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macaco, Macaco, MACACO!!!





Estas são frases que já são e ainda serão ouvidas por um bom temppo em São Carlos e em especial o espaço da USP. Está próximo a realização da 6ª Semana do MACACO, o Movimento Artistico e Cultural do CAASO, Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira.

Desde muito atrás acompanhamos as atividades do MACACO, mesmo antes de surgirmos enquanto blog. E depois de surgirmos, acompanhamos a 4ª Semana do MACACO, em 2008 e mais de perto ainda a 5ª Semana, em 2009 e as atividades do Festival Macacada, no Campus 2 da USP São Carlos, já neste ano. Claro, além disso houve FUSCA, Noite do MACACO, Noite do MACACO na SAAU e mais uma pá de coisas que o MACACO idealizou e que passaram por aqui.


A Semana do MACACO deste ano acontecerá de 18 à 26 de Setembro, tomando ali dez dias com incursões pela cidade e pela USP, e podem aguardar novas incursões pelo Campus 2 e imediações e mesmo pela UFSCar(!!!). Mas, já neste período o MACACO vem fomentado atividades, como fez ao longo de todo ano. Há o Macacos me Mordam! Noite (de Lançamento da Semana) do MACACO na próxima Sexta-Feira, 20 de Agosto, com apresentação de peça de teatro homônima da Cia. Acidental de Campinas, uma mesa de debate com tema sobre A Indústria Cultural e a Mercantilização da Arte e da Cultura, com o Prof. Dr. Ruy Sardinha (USP São Carlos/Arquitetura) e Prof. Msc. Paulo Irineu Barreto Fernandes (UFU/Filosofia), terminando a noite com a apresentação d´Os Rélpis, de Araraquara, e de The Sams Hardcore Orchestra, de Sorocaba.

A Noite acontece durante o Congresso Fora do Eixo, que também trará outros debates, além de diversos grupos de trabalho. Os Rélpis virão se apresentar pela primeira vez no espaço do CAASO, onde todas as atividades ocorrem. Eles já apresentaram seu Rock Psicodélico carregado de brasilidades em São Carlos, mais recentemente neste ano ao lado do Porcas Borboletas quando atravessavam uma turnê com um show afinadíssimo e antes ainda no Grito Rock São Carlos quando gerou comoção geral do público. Mas, há que se comentar, a primeira apresentação do grupo por terras são-carlenses se deu no 3º FUSCA , Festival Universitário São Carlos Alternativo, em 2010, quando o MACACO atuava junto do MULECA, Movimento Universitário Livre de Educação, Cultura e Arte, em parceria com o CAASO e o DCE Livre UFSCar, no primeiro dia do evento que também encerrava o FULEC, Festival Universitário Livre de Educação e Cultura.

Já o The Sams tem uma relação mais próxima ainda do MACACO, quando na sua 5ª Semana fez uma incursão surtada ao final do Sarau proposto no encerramento da Semana do MACACO em 2009. Também já se apresentaram no Festival de Bandas Independentes do CAASO, promovido pelo Grupo de Som ao final de 2009. Fazem um Skacore honesto, empolgante e promete para a noite.

Mas nesse período pré-Semana do MACACO, ainda serão feitas outras atividades. Há o Alimente-se do MACACO, uma série de oficinas propostas para a segunda quinzena de Agosto, que está com as inscrições abertas. Serão ministradas: oficinas de Artes Gráficas, com enfase em softwares livres com o Projeto Tiré do Coletivo Ajuntaê e técnicas de estêncil e serigrafia com o Grupo de Silkcreen do CAASO; Oficinas de Samba de Coco com Guga Santos, do Quarteto de Olinda; Oficina de Vídeo, com ênfase em equipamentos comuns como câmeras e celulares, aplicando técnicas de captura e edição de imagens; e uma oficina de teatro junto do Municipal. 

E há o Alimente o MACACO, que recebe trabalhos das mais variadas áreas, recbe propostas de atividade e este ano também tem um concurso de artes gráficas para a escolha do logotipo da 6ª Semana do MACACO!

Todas estas informações, bem como os detalhes sobre as linhas temáticas da Semana, das Oficinas e o regulamento do Alimente o MACACO lances podem ser vistos no novo blog do MACACO: http://macacaaso.blogspot.com/

E sigam o twitter do MACACO também: http://twitter.com/macaco2010


Resenha: Aeromoças e Tenistas Russas, meninos e crescidos.


Já fazia um bom tempo que se precisava voltar a falar aqui destes camaradas. Conheci a Aeromoças e Tenistas Russas ainda no começo de suas apresentações, em 2008. Na época, já me impressionaram bastante, enquanto explorávamos novas bandas do meio dito independente de São Carlos. Hoje, três anos mais, muito mudados, nada mais justo que abordá-los novamente. E nenhum momento seria mais oportuno para fazê-lo que não na própria São Carlos quando atravessam uma turnê por dois estados, com onze shows, ao lado de uma das mais importantes bandas do cenário no país.

Quando em 2008 resenhei pela primeira vez a banda (a resenha pode ser vista aqui), eles já vinham de alguns bons shows em São Carlos, tendo passado pelos palcos do DCE-UFSCar, do CAASO e pela festa de lançamento do Mozilla Firefox 3.0, no Armazém Bar. Nesta época, tinham um repertório bastante enxuto, mas bem redondinho, com composições autorais e mesmo umas instrumentais, entremeadas por versões de músicas como Um Lugar do Caralho de Jupiter Apple e Fuscão Preto de Beto Lee até lances como Superstition e Play That Funky Music White Boy, com estas duas últimas tocadas sem vocais, só no sax. Enganavam os desavisados ao mostrar sujeitos barbados e não as comissárias das asas da Panair servindo coca-cola e muito menos o serviço no saque de uma Anna Kournikova.


Desta vez, já tendo carimbado o passaporte por Uberlândia e Uberaba, Franca e Araraquara, na noite de 23 de Março fariam mais um lance no palco do DCE-UFSCar, universidade onde surgiu a banda, o quinto show da turnê. Quem abria aquela noite eram The Baggios, duo sergipano de guitarra e bateria numa linha de blues rock a la White Stripes e Black Keys. Quem vinha na sequência eram os sujeitos do Porcas Borboletas (e a resenha desse show está aqui), com seu pós-punk oitentista bebedor dos paulistanos de vanguarda e dos clubes de esquina, já com mais de dez anos de estrada. Mas quem fechava mesmo esta Noite Fora do Eixo eram os Aeromoças e Tenistas Russas. Se para muitos quem encerra a noite é a banda principal, aqui quem fazia este papel então eram eles, donos da casa, mantendo o público vivo e ansioso até o fim.

E traziam uma tenista, não a Kournikova, mas uma Kirilenko. E faziam uns e outros voar, senão nas poltronas da primeira classe, em devaneios oníricos sem mesmo fechar os olhos.

Naquela primeira resenha sobre a AeTR, o importante era entender as influências que a banda tinha enquanto grupo de estudantes do curso superior de Imagem e Som da UFSCar. Tanto as referências musicais, das mais distintas pela própria origem de seus integrantes, quanto a abordagem diferente sobre cinema, propaganda, plástica, enfim, arte, dada pelo choque universitário, permeavam suas composições, bastante passionais neste sentido. Hoje, contudo, assomam-se a estes outros fatores, como ter botado os pés em palcos de vários cantos, dos bares mais infernais às grandes armações de festivais país afora, apresentando-se a públicos muito diferentes, desde condições de equipamento castigado e técnico de som ruins até a acústica de um teatro, tudo lado a lado com bandas das mais distintas. Assimiladas estas experiências, aliadas ao próprio tempo juntos, que lhes dá mais chances para conhecer um ao outro seja no dia-a-dia daqueles que dividem sala de aula e casa, seja na composição, no ensaio, no estúdio, no palco e nos bastidores, há um amadurecimento notável.

Hoje, saem daquela linha inicial de músicas mais atiradas, cruas, para um novo material bem trabalhado, com mais personalidade ainda, sem contudo perder energia. As muitas influências permanecem, mas convergem melhor dentro de uma mesma música, sem excessos.

No conjunto de suas composições mais recentes ainda exploram vários sentimentos, ora mais etéreos e cíclicos, como em Solarística, ora mais explosivos, como em Kirilenko. Em conversas com o grupo revelou-se muito do seu método composicional, feito em cima de jams, em que um trás um riff bacana, outro uma melodia e desta experimentação tem-se o refino do material que chega até nós. Daí as composições tão diversas, fazendo um show ir da melancolia a rebeldia em poucos minutos.


Claro, há que se lembrar que há um fio que liga estes elementos todos, criando uma identidade bastante única para o grupo. Este elo passa a ser, em suas últimas composições, a acuidade com que passam a tratar seu material mais bem acabado ao mesmo tempo em que exploram um lado pop, grande pegada de suas músicas desde um primeiro momento. Atacam com assinaturas ritmicas que marcavam o progressivo, o que é bastante inusitado ao som proposto, porém, em composições por vezes espasmódicas, mais curtas mesmo que o comum do Pop Rock. Estas composições curtas vem possivelmente como característica do trabalho feito em cima de jams, explorando certos temas, como no Jazz, a exaustão, sem as deixar pobres, muito menos desgastados. Ao final, usam da música enquanto linguagem máxima para expressar seus sentimentos ao mundo, instrumento natural. O fazem buscando certos moldes em diferentes meios, fazendo sua sonoridade rememorar a várias outras e ao mesmo tempo reverberar originalidade. E estes são os aspectos que, como outros nomes, os fazem sobressair-se a um mundo onde surgem bandas e mais bandas, facilitadas pela disseminação e democratização da tecnologia.

Em suas peças últimas este amadurecimento de suas ferramentas de composição é notável. O reflexo deste trabalho é imediato no contágio do público que passa a também cantarolar mesmo suas instrumentais, tão forte são as linhas impostas ali. Tal empolgação por parte da platéia é conseguida por poucas instrumentais. Se chamá-los de Pop Rock seria leviano apesar deste poder por conta daquelas características pouco usuais, nada mais próximo do que apontá-los como Pop Rock Progressivo.

Mas não só pelo seu trabalho direto enquanto música há esta aproximação forte com o público. Também há um trabalho forte na formação deste, através de contatos e deixando suor na estrada.

Na noite que tomamos para ilustrá-los, Aeromoças já com seus três anos fica lado a lado com gente feito o Porcas, com bem mais tempo de estrada, em turnê por onze cidades. Ao longo da turnê, ora abriam, ora fechavam pro Porcas, mas em São Carlos precisavam fechar, porque fizeram um show épico, com um setlist acertadíssimo feito para a turnê e participações especiais com direito a jam session ao final, mostrando em casa, aos amigos, onde eles chegaram. Era antes de tudo uma pequena prova de vitória. Isto tudo por um processo longo, sempre galgado, de penetração e conquista. Me lembro de uma primeira experiência longe de casa, quando iam a Brasília apresentar-se pela primeira vez num Festival, apesar de sempre estar circulando pela região de São Carlos, Araraquara, Ribeirão e afins, pra saber depois que acabou não acontecendo. Depois disso, passaram pela 4ª Semana do MACACO apresentando-se com o que viria a ser o Projeto Acusmática, fazendo trilha sonora ao vivo para o curta Regen numa parceria com a RUA. Passariam então pelo Festival Contato em mais de uma ocasião, Festival de MPB da UNESP de Ilha Solteira até o Festival Macondo Circus em Santa Maria no Rio Grande do Sil, no fim de 2009. Já entrando este ano, fariam uma empreitada forte, ao singrar o estado de São Paulo tocando em oito cidades pelo Grito Rock. Esta, assim como a turnê que acabam de atravessar, é uma possibilidade dada pela articulação forte existente hoje entre os diversos coletivos de música independente do Circuito Fora do Eixo, como comentávamos outro dia. Esta inserção neste contexto se deu muito por este esforço do grupo e proatividade, parando hoje dentro de um dos que mais cresce hoje, o Massa Coletiva, em São Carlos, figurando mesmo no portifólio de bandas que o coletivo porta, que passa a alavancar isto exponencialmente. Hoje não mais presos a São Carlos, encaram-se como profissionais, saindo às portas do mundo.

Dito isto, entremos aos pontos mais imediatos do ao vivo, fazendo o que começamos aqui fazendo, trazendo as impressões mais fiéis dos shows, relatos vivos. Lá já a alta hora como sempre estavam os sujeitos que entoam às Aeromoças e Tenistas Russas. Thiago "Hardie" Gonçalves, alternando-se em guitarra e sax, com algumas incursões aos vocais, Juliano Parreira ao baixo e alguns backing vocals, Luiz Gustavo "Hoolis" Palma nos teclados e mais backings, e Nilo Gomes na bateria. Quando em 2008 seu show tinha lá sua dúzia de músicas, apenas metade delas era própria. Agora, apresentam todas sendo suas, sinal do apreço que passam a ter por sua capacidade depois destes caminhos todos trilhados.

Abriam esta apresentação com um excerto instrumental foderoso, mostrando para aqueles que quem sabe ainda não conhecessem seu nome que não se tratava de um grupo qualquer, quando fazem mesmo o rock dispensando a guitarra em alguns momentos para inserir a sonoridade do sax na faixa Jacques Villeneuve Experience. Combinação bombástica, faz todos já de cara balançarem. Aos que conheciam, era já uma melodia impregnada na cabeça, como muitas outras, por aquele forte molde pop a que se apegam. Continuando no instrumental, mostravam uma de suas últimas composições, estreiada a nossos ouvidos no Festival Contato de 2008, Smonkey Skulls, com Hardie já com guitarra a mão. Está é mais um daqueles exemplos em que exploram vários recortes dos mais divertidos agregando-os em torno de uma linha.

Sagüís, terceira da noite, seria mais uma instrumental, não fosse o convite para a participação do MC J.Gheto fazendo versos de improviso acompanhando uma das mais frenéticas faixas da banda, das primeiras bacanudas compostas. Cantava lá ele "Vem com nóis quem puder, escuta nóis quem quiser" dando vazão aos sentimentos presos na rítmica.

Depois desta era hora de mergulhar no tempo de suas primeiras composições. Aqui num dos poucos momentos do show exploram o lirismo de letras a suas músicas, com impressões mais imediatas de suas intenções, justamente naquele primeiro ciclo de seus trabalhos. Armavam o Bang Bang, com uma mais simples, mas de letra mais esquizofrênica de todas, feito o ícone saído do cinema novo que lhe dá nome. Emendavam Samba, letra das mais icônicas, de refrões fáceis mais verdadeiros que caem a boca do povo, que os entoa a todo show, com espaço até para cantarolar de melodia dissociado do instrumental, feito o que seria muito da própria estrutura do samba que lhe dá nome.

Este excerto de letras cotidianas e irreverentes dos seus primeiros trabalhos ainda marcam muito seu repertório, deixando margem a apontar a fase como transição. Se existe um limar de material, deixando de lado composições como Ensolaradas e Desfibrila, que há muito não vejo ao vivo, ouso dizer, contudo, que isto é uma aceitação deste material, valorizar de um trabalho antigo que caiu ao gosto popular, em especial no tocante a Samba. Daí é que surge o termo, parafraseando Fred Gomes, que prova que eles fazem "música instrumental cantada". E mesmo estas músicas mudaram muito desde a época dos primeiros shows. Ganharam novos arranjos dando mais corpo a algumas, mais ritmo a outras, tornando tudo mais interessante.

Outro momento para celebrar com convidados e amigos novos surge Sex Sugestion, no que chamaram de Motel Version. Composição das mais recentes, já com uns rearranjos provavelmente feitos nessas incursões estradeiras do Grito Rock e da turnê Fora do Eixo, apontando ainda mais uma das várias participações da noite, com o Moita, do Porcas Borboletas, empunhando a guitarra enquanto Hardie fazia as vezes novamente ao sax dourado-esmalte-preto.

Já com a guitarra de volta às mãos de Hardie, traz-se mais uma de suas composições com letra, Mirella, também uma daquelas seis primeiras autorais com que se apresentaram em 2008, falando das crises do homem frente à uma mulher, temática por muito abordada na história do Rock. Na sequência, com Instrumental 1456, a idéia de música instrumental cantada é reforçada, quando no próprio título da faixa carrega-se o "instrumental" e ao mesmo tempo trata-se de uma música com letra e tudo. Isto, muito porque as vozes são usadas dentro da melodia traduzida então por baixo e guitarra, servindo também de instrumento.


Encaminhando-se para o excerto final, encerrariam sua apresentação mostrando todo seu fulgor justamente com minhas três composições preferidas. E isto muito porque são as mais bem lapidadas, resultado final de seus processos. Com Insomne, davam espaço para Jack, percussionista do Porcas, ainda com seu set de percussão bizarríssimo montado no palco, munido de latas de tinta, pedaços de metal e canos diversos, como muito visto em brincadeiras com outra banda instrumental conhecida de todos. Essa é a maturidade de que falamos. Esta faixa, se fossemos relacionar suas músicas e a metragem e cunho dos filmes, seria um curta dos mais experimentais hoje. Explora aquelas temáticas e evolui para um final arrebatador, com elementos do avant-garde.

Seguiram com Solarística, que facilmente poderia ser apontada como melhor faixa já composta pela banda. Texturas várias, melodias escolhidas a dedo, cercadas em ambiente bizarro, quase hostil, ao mesmo tempo que hipnotizante. Justamente, uma das mais aclamadas pelo público. Isso, porque dá pra sentir que é das melhores, quando põe todos a captar e emanar energias invisíveis e inconscientes, de maneira inebriante.

Fecharam tudo com uma das mais recentes músicas, Kirilenko. Levada já a estúdio, sua gravação teve todo o processo registrado aqui, com tudo feito no home studio do Massa Coletiva. Esta, vem para provar a miríade de sentimentos explorados pelos barbados do AeTR. Depois de buscar certo desespero invocando a insônia, entrar em sonhos de fato na consciência, um despertar de energia. Agitada, finalmente fazendo alusão com uma tenista, Maria Kirilenko, apontando ao mesmo tempo a beleza e a energia vibrante. Neste excerto final, se algo pode ligar as três, todas instrumentais, são as diferentes energias que se sente uma-a-uma.
Mas fecharam tudo mesmo? Depois até de saírem do palco, os pedidos foram muitos, não podendo deixar de rolar mais uma. Não um repeteco, mas um encore. Escolheram para tanto rememorar a época em que tocavam versões de músicas conhecidas, com a sua versão de Play The Funky Music White Boy. Claro, outra intenção escondida aí era poder trazer ao palco vários convidados e fazer uma jam. Jovem Palerosi em intervenções de scratchy e samples, incrementando-se depois com mais percussões do Jack. Sem parar, contudo, saíram daquele Funk para entrar na verdadeira sessão de improviso, chamando Gustavo Koshikumo, que vinha acompanhando as duas bandas pela turnê garantindo o bom som saindo dos PA, para se apossar da Tajiminha verde e cereja de Hardie enquanto ele desfilava os dedos pelo sax. Caíram nisso até no Reggae depois de quinze minutos de despudor final, com Jack chamando todos com um "Vamô Saravá!".

Ainda passariam depois de São Carlos por Campinas, Bauru, Ribeirão Preto, São Caetano e Bragança. Toda esta turnê é documentada no blog Fora do Eixo Tour. Antes de vir ao palco na nossa terça-feira daqui, já tinham aportado por São Carlos na segunda-feira, batendo ponto no programa Independência ou Marte na Rádio UFSCar junto do Porcas, falando um pouco sobre a turnê e rolando uma jam entre as duas bandas. Tudo pode ser conferido na íntegra no player abaixo.



De últimas considerações, se lá em nossa primeira resenha sobre eles se dizia que iriamos acompanhar de perto a evolução da banda, que mal começava e já vinha "com um repertório bem pensado, com material corajoso, regado a inusitados atrativos", pois bem, estivemos presentes em vários de seus momentos e aqui está sua virada, talvez um auge, que esperamos ser um primeiro. Com um público já consolidado, resta saber como irão mante-lo sem perder toda esta identidade já bem construída. Há que se lembrar que o público é mutante e apesar dele ter o nome Aeromoças e Tenistas Russas a ponta da língua, novas levas de nomes vem a pauta a toda hora, muitos deles com dinâmicas semelhantes a este grupo. Mais que isto, como estes sujeitos irão explorar esta identidade, sem deixar suas composições se renderem às demandas imediatas do público ou seu modo de composição estagnar, é o mais inquietante. Há que se conduzir tais mudanças com sensatez.


Setlist da Turnê
01. Jacques Villeneuve Experience; 02. Smonkey Skulls; 03. Sagüís; 04. Bang Bang; 05. Samba; 06. Sex Sugestion (Motel Version); 07. Mirella; 08. Instrumental 1456; 09. Insomne; 10. Solarística; 11. Kirilenko;
BIS
01. Play That Funky Music (emendando jam de reggaes e tudo!)


E mais fotos da passagem da turnê em São Carlos podem ser vistas no nosso Picasa!


Ensaio: Do Grito Rock São Carlos - Continuando.


Este ensaio dá continuidade ao texto publicado aqui na ocasião do Grito Rock de 2009, em que falava-se do evento em São Carlos e de seu organizador, o Massa Coletiva, numa de suas primeiras grandes ações feitas na cidade. A bem da verdade, tomou-se ali o Grito Rock e o Massa como exemplo para pincelar as ideias que giravam ao redor da lógica estabelecida em torno dos festivais de música independente, as bandas que deles participam e o público que os assiste.

Na época, nos trouxeram várias críticas em cima das próprias considerações daquele texto, que falava numa menor escala da lógica envolta no mercado paralelo que é a música independente e apontava com maior destaque os entraves por ele gerados a evolução enquanto forma e conteúdo da música, deixando de lado questões como a visibilidade e até certo o respaldo ganhos por este mercado. O texto ainda é pertinente dentro destes aspectos, quase passível de republicação mudando-se tão somente a data, já que não houve grandes mudanças neste cenário. Contudo, algumas justificativas carecem de maior delonga, então, eis aqui outra tentativa.

Naquele texto de 2009, houve interessantes réplicas nos comentários de Cardelli, vocalista e guitarrista dos Visitantes. Contudo, lá não se falava em falta de originalidade por parte das bandas, como inferia Cardelli, mas sim da estagnação em torno de forma e conteúdo e mesmo da estética por elas produzida. Estagnação, senão retrocesso, que ainda assim dá margem a originalidade, mas frente a insistente pós-modernidade na mescla de gêneros e elementos étnicos recai na fórmula maceteada usada por um sem número de nomes da música hoje.

De todo modo, a crítica daquele texto não era tímida, só era ponderada, porque de fato há aspectos interessantes nessa história toda. A crítica, na verdade, reside no simples fato de que nada se faz de diferente falando dos festivais do independente, coletivos e afins. Cria-se apenas um mercado paralelo, uma franca necessidade dos tempos em que implode o número de bandas e o acesso a elas fica facilitado, pela velocidade tanto da produção musical quanto de sua divulgação em função do mar de tecnologia aberto nos últimos vinte, trinta anos, mas mais especialmente na última década. E este mercado não é recente, provavelmente sempre existiu, sob diferentes óticas, em diferentes momentos.

Por exemplo, hoje mesmo, tomemos das metrópoles, grande São Paulo. Essa articulação lá não parece precisar de fato dos coletivos, acontecendo de uma maneira ou de outra. Tanto que o grande coletivo paulistano é o próprio Massa Coletiva, em São Carlos. Não seria estranho pensar no representante estadual dentro do Fora do eixo estando fora da capital? Mas faz todo sentido. Em tempos de ALTERCOM, São Paulo tem canais de comunicação demais, muita informação transitando nos meios, sendo tão fácil chegar as pessoas que algumas preferem a inanição a aproveitar o que a cidade oferece. Fato é que em São Paulo o mercado independente e o mercado convencional se mesclam, em certa medida, de tal forma que é difícil desvincular um do outro, aos olhos menos atentos. Fora dos grandes centros esta iniciativa é provavelmente necessária para fazer tudo acontecer, do contrário o mundo iria definhar, já que o grande mercado ali não chega. Afinal, não é essa a ideia, fora do eixo? Que eixo? Rio-São Paulo. Curitiba, Brasília, em menor escala. Porto Alegre?

Inegavelmente há uns vários aspectos interessantíssimos dos festivais envoltos na rede estabelecida de música independente, em específico do dito Grito Rock, que nunca deixo de comentar. Depois de limpar os pés no capacho da porta de entrada do ano, se cria uma outra agitação para a época de Carnaval, colocando indiretamente alguns questionamentos a esta conturbada e polêmica festividade. Afora isto, quando se põe em xeque desta maneira muitas das atividades desenvolvidas na linha destes festivais, outros produtores não ligados a estes coletivos e alheios a esta lógica acabam empolvorosos. E vale destacar que este mercado é cada vez mais monstruoso ao perceber como é exponencial o número de cidades envolvidas nos festivais, bandas circulando e público participando.

Um reflexo da forte articulação destes coletivos é por exemplo a possibilidade de bandas ligadas a estes atravessarem em menos de um mês as cidades de um estado inteiro, senão várias cidades ao longo do país, pelo Grito Rock. Os Rélpis, de Araraquara, ligados ao coletivo Colmeia Cultural, e o Aeromoças e Tenistas Russas, de São Carlos, ligados ao Massa Coletiva, são exemplo notável disto. A despeito da boa qualidade do material, sem esta ponte propiciada por iniciativas como as do Toque no Brasil, portal que agenciava bandas, casas de shows e os coletivos para o Grito Rock, bem como o apoio e articulação dos Coletivos, eles não teriam conseguido esta visibilidade tão facilmente. Logo, conquistaram o Estado, especialmente porque os dois shows estão muito bons, a ponto de precisarmos resenhar Os Rélpis com urgência e re-resenhar AeTR, com o repertório muito mudado já.

Há ainda o mérito do desenvolvimento sustentável, a patavinha da economia solidária e tudo o mais, mas não vamos entrar nesta discussão no momento, deixamos as considerações pobres mesmo neste quesito.

Retomando, como bem é mostrado no Identidade Musical usando da palavra de Luiz Tatit, sempre houve o independente, o artista a margem das grandes gravadoras ou mesmo de qualquer gravadora, que acumulava tanto a função técnica quanto a artística. Afinal, as verdadeiras demos não eram fitinhas com um nome escrito na fita crepe a caneta? E em alguma instância, a grande maioria tanto de antes quanto de agora invariavelmente pensa em atingir, senão o grande mercado das gravadoras, pelo menos o status dos artistas delas.

Sendo bastante pragmático, me apoio mais uma vez no texto do Carlos Rogério do Identidade Musical, apontando que os modelos continuam os mesmos e o público mal sabe a valorizar os projetos ousados. Mas aquela conversa sobre estagnação rivaliza com os projetos ousados. A questão é que mesmo os projetos ousados, citados por Carlos Rogério, como Macaco Bong e Porcas Borboletas, não o são tanto assim. Macaco Bong bebe de muitos elementos lá de fora, vide Russian Circles. Porcas, poutz, já me eram óbvias influências da estranhamente desconhecida Vanguarda Paulistana antes mesmo deles surgirem junto do Paulo Barnabé. Claro, nem por isso deixamos de gostar e desmerecemos. É bom trazer estas influências, é bom mostrar ao mundo que mais há, é bom inseri-las aqui, e é bom fazer o que se quer.

Se é que ainda não se aponta armas às bandas que continuam a produzir seguindo modelos velhos ou inserindo-se em fórmulas já concebidas de inovação, o que se questiona aqui faz muito tempo é o papel destes coletivos todos, destes festivais todos, enfim, da música independente, em mudar esta concepção estabelecida e tão enraizada do que é fazer música. Acontece que o interesse destes grupos não é mudar isto, pelo menos não o que importa. Afinal, é notório que toda esta rede é uma mercado paralelo, uma indústria exatamente como o mainstream, com um modelo de negócios como bem diz Pablo Capilé para O Inimigo ou como Bruno Nogueira no Pop Up! afirma ao apontar o caráter de feira de negócios que se vê na Feira da Música do Circuito Fora do Eixo. Quase demora pra se perceber isto. E o pior é que todos eles tem plena consciência disto. E não se importam. Afinal, é um ganha-pão. Engraçado é que eles debatem, insistem na proposta, vendem a ideia a todo custo, mas nunca dizem quanto ganham.

Aí, é mais demorado ainda perceber que não, eles não estão aí pra mudar o modo de fazer música. Não é o interesse deles, talvez sequer seja seu papel. Eles estão aí para mudar o modo de vendê-la. Ou não mudar, mais propriamente, apenas encontrar alternativas para fazê-lo. No termo 'mercado da música independente', a música é a mesma, só muda o mercado. Parafraseando o bom dito do nobre Djalma Nery Ferreira Neto, a música independente é feito a abolição da escravatura: É só uma conjuntura da lógica de mercado se adaptando a novas condições sociais.


Agenda: Sons em Série - Esquentando pro III Rock na Estação!



Fugindo da tradicional São Carlos como palco de sempre, quem bebe da fonte desta vez é Araraquara, já conhecida da equipagem bluga de outras investidas. Neste domingo, a cidade abrirá as portas para a primeira ação do festival Rock na Estação (confira também a cobertura do II Rock na Estação). Este evento faz a divulgação da 3ª edição do festival, que já tem data para acontecer, 14 e 15 de Novembro, além de trazer uma amostra de a quantas anda o cenário musical independente.

Antes da apresentação das bandas, teremos a palavra de Robson Timóteo, nada menos que presidente do Cidadão do Mundo, associação que promove a difusão das mídias alternativas por meio da interação com a comunidade. O papo terá foco justamente na produção independente.

Como não podia faltar, depois da conversa com Robson, a noite seguirá com as conhecidas sancarlenses Plano Próximo e Aeromoças e Tenistas Russas e a banda Churrasco Elétrico, de Araraquara, numa pegada mais psicodélica e que já se apresentou em Sanca na 2ª edição do festival, em 2008.

O evento será sediado no Kruppa, que ao que nos parece chega como uma casa de divulgação cultural, apoiando o evento.

Nos resta aguardar!




Discos em Roda - Debate com Robson Timóteo (Associação Cultural Cidadão do Mundo no ABC)

Data: 26 de julho, domingo, das 16h30 às 18h
Tema: Cadeia produtiva da música independente e o mercado
Entrada do debate: Gratuita
A partir das 19h: Shows com as bandas Plano Próximo, Aeromoças e Tenistas Russas e Churrasco Elétrico
Entrada dos shows: R$5,00
Local: Kruppa - Av. Feijó, 804, Centro, Araraquara
Realização: Massa Coletiva, Rock Público, Cultura Independente e Circuito Fora do Eixo