elas tenham parecido coerentes, hoje me arrependo enormemente de ter cedido a cada uma delas).

Pois bem, SESC Pinheiros - Teatro Paulo Autran já garante, de cara, organização e estrutura de som e iluminação impecáveis e um público mais familiar, juntando o domingo de dia dos pais com a apresentação de um especial de 30 anos de uma banda que influencia tantas outras bandas/pessoas. Temos aí o cenário perfeito pra um show aconchegante e com aquele clima de celebração entre gerações.

Nesse contexto não havia música melhor do que Bola de Meia, Bola de Gude para abrir o show. Toda essa interação de gerações que o 14 BIS provoca representada musicalmente nessa canção do segundo álbum da banda e que permanece um hit indiscutível. Já aqui percebemos o que seria uma constante de todo o show, a experiência de uma banda que permanece ativa há anos e cujos membros são amigos pessoais "desde sempre", fazendo da apresentação uma demonstração de qualidade técnica e pessoal, com entradas e saídas de instrumentos e vozes perfeitas, efetuadas com aquele cuidado e sintonia que anos de amizade e dedicação a um projeto comum podem criar.

O show segue com Sonhando o Futuro, parceria de Cláudio Venturini e Lô Borges, uma das músicas mais bonitas do grupo, que mostra como mesmo após a saída de Flávio Venturini em 87 o grupo não só se manteve na ativa como manteve os bons lançamentos e composições. Que o digam Siga o Sol, O Fogo do Teu olhar, Eu já Fechei Meus Olhos e Canções de Guerra, também presentes no show e que mostram que a banda ainda produziu muitos clássicos pós anos 80.



Não tem como deixar de citar os momentos de público que foram as "baladas" Caçador de Mim - de Sérgio Magrão, tornada um sucesso na voz de Milton Nascimento, Canção da América, Todo Azul do Mar e Espanhola – com a participação de Maurício Gasperini. A despeito da sonoridade mais pop destas faixas, há de se comentar que esse talvez seja um grande mérito do 14 BIS, transpor para a sonoridade popular toda a dedicação das músicas bem trabalhadas, a preocupação em criar boas linhas instrumentais e agregá-las a um vocal pensado, com backings vocals precisos e bem colocados. Deve-se comentar ainda que ao vivo eles se dão a liberdade de improvisar mais, brincar mais, tornando as músicas bem mais interessantes que as versões de estúdio, evidenciando influências dos grandes mestres do Rock'n'Roll na sonoridade da banda. Tanto que seria injusto limitar a um único momento do show todo o fascínio que Cláudio Venturini consegue transpor para o público nos seus riffs de guitarra, sempre achando um bom ponto nas músicas para se desenvolver e arrancando gritos de aprovação da platéia.

E se é pra citar a repercussão dessas influências chegamos aqui ao meu momento favorito do show. Adentrando no mundo dos clássicos do rock temos Nave de Prata e seus arranjos de teclado lembrando os mestres do progressivo, Natural e Mesmo de Brincadeira, ambas com aquela batida dançante típica do folk e a incrível Xadrez Chinês, com um clima mais pesado, o que a destaca das outras. Trata-se de uma representação óbvia dessa busca por padrões tecnológicos exemplares nas composições da banda, sempre trazendo a modernidade, mas ainda assim uma modernidade amparada pela cultura e tradição, a essência do que é o sonho do 14 BIS.

Enfim, Planeta Sonho, aquela que por mérito e qualidade ostenta o título de maior clássico da banda, e não por menos, levanta o público e encanta a todos com um vocal que carrega um lirismo típico das grandes poesias mesclado a batida do Rock e às influências populares, construindo todo um sentimento pueril e inocente para as mais variadas gerações que acompanhavam a apresentação. Poderia ter sido um bom final, mas não, público de grandes bandas nunca está satisfeito com apenas um final, as palmas não cessam, a platéia só parece mais feliz e empolgada, a banda não pode ir embora sem um bis para complementar o já extenso set list. As escolhidas são O Sal da Terra de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, como que pra homenagear não só essa, mas todas as grandes parcerias da historia da banda, e Linda Juventude, que assim como a música de abertura, traz aquele clima nostálgico, porém uma nostalgia benéfica, que recupera valores e conceitos, que celebra o passado e o presente e deixa a vontade de “quero mais” para o futuro.




O 14 BIS conta com Cláudio Venturini nos vocais e guitarra , Vermelho nos teclados, Sérgio Magrão no baixo e Hely Rodrigues na bateria, a apresentação contou ainda com Sérgio Vasconcellos nos teclados e Maurício Gasperini como participação especial no vocal de Espanhola.

A set list oficial, salvo algum deslize meu foi:
Bola de meia, bola de gude / Sonhando o futuro / Uma Velha Canção Rock n Roll / Canções de Guerra / Caçador de Mim / Siga o Sol / Outros Planos / Canção da América / O Fogo de teu olhar / Sinais de Amor / Eu já fechei meus olhos / Espanhola / Nave de Prata / Todo Azul do Mar / Xadrez Chines / Mais uma Vez / Natural / Mesmo de Brincadeira / Planeta Sonho Bis: O Sal da Terra / Linda Juventude


Agenda: Sabatina - Zoo Intrumental traz Malditas Ovelhas e Fóssil no SESC São Carlos!


O projeto Sabatina realizado pelo SESC, traz à Sanca neste sábado às 15h o Zoo Instrumental que por sua vez trará as bandas Malditas Ovelhas! de São Carlos (já conhecida por nosso público) e Fóssil, de Fortaleza, que também já passou por aqui, em apresentação para poquíssimos no Armazém e um Palquinho Maluco no DCE da UFSCar.

Criado pela Agência Alavanca, o Zoo Instrumental surge como instrumento de divulgação da música independente contemporânea no país na sua vertente instrumental. Em sua estréia em março deste ano, eles levaram ao público Macaco Bong e Pata de Elefante num evento realizado no Inferno Club localizado na famigerada R. Augusta.

Nesta edição, o privilégio será todo nosso. Aqui, onde tudo acontece, teremos mais este evento que ainda por cima é gratuito!


Projeto Zoo Instrumental apresenta Fóssil e Malditas Ovelhas!

Data: Sábado, 1º de agosto de 2009, às 15h
Entrada: Grátis
Local: SESC São Carlos: Com. Alfredo Maffei, 700 - São Carlos, SP - (16) 3373-2333
Realização: SESC-SP
Conceito e produção: Agência Alavanca
Cartaz: Dani Hasse

Anotações do Show: Mariana Aydar, no SESC São Carlos

No último sábado o SESC de São Carlos foi brindado com Mariana Aydar. Trazendo o refino da turnê de seu primeiro trabalho solo, Kavita 1, a garota parecia radiante em apresentar-se também para os amigos e a família da cidade que deixou lembranças em sua adolescência, segundo a cantora.

A equipagem do Programa Bluga esteve lá conferindo tudo, a título de apreciação. Vamos dar aqui setlist e algumas das impressões tiradas do show, estreando nosso novo formato, Anotações do Show, mostrando o que conferimos sem maiores pretensões.

Acompanhavam a dama Lucas Wargas nos teclados, acordeão e providencial escaleta; Gustavo Ruiz na guitarra e incursões pelo violão e cavaquinho; Márcio Arantes, da “baixaria” e no violão de sete cordas da abertura; Fumaça na percussão; e Duani, na bateria, direção musical e cavaquinho modulado da última do show.

Tal e qual o próprio álbum, abre a noite a dobradinha Minha Missão e Na Gangorra, pra na seqüência entrar uma das muitas emprestadas para o show, Vai Vadiar, de Jessé Gomes da Silva Filho.

Na volta ao álbum, Vento no Canavial, faixa excelente, escolhida por unanimidade no Programa Bluga como mais bacanuda da noite; Prainha, composta especialmente para Mariana Aydar por Chico César, falando de Trancoso, recanto preferido da cantora; e Deixa o Verão, em excelente versão da música Rodrigo Amarante, famosa por Los Hermanos.

E noutro excerto ao Kavita 1, Mariana trás vários outros arranjos. Consolação, de Baden Powell e Vinícius de Moraes; Tunuka, de Orlando Pantera com letra atirada no dialeto cabo-verdiano, conhecida também na voz de Mayra Andrade, cantora cabo-verdiana recomendada em dica no mesmo show por Mariana Aydar, com quem ela já dividiu os vocais desta composição; Un, Deux, Trois, de Camille, a chamada “furacão francês” (em clara referência ao tão famoso quanto o Katrina); e Beleza Pura, de Caetano Veloso, já encarada no show antes mesmo de cair na novela homônima.

Recomeçando mais uma vez com o material do álbum, Candomblé, Zé do Caroço, Festança e Menino das Laranjas, anunciada como a última, levando a exclamações da platéia e promessa de que teríamos um bis. E justamente pra esse bis, em incrivelmente coincidente pedido da platéia, Onde está Você, com aquele baixo de Ska, pra fechar depois com um “ousado” novo arranjo de Zé do Caroço, com samples do funk carioca, dando nova fantasia a música.

Faltou apenas Maior é Deus, pra fechar todo o álbum e pingar um pouco do forró pelo qual já se conhecia a menina de outras épocas e doutro show no SESC de Ribeirão Preto em 2007.

Genialmente, o show, assim como o álbum, mostra uma fusão da quintessência do samba velho com novos aromas de guitarra, baixo elétrico e samples escolhidos a dedo. No cenário paulista, Mariana Aydar já é apontada como expoente desta e próxima geração, o que com satisfação nós e o já sensível número de fãs observaremos atentos.



http://marianaaydar.umw.com.br/
http://www.myspace.com/marianaaydar
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=162136
http://www.musicadebolso.com.br/videos/volume07/index.html