Mostrando postagens com marcador Cobertura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cobertura. Mostrar todas as postagens

Chinese Cookie Poets em fotos!

Há duas semanas o Chinese Cookie Poets fez sua passagem por São Carlos, ao lado do projeto Sin Ayuda. Tiveram participação no programa Independência ou Marte, na Rádio UFSCar, falando um pouco sobre seu projeto e sua trajetória, também deixando o registro de seus trabalhos em sessão ao vivo nos estúdios - é possível ouvir e baixar o programa na íntegra aqui. E, como não poderia deixar de ser, aportaram no palco aberto do DCE UFSCar no dia 20 de  Setembro, como anunciamos aqui. 



Daquela noite, deixamos de fazer nossa costumeira resenha, mas publicamos impressões fotográficas, bastante expressivas, que só não falam mais que a música destes poetas milenares. Todavia, de rápidas palavras podemos dizer que é um dos projetos mais originais no país, falando de free jazz e experimentalismos Avant-guard, beirando o R.I.O. Pareiam-se a trampos como o PigSoul e Satanique Samba Trio. Chinese Cookie Poets é um trabalho incrível que o mundo precisa conhecer. E se só tem essa sorte quebrando o biscoito.

 




Mais fotos dessa e outras noites podem ser vistas nos nossos álbuns no Picasa!


Relatos do Aliba #06: Avantgarde Festival, Schiphorst, Schleswig-Holstein

Durante o Elbjazz, logo após aquele tão magnífico show do Stian, fiz amizade com um ser de Kiel que me falou sobre esse tal festival. Quando ele disse que era seu festival favorito e além disso que a lendária banda kraut-rockiana Faust toca todo ano lá, como eu poderia deixar de ir? O mais interessante descobrir depois que esse pequeno festival, em sua 8ª edição, ocorre na casa de um dos fundadores Faust, o baixista Jean-Hervé Péron. Isso tudo num pequeno vilarejo com não mais que 500 habitantes, basicamente o mesmo número de visitantes no festival! Nada mais ideal para reproduzir o ambiente rural em que a banda foi criada. Por ser um festival de pequeno porte (apesar de se declarar o maior festival de artes experimentais da Europa Ocidental) e contar com um estilo musical diferente, por assim dizer, carregava um clima meio intimista, como se fosse uma imensa família reunida. Na real, não me lembro muito bem da ordem das bandas, mas vamos contar um pouco de cada uma delas.




AVANTGARDE FESTIVAL, SEXTA, 24.06.2011


Derschlaeger (AT/CH/DE) - Projeto paralelo do bateirista do Faust, Werner "Zappi" Diermaier, um dos fundadores e também atual membro da banda, assim como Péron. Como o nome diz, nesse projeto eles tocam o Schlager, que seria algo como o brega alemão, mas de uma forma diferente, junto com Noise, bem estranho. Enquanto a vocalista cantava normalmente as músicas Schlager, o resto da banda ficava produzindo sons, ruídos bem aleatórios, que às vezes chegavam a um ponto bem irritante por questões fisiológicas, mas junto com um brega que também é irritante por outras questões, ficava uma parada genial. Talvez esta seja até uma idéia para uma outra banda, onde a banda inteira toque brega enquanto alguém fica responsável pelo noise, como que "estragando" tudo.

Klaus Kinski (UK) - Banda proveniente do País de Gales, cujos integrantes em várias músicas pareciam somente fazer barulho tocando correndo pelo braço dos instrumentos sem parar. O bateirista usava algo como uma panela no chimbal e sempre tocavam com muita brutalidade. Outra coisa deles que gostaria de entender foi o que o vocalista quis dizer com a afirmação que lançou no meio da discussão sobre o Avantgarde, sobre seu papel, se precisamos dele hoje ou não. Dizia ele que "O artista deve de certa forma ser um pouco fascista." Claro, esse cara, no manuseio das palavras, impressionantemente, consegue ser pior do que eu.



2606º Fahrenheit (FR) - Instalação onde três franceses manuseavam "instrumentos" bizarros, atrás de uma divisória que os isolava do público, através da qual podíamos ver apenas as sombras dos músicos. Além das sombras, também havia um telão com vídeos já gravados sendo transmitidos em alguns momento enquanto em outros o vídeo era da captura ao vivo, de dentro do ambiente onde os músicos estavam. O pouco que conseguia se ver nisso, remetia a um ambiente industrial hostil, com máquinas bizarras e faíscas voando por toda parte. O som seria algo que uma música ambiente-noise-industrial. Se utilizar dessa imagem, segundo eles, remetia a idéia de mostrar que não existe uma separação entre o trabalhador e o artista, todos sendo capazes de criar a arte.



VED (SE) - Tocam uma música instrumental que seria algo meio minimalista, com um certo swing sueco, mas que definitivamente é hipnotizante. A banda começou como um projeto solo de um dos integrantes que diz ter sido inspirado por trilhas sonoras, rock progressivo, música eletrônica primordial e folk. Sabe-se lá como, mas o som passou de uma música ambiente-drone no ínicio para o que eles apresentaram no festival, devido a influências de trilhas sonoras de filmes de terror, surf-rock e fitas cassetes encontradas por aí (que pelo que entendi, são usadas em samples nas músicas).




AVANTGARDE FESTIVAL, SÁBADO, 25.06.2011


Majmoon (DE) - Post-rock, Post-metal, sei lá como classificar, mas normalmente tendia mais pro segundo, um pouco mais pesado. Sempre utilizavam as projeções pra contribuir com o ambiente sonoro que pretendiam criar. Também já fizeram trilhas sonoras pra dois documentários nos idos de 2007.



Passierzettel com Mushroom Brothers (DE) - No ínicio o pessoal do Passierzettel tocou por mais de quinze minutos, sem o vocalista, com os Mushroom Brothers, que eram dois amigos que tocavam berimbau de boca. Enquanto tocaram juntos, os berimbaus predominavam e a música induzia a um certo estado introspectivo de transe. Quando o vocalista entrou finalmente e os MB se foram, houve uma grande mudança: O vocalista usava diversos efeitos que ele controlava através de uma placa que estava sempre com ele presa por uma correia, assim como fazem com guitarras, baixos e afins. A forma como ele cantava e utilizava os efeitos fazia com que nada que fosse cantado pudesse ser entendido, mas parecia que havia algum tipo de mensagem escondida ali, algo que ele estivesse transmitindo inconscientemente. E isso foi assustador, ao pensar que talvez sempre sejamos controlados por algo. Hahaha!


Kakawaka (DE) - Bom, não consigo achar a origem do ser, mas atualmente reside em Berlin e desconfio que seja de algum país do leste europeu. Puro noise, como está em seu site: "i am kakawaka. this is my homepage. i make noise." Simples assim. Ele subiu ao palco, lotado de efeitos, com um traje bizarríssimo e seu instrumento era um garfo que de alguma forma ele conseguiu conectar a um cabo para que passasse por todos seus efeitos, fazendo diversos experimentos com esse garfo. Em outro momento, no dia seguinte, no espaço entre alguns shows ele passeou completamente vendado pela área externa, onde o pessoal se reunia pra comer, beber e conversar, nisso ia trombando nas pessoas e nas coisas e com um cabo que estava conectado a um mini-amplificador que carregava, tentava captar o som daquilo em que trombava.



Faust (DE) - Provavelmente o momento mais esperado do festival, já que todos estavam ali assistindo ao show. Até as crianças que mal viam os shows foram ver e tiveram seu lugar na frente reservado, afinal não atrapalhavam a visão de ninguém e caso não ficassem lá não conseguiriam ver nada. Nesse show eles tocaram muitas das composições do álbum Something Dirty que foi lançado agora em 2011. Executaram composições como Tell The Bitch To Go Home e a homônima ao álbum, Something Dirty. Também houve o momento onde o baixista largou o instrumento e foi lançar lampadas dentro de um tonel de latão, que depois seria atacado com uma serra pelo bateirista. Sem comentar a placa de metal usada como prato no set da bateria. Enquanto rolava a apresentação um pintor ficou no fundo desenhando sobre um painel.






Stadtfisch & Xyramat (DE) - Música ambiente onde Xyramat cuidava da parte dos samples enquanto Stadtfisch ficava produzindo ruídos enquanto tocava guitarra. Tudo ao mesmo tempo em que um vídeo era passado e a música se encaixava como trilha sonora perfeita. No final também contaram com a participação de uma saxofonista louca.



Somnambule (DE) - Banda que como o nome já diz, tem uma conexão com o mundo dos sonhos. Seria algo como uma música ambiente dos sonhos, porém nem sempre os sonhos são felizes, assim o visual que apresentavam mostravam já esse lado mais obscuro. Enquanto um músico revezava entre samples e guitarra, outro entre baixo e um instrumento eletrônico que não sei o nome, a vocalista utilizava correntes e pratos em alguns momentos. Vale a pena dar uma ouvida na hora de durmir, aqui.





AVANTGARDE FESTIVAL, DOMINGO, 26.06.2011


Doubleganger e convidados (IT/NO) - Dois membros da banda Doubleganger convidaram o guitarrista dos também italianos Elton Junk e o bateirista do DimHunGer. Foi bem interessante pois a apresentação inteira foi um grande improviso, não só da banda, como também da platéia, pois sempre a vocalista ia pro meio do público e forçava alguém a começar a cantar ou fazer algum som. Durante toda a apresentação o som parecia ser proveniente das profundezas viscerais do corpo, trazendo uma brutalidade totalmente desconexa com a mente.



Fall Out Trio (HR) - Banda croata que toca algo que seria um metal balcânico. não há muito o que falar, mas a primeira vez que ouvi algo do gênero.


Toys 'R Noise (FR) - Fizeram uma instalação no meio do espaço reservado ao público em um dos palcos. Ali meteram milhões de brinquedos, aparelhos eletrônicos e também instrumentos danificados e incompletos (o baixo por exemplo só possuía 2 cordas). Com isso ficaram fazendo seu noise interruptamente por cerca de uma hora. Muitos não aguentaram a parada toda e foram embora logo. Esse teoricamente foi o final do festival.





AGORA, O VERDADEIRO FINAL.


Depois de todas as bandas ja terem tocado o que restava era ficar ali trocando uma idéia com o pessoal. Nisso acabei me sentando na mesa onde estavam o pessoal do Doubleganger e quem havia tocado com eles, Junto também estavam os noruegueses. Depois de um certo tempo, um dos noruegueses pegou sua garrafa de cerveja e começou a batucar na mesa com a vocalista do Doubleganger cantando bem baixo a frase "Make some noise!". Dentro de pouquíssimos minutos a mesa inteira já tinha entrado no clima e as pessoas contribuiam com o que podiam, garrafas, vozes, palmas, batuques na mesa, o que quer que fosse. Rapidamente todos que ainda estavam por lá também foram se juntando à essa grande improvisação. Até os meios para se criar os improvisos sonoros foram improvisados e ali estavam, mais de 100 pessoas contribuindo com algum som ou ruído, enquanto mais uma centena observava. Nisso ficamos até que o anfitrião do lugar pedir para pararmos, já que o festival tinha um acordo verbal com os vizinhos sobre horário de término do festival. Mas, alguém teve a brilhante idéia de irmos para os geradores de energia eólica, afinal lá não teria nenhum vizinho para reclamar. Nisso umas 40 pessoas acabaram indo para lá e alguns se aventuraram em experimentos sonoros com o próprio cata-vento por um certo tempo. Esse final, que foi algo realmente inacreditável...




Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este é mais um relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa dele e nesse Flickr!


Relato do Aliba #05: Stian Westerhus no Elbjazz


Stian Westerhus, Elbjazz, Hamburgo, 27.05.2011

Guitarrista com um vasto currículo, Stian Westerhus toca em bandas como Jaga Jazzist, Monolithic, Puma, Nils Peter Molvær e outras tantas. Participou também em diversos álbuns de outros nomes, como o último álbum do Ulver, e produziu mais uns vários. Neste show no Elbjazz, dentro de um navio, Stian entrou no palco com sua guitarra semi-acústica, seus milhares de efeitos e um pequeno público, menos de 100 pessoas. 

A partir do momento que começou a tocar, parecia estar em transe: a única coisa que importava era o som. E nisso permaneceria por cerca de uma hora, sem parar, somente com improvisos, indo desde a sonoridade mais sublime até a mais visceral e obscura. 



Em alguns momentos utilizava mais os pés do que as mãos para que conseguisse os efeitos desejados. Stian tem perfeito conhecimento sobre todos eles e como interagem entre si, sempre conseguindo criar aquilo que deseja. Dançava com seus pedais. Também utilizou um arco de violino (e não só pra se aparecer) para fazer com que a guitarra realmente soasse como um violino. Usava até algo como pregadores de metal, bastante maleáveis, presos nas cordas. E gritos no ar. E gritos, soprões, nos captadores, nas cordas. Além de tudo isso, ainda se inspirava em sons alheios para suas composições de momento: Tosses, celulares, pessoas subindo e descendo a escada, tudo lhe servia de instrumento e inspiração. 


Após o término da apresentação, ele deixou o palco com sua guitarra e, a platéia maravilhada com o que acabara de presenciar, aplaudiu incessantemente por mais de cinco minutos. Talvez até dez, não faço a mínima idéia de quanto tempo passou na verdade, já que foi realmente um choque. Depois disso, enquanto ainda restavam algumas palmas, ele voltou ao palco e, quando todos acreditávamos que somente voltara pra  agradecer, fomos novamente supreendidos quando ele pegou o cabo de áudio da guitarra e tirou música dele usando seu arsenal de efeitos. Simplesmente genial! 

Como inclusive diversos comentários a seu respeito dizem, é realmente díficil explicar o que ele faz, não há ninguém que suceda e esteja próximo de algo assim. Já pensei muito a respeito e a conclusão a que chego é que este é o maior gênio da guitarra atualmente, não havendo alguém minimamente próximo de sua técnica. Mais que um Jimi Hendrix do novo milênio, já que as diferenças são muitas, a começar por não estar no mainstream. Mas estas diferenças só colocam Stian em um nível ainda mais alto, se é que podemos falar em níveis.



Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este é mais um relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa!


P.S.: Como sou um péssimo escritor e manuseio muito mal as palavras, acho injusto que quem leia isso se oriente apenas pelo que escrevi aqui. Então também vou deixar vídeo da famosa sessão na BBC e o que escrevem sobre ele por aí, compilado de seu site.


''For the last few years Stian Westerhus has put more and more energy into challenging the electric guitar alone on a stage. Having been blessed with little or no respect for the instrument his performances balance raw expressiveness, virtuosity and melodic instinct utilizing his Norwegian heritage as well as growing up listening to Slayer. 
With a soundscape far beyond the standard guitar he seeks to push the boundaries for improvised music across the muddy waters of genres.''


“The sense of menace is generated with huge energy by the belligerently brilliant Norwegian guitarist Westerhus who coaxes a plethora of tortured sounds from his axe, bowed notes elongating into harmonic dismemberment of epic proportions. (...) This is heady, sometimes heavy, otherworldly stuff, fuelled by jazz but never hindered by it. Welcome to the new century of improvised music." 
- JazzWise Magazine, U.K. 


“Pulverizes every notion people may have about every kind of guitar hero. There are guitar sounds here you have never heard before.” 
- Midjo, Trønder-Avisa (N)


“..this is such unbelivably beautiful music, which despite it’s first apparent inaccessibility is incredibly easy to love, and hits me directly in some sort of absurd music-lover’s nerve center. Unconventional music in the highest degree, but at the same time so much more moving than the vast majority. (...) Look forward to the journey to another place!”
- KimVonKlev (N)


“There's little in the canon of solo guitar—with the possible exception of Derek Bailey and Fred Frith—that can prepare or set precedence for Norwegian guitarist Stian Westerhus and Pitch Black Star Spangled, an album that utterly redefines the concept of solo recording.”
“Melody according to Westerhus, however, is unlike any melody you're likely to hear elsewhere.” “...some of the most exciting new music on the instrument”
“Pitch Black Star Spangled is a masterpiece of solo guitar, positioning the boldly unrelenting Westerhus as an artist whose realized promise only suggests far more to come.”
“one of Norway's most important new voices.”
-John Kelman, All About Jazz (US)

Relatos do Aliba #04: Elbjazz, Hamburgo


O Elbjazz é um festival de origem recente - acredito que esta tenha sido a segunda edição - onde a ideia foi utilizar áreas do porto de Hamburgo como palcos, às margens do rio Elba. Nisso são aproveitadas diversos espaços como a área de reparos de navios da Blohm+Voss, onde o trabalho continuava normalmente durante o evento. 



HafenCity, área do porto que foi revitalizada, hoje lar de milionários, também era usada. HafenCity também abriga as mais novas construções da cidade, como a famosa Filarmônica do Elba, cujos custos públicos hoje são mais que o dobro do projeto inicial (de 190,9 para 399,9 Milhões de euros, isso em novembro de 2008, hoje provavelmente já seja muito mais).

Também foram utilizados o Museu do Porto, dois navios e um teatro. Pelo fato do festival ser no porto, tiveram a interessante idéia de utilizar barcos como meio de transporte. Porém não foram tão bem sucedidos, já que não havia tanta disponibilidade dos mesmos, então imensas filas se acumulavam e se perdia um tempo precioso ali. Outro problema é que fui enganado na compra do ingresso quando me falaram que não poderia levar cameras, assim, infelizmente não possuo nenhuma foto do primeiro dia.
  
  


ELBJAZZ, HAMBURGO, PRIMEIRO DIA - 26.05.2011 


Gabby Young & Other Animals (UK) - Show aberto, foi uma prévia para o festival. Ou pelo menos foi o que disseram, já que não fui para o festival esperando isso. Som animado que em alguns momentos até fez os alemães dançarem um pouco (Ah, preconceitos!). O ponto alto do show foi quando inesperadamente os dois violões que foram levados estavam com as cordas estouradas, deixando que o trompetista do grupo ficasse sozinho no palco mandando uns improvisos.

 


ELBJAZZ, HAMBURGO, SEGUNDO DIA - 27.05.2011: O dia da Noruega!

Helge Sunde Ensemble Denada (NO) - Apesar do nome lembrar algo do português, ele foi tirado de uma música de não me lembro quem. Essa era uma big-band norueguesa muito boa, com um contrabaixista excepcional. Infelizmente devido a sobrecarga do sistema de transportes do festival só pude pegar o final da apresentação. Segundo a página dedicada a eles no site do evento eles mandam hardcore jazz, música de câmara, grooves e improvisação livre.

Lars Duppler Rætur (IS) - Ouvi apenas duas músicas já não queria correr o risco de perder alguma parte do próximo show, pois precisaria pegar outro barco pra chegar lá. Uma das músicas lembrou um pouco de seus compatriotas do Sigur Rós enquanto a outra me lembrou algo do álbum The Dragons of Eden do Buckethead com Travis Dickerson, porém elas eram algo muito mais simples e menos intensas do que as músicas a que remetiam.

Stian Westerhus (NO) - Prefiro deixar os comentários pra uma sessão aparte, pois senão isso aqui iria ficar muito extenso! Aguardem o próximo relato!

Sidsel Endresen (NO) - Cantora solo, realmente solo, utilizava somente a voz e nada mais. Mas, a utilizava de formas experimentalmente bizarras que exigiam muito do corpo, tendo que se posicionar de diferentes maneiras pra conseguir o som desejado, forçando algumas partes do corpo pra tirar outros sons e por ai vaí. Às vezes a voz saia com uma sonoridade meio que "molhada", enquanto outras parecia um voz alienígena!

Sessão Norueguesa (NO) - A maior decepção do dia. Fui todo esperançoso ver esta apresentação depois de ver a descrição no site do evento, dizendo que todos os músicos da terra dos fiordes foram convidados para tocarem juntos e sem nada previamente preparado. Nisso esperava ver Stian Westerhus e Mathias Eick do Jaga Jazzist junto com Sidsel Endresen. Mas comecei a desconfiar quando conversando com o Stian ele afirmou que não sabia de nada disso e que só iria tocar novamente no dia seguinte. A tal noite norueguesa acabou sendo três membros da Helge Sunde Ensemble Denada que chegaram com partituras e tudo, tocando o que liam com alguns breves momentos de improvisos. No final eles convidaram qualquer músico que estivesse na platéia pra subir e tocar com eles, mas esses também não fizeram muita coisa, seus improvisos baseavam-se somente em padrões específicos. Ou seja, não eram improvisos. 


ELBJAZZ, HAMBURGO, TERCEIRO DIA - 28.05.2011

Papa Carlos Kamin (UA) - Trombonista solo, que utilizava muito o efeito de looping nas músicas. Além do trompete também fazia algumas coisas no beatbox, que quebrava oportunamente as camadas criadas pelo looping, que traziam uma profundidade bem intensa.

 

Nik Bärtsch Ronin (CH)  - Meio minimalista, meio ritualístico. Frases são repetidas constantemente com leves alterações. Introspectivo e bem detalhista. Como o próprio grupo se define, são um zen-funk. Acho realmente díficil explicar decentemente o que eles fazem, por isso vou apelar novamente a textos já prontos e dessa vez vai um do próprio site dos caras: "Sua música segue uma visão estética sobre diversos aspectos intrumentais. criando o máximo de efeitos com o mínimo de meios." Essas formas não são somente sobrepostas de maneira pós-moderna, mas sim numa amálgama, num novo estilo coerente. Não sei qual a razão desse nome, mas todas suas músicas tem como nome Modul, seguido de um número.


Stian Westerhus & Sidsel Endresen (NO) - Esse foi o real encontro de noruegueses com improviso. E que encontro! Stian, impecável como vocês poderão ler logo menos, e Sidsel, com seus cantos bizarros. Pena que ela não fez nada tão intenso como no dia anterior, mas provavelmente isso se dê ao fato de que o que ela faz exije muito do físico e provavelmente ela não consiga fazer isso por dias seguidos. Mas mesmo assim foi muito, muito, muito bom! Ainda me impressiono como esse país que tem menos da metade do número de habitantes da cidade de São Paulo tenha tanta coisa magnífica.




Balkanoid (DE) - Banda de Hamburgo de música balcânica. Faltou espaço para o público, afinal o show foi dentro de um navio. Foi um dos últimos do festival e as pessoas não queriam ficar ali simplesmente paradas vendo a banda tocar... Afinal música balcânica sempre incita a uma dança. Além da música também rolaram projeções cômicas, que ficavam insistentemente repetindo algumas cenas engraçadas de filmes que desconheço.

 

Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este é mais um relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa

A Nova Música no Grito Rock São Carlos 2011

Novamente comentando mais um Grito Rock São Carlos, que vem para começar o ano em bom tom. Trazendo, entre outras coisas, bandas interessantíssimas, já em sua quarta edição na cidade, deixa o carnaval para acontecer no fim de março. Mas, de mudanças importantes mesmo se vê surpresas no perfil das bandas que se apresentariam na Estação Cultura.



Explico. Nos primeiros anos o enfoque era em grupos dentro de um apelo rocker bem mais clássico, por assim dizer. Abusava-se dos estilos mais consagrados, bem aceitos pelo público. Chegou-se mesmo a trazer bandas com parco material autoral, já que na verdade no dia-a-dia se fundamentavam em covers. Contudo, nas últimas edições a preocupação com originalidade e novas tendências se fundamentou, culminando agora em 2011. Obviamente, se mudanças para melhor ou pior, isso vai de pessoa para pessoa. O fato é que inegavelmente há novas perspectivas que, a meu ver, são para melhor.

Assim, via-se na programação deste ano canção, experimentalismos, música instrumental (até fugia-se do Rock, olhando bem). Não necessariamente artistas de vanguarda, mas nem por isso deixam de ser grupos originais, procurando uma identidade e sem medo de se deixar influenciar e muito menos de inovar. É claro que existem diversos nomes seguindo rumos semelhantes àqueles desta edição. Contudo, o importante é que não se pode dizer que é uma música que cultua um Rock sem nada a acrescentar, estagnada no que foi criado no passado.

     


Claro, generalizo as bandas que se apresentaram no Grito Rock São Carlos 2011, mas falo de algumas pontualmente, e destas intuo a mudança de postura no festival. Neste ano uma forte linha da programação estava embasada nos novos nomes da canção popular brasileira. E aqui penso em bandas como Trupe Chá de Boldo, Do Amor e mesmo Seychelles. E quando digo que houve uma preocupação em trazer mais experimentalismo e musica instrumental, temos nomes como Aos Maníacos Símeis e Bexigão de Pedra, representando a São Carlos instrumental,  além da Huey e Atmosfera Lunar, pela primeira vez na cidade.

E vamos então postar em um nome do primeiro time, o da canção, que me chama a atenção, apresentando-o aqui: Loungetude46.




E começo dizendo que Loungetude46 não vem de Campinas, conforme nos dizia a divulgação do Grito Rock São Carlos. E isso não é erro sem importância, pois a banda tem muita influência da sua cidade  natal, São Paulo. E, aos desavisados, eles declaram isso justamente no nome, já que a capital paulista fica nos 46º  e Longitude. Entretanto, a influência vai muito além disso: o urbano é tema freqüente nas letras, altamente críticas, e a mistura de tantos ritmos – Samba, Funk, Jazz, Salsa – acaba refletindo a heterogeneidade que é a megalópole. Em suma, Loungetude 46 é uma autêntica filha de São Paulo.

 


E quem vai pensando que isso só se aplica na sonoridade musical está enganado. Há poesia, que se funde à música, com suas letras meio cantadas e meio declamadas. Há performance, presente em tantos momentos do show, como em Galinhas no Outono, com os integrantes encarnando bicos e tudo. E, não se pode deixar de citar, há trabalhos gráficos, com a belíssima página online do grupo e seu segundo álbum, livro magnífico acompanhando o CD que é possível ver abaixo. Aliás, em todo esse encontro de artes não dá pra deixar de lembrar que a banda é paulistana. Também, difícil não encontrar uma relação com uma cidade que tem de tudo.

Teria muito para dizer da banda, do seu instrumental impecável, da voz potente e de belíssimo timbre da vocalista Mariana Degani, da presença de palco, da qualidade das letras. Mas acho que já deu para ter uma idéia, não? Pena foi um público maior ter perdido a oportunidade de chegar a ver uma proposta como essa nos palcos. É o futebol de domingo deixando suas vítimas.


    

Setlist Loungetude46
01.Extra; 02.Brasileira; 03.Café da Tarde; 04.A canção que vai mudar... ; 05.Petróleo; 06.Galinhas no Outono; 07.Filosofia; 08.Lua e Pedro; 09.Eclipse;


Mais fotos do Grito Rock São Carlos 2011 podem ser vistas no nosso Picasa!


Fotos: Danilo Eric e Diogo Martino. Manoela Wright (Loungetude46, primeira foto).


4º Festival Contato: Segunda!

A Segunda-Feira do 4º Contato, 10 de Outubro, evidenciava uma linha de atrações que se desarolaria a nossa frente voltada ao Rap. Lá estavam diferentes estilos, permeando o Hip-Hop em vários nomes e mesmo indo se mesclar ao Reggae no Dub do Baiana System ou na forma do repente no experimentalismo do Sol na Garganta do Futuro e no Rap Latino do Bomba Estéreo. Assim, o último dos dias de palco do festival permeava uma organização temática como os dois primeiros dias também faziam claramente - No primeiro dia, sábado, tinha-se uma linha voltada a grupos que exploravam regionalidades, gente da gente, enquanto o segundo dia, Domingo, era envolto em música do mundo, por assim dizer. Claro, não rotulando cada um destes dias, criava-se maior expectativa do público e permitia-se inserção de outras propostas no festival como um todo. 


Contudo, falando justamente de Hip-Hop, denunciar a proposta escancarando o tema no material de divulgação poderia alavancar um certo preconceito que existe sempre ao gênero. De todo modo, esta valoração do gênero no festival Contato demorou a acontecer, pensando na grande movimentação de grupos no âmbito nacional e na própria cidade de São Carlos, que tem um sem número de grupos atuando e mesmo um festival dedicado, o Sanca Hip-Hop. Uma das poucas manifestações aconteceu na segunda edição do Contato em 2008, com a apresentação do Zero16 ainda na sua primeira formação com instrumentos da cozinha do rock, grupo sancarlense com proposta bastante inovadora  surgido anos antes, na Semana do Macaco. Nada mais válido que pontuar um dia todo deste festival dedicado ao Rap então.

E assim começaria a festa, com um grupo de Hip-Hop recém surgido em São Carlos, Sem Medo do Medo. Infelizmente não vimos a apresentação destes meninos do Jardim Gonzaga, mas não deve ser difícil trombarmos com eles novamente. 

E vindos da Bahia, como o próprio nome já sugere, o Baiana System apareceria naquele palco em São Carlos quando ainda era dia, trazendo a guitarra baiana em novos contextos. O instrumento, mais conhecido em cima de trios elétricos, é utilizado aqui com a proposta da exploração de novas possibilidades. Acompanhada de baixo, vocal e um DJ, tiram-na do seu ambiente natural, e a põem para dialogar com ritmos inusitados como o Dub. As músicas tocadas foram poucas mas longas,  proporcionando amplos espaços para improvisações. Apesar de trabalhar com estilos musicais já existentes e bem definidos, o Baiana System tem a sua originalidade justamente na mistura bem feita entre ritmos e instrumentos, e no de perceber o potencial ainda tão subexplorado da guitarra baiana.


Setlist Baiana System
1. Jah Jah Revolta; 2. Oxe Como Era Doce; 3. Ubarana Amaralina; 4. Barra Avenida; 5. Zui;

Subindo aos palcos do Contato já pela segunda vez, desta vez no palco principal, quem daria as caras agora era o pessoal do Sol na Garganta do Futuro. Em 2009, quando passaram por ali pela primeira vez pelo festival, fizeram as honras na cerimônia de abertura dentro da reitoria da UFSCar. A banda capixaba já tem dois álbuns lançados e naquela noite faziam um show comemorativo, do aniversário de seus dez anos de história. 

O grupo se apresentava com Hugo Reis à guitarra, violão e vocais, Murilo Esteves nos samples, Vinicius Fabio no contrabaixo e vocais, Caio Nunes na bateria e Fabricio Noronha nos vocais principais. Vocais estes que lançam mão do referido tema da noite, o Rap. Só que aqui, na sua forma mais brasileira, como que no repente nordestino, musicando poemas de diversos escritores e com poesias próprias. Ao invés do repente com ritmos nordestinos, como bem fazia o extinto Cordel do Fogo Encantado, Sol na Garganta do Futuro traz a poesia aliada a uma mescla de experimentos sonoros que perpassa variados estilos, do Funk ao Grunge. Fizeram uma boa apresentação, embandeirada por um "Não vamos deixar o José Serra ganhar a eleição!", alertando Noronha.


Setlist Sol na Garganta do Futuro
1. Lugar de Corpo; 2. Qualquer Silêncio; 3. Casa Tomada; 4. Devolve Meu Corpo em Casa; 5. Vinil Agarrado; 6. Das Pulsações; 7. Teoria; 8. Guitarra Outra Vez; 9. Máquina de Som; 10. Metáforas da Visão;

Seguindo a noite voltando ao Hip-Hop, teríamos outro grupo de São Carlos, numa boa política de incentivo às iniciativas locais. Subloco Coletividade, bastante conhecido daqueles que acompanham as noites pela cidade, representando justamente os diversos coletivos que culminariam na expressividade do Hip-Hop em São Carlos. Essa união já gerou até a primeira gravação, Subloco Coletividade Volume I: Idéias à deriva, disponível para download. Vinham com diversas vozes, Gaivota, Tiago, Sandro, Miguel, Marquinho, Lincoln e Ringo, acompanhados do DJ Scratch J. Com público cativo na cidade, atrairam um bom número de pessoas para a Praça Coronel Sales. Cantavam lá o já famoso Melô da Internet, que depois ainda teria o videoclipe que segue abaixo  exibido nos telões na Praça. Falando de um contexto bastante presente a cidade e mesmo ao Festival Contato, suas rimas acabavam contagiando mesmo aqueles que só prestigiavam o festival.


Na sequência teríamos Emicida, nome que vem se tornando grande nacionalmente, com o buxixo promovido pela sua mixtape Emicídio, amplamente divulgada pelo Fora do Eixo Discos. O show, com o Emicida na voz acompanhado de DJ, perde um pouco do impacto depois da apresentação do Subloco, mas é bem recebido pela platéia ali, todos amantes do Hip-Hop, com o Contato cedendo a esta vontade que este público de São Carlos manifesta, deixando um pouco de lado os ensejos universitários, que é que parece se resumir a cidade.


Encerrando não só a noite, mas o Festival Contato como um todo, ficava o espaço do palco do Contato aos colombianos do Bomba Estéreo. Era outro dos nomes que cruzaram o SWU Festival além do Contato, ao lado de The Twelves, que se apresentava lá no tal pista eletrônica Heineken Greenspace, e um dos grupos que tocou no Contato na festa de abertura na USP, junto da Patife Band e Leptospirose, o Black Drawing Chalks, que subia aos palcos principais em Itu representando o independente nacional junto de Macaco Bong, afora toda tenda Oi Novo Som, espaço dedicado a estes nomes, do dito alternativo. Bomba Estéreo se apresentava no SWU no domingo, dia 10 de Outubro, justamente neste espaço, ao lado de Otto, Tulipa Ruiz e Lucas Santtana. Aliás, lá no SWU, podia-se garantir que no Brasil os melhores técnicos de som estão trabalhando no independente, tamanha era a qualidade do som na tenda Oi.


O pessoal do PopLoad, Lúcio Ribeiro e cia., apontaram este colombianos com oo melhor show do segundo dia do SWU. No Contato, não poderia ser diferente. Apesar de não sacar de imediato a textura do Bomba Estéreo, o público estava lá presenciando o que seria o encerramento deste dia dedicado ao Rap. Trazendo-o esta linguagem em estranhas combinações, que não negavam os ritmos latinos como a Cumbia e a Salsa e sensivelmente se faziam camaleão com o Dub, o Rock. Com uma base centrada em samples do arquiteto do bem-bolado Simón Mejía e acompanhados pelo baixo de Julián Salazar a bateria de Kike Egurrola e a voz atirada de Liliana Saumet, completamente contagiante e politicamente engajada. Ainda pouco conhecidos no Brasil, invariavelmente faziam o público se contorcer e agitar ao som do inusitado ritmo criado, um belo fim para a data, um dos dias mais interessantes e bem recebidos pelo público neste 4º Contato.



Saiba mais sobre o Contato acessando a Cobertura Colaborativa do festival! E veja mais fotos do Contato no Picasa do Programa Bluga!. Veja também textos sobre o Sábado e Domingo desta edição do festival.