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Cobertura: MacunaÓpera no Florestan Fernandes e Entrevista com Iara Rennó


Sob risco de redundância, falamos novamente sobre o espetáculo Macunaíma Ópera Tupi, de Iara Rennó. A primeira vez em que tentamos transmitir o que é este espetáculo foi numa de nossas resenhas na Virada Cultural. Agora, não poderíamos deixar de conferir mais uma vez o show e deixar aqui algumas impressões, já que ele aconteceria em nosso quintal, São Carlos, no aconchegante Teatro Florestan Fernandes, ambiente um tanto melhor do que num palco aberto em São Paulo.

Este show é substancialmente diferente do visto na ocasião da Virada. Claro que em teatros, sempre há total atenção voltada à apresentação, sem as distrações do convívio social, mas as comparações não param por aí. Não era a primeira vez que pisávamos naquele espaço, mas é a primeira resenha dentro do Florestan. Assim, é fácil reparar que todo o jogo de iluminação do teatro garante um clima único ao espetáculo e aqui, apesar dos pormenores, tínhamos um som mais limpo, já que na Virada todas as apresentações no Palco Santa Efigênia sofreram com o som. Desta vez havia toda uma preocupação também com introduções sampleadas selecionadas para algumas das músicas, dando nova interpretação a estas. E, especialmente para incursão das dançarinas, duas negras das mais altas e de ginga hipnotizante, havia espaço para brincar.

Em contrapartida, assistir ao espetáculo sentado, sem poder dançar ao ritmo enlevante, era um martírio para muitos. A solução para isto se apresentou ao final do show, em Boi, em que o pessoal foi conclamado a frente do palco para uma ciranda improvisada, como bem manda o figurino.

O setlist do espetáculo segue abaixo. Deixamos algumas impressões mais, embora a bem da verdade se possa resumir tudo em três palavras: Lindo, lindo, lindo!

01. Macunaíma; 02. Jardineiro; 03. Mandu Sarará; 04. Nina Macunaíma; 05. Conversa; 06.Quando Mingua a Luna; 07. Bamba Querê; 08. Dói Dói Dói; 09. Valei-me; 10. Taperá.

BIS

Dói Dói Dói; Macunaíma.

Aqui, mais uma vez ficavam as dúvidas do por que da escolha desta seqüência de faixas, tanto para os shows quanto para o álbum em si, que não seguia a linha cronológica do livro. Essas dúvidas seriam respondidas mais tarde, claro. Aqui, abria o show como sempre Macunaíma, musicando o trecho que inicia o livro. Talvez seja apenas uma impressão dos rearranjos para transpor a música para o ao vivo, mas desta vez parecia que a faixa lembrava em muito a versão presente no primeiro álbum do DonaZica, Composição.

Outros momentos marcantes da noite estão em Nina Macunaíma, com a performance de Iara, que vai caindo ao chão conforme a música transcorre, até se deitar completamente, dormindo ao final do embalar de sua própria cantiga. Os muitos e merecidos aplausos que se seguiram a acordam, indevidamente.

E muito do MacunaÓpera é isso, uma interpretação encenada da obra escrita de Mário de Andrade, além da obra musicada. Se em Nina Macunaíma Iara dorme feito nosso herói, em Conversa ela chega mesmo a descer do palco e interagir com o público, mendigando um cigarrinho. Iara encarna Macunaíma e performa sem parar ao longo de todo o show, em posições das mais inusitadas, esbanjando sensualidade, sensualidade esta que transborda por todo o livro, mote para quase toda ação do personagem. Este lance teatral da obra só é reforçado com a entrada das dançarinas Janette Santiago e Luli Ramos em Bamba Querê, empolgando mais ainda a platéia, passando timidamente também a fazer parte do espetáculo, ajudando a Iara no refrãoVamo Saravá!”.

Depois de entoar Exu, a macumba continua com Dói Dói Dói. Se para os músicos ali tocando a faixa a empolgação é grande, para a platéia não há duvidas de que aquele é o ponto alto do show. E é muito bem justificada esta sensação, já que também no livro é o grande momento de Macunaíma, em que ele é apadrinhado por Exu e tem sua vingança plena, fazendo-se maior que um gigante, surrando-o. Nada mais justo a música de maior exaltação ser também a realização do herói.

Já encaminhando o fim do show, justamente com as faixas que encerram o álbum, primeiro com Valei-me, onde Janette e Luli trajadas de preto, com véu e portando velas, caracterizam a oração que é a canção, e depois com Taperá, onde a convite de Iara, aquele pessoal que dizíamos estar se segurando vai à frente do palco para dançar o Bumba-meu-boi. Já no que seria a última faixa, Iara faz aquela graça de sempre apresentando todos os integrantes da banda em rimas improvisadas. Eram seus comparsas de sempre, Guilherme Held (guitarra), Paulo “Manapê” Henrique (trombone), Daniel “Jiguê” Gralha (trompete), Karina Buhr (percussão e voz), Curumin (bateria, percussão, samples e voz) e Du Moreira (sintetizadores).

Com o pessoal já embalado na dança de roda, as esperanças de ver rolando Na Beira do Uraricoera ao vivo se esvaiam. Mas era pedido justamente algo mais grooveado para o momento, e vinha Dói Dói Dói, surrando o gigante novamente, com a seguinte dedicatória de Iara “Essa vai pra você, Michael! Just beat it!”

Para terminar do jeito que começou, o show encerra com Macunaíma. Não exatamente do mesmo jeito, mas numa outra versão, mais rápida, um remix. Justamente como nosso personagem, que sai do mato à cidade e o leitor observa sua mudança, nitidamente.

E além das impressões, não poderíamos deixar de ter algumas de nossas dúvidas a respeito da obra musicada respondidas. Nisso, tentamos uma entrevista com a pequena Iara, a grande responsável por isso tudo. Conseguimos fazer todas as perguntas que tínhamos em mente, sanando boa parte das nossas curiosidades, apesar de outras terem sido criadas.

ENTREVISTA

Programa Bluga: Existe uma razão para a ordem das faixas no álbum não seguir a seqüência narrativa do livro? Talvez, para criar alguns momentos dentro do álbum?

Iara Rennó: Sim, tudo isto foi muito pensado.

Desde que eu comecei a fazer shows em minha vida, esta é uma preocupação. Lá no começo da DonaZica, ficávamos Andréia [Dias] e eu passando diversas seqüências de músicas. Por exemplo, esta seqüência do show [MacunaÓpera], já mudei algumas vezes, mas faz tempo que não mudo mais. Com uma certa ordem as músicas você traz o público para dentro de uma história que também está colocada ali, no show.

Para o álbum, não me lembro da justificativa do lugar de cada música, mas eu enxerguei que daquele modo criava um melhor andamento para ele. Quando falei para o Moreno [Veloso] que Nina Macunaíma seria a terceira faixa, ele falou: “Mas terceira faixa?! Já bota o povo pra dormir logo na terceira faixa?!” Acontece que se fosse colocada depois, iria quebrar muito o andamento do álbum.

PB: Outra grande dúvida é que nos parece que o estilo escolhido para cada faixa tem uma relação muito próxima com o momento do livro. Existe de fato esse pensamento, ou foi algo mais livre?

Iara: Não sei te precisar isso, agora, assim... Eu li muito o livro, li textos, enfim, mergulhei na obra.

As pessoas às vezes me perguntam se peguei alguma referência ou, por exemplo, na cantiga de Bumba-meu-boi, se fui buscar como era aquela melodia e a resposta é não. Eu evitei, inclusive, toda essa parte de pesquisa folclórica. Evitei isso no momento da composição, porque não queria fazer o que já estava feito, eu queria recriar aquilo e não fazer a primeira sugestão a que aquilo remete.

Naturalmente, isto confluiu com o que o contexto do livro me fazia sentir. Toda instrumentação, produção, pessoas que eu chamei para participar, arranjos, acho que também confluíram nisto, mas de uma forma um pouco mais sutil.

Em Mandu Sarará, por exemplo, pensei mais ou menos assim: Quero fazer um tambor de Coco de Zambê. O Coco de Zambê é um coco de uma cidadezinha do Rio Grande do Norte, que tem dois tambores, uma lata de tinta que fica repicando, uma instrumentação muito específica. Eu queria reproduzir aquilo e falei pra Simone (Sou): “Vamos fazer um Coco de Zambê aqui.” Foi uma coisa bastante específica! E com isso, um arranjo de cordas, para fazer uma coisa chocante! Essas características vêm daquela coisa do livro, dessa questão da mata e da cidade, quando ele [Macunaíma] chega e as coisas são máquinas, desse choque cultural.

PB: Muita gente participa deste trabalho. Muito provavelmente você pensou em pessoas específicas para produzir, para arranjar junto com você, para participar dentro da gravação... É por aí a história mesmo?

Iara: Foi, foi muito minucioso o trabalho do disco. Foram sessenta músicos participando, e foi muito fluido, muito orgânico, muito legal. Noventa e oito por cento das pessoas que eu queria que participassem participaram!

PB: É muita gente boa em um projeto só! Como você conseguiu reunir tanta gente boa assim?

Iara: Com a maioria das pessoas eu já tinha algum contato, de amizade mesmo ou por ter feito algum trabalho em conjunto. Eu acho que a obra pedia isto, essa grande reunião de pessoas, essa diversidade de espécies.

PB: Agora falando um pouco de DonaZica, soubemos que faz um mês, talvez menos, que vocês fizeram um show tocando alguns arranjos de Ataulfo Alves, é isso?

Iara: Sim, a gente fez um show de reinauguração da Sala Funarte em São Paulo, que já havíamos feito em Dezembro de 2007 com a participação do Mautner [Jorge] e do Melodia[Luiz]. Como este ano é o centenário do Ataulfo, se a gente não fizesse mais esse show, seria uma grande falha do sistema. E o show está bom e ficando ainda melhor!

PB: Então DonaZica tem planos de continuar tocando?

Iara: Sim, sim, DonaZica deve fazer algumas coisas no segundo semestre, depois dessa pausa. Vai rolar no SESC Pompéia, no projeto de 10 anos do Prato da Casa. Temos pelo menos uns três convites.

PB: Mas uma reunião apenas no sentido de shows ou de um trabalho novo mesmo?

Iara: Shows, shows.

PB: Voltando ao seu trabalho, conferimos as músicas que saíram no Música de Bolso e ficamos curiosos. Você tem um trabalho novo saindo afora Macunaíma?

Iara: Tenho dois trabalhos novos. Fora DonaZica e o Macunaíma, tem mais duas Iaras diferentes pra sair aí! Um é este que você viu, do Música de Bolso. Inclusive, vou fazer um show dia 09 de Julho, lá no Casa de Francisca. É praticamente acústico: Sou eu, sentada, tocando violão, mais cello, baixo acústico, bem no estilo dos vídeos no Música de Bolso... é aquela formação. Eles me chamaram pra fazer algo, aí resolvi fazer aquelas músicas, tirar este projetinho da gaveta e montar um show. Já fiz um, e agora vou fazer este segundo. E essas músicas são o projeto de um disco que devo fazer provavelmente no ano que vem. Agora não dá que já eu estou fazendo o outro.

Agora o que vai rolar neste disco agora, traremos mais além, aqui mesmo atualizando a postagem. Aguardem!

Desta noite também saíram alguns prospectos bem interessantes circundando Karina Buhr, a respeito do Comadre Fulozinha, para quem sabe aportar aqui neste segundo semestre, de repente pelo MACACO - Movimento Artístico e Cultural do CAASO. As meninas da banda estão com um álbum novo, lançado este ano, Vou Voltar Andando, e seria providencial dar as caras por aqui.

Há de se render homenagens ao pessoal da organização, responsáveis por terem trazido a MacunaÓpera para cá, em especial a CEC, Coordenadoria de Eventos Culturais da UFSCar. Sempre é espantoso o fato de eventos deste calibre serem totalmente de graça! Contudo, apesar desta benevolência e da relevância do trabalho é mais espantoso ainda que não se tenha o teatro lotado, abarrotado, e filas afora. Felizmente era um teatro quase lotado e com certeza todos ali irão procurar conhecer este pedacinho de nossa música e também de nossa literatura. Porque este é um dos muitos aspectos interessantes deste trabalho, popularizar, aproximar o público do livro, que passa então a ser muito mais interessante feito toda adaptação da literatura e quadrinhos ao cinema, que faz o mundo se voltar a obra original também.


E para mais fotos, dê uma olhadela em nossa conta no Picasa!


Texto: Felipe Adachi e Vanderlei

Fotos: Vincent de Almeida

Cobertura: Virada Cultural 2009: Anelis Assumpção, Lívia Nestrovski, Mass Ensemble e Curumin



Já acompanhamos a Virada Cultural a algum tempo, sempre maravilhados com o caráter de gigantesco festival, pela possibilidade de ver gerações de grandes nomes num mesmo dia e local, embora desconfiados da real imersão cultural ali proposta.

Contudo, este ano é a primeira vez em que fazemos a cobertura, apesar de no ano anterior, quando já havia Programa Bluga, termos deixado a cobertura para os anais da mídia convencional e um sem número de blogs.


Em 2008 vimos muitas, mas muitas atrações das mais interessantes rolando, outras perdemos, mas no final não encontramos um material realmente interessante. É quase cômico procurar por blogs relatando algo da Virada e nos depararmos apenas com compilações da programação da Virada, coisa muito bem disponibilizada já no site oficial. Difícil mesmo encontrar alguém que nos trouxesse mais do que vagas impressões pessoais, gostos e desgostos, mas sim que compilasse informações relevantes de maneira concisa, num formato decente e, sobretudo que transmitisse as sensações de assistir a um show, num jornalismo crítico. Isto, sem a pretensão de entender nossa proposta aqui como a perfeita, mas despendemos tempo e esforço para chegar a um resultado mínimo. Enfim, tentamos.

Claro que talvez muitos blogs tenham tido seu alcance diminuído, senão ofendidos, com a proposta da organização de Imprensa da Virada, feita pela Foco Jornalístico Assessoria de Imprensa. Apesar do simples acesso a seção de Imprensa direto no site oficial da Virada, com direito a milhares de fotos das edições anteriores e outras informações, "a concessão de credenciais para as áreas de acesso privilegiado é restrita à imprensa". Esta foi a resposta a nossa solicitação, ignorando quem mais publica conteúdo hoje, os blogs, especialmente material bom sobre assuntos bastante específicos como é com a (boa) música. Não vamos discutir os méritos dessa consideração aqui ou não, deixando isto para gente grande, já que tínhamos quase certeza dessa negativa, só queríamos entender como tudo iria funcionar.

De qualquer maneira, para a Virada Cultural de 2009, pensamos em fazer uma pré-seleção de material todo o material que já conhecíamos e achávamos relevante, procurando ainda pesquisar algo das centenas de nomes que passariam por lá, tarefa perto do impossível. Nisso, apontamos alguns nomes já no nosso post pré-Virada e já deixamos duas resenhas com boa quantidade de informações e setlist completo, comentando Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno, no Theatro Municipal no álbum Clara Crocodilo, e Iara Rennó, no Largo Santa Efigênia, apresentando seu Macunaíma Ópera Tupi.

Agora, além de depositar alguns comentários sobre mais alguns nomes que presenciamos, deixamos impressões mais gerais sobre a Virada, do ponto de vista organizacional. Afora os comentários ali de cima sobre a própria cobertura do evento.


Como uma postagem sobre o Arrigo Barnabé, que pode ser vista AQUI, não foi suficiente, vamos a alguns detalhes mais sobre a experiência no Theatro Municipal de São Paulo. Como no ano passado, quando quisemos ver Snegs pelo Som Nosso de Cada Dia, chegamos com larga antecedência. Contudo, uma hora e meia não foi suficiente senão para nos deixar lugares nos últimos dois andares das galerias do teatro. Possivelmente teria valido a pena ter perdido mais uma hora ali, especialmente antes da Virada dar a largada propriamente dita. Afinal, perder três horas em uma fila, o que equivaleria a perder no mínimo três outras atrações potencialmente boas em meio as centenas, é quase um sacrilégio. Teria de valer muito a pena.

Felizmente, uma das poucas atrações que valeria a pena de novo no Theatro, Egberto Gismonti, era imediatamente após o Arrigo Barnabé, deixando de lado qualquer possibilidade de ver as duas apresentações. Foi difícil escolha entre os dois nomes, mas não tanto, ponderando sobre perder horas na fila antes da brincadeira começar ou quando tudo já estava rolando. E Tom Zé que nos desculpe, adoraríamos vê-lo, mas as horas de fila nas poucas (poucas?!) 24 horas de Virada não dá. E Violeta de Outono, bom, vamos ver em casa, no Teatro Municipal de São Carlos nesta quinta!

Ainda do Municipal, é bem ridículo darem-nos o ingresso às portas do lugar, para cinco metros depois tomarem-no de nossas mãos, rasgando-o ao meio. Se era para ter uma estimativa da locação, que isso fosse feito com um simples contador de mão. Grande desperdício de papel (que seria mínimo perto do visto depois). Afora que em nenhuma das atrações que ja presenciamos dentro do Theatro, seja nesta Virada ou na passada, a lotação de 1300 e tantos lugares foi atingida. O que nos faz pensar que eles guardam alguns lugares, pra não dizer quase uma centena, bem visíveis das galerias, para convidados especiais, organização e imprensa, que acabam não usando destes (afinal, se esse realmente é o caso, o ideal era assistir atrás do palco).

E claro, falamos mal das filas do Theatro, mas de outra maneira não seria possível. Levar uma atração deste porte a qualquer dos palcos da Virada levaria a situações como qualquer das que aconteceram no Palco da Avenida São João. Toda a massa está lá, impossível de assistir com um mínimo de conforto qualquer apresentação, ou mesmo de ver mais que um ponto. E não, telões não salvam. Afora que alguns daqueles shows, em sua maioria, precisam do espaço de um teatro para serem sua percepção plena. Feito Jon Lord acompanhado da Orquestra Sinfônica Municipal. Não que ele mereça todo o bafafá feito em cima dele.

Nisso, nossa escolha recaiu em palcos menores. Isto em público e tamanho, mas obviamente não na importância de sua música. Saídos do Arrigo, dirigimo-nos então para o Largo Santa Efigênia para quem sabe pegar um poquito da apresentação de Anelis Assumpção. E, de fato, chegamos a tempo de conferir duas ou três faixas finais, mais o bis! Anelis Assumpção esta acompanhada de Maurício Pregnolatto no baixo, Bruno Buarque na bateria e Cris Scabello na guitarra, todos os três do Rockers Control que ainda bateria por ali mais tarde, mais a menina Lelena Anhaia na guitarra. Faltou só a Simone Sou que muita gente se perguntou onde estava. Como nem de longe vimos tudo, vamos deixar apenas um vídeo pra vocês conferirem.



Agora, um comentário a parte é a escolha quase inconsciente de nossa primeira parte da programação de sábado. Começando toda linha de raciocínio com Arrigo Barnabé... Pulando para Anelis Assumpção, quem é menina? Filha de Itamar Assumpção. Para quem não sabe, Itamar é um dos arranjadores de Diversões Eletrônicas, faixa maior do álbum Clara Crocodilo, de Arrigo, tendo também performando em apresentações da Banda Sabor de Veneno, inclusive na ocasião do Festival Universitário da Canção, em 1979 pela TV Cultura, com Diversões Eletrônicas. Não obstante, Anelis Assumpção é integrante do grupo DonaZica, com influências mil das mais honoráveis, passando tanto por Itamar Assumpção quanto por Arrigo, onde também encontramos Iara Rennó. Filha de Carlos Rennó - outro dos sujeitos que compuseram com Arrigo, desta vez em seu segundo álbum, Tubarões Voadores, autor de A Europa curvou-se ante o Brasil e Mirante - e de Alzira Espíndola, outra de parcerias com Arrigo e Itamar, irmã de Tetê Espíndola, que nos canta também em Clara Crocodilo. Sem contar os arranjos de Arrigo para Macunaíma Ópera Tupi. Das meninas, trata-se de um berço pouco promissor, que, ao mínimo, propiciou muito do afloramento destes trabalhos. Mas é claro que o mérito é todo delas. Felizes de nós. E viva a Vanguarda Paulista!

Enfim, já entregamos que vimos Iara Rennó. Se você não viu, está mais que na hora de ler, aqui, ó, com resenha completa do show e fotos! E no meio da platéia tanto de Anelis quanto de Iara, tínhamos uma presença ilustre, camuflada entre a multidão. Alguém notou a Zélia Duncan assistindo as meninas? Também, pudera, participações de Zélia com o DonaZica AQUI, a Anelis no DVD da Zélia AQUI.

E ali naquele palco, no intervalo das apresentações, presenciamos uma das muitas atrações de rua da Virada, com a Troupe Djembedon, com Fanta e Fadima Konatê, cantando, batucando e dançando, tudo ao mesmo tempo, ritmadas por Petit Mamady Keita. Absurda a percussão proposta ali, que vale a pena conferir o som AQUI, especialmente se você gosta de tambores, não é? Só fique ressabiado ao saber que esta iniciativa tem um dedinho do Santo Daime.

E continuando no Largo Santa Efigênia, ficamos para ouvir Lívia Nestrovski Antes de qualquer coisa, mesmo de saber que ela é filha de Arthur Nestrovski, conhecemos a garota por um de seus muitos projetos, o Grupo Cumieira, antes chamado de Banda Hermética. Ali, entre interpretações de Hermeto Pascoal e composições próprias na mesma linha, Lívia desponta fazendo vocalizações surpreendentes. Eles já estão com uma demo gravada, do mesmo material disponível no MySpace e acabaram de receber uma verba para gravar CD do Fundo de Investimento Cultural de Campinas (FICC). Outro de seus projetos é o Grupo Casaforte que ainda precisamos conferir ao vivo.

Naquela noite Lívia se apresentava com o parceiro (e também marido) Fred Ferreira na guitarra, trazendo o trabalho do Duo Jamaxim. Contudo, por mais que a voz de Lívia seja de um timbre gostoso e de uma técnica impecável, beirando o impressionante, apenas o acompanhamento da guitarra parecia pouco para empolgar o público, ficando o clima de barzinho. Claro que o fato de o som naquele palco não estar nem um pouco perto do razoável também não ajudava muito. Assim, não foram muitos que assistiram a apresentação, mas aqueles que ficaram entoavam baixinho junto com Lívia as canções ou dançavam de mansinho no embalo da voz da menina. Ser citada em diversos veículos, ou simplesmente entrando na programação da Virada como um dos novos talentos é um grande passo para a carreira de Lívia, que escolheu um belo repertório, com a MPB de todos os cantos, especialmente o mineiro, com as canções: Estrada do Sol, famosa na voz de Nara Leão; Modinha, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; Zelão, de Sérgio Ricardo; Jogral, de Djavan; Clube da Esquina Nº 1, de Milton Nascimento e Lô Borges do grupo e álbum homônimos, Clube da Esquina; Sonho de Marinheiro, de Fausto Nilo; Um Gosto De Sol e Nada Será Como Antes, as duas de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos; A Sede do Peixe, também de Milton Nascimento, agora com Márcio Borges. Ainda, depois de incursionar por outros ritmos latinos com autores que desconhecíamos mas acabamos apreciando e nos perguntando que era aquilo, Lívia caiu num bom Jazz, com The Dry Cleaner From Des Moines, de Charles Mingus e Johnny Mitchell, onde faz de sua voz instrumento e como que duela com a guitarra de Fred.

Finda a apresentação, já era hora de dar uma olhada na movimentação nas ruas do centro velho de São Paulo, passeando por cada palco. Nisso, nos dirigimos para tirar a dúvida sobre que seria a tal Harpa Monumental. Chegando a Praça Ramos, ao lado do Theatro Municipal, lugar da instalação, deparamo-nos com uma peça que realmente valia seu nome, já que suas proporções eram maiores mesmo que muitos monumentos ali, com suas cordas partindo das balaustras do Theatro, até o meio da praça, cobrindo coisa de 30 metros. Era o Mass Ensemble, grupo americano de Los Angeles, cuja proposta é transformar prédios, montanhas, enfim, qualquer coisa, em gigantescos instrumentos musicais. E esta arte dessa vez foi feita com o Theatro Municipal, sendo tocada de maneira inusitada pela beldade, Andrea Brook, ora acompanhada da bateria, ora da guitarra e voz de Shawn Barry, apresentavam um som de "moderna erudição", que parou uma multidão à praça, dependurada até no parapeito do viaduto do chá, tanto à meia noite do Sábado, quanto às três da tarde de Domingo.



Para se ter idéia uma real idéia do que é o Mass Ensemble com o Earth Harp, somente presenciando. Ou assistindo a um vídeo, como este aqui. Muito do mérito ali é justamente o tamanho do instrumento, realmente impactante. Contudo, o estilo modernoso dos dois, Andrea e Shawn, também era marcante, assim como as incursões corporais solo que eles fizeram: A noite, o sujeito brinca como eu nunca antes havia visto no Brasil, com correntes com maças em chamas; e a garota performando posições impossíveis do ioga, enquanto Shawn usava pela primeira vez da gigantesca cítara elétrica ali exposta que também causava dúvida.

Voltando mais uma vez para o reduto seguro do Largo Santa Efigênia, era a hora de Curumin subir ao palco. Ele já tinha dado o ar de sua graça naquela mesma noite, tocando com Iara Rennó. Também já havíamos visto o camarada apresentando faixas de seus dois discos Japan Pop Show e Achados e Perdidos no Festival Contato, em 2008, então sabíamos que o show seria no mínimo divertido.


Claro que a fama do rapaz se fez sentida, especialmente naquele horário, quando todo canto estava intransitável. A frente do palco estava lotadíssima, parecendo mesmo a São João. Ponto para Curumin, que atingiu com seu som não só Natalie Portman, mas também as massas.


Mais uma vez acompanhado do baixo de Lucas Martins e o MPC de Marcelo Effori, Luciano Nakata Albuquerque, o Curumin, na bateria, cavaco elétrico e vocais, trouxe suas composições e mais umas: Mal Star Card; Sambajapa; Compacto; Sambito; Kyoto; Everybody loves the Sunshine; Caixa Preta; Guerreiro; Magrela Fever. Antes de mandar a última, ainda trouxe ao palco novamente para uma palhinha Anelis Assumpção, já que ela ainda estava por ali de bobeira, para depois fechar com um reggaezinho.

E atravessar as 24 horas da Virada é tão difícil quanto ser um náufrago em meio ao oceano: parar de nadar é a morte. E como não sabemos nadar, fomos para casa, os que restaram, descansar algumas horas e aproveitar melhor o Domingo, já a luz do sol do meio-dia.

Ainda esta semana, se sobrar fôlego, sai mais uma postagem, com mais alguns comentários gerais da Virada e quem sabe uma visão do show da Central Scrutinizer Band acompanhada de Ike Willis. Enquanto isto, propaganda nunca é demais, leia o texto nosso sobre o Arrigo e o outro da Iara Rennó na Virada e também veja uma reunião de fotos destas atrações no nosso Picasa. E pra acompanhar tudo mesmo, nos siga no Twitter!



Fotos: Fernanda Serra Azul (Arrigo); Ariel Martini (Anelis Assumpção, Iara Rennó e Lívia Nestrovski); Danilo Regi (Mass Ensemble); Vincent de Almeida (Curumin); Montalvo Machado (Central Scrutinizer Band e Ike Willis).

Resenha: Iara Rennó na Virada Cultural 2009


20h34. Enfim, é chegada a hora do tão aguardado show de Iara Rennó, apresentando Macunaíma Ópera Tupi, ou ainda Macunaó.Peraí.Matupi. A apresentação era uma grande incógnita, ao menos para aqueles de nós que ainda não a tinham visto. Não tanto pela qualidade do álbum, indiscutível, mas mais pela dúvida de como fariam para adaptar uma obra com tantos artistas envolvidos, com tanta diversidade de instrumentos, a um palco com equipamento e espaço tão limitados. Que fariam com a primeira, segunda, n-ésima vozes, com o violino, com o violoncelo, com o berimbal? Felizmente, a surpresa foi deveras prazerosa! Lançando mão de artifícios como samples e sintetizadores, e com arranjos completamente diferentes para diversas músicas, Iara conseguiu manter a essência do álbum, e ainda com elementos a mais. Afinal, o show não é feito só da música, é também enriquecido pelo aspecto teatral da coisa, seja com as dançarinas se apresentando em Bamba Querê,Dói Dói Dói,Valei-me e Boi, seja na performance de Iara nos diálogos de Conversa e na dança em todas as músicas.

Bem, vamos ao show propriamente dito... Que jeito melhor de começar senão com o nascimento do herói? Parafraseando o início do livro, na primeira das três passagens de texto em prosa musicadas, Iara introduz Macunaíma ao público. De começo, o vocal parece um tanto baixo, e tem-se alguns problemas com a guitarra. Ah sim, não podemos deixar de comentar a presença do grande Curumin na bateria, que teria seu próprio show no mesmo palco, algumas horas mais além. Aproveitando a deixa, fica aqui registrado uma pontinha de decepção pela não-participação de Anelis Assumpção. Que custava, ela tinha acabado de sair do palco!(Show este que, infelizmente, perdemos quase todo, em função de Arrigo Barnabé)

Destoando da ordem do álbum, vêm Jardineiro. Aqui, a família Espíndola faz uma falta tremenda nos vocais, sendo substituída por Curumin e Karina Buhr, responsável pela percussão. Ao vivo, vê-se que o teclado ganha importância, aparentemente para tapar o buraco das cordas. A partir daqui, as músicas seguem na mesma ordem, à exceção, obviamente, das não tocadas. Mandu Sara permanece bem fiel à original (Acreditar numa participação especial de Arrigo aqui seria sonhar um pouco alto), já em Conversa Iara se vira sem Tom Zé, fazendo o tio e o sobrinho nos diálogos. A percussão corporal dos Barbatuques em Quando Mingua a Luna também faz falta, mas a guitarra e o teclado preenchem muito bem a lacuna.

O lamento da cascata Naipi traz um clima mais triste e romântico, a esta altura com um vocal muito melhor do que nas primeiras faixas, e com um arranjo perfeito. Até aqui, nota-se um público aparentemente pouco familiarizado com a obra, com um ar de curiosidade, mas carente de empolgação. Bom, Bamba Querê chega para marcar a mudança no comportamento do público, com a entrada das 3 dançarinas ao palco, e o espaço limitado não as impediu de prender ainda mais a atenção do pessoal. O clima extrovertido só aumenta em Dói Dói Dói com uma batida altamente contagiante, dando o tom moderno e urbano que a obra demanda. Ao fim da faixa, Iara diz que se sente o próprio Macunaíma no trecho, muito bem lembrado, em que o herói discursa para o público no centro de São Paulo. Realmente, visto o local e a situação, a comparação fazia bastante sentido.

Hora da oração. As dançarinas voltam em Valei-me, desta vez trajadas de preto e trazendo velas, contando com as luzes do palco para ajudar no clima. O espetáculo vai se encaminhando para o fim com Boi e, no meio da faixa, a apresentação dos músicos: Guilherme Held na Guitarra, Du Moreira no teclado e sintetizadores, Daniel Gralha no trompete, Curumin na bateria, Paulo Henrique no trompete e Karina Buhr na percussão. Apresentação, aliás, feita de modo muito original, com pequenos versos rimados para cada integrante, aparentemente feitos na hora mesmo. Para o encore, Iara resolve judiar um pouquinho mais de Venceslau Pietro Pietra, voltando com Dói Dói Dói. Eu acho que Taperá cairia muito bem ao final, mas talvez tenham optado por Dói Dói Dói pelo fato de ter agradado bastante o público, na primeira vez. E, apesar das nossas tentativas, o show termina sem Na Beira do Uraricoera. É uma pena.

O espetáculo mantém o tom brasileiro do álbum (e do livro), com influências da cultura africana, indígena, nordestina e tantas outras. O resultado é uma sonoridade orgânica e natural, que cumpre muito bem a missão de extrair a musicalidade tão presente na rapsódia. Com uma obra cujas raízes estão tão fincadas na música, aliado à genialidade de Iara Rennó e à incrível habilidade da moça em reunir tantos talentos em um único projeto, seria de se estranhar que o produto não tivesse uma qualidade excepcional.

A apresentação foi inesquecível, sem dúvida, mas acho que Macunaíma Ópera Tupi deveria ser assistido antes em um teatro, com uma boa acústica, e em silêncio, para apreciar melhor todos os aspectos da obra. Com sessenta músicos no projeto, é evidente que uma retratação exata nos palcos seria inviável, mas felizmente os arranjos foram muito bem acertados, tornando o show algo totalmente diferente do álbum, mas nem por isso menos brilhante, de modo que ambos sejam completamente imperdíveis. Mas enfim, agora já podemos riscar um objetivo do nosso caderninho. Uma das metas do Programa Bluga para 2009 alcançada!

Tem mais não.

Aliás, tem sim! Confira o texto de Arrigo Barnabé no Theatro Municipal, e as impressões gerais da Edição 2009 da Virada Cultural!


Fotos: Daniel Mitsuo

Cobertura: 2º Festival Contato - Sábado

Chegar à Praça do Mercado no 11 de Outubro aqui em São Carlos trazia à tona toda a expectativa cultivada nas semanas anteriores. Finalmente era hora dos shows do Festival Contato, então em sua segunda edição. Vinha a memória o espetacular festival do ano passado, que gerou os primeiros estalos que levariam a iniciativa deste blog tempos depois.

Nos primeiros passos debaixo de um calor infernal que acometia a cidade, pelas 15h30, avistava-se de cara Curumin, passando o som no que viríamos a chamar de Palco 2. Mais tarde descobriríamos a necessidade deste cuidado, quando ninguém mais o fazia, já que ele seria um dos poucos “grandes” a tocar ali, enquanto os outros estariam no Palco 1, principal, notadamente de equipamento que soava melhor.


Abertura do Festival: MALDITAS OVELHAS!

E ficamos na ansiedade aumentando, já que apenas muito mais tarde começaria a primeira apresentação em si, às 16h45 com o Malditas Ovelhas!, a banda araraquarense sempre-presente nos últimos eventos, prova de sua qualidade. Sendo os primeiros a pisarem no palco, vieram também os primeiros problemas. Na faixa de abertura, Dancing in the night, saía o áudio apenas nas caixas da esquerda, exigindo que a mesa matasse o som como um todo para o público por dois ou três segundos para normalizar a situação. Mas nada que comprometesse o show, e os moleques tiraram de letra. Seguindo seu som instrumental, Esqueleta, marcada pela incursão do soprofone na faixa conhecida apenas ao vivo, sem gravações em estúdio. Tocaram ainda Perseguida, Faca de Matar Cisne e finalizaram com Odi(o) ao viajante, com todos os integrantes da banda atacando o set de bateria juntos.



Ao término dos trinta-minutos-de-cada da primeira banda, a multidão migra para o Palco 1, sentindo o impacto real de um grande festival, com múltiplos palcos. Ali, dois palcos confrontando-se, como havia acontecido na edição passada na estação. Embora sem a mística do trem correndo ao lado, ao menos não havia limites teóricos de lotação e acabava-se atingindo público maior, atraídos pela movimentação, invadindo a cidade.


Segundos Caras: CÉREBRO ELETRÔNICO

Já no palco, enfeitado a serpentinas por todos os lados, Cérebro Eletrônico. A banda paulistana mostraria muito bom humor no meio da batida eletrônica do ausente Dudu Tsuda, com a bateria de Gustavo Souza, guitarra de Fernando Maranho e baixo com Izidoro Cobra, os dois últimos acompanhando a voz de Tatá Aeroplano nos corais que tanto marcam o som da banca. Estes mesmos sujeitos já haviam participado do 1º Festival Contato, encarnados na banda-mãe Jumbo Elektro.



Abriram com Dominó Tecnológico, com os versos rápidos de Tatá, que ainda solta um "Boa Tarde São Carlos! Pode chegar mais para frente, tem um buraco aqui". Via de regra as pessoas ainda não entendem o conceito do Festival e horas depois do horário programado, o público ainda não havia atingido seu pico.

Antes eu tivesse escolhido viver só com minha guitarra seria a próxima e divertidíssima faixa que animaria o fim de tarde com direito a pôr do Sol. “Uoh, uoh, uoh, uoh!” e canudos lança-confete disparados pelos músicos dão o toque final. Nesse mesmo clima de festa, tocam Pareço Moderno, , com Tatá posando (e tocando?) os instrumentos de brinquedo e Bem mais Bin que o Bush. Mudando um pouco a toada, trouxeram Sérgio Sampaio, entrando com um quê de Caetano, na baladinha leve.

Próxima faixa de destaque, Os Astronautas com os comentários da voz macabra do fim da faixa de estúdio servindo de abertura, seguindo em psicodelias a parte. Fecham o show com a faixa Desquite, que estará em seu próximo disco já sendo produzido, Deus e o Diabo no liquidificador. Para quem quiser conferir os que são esses caras de fenômeno originalíssimo em vivo, eles tocam no SESC de Araraquara dia 21 de Novembro.


Terceira Galera: PLANO PRÓXIMO

E novamente a Nação Bluga esteve presente em uma apresentação dos conterrâneos Plano Próximo. Com Carol Tokuyo no vocal, Gustavo Koshikumo na guitarra e sintetizador, Ian Mazzeu na guitarra, Rachel Benze no baixo e Daniel Roviriero na bateria.


Já haviam participado da primeira edição do Contato, onde conhecemos a banda em si, e ali no palco 2 fizeram uma apresentação com novos elementos, alguns rearranjos das faixas, quiçá especialmente para a ocasião. Abriram com Nada demais, de introdução mais longa e sensivelmente mais pesada que a conhecida de outros shows. Prosseguiram com a empolgante Doce Vida, seguindo-se Ou Não, Pior que porrada, Só queria conhecer, Você tem que se mexer e TPM song. Destaque para esta última, onde os trejeitos da lead singer sempre completam o som de uma maneira interessante. Finalizando a apresentação (ou)vimos Vou capotar, Nervosa, finalizando com Até quebrar a certa. O vocal esgarçado da Carol nestas últimas são definitivamente como “a cereja do bolo” do Plano Próximo.

Junto deste finzinho de show, vinham os primeiros pingos mais ameaçadores da chuva que estávamos antevendo.




Quartos Caras: GUIZADO

Correndo mais uma vez para o Palco 1, era a vez do Guizado subir aos palcos. Com o frontman Guilherme Mendonça no trompete e samples, muito bem acompanhado de quem também daria as caras no seu próprio trabalho dali a pouco, Curumin, na bateria, Rian Batista no baixo e Regis Damasceno na guitarra.



O cair da noite ali, já naquele lusco-fusco, propiciava o início de projeções visando a tal Recombinação, nas paredes do mercado, numa idéia que teria sido genial, não fosse a chuva que cairia.

Guizado veio com as faixas Colorido e Miragem, dando o tom excepcional que transcorreria sua apresentação. Os pingos que caiam ali faziam a equipe de som contratada aperceber-se que ia chover MESMO, e correndo para cobrir as caixas com grandes lonas pretas preparadas de antemão, não comprometendo o show.






Continuava com Areias, mais uma não identificada pelo pessoal aqui, de nível altamente fodástico também, obviamente. A chuva chega em definitivo, mas o som era tão foda que leva-se um bom tempo pra se percebê-la. Pulam os primeiros guarda-chuvas, enquanto a massa se espreme debaixo das tendas do Contato e do próprio toldo do Mercadão. Alguns poucos extasiados ao som, ficam de baixo da chuva, na fritação, o que inclui a equiparagem aqui inclusive! Guizado, não pára, empolgadíssimo, na mesma freqüência que sua platéia, firme e forte. Fecharia seu excerto no festival com Vermelho, Maya e Rinkisha, propriciando uma das melhores apresentações do Contato e definitivamente a que mais empolgou-nos no dia, em seu estilo único mesclando o jazz do trompete aliado a batida eletrônica.


Quinta Multidão: ZERO16 & GANJA GROOVE


Ainda em meio a muita água – poças, pingos e pisante também encharcado –retornamos ao palco “menor” para conferir a performance do Ganja Groove e Zero 16, também grupos da cidade. Ao contrário do que se parecia sugerir a apresentação teve dois blocos aparentemente. Como falta para lado de cá conhecimento sobre o Hip-hop e Rap, e mesmo do Reggae, vamos nos ater apenas as impressões deixadas.

Começou a brincadeira com o pessoal do Ganja Groove repenteando de improviso sobre o momento, de chuva, claro. Com o pique do Groove e no embalo da Ganja a galera mantinha o ânimo e se embalava ao som do grupo, alguns e algumas já nem ligando para a chuva e o vento que fazia os menos preparados tremerem.




Na seqüência entraram os (três?) caras do Zero 16, com um Rap de atitude e também qualidade, com faixas interessantes tanto pela musicalidade, em sua puxada do Funk “do bom” com rap, quanto pelas letras. Vale um destaque para as roupas dos rapazes, do mesmo naipe dos Rappers americanos.

Com a chuva apertando, inviabilizou-se o show do pessoal do Porcas Borboletas. Entretanto, eles não ficariam de fora da festa e tocariam mais além no Armazém Bar na segunda noitada programada pelo pessoal do Independência ou Marte, tocando ao lado da banda Aeromoças e Tenistas Russas.


Sextos Caras: CURUMIN



Subindo aos palcos do dia pela segunda vez, depois de brilhar junto com o Guizado, agora mostrando seu trabalho solo vinha Luciano Nakata Albuquerque, o Curumin. Já que era o último a subir àquele palco, o pequeno garoto tomou a liberdade de prostrar seu set de bateria na linha de frente, junto ao baixo de Lucas Martins e o MPC de Marcelo Effori, colocando-se em foco imediato. Nada mais justo, já que seu enquanto puta baterista ainda se faz de vocalista ao mesmo tempo.

Abria seu show com Everybody loves the sunshine, de Roy Ayers, fazendo toda a ironia, já que, se é que o leitor ainda não notou, chovia. Ou ao menos garoava, vá lá. Curumin soltou “Todo mundo ama o sol aqui, não é não, São Carlos?”. Claro que ama, Curumin, claro. Na seqüência, Mal Star Card e JapaSamba emendada a Negro Drama, num dos vários pequenos medleys que nos fizeram esquecer exatamente em que momento faixas como Caixa Preta e Magrela foram tocadas.

Estranhamente, na sua meia hora deixaram rolar um intervalo com som mecânico: Nina Simone, do gosto pessoal de Curumin, cantando Ballad Of Hollis Brown de Bob Dylan. Voltaram com Mistério Stereo, Salto no vácuo com Joelhada servindo de introdução para Kyoto, como bem diz o garoto “Tô ligado que sempre rola aqui na Rádio”, enquanto o pessoal ainda encharcado extravasava mais uma vez ali. Trazendo “Agora, a música do Contato”, veio Compacto, pra depois Curumin mostrar os porquês do multi-instrumentista, indo para um cavaquinho elétrico com cara de guitarra do Guitar Hero e Marcelo tomar seu lugar na bateria para encerrar seu show, na diferente mescla de estilos, dando nova visão ao pop.


Encerramento: Jards Macalé

Finalizando a noite, ainda sobre fino chuvisco, viria o maldito (antes de mais nada, daqueles da MPB, feito Tom Zé) Jards Macalé. Escolha acertada ou não, foi um grande show saindo-se bem em meio à platéia Rock. Escrevemos com exclusividade resenha faixa a faixa para a RUA, Revista Universitária de Audiovisual. Saindo a publicação, colocaremos links aqui.

Ainda, mais fotos de nosso fotógrafo de renome internacional, podem ser vistas em nossa conta do Picasa AQUI. E já está pra sair a cobertura sobre o domingo de shows, aguardem!



Texto: Marcelo Toyama e Vanderlei Filho

Fotos: Vincent de Almeida