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Agenda: Malditas Ovelhas! no Teatro de Arena



"Afinado a fogo,
tocado a murro,
dançado a coice."


Cada vez mais raros por São Carlos, apresentaram-se aqui em sua casa pela última vez na Noite do MACACO na SAAU. Para esta segunda apresentação do ano na cidade os camaradas do Malditas Ovelhas! vêem em grande estilo, botando os pés no Teatro de Arena José Saffioti Filho. Espaço bacaníssimo, ao livre como tem de ser, anexo ao Teatro Municipal de São Carlos, onde já vimos ali Karina Buhr e outros mais. Já nos adiantaram que a sonorização será feita pelo mítico Julinho, então, com certeza será uma experiência das mais interessantes, a sonoridade do MO! e o aparato da concha acústica do Teatro de Arena. Nos vemos lá!



Malditas Ovelhas!
(Música Instrumental/ São Carlos)
http://www.myspace.com/malditasovelhas


Data: Domingo, 04 de Julho de 2010
Horário: 17h30
Entrada: Gratuita
Local: Teatro de Arena José Saffioti Filho
Anexo ao Teatro Municipal Dr. Alderico Vieira Perdigão
Rua Sete de Setembro, 1735
Realização: Malditas Ovelhas!, Coordenadoria de Artes e Cultura, Prefeitura Municipal de São Carlos


Arte do cartaz por Yraê Araújo

Cobertura da 5ª Semana do Macaco: Terça-Feira - Girafulô e Comadre Fulozinha!


Contrastando com o experimentalismo de Dupin e a latinidade de La Cartelera, a terça-feira do MACACO chega com um clima bem popular e brasileiro. Isto porque na data teríamos Girafulô, daqui da terrinha, e Comadre Fulozinha, direto de Pernambuco! E não seria a única, aliás. Lá de Pernambuco, mais especificamente de Olinda, viriam também os caras do Guardaloop, que apareceriam na quarta-feira do MACACO. Impressionante a quantidade de bandas relevantes que andam surgindo em Recife e cia. nos últimos tempos. Bom, talvez estivessem sempre por lá, escondidas, mas é só de uns tempos para cá que obtiveram maior visibilidade por aqui.

Voltando a São Carlos, naquela terça, o MACACO mudava de endereço e migravamos todos para a Arena do Teatro Municipal, ao menos para a primeira parte da noite. Mais tarde, de volta ao CAASO, ainda rolaria Oroari, grupo de danças brasileiras, e Sambaobá, grupo de samba de mesa e de roda, ambos vindos de Rio Claro, se apresentando pela Mostra Alimente o MACACO.

Cheguei lá no cair da noite, já esperando ter perdido o Girafulô, me contentando apenas com a Comadre. Felizmente ocorreu o habitual atraso de todo bom show, de modo que pude conferir o grupo de dança pela primeira vez. Girafulô é um grupo de danças populares brasileiras nascido em MACACOs de outros tempos (2006, para ser mais exato), que se encontra semanalmente na UFSCar. Infelizmente não tomei muitas notas da apresentação, já que as meninas me prenderam tanto a atenção que acabei esquecendo completamente de escrever qualquer coisa. O que posso dizer é que foi uma apresentação memorável, com um repertório de danças bem diversificado, explorando as ritmicas nordestinas que confundem música e dança, tudo marcado pela alta participação do público com o show, já que a apresentação rolava no meio do povo. Alguns, já familiarizados, ou simplesmente porque queriam dançar, se juntavam à festa. No fim, as dançarinas saíam por aí distribuindo apertos de mão e abraços, deixando a apresentação num clima bem confortável e familiar. As meninas também marcaram presença na sexta- feira, mas não pude vê-las pela segunda vez, infelizmente.

Mudando o foco da dança para a música, era chegada a hora de Comadre Fulozinha. Grande ansiedade de minha parte, afinal já faz um tempo que queria muito ver as meninas ao vivo. Nenhuma dúvida, no entanto. Esse é o tipo de música que se vê claramente que foi feita para se ouvir no palco. Além do mais, já tivemos a oportunidade de ver Karina Buhr se apresentando em posições um pouco mais discretas, no Macunaíma Ópera Tupi, show de Iara Rennó, atuando como sempre e também na percussão e vozes. As resenhas do show mencionado, aliás, podem ser vistas aqui e aqui. Mas agora com seu próprio projeto, Karina Buhr volta a São Carlos desta vez ocupando o centro do palco, acompanhada de Letícia Coura na viola, violão e cavaquinho, Flávia Maia na voz e percussão e Stefan nos metais, substituindo Marcelo Monteiro, que, pobre coitado, havia ido tocar na Grécia.

Apesar da presença de instrumentos de corda e metais, a banda embasasse na voz e na percussão, numa mistura de vários ritmos, como côco, baião, maracatu e ciranda. Para tal, os mais variados instrumentos são empregados, como a alfaia, zabumba, congas, djembê, ilú, saxofone, cavaquinho violão e rabeca. O resultado da mistura praticamente demanda uma dança para acompanhar e boa parte do público responde ao apelo, como não poderia deixar de ser. Afinal, já tínhamos um público propício à dança, como visto na apresentação anterior. Falando em público, nota-se que a audiência na terça-feira difere da do usual, se comparado aos outros dias. Mais pessoas de idade, crianças. Enfim, algo além de universitários. Provavelmente pelo fato de ser no Teatro Municipal, imagino, cumprindo umas das muitas propostas do MACACO, levar não só aos universitários o Movimento, mas também à comunidade sancarlense.

O show teve no seu repertório quase a totalidade do último disco lançado, Vou Voltar Andando, como era de se esperar, além de algumas de discos antigos, como Tocar na Banda, com direito a duas versões diferentes, e Chumbo de Vidro. O setlist inteiro é o seguinte:

01. Presta Atenção; 02. Flor de Rosa; 03. Chumbo de Vidro; 04. 2 de Janeiro; 05. Passarinho; 06. Falta de Sorte; 07. Amaralina; 08. Desterro; 09. Mambú e a Abacaxia; 10. Rosa Alvarinha; 11. Saí Passada; 12. Vou Voltar Andando; 13. Tocar na Banda; 14. É Ou Não É; 15. Coquinho Bom; 16. Tocar na Banda (Bis)




Karina Buhr já nos confessionava em outra ocasião que desejava também trazer seu trabalho solo, que está pra sair, cujas primeiras impressões podem ser tiradas em trocentos vídeos por aí. Claro, vê-la seja com Comadre, Iara Rennó e trocentas parcerias mais, seria boníssimo. Voltando, está bom!

Mais fotos desta terça no nosso Picasa!


Fotos por Vincent de Almeida

Download: Programa Ummaguma #100, com Violeta de Outono ao vivo


Depois do furor que nos foi assistir ao vivo o Violeta de Outono no Teatro Municipal de São Carlos, restava-nos apenas guardar na lembrança, quem sabe fotos, daquela noite. Contudo, eis que surge Marco Batalha, a quem temos muito a agredecer, que apresenta o programa Ummagumma ao lado de Maurício Martucci na Rádio UFSCar, com o arquivo de áudio daquela noite!

Como houve a transmissão ao vivo pelo Ummagumma, que comemorava ali sua centésima apresentação, o áudio foi capturado direto na Rádio UFSCar, à 128kbps. A qualidade é razoável apenas, mas com certeza vale pelo registro histórico da ocasião.

Há no arquivo a última faixa, Dogs, do Floyd, tocada pelo Homem com Asas, que fazia a abertura da noite, alguns comentários dos nossos apresentadores, pequena entrevista com Danilo Zanite do HcA e, a grande pedida, o ao vivo do Violeta de Outono.

Para quem ainda não leu, a cobertura daquela noite foi feita em nossa última postagem, AQUI! Quem prestar atenção, faltou o bis. Mas estão lá a psicodelia de Syd Barret. Para ouvir direto, só clicar no player abaixo:



Este não é o primeiro bootleg que apresentamos, há este outro material AQUI! Está no ar também um material gravado nos estúdios da Rádio UFSCar pela banda de Blues Rock Stranhos Azuis, da qual também fazer parte Danilo Zanite e Luciano Matuck, que tocaram nesta noite pelo Homem com Asas.

Esta divulgação através de bootlegs destas apresentações ao vivo, senão material oficial , seja em CD, DVD, no YouTube ou em algum outro canto qualquer, é fundamental para a carreira de uma banda. Logo mais tentarei sintetizar alguns pensamentos a respeito em um texto, necessário.

Espero que gostem do material do Ummaguma.

Download aqui!

Cobertura: Violeta de Outono e Homem com Asas - Programa Ummaguma #100


Presenciamos um fato inédito na última quinta-feira, 14 de Maio, no Teatro Municipal de São Carlos: a primeira transmissão ao vivo de uma apresentação ali feita. Ainda por cima, radiofônica, através da Rádio UFSCar, a 95,3 MHz, e, online, no portal www.radio.ufscar.br.

Que acontecia ali? A comemoração do centésimo programa do Ummagumma, já há dois anos no ar, umas das iniciativas mais bacanas nas ondas FM da cidade, trazendo o Violeta de Outono, banda que já passou AQUI pelo blog, ao lado do Dialeto, em resenha de nossa caríssima Carol Scoponi. E agora, tocando aqui em casa praticamente, não podíamos deixar de prestigiá-los, afinal deixamos de vê-los no Theatro Municipal em Sampa na Virada Cultural. Assim como iriamos prestar honras ao preferido de toda quinta à noite nos rádios, o Ummagumma.

Vale destacar que hoje o Violeta de Outono tem em sua formação atual dois sujeitos que já vimos tocando mais de uma vez por terras sancarlenses: Fernando "Macabro" Cardoso e Gabriel "Zoppo" Costa, do Homem com Asas. Nada mais propício então, que a abertura da noite fosse feita por esta banda, que faz honras ao progressivo e psicodelia sempre que toca por aqui. Claro que isso exigiria mais de duas horas dos dois tocando, mas eles dariam conta facilmente.

Programados para subir às 19h, os homens alados só viriam a dar as caras às 19h45, com o teatro a três quartos de sua lotação. Incenso preso ao pé de um pedestal, imagens pouco inebriantes projetadas ao fundo, cores mais, criando já o clima de imersão.


Para a primeira da noite, Gus Stardust (lead singer), Danilo "Fruits" Zanite e Marcelo "Minduim" Montaño (guitars) e Luciano Matuck (drums), aliados ao violeta Gabriel Costa (bass), nos traziam Achilles Last Stand, do Zeppelin.

Na seqüência, o sempre merecido espaço para uma composição própria, com A Natureza. Para a terceira, primeiro chamaram o outro violeta, Fernando Cardoso, para comandar as necessárias teclas em uma excelente versão de Rio de Janeiro, do álbum ao vivo de 1976 d'Os Mutantes.

Agora, era a vez de trazer um material um tanto quanto raro sequer de se ouvir falar, mas que sempre rola nos shows do HcA. Sempre vem a frente Zoppo, apresentando a banda alemã Frumpy, conotando a vocalista Inga Rumpf por nosso Gus na boníssima faixa Good Winds.

Estava estabelecido o clima altamente psicodélico. Contudo, sempre é estranho assistir a estas apresentações dentro de um teatro, comportadamente sentados. Claro que o interessante é que isto possibilita total concentração na música em si, sem qualquer dispersão. E a qualidade do áudio sempre é mais interessante em um ambiente fechado, especialmente quando pequenas nuances precisam ser ouvida, quase sempre caso do progressivo, que se perde em palcos ao ar livre.

E para fechar, como não poderia deixar de ser numa noite em que se comemora o aniversário do Ummagumma, uma Pink Floyd: Dogs. Com certeza a melhor das interpretações do grupo.

Tocando apenas cinco faixas, encerravam uma apresentação memorável. E o apenas justifica-se na contagem tão somente, afinal todas eram faixas longas, completando quase uma hora de apresentação!

E não vamos esquecer que Homem com Asas é a nossa primeira postagem AQUI no blog, mais de um ano atrás, quando experimentávamos formatos e o texto ainda deixava muito a desejar. De qualquer maneira, temos uma grande admiração pela banda, que apesar de já termos visto tocando inúmeras vezes, nunca deixamos de prestigiá-los. E apesar desta noite merecer uma resenha mais aprofundada, faremos isto em outra ocasião, não quando eles são "apenas" a banda de abertura e o ambiente não é dos mais normais para tentar captar a essência de um show. Falemos hoje de Violetas.

E nem falaremos tudo, já que nossa pretensão não é tão grande. Mais uma vez vamos dispender apenas algumas impressões mais cruas, trazer algumas fotos e publicar o setlist da noite. Setlist este que sempre é fácil no Teatro, já que há sempre a programação da noite faixa-a-faixa, matando metade do nosso trabalho. Isto até chega a tirar um pouco do brilho do show a todo público, no momento em que se perde a surpresa que é ouvir os primeiros acordes de cada faixa.

Pausa para um pequeno intervalo entre as bandas, sai a tralha do HcA, sobe a do Violeta. Voltamos com uma bela iluminação por baixo da bateria, em muitos tons de Violeta: Fábio Golfetti nas guitarras e vocal junto de Claudio Souza na bateria, os dois da formação original do Violeta, que sempre teve em Golfetti a persistência da banda; e Gabriel Costa, mais uma vez no baixo, e Fernando Cardoso, nos teclados e backing-vocal, duas buenas "aquisições" a banda.


Zoppo, lembrando também da passagem de Daevid Allen pelo 1º Festival Contato, vinha com uma camiseta com a ilustração de Camembert Electrique, álbum clássico do Gong. E claro, não podemos nos esquecer das experiências do Golfetti com a Invisible Opera, também idealizada por Allen, lembrada na estampa de sua camiseta também.

Tocando pela primeira vez em São Carlos, a idéia de seu repertório era apresentar inicialmente o material que provavelmente o publico conhecesse. Assim, após uma abertura com Em Toda Parte, trazem as três faixas de seu primeiro EP, Outono, Trópico e Reflexos da Noite, que estariam presentes também em outros de seus álbuns cheios. Claro que aqui, acrescenta-se a sonoridade dos teclados de Fernando Cardoso, que chegou mesmo a criar novas introduções às faixas, como em Trópico.

A esta altura, as cadeiras do teatro já serviam de porto seguro para que todos se segurassem em meio a viagem já iniciada, com Golfetti tirando solos belíssimos.

Após trazer sua identidade conhecida, era o momento de trazer seus novos trabalhos.: Além do Sol, Caravana, Eyes like Butterflies e Fronteira. Novos, já que o Violeta surge em meados da década de 1980 e o último álbum Volume 7 tenha sido lançado em 2007, com a atual formação da banda. E se é o sétimo álbum de fato, lembremos que é o quinto de estúdio. Com a tiragem esgotada, Volume 7 foi relançado recentemente, ao lado de toda a discografia da banda em CD, incluindo aí alguns EP, material mandatório em qualquer coleção. Muito embora uma coleção que se preze deva rastrear o bom vinil, não é?

Embora tenham um instrumental primoroso, sem exageros e ainda assim belo, muito se discute sobre os vocais do Violeta. Fábio Golfetti canta ternamente, como que declamando versos, trazendo suas impressões de mundo numa voz macia, monótona de fato. Contudo, Violeta de Outono é justamente isto, a transposição de imagens da natureza, ambientes, estações, sensações em sonoridades e poesia. Nisto, se não pela música propriamente, que isto seja feito pela lírica das letras. Há uma preferência pelo vocal, muitas vezes mais presente que o instrumental, mas aí está uma justificativa para tanto.

Do instrumental, nada nos resta comentar. Podemos apenas florear as sensações com adjetivos merecidos: Se os Teclados de Fernando não criam uma cena de fundo para a guitarra de Golfetti trazer o calor da luz do sol, enquanto baixo e bateria nos criam texturas quase perceptíveis ao toque, construindo as cenas das canções, não sei mais que poderia descrevê-los.

Enquanto do EP tiramos por destaque Reflexos da Noite, do excerto de faixas do Volume 7 tocadas, Caravana e Fronteira se sobressaiam ali.

Chegando a metade da noite, se voltaram mais uma vez para seus clássicos, trazendo de seu primeiro álbum cheio, o homônimo de 1987, Dia Eterno, Declínio de Maio, Luz, Sombras Flutuantes e sua versão de Tomorrow Never Knows, dos Beatles, onde Golfetti faz de sua Fender uma cítara, também presente no disco.

E mais uma vez, rende-se homenagens ao programa Ummagumma. Desta vez, mais propriamente, trazendo Set the Controls for the Heart of the Sun, uma das faixas do lado ao vivo do álbum que dá título ao programa de rádio, se é que você ainda não sabe disso. Neste excerto do show, todas as faixas são da primeira fase do Pink Floyd, ainda com Syd Barret. E Golfetti confessionou no palco que deve rolar um DVD do Tributo a Syd Barret ainda este ano!

Astronomy Dominé e Interstellar Overdrive, as melhores faixas floydianas a meu ver, que inclusive o Violeta já gravou, não rolaram, apesar de primeira também estar no Ummagumma. Mas deixou-se espaço para que víssemos algo inédito até então, alguém rolando Arnold Lane, ao lado de See Emily Play e Bike.

Saindo do palco, era muito natural esperar um bis. Só que até parecia que não ia rolar, com as pessoas deixando o teatro ali, logo ao fim, sem comentar as muitas que deixaram a apresentação no meio. Felizmente, os Violetas voltaram, com Creme Gelado, Desculpa, do álbum de 1999, Mulher na Montanha, arrebatadora.


Eis uma banda que manteve sua sonoridade preservada através das décadas, a cada álbum, mostrando que há espaço para este Progressivo, mesmo o brasileiro, e, muito possivelmente, dentro de várias gerações.

Neste show belíssimo, ficam os agradecimentos ao Violeta e especialmente a Marco Batalha e Maurício Martucci, apresentadores do programa Ummagumma. Ummagumma este, que além das incursões nas ondas radiofônicas, tem um dos mais respeitáveis fóruns sobre progressivo no país, que vale a pena conferir.

E também tem mais fotos no nosso Picasa!

Fotos: Vincent de Almeida


Resenha: Mônica Salmaso e Pau Brasil cantam Chico

Nos dia 18 e 19 deste , apresentou-se Mônica Salmaso em parceria com o quinteto Pau Brasil em seu último show da turnê Noites de gala, samba na rua, no Teatro Municipal de São Carlos, mais recente obra abandonada/concluída da cidade.

Destrinchando um pouco a história dos supracitados: Mônica Salmaso é uma cantora paulistana, eleita em 2002 pelo crítico do The New York Times, Jon Pareles, um dos principais expoentes da música popular brasileira. Tem cinco álbuns gravados, incluindo Afro-Sambas (1997), um duo de voz e violão com Paulo Bellinati, violonista do Pau Brasil, contendo todos os afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes; Trampolim (1999) e Voadeira (1999), que renderam à artista os prêmios Visa MPB e Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, além de ambos terem sido lançados também na Europa, Japão, Estados Unidos, Canadá e México; Iaiá (2004) e Noites de gala, samba na rua (2007). O último, tema do show em questão, contém apenas músicas de Chico Buarque e é todo gravado ao lado do Pau Brasil.

E falando neles, o quinteto Pau Brasil é referência para a música instrumental brasileira. Formado em 1979, atualmente conta com o baixista Rodolfo Stroeter, o pianista Nelson Ayres e Paulo Bellinati, violonista, da formação inicial; além deles, temos hoje Teco Cardoso, saxofonista e de-outros-sopros, e Ricardo Mosca, na bateria. A proposta inicial do grupo continha um repertório visceralmente brasileiro, embora advindo de influências diversas, como sugeria o Manifesto Pau Brasil, de Oswald de Andrade. Hoje o quinteto acumula festivais e uma indicação ao Grammy, na categoria Best Jazz Group, em 1996, com o álbum Babel, um dos oito lançados até agora. O último, PAU BRASIL 2005 traz interpretações de Villa-Lobos, Ari Barroso e Chico Buarque, além de composições de Rodolfo Stroeter, Nelson Ayres e Paulo Bellinati.

Quanto ao último citado, o Teatro Municipal de São Carlos “Dr. Alderico Vieira Perdigão”, inaugurado em 1964, foi (re)inaugurado no dia 4 de julho de 2008, para a alegria da população são-carlense, sempre ávida por cultura, depois de sete anos fechado, cinco desses em reforma. O teatro foi ampliado e dotado de novos recursos como um bar no piso da bilheteria e rampas para deficientes físicos. Hoje o teatro de arena e o palco italiano somam uma capacidade para 900 pessoas, sendo 404 a capacidade para o palco italiano, sem mudanças no projeto de 1964.

Depois dessa introdução vamos direto ao ponto: o show. E que show! Todos que puderam compartilhar das pouco menos de duas horas de apresentação não hão de negar que sinestesicamente saborearam a voz de uma cantora excepcional, que alcança notas impressionantes e que estava em perfeita harmonia com o Pau Brasil. O quinteto com afinação e arranjos inspirados das obras de Chico, trouxe também a composição de Paulo Bellinati, Pulo do Gato, fazia uso dos recursos musicais dos instrumentistas de uma maneira surpreendente.

O repertório composto por 16 músicas foi de difícil escolha segundo Mônica. Ela disse durante o show que, após uma revisão cuidadosa de toda a discografia do Chico, chegou a uma lista de míseras sessenta músicas. O restante da seleção foi feita junto ao Pau Brasil, que escolheu as músicas com as quais se poderia fazer bons e diferentes arranjos. Ao fim desse árduo trabalho, as músicas escolhidas foram: A volta do Malandro; Quem te viu, quem te vê; Você você; Ciranda da Bailarina; Construção; Olha, Maria; O velho Francisco; Basta um dia; Logo eu; Morena dos olhos d’água; Suburbano coração; Bom tempo; Partido Alto e Beatriz. Além dessas, a já citada Pulo do Gato, e a música final, de apresentação dos músicos, Moda do Pau Brasil, fecham o pacote.

Entre as músicas, comentários e causos foram feitos pela cantora. A começar pela introdução de Você você, na qual Mônica explicou que Chico Buarque resolveu fazer essa música nas vésperas de ser avô, quando sua filha arrumava o enxoval para ir para a maternidade e, na saída, voltou para o quarto do bebê para colocar uma blusa sua dentro do berço, para que o bebê sentisse seu cheiro o tempo todo e não ficasse com medo, o que explica os versos “Que blusa você, com o seu cheiro/Deixou na minha cama?”

Durante o show, Teco Cardoso se revezava em flautas, saxofones e clarinetes, enquanto Rodolfo Stroeter alternava entre contrabaixo e baixo elétrico. Além disso, Mônica Salmaso fez várias incursões por instrumentos de percussão, incluindo pandeiro e chocalho. Dentre as músicas, algumas impressionaram bastante a platéia, como Construção, com toda sua densidade e poesia, Beatriz, na qual a cantora alcança notas altíssimas com muita maestria, acompanhada apenas pelo piano de Nelson Ayres, Você Você, e o novo significado que a música adquiriu para todos aqueles que não conheciam a história do vovô Chico, e Partido Alto, que fechou o show com toda a leveza do samba, antes da apresentação dos músicos.

Outro causo do Chico contado por Mônica: Numa entrevista, perguntaram a ele porque ele fez a música Retrato em branco e preto com este título, e não como retrato em preto e branco, que é como todo mundo chama esse tipo de fotografia. Ele, com toda a irreverência típica, respondeu: “Ah, eu achei que ficava mais poético ‘Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto’ do que ‘Vou colecionar mais um tamanco, outro retrato em preto e branco’. Há, há!

E uma última historinha, que deixou as mulheres da platéia magoadas com Chico Buarque: diz ele que quando estava compondo Ode aos ratos, precisava de algumas informações biológicas sobre os animaizinhos e ligou para amigo, músico-zoólogo Paulo Vanzolini. Ao perguntar ao amigo como era o nariz do rato, se era gelado, quente, úmido, entre outros, recebeu a seguinte resposta, muito merecida “Mas Chico, você mente tanto sobre mulher nas suas músicas, porque não mente sobre os ratos também!?”, e a réplica veio com uma resposta cafajeste “Ah não, mas pelos ratos eu tenho muito respeito!”

Surpresa também foi a apresentação final dos músicos, a qual foi feita com muito estilo através de Moda Pau Brasil, música composta por Stroeter em parceria com na letra com Mônica, que toma Paulo Bellinati por “jóia de raro quilate”, a técnica de Ricardo Mosca por “a leveza de um inseto”, o maestro Nelson Ayres por “bom de harmonia”, além de dar a receita de seu marido, Teco Cardoso com “misture um saxofone com doutor em medicina” e se refere a Rodolfo Stroeter como “toca um instrumento grave e dele sou muito amiga”. Para não faltar a sua apresentação, o contrabaixista cantou a estrofe para Mônica, aquela que “dá um laço no compasso” e “tem voz de santa”. Por fim, o compositor também teve, em sua homenagem, uma estrofe só para ele, que “escreveu com maestria, dos versos faz seu embarque, a palavra ele cria, ele é Chico Buarque”.

Texto: Sarah Barbosa Segalla