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Lisabi: Ska vive!

Há quem diga que o Rock morreu, mas nem por isso deixaram de surgir bandas novas de Rock. Eu vos digo que o Ska morreu! E não parece provável que venha a surgir uma nova onda além das três “consagradas”: a primeira onda, Jamaican Ska; a segunda onda, 2 Tone; e a terceira onda, com Ska-punk e Ska-jazz.

Mas, para minha alegria e dos demais apreciadores do estilo, isto não significa que bandas novas não apareçam por aí. Em termos de bandas nacionais temos nomes como Firebug e Orquestra Brasileira de Música Jamaicana. Cronologicamente não podemos encaixá-los nas gerações anteriores, mas seu som e estilo remetem a primeira e segunda Onda, respectivamente. Agora, na noite do sábado passado, dia 16 de Julho, tive a oportunidade de ver uma das iniciativas mais interessantes do país no gênero, com a banda de Campinas Lisabi vindo se apresentar no Armazém Bar, em São Carlos.




 Formada em 2010, já tem um primeiro disco gravado intitulado Au Diable Les Bananes e contam com um número significativo de apresentações, com passagens por todo o estado e até no Grito Rock de Cuiabá. Vieram para a cidade no meio da sua turnê de inverno, atravessando o estado de São Paulo e batendo por Minas e Paraná. Dividiam uma Noite Fora do Eixo com a Jennifer Magnética, num evento promovido pelo Aparelho Coletivo, núcleo de ação musical desmembrado do Massa Coletiva.

Ouvindo o álbum de estréia do conjunto, minha primeira impressão era de que estava ouvindo uma típica banda de Ska-core, daquelas que muito se ouvia falar no final da década de 1990 e início dos anos 2000. Em particular me vem à cabeça o grupo Less Than Jake, mas é crueldade demais rotular a banda dessa forma simplória, pois ao ouvir mais atentamente nos deparamos com alguns elementos do Jazz e ritmos latinos, que trazem uma sonoridade bem interessante e que às vezes pode passar de forma despercebida. Destaques para as faixas Language Itself is Profane e Ambiência, minhas faixas favoritas da banda.



Ao vivo, os meninos trazem ao palco uma energia contagiante fazendo jus a presença de palco que é imprescindível para qualquer banda de Ska, seja qual estilo ela toque. Ora dançando, pulando ou tocando no meio da galera, os movimentos executados parecem ser de pura empolgação e alegria de tocar e não mera pose.

Duas semanas atrás eu desconhecia a banda. Agora, certamente estarei atento as suas novidades!

Setlist
1. Thank You All; 2. Satyagrahi; 3. Share; 4. Ambiência; 5. Dó Maior; 6. Language Itself is Profane; 7. Quit Your Life; 8. Zelda; 9. Fred Phelps: American Terrorist;




Escrito por Jubas, vulgo Fernando Francini, faz quadrinhos vagabundos e procura um estágio pra se formar em Estatística. Usa a guitarra Aos Maníacos Símeis, mas queria era tocar trompete numa banda de Ska.


Fotos por Laila Manuelle.

Armazém Bar - Sinônimo de falta de profissionalismo em São Carlos?

Hoje o artista são-carlense Julio Souza, mais conhecido por muitos como o MC J.Ghetto, disparou carta por e-mail denunciando ações de uma das mais antigas e tradicionais casas de shows em São Carlos, o Armazém Bar. Vamos lançar o manifesto aqui, publicizando-o mesmo sem averiguar os fatos ou sem autorização do Jota, já que julgamos o espaço bem cabível e queremos é colher opiniões a respeito. Todavia, deixamos convite para pronta resposta da casa.

Já frequentamos muito o espaço, nos mais diversos eventos, e o espaço sempre agradou. Contudo, não foi esta a primeira situação que nos chegou aos ouvidos, mas parece a primeira que gerou ação direta, após cancelamento de evento que aconteceria na próxima sexta (vide cartaz). Claro, ações indiretas foram várias, desde uma evasão de cenas que antes ocupavam o bar até a abertura de espaço para outras casas de shows na cidade, o que no final tem um lado bom. Imaginamos que a casa tenha suas razões, revendo sua prioridade de público e mantendo-se, mas o caso narrado abaixo não se justifica mesmo neste contexto.

De toda maneira, esperamos uma  superação da situação. Do lado do Armazém Bar, que a situação se normalize e a política venha a ser merecedora dos trabalhos que por ali passaram e viriam a passar. Do lado de J. Ghetto, esperamos o lançamento de seu EP Dinamikrophonia, com diversas participações de convidados.




"Boa tarde a todos,

É com imensa tristeza e insatisfação que envio este email a vocês.

Mais uma vez, o Armazém Bar, localizado na cidade de São Carlos dá provas de que não respeita o músico local, nem o público que frequenta o pub. Mais uma vez, fui lesado pela Rogéria, gerente do local, que, a um mes e meio atras havia confirmado comigo a festa de lançamento do meu EP para essa sexta agora, dia 29 de abril de 2011.

Lembro-me de que ela já cancelou uma data da banda Zero16, banda da qual eu fazia parte, em 2008. Da primeira vez ela alegou que a banda Made in Brazil só teria aquela data ( a mesma que tinhamos marcado meses antes) em que eles passariam pela região. Dessa vez, ela alega não ter alvará para funcionamento.

Tremenda falta de profissionalismo, de consideração, de caráter, de tudo isso junto! Ela deveria ter nos avisado disso no dia em que fechamos a data! Nao hoje, na anti-véspera do evento!

Não somente pelo dinheiro que investi na festa mas pelo compromisso e minha palavra dada ( e agora comprometida ) a Kleber Simões, o DJ KL Jay, dos Racionais MC's, aos amigos cantores de Dancehall Arcanjo Ras, Pump Killa, aos MC's de Rap, também meus amigos Lincoln Rossi, co-produtor do EP, ao Sauenga e o Marcus Vinícius com quem tenho um trabalho paralelo, com o Robson de Piracicaba, com Flow MC, com a Indioepe, das Sound Sisters e com todo o público disposto e contente por ir em uma festa com tantas atrações reunidas em uma só noite!

Isso causa um mal-estar e um estresse muito grande inclusive com as pessoas que estão envolvidas num processo de quase dois meses! Meu amigos eparceiros que abraçaram a organização da festa, o Jeffeson, o José Ricardo, o Edvan da Radical Box, que ajudou e muito na divulgação, a todo o pessoal do Ganja Groove e o programa de rádio que eles tem, ao Morfy e o Pedrinho de Araraquara.

Uma pessoa que não tem condições de manter a documentação de um local em ordem não pode assumir um compromisso assim com artistas!

Peço desculpas a todos envolvidos na festa e envio esse e-mail a todas as pessoas que me conhecem e que frequentam o Armazém Bar, tornando público o descaso com que essa mulher trata os músicos da cidade de São Carlos, sem ao menos se importar com as consequencias que isso pode acarretar!




BEBOP A LULA 2011

No próximo fim-de-semana acontece em São Carlos novamente o Festival Bebop a Lula, encabeçado por uma das mais famosas bandas instrumentais da cidade, The Dead Rocks.


O festival leva o nome de música que marcou época e foi para versões de um sem número de bandas, de The Beatles à Raul Seixas. Be-Bop-A-Lula, surgida com Gene Vincent no final da década de 1950, refletiria todo o movimento da época. Justamente nessa toada bem as atividades que acontecem de 17 à 19 de Março, com programação oficial centrada no SESC São Carlos. Passam pelo Rock and Roll mais propriamente dito, o Rockabilly, Contry, Surf Music e toda a imagem que remete a época.


Nesta sua quarta edição, trazem inclusive o ícone desta geração no Brasil, Erasmo Carlos. Além das atividades no SESC, vem junto uma programação não-oficial também, chamada Bailes Noturnos de Verão, no Armazém Bar.




FESTIVAL BEBOP A LULA E BAILES NOTURNOS DE VERÃO

17 DE MARÇO, QUINTA

Horário: 21h.
Local: SESC São Carlos
Entrada: R$ 10,00 a inteira

TINKY DRINK PARTY:
DJ Johnny Crash (Jovem Guarda e Rock and Roll)
DJ Marky Wildstone (Surf Music e Músicas Hawaianas) 
Horário: 23h
Local: Armazém Bar
Entrada: não-divulgada



18 DE MARÇO, SEXTA

Jazz Brothers (SP)
Horário: 19h30
Local: SESC São Carlos
Entrada Gratuita

GARAGE SURF NIGHT:
Horário: 23h
Local: Armazém Bar
Entrada: não-divulgada



19 DE MARÇO, SÁBADO

The Broken Toys (Argentina)
Horário: 16h.
Local: SESC São Carlos
Entrada gratuita

TERROR FEVER com homens-banda:
The Great Munzini (Alemanha)
Michel Skarekrows (França)
Dead Elvis (Alemanha)
Horário: 23h
Local: Armazém Bar
Entrada: não-divulgada


O Armazém Bar fica na Rua Sete de Setembro, 2109, Centro. O SESC São Carlos, na Avenida Comendador Alfredo Maffei, 700.

Cobertura: Macaco Bong e The Name - Independência ou Marte - A Festa!


Enquanto Ribeirão, cidade do futuro Parque do Rock, se via com seu João Rock, São Carlos era agraciada mais uma vez pela passagem do Macaco Bong. Tocariam aqui então pela terceira vez, sendo a primeira no 2º Festival Contato e a segunda em um Palquinho Maluco no DCE da UFSCar ao lado do The Name, que também os acompanhava nesta noite, em mais um Independência ou Marte - A Festa, dentro do Armazém Bar, reduto de sempre e único na cidade.



E, frente o nome que ali se apresentava, apontado por mídias, grandes e alheias, como melhor trabalho de 2008, não se podia esperar nada menos que casa cheia. Não era a casa mais cheia do ano, nem de longe, mas havia um público considerável, já conhecido do nosso cenário local, para mais uma vez prestigiar a banda.

Obrigatoriamente estavamos lá, afinal, Macaco Bong exige de nós esta presença. Afora que sempre é interessante prestigiar uma festa dos camaradas do programa Independência ou Marte, que já até nos convidaram para entrevista ao vivo na Rádio UFSCar, não é? Fazendo o jabá amigo, dê uma ouvida nos sujeitos nas segundas, às 22 horas, transmitindo online , ou ainda em São Carlos, à 95,3MHz.

E após alguma discotecagem destes ditos sujeitos do Independência ou Marte, Youngman e FioDiBack, abria a noite The Name, uma das muitas bandas de Sorocaba que valem a pena, a despeito de umas e outras. Numa apresentação curta, animando a casa com sua proposta post-punk, com Andy e Molinari nas vozes, fazendo guitarra e baixo respectivamente e Alves na bateria, mesclada a alguns samples puntuais. Aqueceram na medida para a entrada dos primatas de Cuiabá.

Macaco Bong fez uma apresentação fortíssima, praticamente esgotando seu repertório em frente a uma platéia, justamente conhecedora de seu material, faminta por mais. Logo, vieram bis, como bises tem de ser, repetindo uma e outra faixa. Isto nos indica que Seu primeiro e então único álbum, Artista Igual Pedreiro, disponível pra download de graça pela Trama, tão falado, está pouco. Claro que os sujeitos estão tocando a todo momento por aí, afinal, o lançamento não fez nem um ano ainda. Logo, pensar em um novo álbum é

É isto, o único mal do Macaco Bong é que seu show é tão bom que fica curto uma hora e meia. Ademais, nem de longe vamos nos delongar aqui em destrinchar o Macaco Bong, afinal todo mundo já falou dos cabras. Vamos deixar aqui algumas impressões, apenas visuais do show. Se é discutível o mérito de trazer apenas fotos, também o é apenas o áudio de um show ao vivo. Mesmo uma gravação de áudio e vídeo não contempla estar presencialmente num show, afinal. Mas, não tenho nem vídeo, nem áudio, fiquemos com fotos. Que, aliás, estão de tirar o fôlego!

Confira, clicando AQUI, pra nossa conta no Picasa!

Especial: Programa Bluga Ano Um – Especial de Aniversário


Programa Bluga quer iniciar uma conversa com você.

Vanderlei: Parablugas! Eis que o Programa Bluga faz hoje seu primeiro aniversário. Não que isso seja realmente muito importante, mas é um marco, então comemoraremos a data com alguns comentários sobre o que nós do lado de cá vimos, mas o leitor aí não leu a respeito, porque não escrevemos mesmo. Vamos também relembrar alguns outros fatos memoráveis, claro. Tudo com comentários exclusivos de cada sujeitinho aqui.

Rodrigo: Não é realmente um marco MUITO importante, mas é importante. Pelo menos na medida em que, espero, tenhamos criado alguns leitores assíduos que têm como interesse compartilhar de nossas idéias e críticas em relação ao cenário da música atual.

Com sorte, dentre esses leitores, atingimos algumas cabeças que podem fazer repercutir, pelo menos um pouco, determinados pensamentos aqui expostos.

A todos os músicos e organizadores de eventos que esperam ter um mínimo de feedback (nem que, por vezes, negativo) e a todos que buscam mais informações sobre essa ou aquela banda, vocês são a razão de ser do Programa Bluga e o bolo seria oferecido a vocês, caso fôssemos comer um.

Felipe: Um ano de Programa Bluga! Bom, dou as caras para dar as muitas merecidas felicitações ao blog e, como já dito, comentar os vários eventos que julgamos dos mais notáveis que ocorreram este ano, e também aqueles que passaram sem serem comentados no blog, mas que também achamos relevantes.

Marcelo: Como todo "ano novo" que se preze, vêm também as promessas de mudanças e melhorias. Não que o ano que passou tenha tido cagadas memoráveis que necessitem retificação, mas fica sempre uma vontade de crescimento. Ademais, 2009 pode marcar o ano de um certo êxodo dos blugueiros da cidade de São Carlos que, assim como eu, podem seguir vidas profissionais Brasil, quiçá mundo, afora.

Dessa forma, faz-se necessária a tomada de decisões pelo futuro do blog o que, de minha perspectiva, pode ser uma expansão do blog com novos colaboradores e participação mais ativa em comunidades relevantes. Ou talvez a própria criação de perfis nessa web 2.0 de hoje.

De sobra, temos pique pra continuar e vamos levar o blog ao seu próximo passo, já que nada nessa vida é fixo, muito menos se tratando de música !

Vanderlei: Já que nosso mote são shows, comecemos por eles. No ano que passou não comentamos muito, mas você precisa saber que a Virada Cultural de 2008 foi um lance ALTAMENTE fodástico. Sinceramente é difícil imaginar cenário melhor para o evento, com um show épico do Terreno Baldio, marcando sua volta aos palcos ao lado do Som Nosso de Cada Dia. E isso que perdemos altos lances, como Jair Rodrigues junto com o Zimbo Trio, ou mesmo Tarancón e De Puro Guapos.

Vejamos que acontece na Virada este ano! Conseguirão eles se superarem? Eles abriram inscrições, vamos ver se eles captam algo de novo. Já temos as datas, 05 e 06 de Maio (Não esquecendo da Virada Paulista, dias 16 e 17 do mesmo mês, em trocentas cidades do estado).

Felipe: O primeiro adjetivo que me vem à cabeça pensando na Virada Cultural seria “lendário”. Uma Virada sem precedentes, que reuniu bandas clássicas do estilo favorito dos blugas, o progressivo, contando com bandas como Som Nosso de Cada Dia, que fez um show de retorno memorável no Teatro Municipal de São Paulo, O Terço, Pepeu Gomes, e Terreno Baldio (este que superou as expectativas de todos, e se mostrou o show mais foda da Virada para todos, acredito). Claro, a Virada sempre tem o problema de que você sempre irá perder coisas extremamente fodas, como fizemos com Zimbo Trio, Os Mutantes,Tarancón,Fernanda Takai e vááários outros (que nem faço questão de saber quais são).

Vanderlei: Agora, vamos apostar no que é que vai tocar lá esse ano? Aponto gente feito Marcelo Camelo - que só é grandes-coisa pra um sujeito aqui, e não sou eu - DonaZica ou Iara Rennó ou Andréia Dias - que são muito, MUITO grandes-coisa pra todo mundo do lado de cá. Enfim, entre no bolão e deixe seu chute na nossa seção de comentários, vá lá.

Felipe: Das promessas relativas ao ano que segue, DonaZica, Andréia Dias e Iara Rennó, com certeza. Infelizmente, apenas um dos integrantes aqui teve a oportunidade de comparecer a um show, e nem o viu inteiro por motivos de força maior, mas estas meninas são objetos de profunda admiração a todos do Programa Bluga. Este ano, torcemos tanto para a volta de DonaZica quanto para a continuação do trabalho solo das duas, para o bem da boa nova música brasileira. Lembrando de um dos inúmeros músicos que participa de Macunaíma Ópera Tupi, tivemos a sorte de conferir o grande Guizado ao vivo, que foi um dos pontos altos do Festival Contato de 2008, já comentado por aqui, que se revelou muito mais interessante ao vivo do que em estúdio. Macunaíma Ópera Tupi, de Iara Rennó, é um “must-see” de 2009.

Marcelo: Macunaó.Peraí.Matupi da Iaró.a.renn, eu fui!

Vanderlei: Mas sabe o que seria genial de ver na Virada? Fóssil. Em São Carlos, nossa base de operações pra quem não percebeu ainda, sem sombra de dúvida eu diria que foi o show mais foda que vimos no Armazém Bar em alguns vários anos. Simplesmente explosivo, mesmo tocando para uma platéia de uma dúzia, literalmente. Claro, com o bar vazio e somente pessoas realmente interessadas naquele som, a química não poderia ter sido melhor. O pior é que perdemos a reprise dias depois no Palquinho da UFSCar. Deviamos ter ido à Rio Claro ver de novo. Sério mesmo, fora de série.

Outra apresentação sem precedentes no Programa Bluga, muito bem comentada em postagem por uma convidada nossa, foi a de Mônica Salmaso, ao lado do Pau Brasil, cantando Chico. Dona de voz excepcional, que me comove tanto quanto um nome como Mercedes Sosa, esta senhora-com-ésse-maiúsculo não só fez um show bárbaro como também trouxe possivelmente o melhor álbum nacional do ano um do Programa Bluga.

Felipe: Não poderia deixar de comentar shows como o de Mônica Salmaso com Pau-Brasil cantando Chico, uma preciosidade que quase passou despercebida (graças ao quase!), Fóssil no Armazém, um show quase com exclusividade, que superou em muito as minhas expectativas, Badi Assad no Teatro Municipal de Araraquara (um dos meus preferidos do ano), e mais uma vez Terreno Baldio, dessa vez com algumas falhas técnicas, mas que não ofuscaram o brilho dos caras.

Rodrigo: Não é de se espantar, levando em conta os nomes envolvidos, que um projeto como esse mereça todos os elogios possíveis do Programa Bluga. Mônica Salmaso soma toda sua técnica e potência vocal à genialidade de Chico Buarque, acompanhados do instrumental impecável do grupo Pau Brasil. De cara, vê-se que o resultado não pode ser nada menos do que estonteante!

Marcelo: Ao fazer uma retrospectiva do Ano Um, senti que o Festival Contato não teve o mesmo baque que a primeira edição. Ambos foram fenomenais, mas The DTs e Gong tiveram um grande peso nessa minha percepção.

Ficou foi uma ponta de curiosidade de conhecer os movimentos de outros lugares do país, como em Cuiabá (afinal, é onde nasceu o, agora famigerado, Macaco Bong), ou o Psicodália (que parece ser um lugar onde rock e mulheres aparecem numa mesma proporção).

Vanderlei: Pulando de uma vez para álbuns, dentro do material nacional não se pode deixar de citar o lançamento de Artista Igual a Pedreiro, do Macaco Bong. É quase desnecessário comentá-lo, já que todo canal, seja de música ou não, seja online, impresso, radiodifundido ou televisionado falou dos caras. Enfim, eu diria que ao lado de Noites de Gala, Samba na Rua este álbum é um dos dois melhores de 2008 no Brasil.

Rodrigo: Artista Igual a Pedreiro, que inclusive rolou diversas vezes no ambiente bluguístico que cá nos circunda. Nada demais a acrescentar aqui, exceto talvez a velha pergunta: “Seria Macaco Bong o The Mars Volta brasileiro?” (Não!, obviamente, mas o cabelo de Bruno Kayapy me obriga tal infeliz analogia)

Vanderlei: Já lá fora, altamente recomendável é The Ocean and the Sun, do pessoal de The Sound of Animals Fighting. surpreendente, em especial perante o resto do material da banda, o álbum é fruto de uma evolução constante na discografia da banda, em seus estudos dentro de vertentes mais recentes do Progressivo. Particularmente, imaginemos que o próximo álbum abalará alguns conceitos. Ou não.

Marcelo: Realmente, os kudos de 2008 vão para os sons do álbum The Ocean and the Sun, que aliás me recorda muito a banda Brazil, no The Philosophy of Velocity;

Rodrigo: Interessante observar que todos os integrantes do TSOAF vêm de bandas como Circa Survive, Rx Bandits e Finch. Ou seja, já vêm flertando com o experimentalismo há algum tempo. The Sound of Animal Fighting é uma banda cujo rumo vale a pena ser observado, principalmente para aqueles que buscam algo original (certo, nada é 100% original, mas enfim.) nesse mar de simulacros entediantes que rola pelo meio musical.

Marcelo: E o Death Magnetic do Metallica, que fez de conta não existir um tal St. Anger na história da banda (o que foi ótimo, diga-se de passagem)?

Vanderlei: Pff...

Rodrigo: Uma última recomendação é o álbum Bromio, do trio italiano de jazz experimental, Zu. Composto por saxofone, baixo e bateria, tem um estilo quase indefinível, tendo sido descrito por aí como math-rock/noise-rock/punk-jazz e sabe-se lá o que mais. Interessante e diferente, certamente recomendado pra quem está cansado de ouvir mais do mesmo!

Felipe: Para a parte de recomendações, deixo aqui os nomes de Donazica, Iara Rennó, Andréia Dias (nunca é demais repeti-las), CéU, Badi Assad, para prestigiar a música nacional, e a cabo-verdiana Mayra Andrade, terminando a seção Vocal Feminino.

Vanderlei: Última recomendação? Mais um álbum velho, já que falamos de Zu. Anabelas, dos Argentinos do Bubu. Metais, man, metais!

Felipe: Mais uma vez, deixo meus parablugas ao Programa Bluga, que está começando a engatinhar, e que seja o primeiro de muitos!

Marcelo: E pro Ano 2 do Programa Bluga as esperanças residem em ver um mundo menos sertanejo e mais rock. Como sou um homem simples, só isso já me basta! Não bastando, quero ver um show inteiro da Iara e ouvir Som Nosso e Terreno Baldio novamente. Além de varar várias mais noites em shows, muito bêbado...

Programa Bluga encerrou a conversação com você.

Cobertura: Segunda-feira do Grito Rock São Carlos 2009 - Homiepie e outras histórias

Se fossemos seguir a linha de nosso post anterior sobre o Grito Rock São Carlos deste ano, com certeza não teríamos bons comentários sobre as duas noites de Carnaval, seja Segunda, 23/02, ou na seqüência Terça, 24/02. Contudo, algumas das bandas ali surtiram algum efeito sobre a equiparagem do Programa Bluga, mostrando-se relevantes, tanto é que cá trazemos algumas impressões.

Claro, era Carnaval, mas aparenta-me que para a população do Armazém Bar não fazia muita diferença, tratava-se apenas de mais tempo livre pra ir curtir um bom rock, tomando o Grito Rock como das poucas atividades passíveis de se fazer para os mais incautos nesse feriado prolongado.

A primeira noite do Grito Rock, a mais curta das duas, começava às 21h. Prevendo atrasos, chegamos ao Armazém Bar, palco de quase-sempre, pelas 22h, e como bem suposto, por praxe, algum atraso aconteceu. Enquanto ainda não rolava o som, demos uma olhada na Praça Coronel Salles, recém-reformada, com iluminação charmosa para a noite. Lá aconteceria a Feira de Cultura e Economia Solidária no dia seguinte, em concomitância a terça-feira Grito rock São Carlos. Finalmente às 22h35 abria-se oficialmente a edição 2009 do Grito Rock, como bem anunciava o DJ desse começo de festa e de todo intervalo das bandas, Jovem Palerosi.

Sendo segunda-feira, dia corriqueiro do Programa Independência ou Marte pela Rádio UFSCar, nada mais justo do que fazer a transmissão ao vivo do Grito Rock no Armazém para os ouvintes. Infelizmente alguns problemas técnicos não possibilitaram a empreitada, um dos fatores que atrasou um poquito o começo das atividades.

Não que a primeira banda tenha tido alguma relevância. Dos cinco nomes apontados para esta primeira noite, a abertura do dia, a banda Inventiva, de Sorocaba, se mostrou o mais fraco de todos, uma grande falácia, começando já pelo seu nome. Traziam a ridícula proposta de fazer garage rock mais que propositadamente estúpido, escolhendo temos banais para tratá-los da maneira mais degradante possível. Usando de riffs ainda mais desgastados que esmalte de unha de faxineira, nada acrescentam, se é que não desmerecem algumas ideologias. Se isso é o resgate do espírito rock, lamento, mas eu desisto.

Se alguém se interessar, segue o setlist:
01.Rádio Sapólio; 02.A Vida Secreta de Genésio Tobias; 03.Frito e Assado; 04.Não; 05.Bafo (In the Morning); 06.Mary Jane; 07.Arroz de Puta; 08.Yakult; 09.Papa; 10.Cortaram meus Braços; 11.Beco do Inferno; 12.Cabaret; 13.Viet Nam; 14.Dr. Mastur Bando; 15.Cotidiano; 16.Dorflex.

Essa foi uma das poucas apresentações onde o tempo delimitado para cada banda, de 30 minutos, foi longo demais. Felizmente o intervalo serviu para afastar o som ruim dos ouvidos, com Palerosi relembrando nosso querido Contato, com Bongs, Porcos e Cérebros emendados um atrás do outro. Mas enfim, o Grito Rock ainda daria sua cara como grande festival...

Mudando justamente da sopa sem sal da internação na Santa Casa para as tortas caseiras da mamãe ganso, vinha na seqüência a Homiepie, de São Paulo. Os já-antes-famosos Flávio "Six" Seixlack (voz e guitarra) e Denis "Denem" Fujito (guitarra) mais a menina Bruna (voz, teclado, metalofone e percussão) traziam na bagagem umas poucas faixas, maioria delas já gravada no EP Fireworks, mas que cairiam redondas no seu tempo de palco. Esse material bebe de uma onda que ganha força nos EUA, transparecendo por aqui no cinema, nessas películas estreladas por Michael Cera, como Superdbad, Juno e Nick and Norah's Infinite Playlist. Trata-se da exaltação nerd, que assume o posto de belo, atraente, o novo sexy e cool. Os três trejeitam-se assim do vestuário listrado e tênises all-star-adidas aos óculos fundo de garrafa. Tamanha é a força dessa onda que nos seus pouco mais de seis meses de vida o Homiepie já chamou a atenção da mídia independente e tocou ao lado de gente muito grande, sinal de que há ouvintes para esse som.

Vamos nos delongar poquito mais nesses garotos e dedicar o posto a esse som folk, com estes índios entrando na hora das bruxas para a sua meia-hora de show. Trouxeram de primeira faixa a abertura do EP, I mean, Fire. Ao vivo o som em nada difere do lo-fi das gravações, com direito às incursões de Bruna nos teclados e no metalofone, tão colorido quanto um brinquedo de criança, enquanto Six e Denem criam o clima de madrugada em volta da fogueira com violão e guitarra. Detalhe, a letra traz a frase "Ooh, four... I mean five... I mean fire!" proferidas por Maurice Moss, em The IT Crowd, numas das melhores gags de abertura da série britânica. Mais nerd, impossível.

Na seqüência, Piano, faixa que começa a embalar verdadeiramente a platéia do Armazém Bar. Toda divertida, sai ali pela primeira vez o acompanhamento de Bruna nos vocais em uh-uhs que dão o clima gostoso a faixa, além das palmas dela própria e de Denem acompanhando. São crianças fazendo música! A aura de timidez que os acompanha é mitigada no palco, deixando rolar a voz de Bruna, sem grande embaraço, mas não perdendo o jeitinho de ser. Denem, ao canto com sua guitarra pouco se mostra, aplicando-se tão somente ao instrumento e depositando ali seu sentimento, como que ignorando o restante dos acontecimentos.

Colorblind é a terceira da noite, que me trouxe a mente outro seriado, na abertura de The Office, pelo começo com os teclados e tudo o mais. Na seqüência, uma faixa nova, ainda não gravada, com direito ao Denem tirando uma escaleta sabe-se lá de onde (que TODO mundo está usando, pelos deuses, será que é por que na década de 80 essas coisas eram dos brinquedos mais legais de se ter?). Aparentava será faixa mais morosa até então, até a garota também sacar um pandeiro meia-lua enquanto segue o violão de Six, acompanhando a Escaleta de Denem. Apesar de não ser um vocal trabalhado, Bruna e Six funcionam juntos. Tudo é simples, mas cuidadoso, assim, realmente belo.

Falando em faixa nova, aparenta que eles têm algum material novo, que será liberado aos poucos, até fazer corpo para um álbum cheio. E de material novo seria a próxima faixa, lançada como single: You Melt, we Melt. De últimas, Bye, com mais corais, e Flying Machines, homenagem aos muitos filmes de Hayao Miyazaki, com suas máquinas voadoras. Viva Nausicäa! Flying Machines se mostra das faixas mais divertidas da noite, com direito a um coquinho fazendo as vezes de percussão na mão da menina. Faixa daquelas de chamar a atenção da platéia, que acompanha com um coralzinho de lá-lá-lás.

Em tempos de YouTube, com vídeos de baixa qualidade e áudio mono, o material desses garotos se ressalta. Seja um grande clichê indie ou não, Homiepie faz um som único em terras brasileñas e ganha créditos por conta disso. Seria desmerecido pela óbvia cópia lá de fora, mas enfim, não será nada inusitado se lá-fora vier buscar eles aqui dentro.

Pausa para mais discotecagem, com La Pupunha em lances do Dark Side of The Moon com ritmos paraenses. Nesses momentos, cabe comentar o clima do bar, que já estava muito perto de lotar, se é que não veio a lotar mesmo. Contudo, aparentemente o Armazém Bar não esperava todo este público para o Carnaval, deixando acabar a cerveja mais de uma vez. E esse fim-de-estoque levou a coisas inusitadas, começando a noite com long neck de Bohemia a R$2,50, passando por lata boba de Skol de 269(DUZENTOS E SESSENTA E NOVE)ml por dois paus e terminando com Brahma de 600 ml por R$3,50. Afora a própria lata de refrigerante, por incríveis R$3,00. Até entendo que nem toda a molecada caia na cevada, mas precisava chegar a esse ponto? Nem vou falar da organização da cozinha e as batatas fritas, senão não volto mais no Armazém. Ou volto, porque não tem outro canto mesmo.

Gigante Animal seria a terceira banda a se apresentar nesse pedacinho de Festival em São Carlos. Os rapazes já haviam excursionado por estas terras paulistas de pinheiros-do-paraná, na ocasião do 4x4 promovido pelo Massa Coletiva, em cima do formato do pessoal do Escuta Essa. Mas naquela ocasião não tivemos a oportunidade de vê-los. De qualquer maneira, não é dos sons mais interessantes, em nossa insaciável busca por novos horizontes, mas vamos ao show...

Os quatro rapazes subiam ao palco à uma da manhã em ponto, com Lucas Wirz, empunhando guitarra e ao mesmo tempo a frente dos teclados AND vocais, num lance meio Geddy Lee, tudo junto; ao seu lado, Henrique Zarate no baixo e voz; Renato Ribeiro mais ao canto na guitarra e Thiago Andrade ao fundo com as ferragens da bateria.

Trouxeram de uma paulada só três faixas, Sujeito Oculto ou Caminho Haurido, Santa Paciência e As Mesmas. Intervalinho inteligente em silêncio, fazendo parte da apresentação e emendaram mais duas, Pra Mim e Compasso, onde o vocal se concentrou no baixista, Zarate, que vai se revezando com Lucas Wirtz ao longo do show. Apresentaram a banda finalmente, pra vir ao excerto final do show, com Agora Tanto Faz, Diz Ter Certeza, Conjuntivite e Ah, Tá Bom.

Nos finalmentes, seu som se assemelha com várias outras bandas que vem despontando por aí, num rastro de Loser Manos e Camelos. Refletem a preocupação com certo lirismo nas letras, priorizando-as em relação ao instrumental, por vezes mais simples, mínimo. Em estúdio, notadamente os vocais sobressaem-se, tentando justamente reforças essa impressão. Na mesma pegada de gente como a Instiga, de Campinas, que vimos no Festival Rock na Estação de 2008, de Vanguart, do primeiro Contato, ou em vários aspectos como outra das muitas "revelações", a Ecos Falsos.

Confete e serpentina aos ares, pra lembrar que é carnaval, e às duas da matina sobe o The Violentures. De longe seria a banda mais profissional da noite, por assim dizer. Aparenta-me que em vias de fato assim o é, com os sujeitos tendo alguns anos de palcos, o que explica a postura firme e desenvoltura, bem como o ótimo material. Nas palavras do próprio baixista, Carlão Brando, enfiado em um jeans surrado e coturnos, com tatuagens aos montes nos braços por conta da regata vermelha "...começamos como uma banda de Surf Music e agora colocamos um pouco de garageira no meio", o que com certeza faz um com caldo. Ao seu lado, a guitarra de Stenio Von Zuben, genial. Aliás, guitarra divertidíssima, com tirante de estampa de oncinha e um decalque com o rosto da figura no verso. Fechava o trio Fábio Truck Boy, não menos competente, com muita força na batera.

Apresentaram a maioria das composições de seu último álbum, datado de 2005, Garage Boosters, entremeado por algumas composições mais antigas. Segue o setlist: 01.Shake'n'Move; 02.Astroman; 03.El Cabron; 04.Casbah Fever; 05.Garage Boosters; 06.Octo Punch; 07.REC (Recognize Me); 08.Endless Girls; 09.Poseidon; 10.Black Widow.

Se portando como num grande festival, saíram cobertos de palmas, além de outras tantas despendidas a cada performance música-a-música. Tanto é que foram a primeira banda da noite a deixar o palco sob pedidos de bis, que obviamente não foram atendidos. Lembrem-se, festival, tempo contado, muitas bandas, nada de repeteco.

Para encerrar os shows propriamente ditos da noite, viriam os sujeitos do Narcotic Love, de São Paulo. Encerrar a balada ao som de eletro é exatamente o que o público queria nessa noite de Carnaval, depois da canseira que nos deu o Violentures. Com uma produção visual bacanuda, a entrada arrebatadora do vocalista com um megafone vermelho berrante, combinando com sua camiseta em contraste com o restante da banda trajando preto. Engraçado como o rock usa desses artifícios visuais desde sempre, não?

Vocais de um pop empolgante, bon-joviano, ao lado das maquinadas na bateria acompanhada por um baixo marcado acompanhando a guitarra geniosa, fazia-se o clima dançante. Seu show se centrou nas faixas de seu álbum homônimo, disponível para download no Trama Virtual da banda. Realmente embalaram o pessoal ali, que ora cantava junto os refrões em inglês, mas grudentos de simples, ora acompanhava com palmas, sem nunca deixar de se mexer freneticamente.

E quando pensamos que tudo acabou, lembramos que ainda tem a discotecagem de Humberto Finatti. Aqui dando as caras como DJ, com direito a air guitar usando uma guitarra na real, rolou um som além das cinco da manhã, correndo por várias das décadas indie, quase em retrospectiva, na verdade. Embalou muito bem a galera dando continuidade a festa por boas duas horinhas. Enquanto crítico de música, jornalista que é, fez a cobertura do evento em sua coluna Zap'n'Roll sobre o Grito Rock, com elogios a algumas bandas e à organização, tida como superior a da terra-mãe do festival em Cuiabá. Em paralelo a isso, impossível não destacar, teceu comentários voluptuosos ao mulherio são-carlense e em especial a uma das senhoritas da organização do Massa coletiva. E o Massa, claro, não poderia deixar de aproveitar esse material, divulgou o texto em seu blog. Contudo, tesourou as passagens mais interessantes, pra não dizer as picantes, e a alfinetada ao pessoal do peixe-com-maxixe. Enfim, que fizessem a venda da imagem deles, reapresentassem os comentários, no que comumente chamamos de na tal blogosfera, mas não tesourassem o texto e o vendessem como na íntegra. Mas paremos de falar, senão daqui a pouco barrarão certas pessoas a porta dos eventos. E, apesar dos pesares, os eventos do Massa valem à pena.

E ainda nos resta falar de terça, mas isso fica pra outro post. De qualquer maneira, mais fotos podem ser conferidas na conta do Picasa do Programa Bluga. Confiram!


Fotos: Vincent de Almeida

Cobertura: Introdução e Abertura do Contato - A Recombinação e o Javali Underground

Organizado por um série de grupos vinculados a UFSCar – Universidade Federal de São Carlos – como Rádio UFSCar e CineUFSCar , o Festival teve na sua primeira edição, em Novembro de 2007, noitada de shows em todos os dias do evento, dias estes praticamente temáticos: Quinta-feira marcada pela brasilidade de Tom Zé e um inusitado ½ Dúzia de 3 ou 4; Sexta de gente-como-a-gente, trazendo Jumbo Elektro e de quebra coisitas como Mentecapto; Sábado memorável com gente de fora, mas personas boníssimas, de The DT’s, com quem o pessoal aqui bateu altos papos e assistiu junto o espetacular Daevid Allen; e um domingo de Hip-Hop, que não foi degustado por nosotros.

Neste ano seriam apenas dois dias de show, levando a especulação sobre verbas, negociações de espaço e afins. O local do evento mudou também, indo para a Praça do Mercado, aqui em São Carlos, saindo da Estação Cultura, antiga Estação Ferroviária da cidade, perdendo o charme dos trens passando ao largo da apresentação, mas mantendo o formato de dois palcos confrontando-se. Como não poderia deixar de ser estaríamos lá para conferir na íntegra os eventos.

Na véspera desse fim-de-semana tão esperado pelo Programa Bluga, o 2º Festival Contato já atravessava sua metade, hora certa de confraternizar. Estava armada mais um Independência ou Marte- A Festa!, naquela sexta-feira, dia 10 de Outubro, no Armazém Bar. Parcas são as ocasiões em que se pode ver este bar lotando ao som de tão boa música, e muitas destas poucas vezes são nos eventos do Independência ou Marte.

Lotação da casa atingida logo cedo, abria a noite uma das muitas bandas da prolífica Mogi das Cruzes. Vício Primavera apresentava seu som, na hoje mandatória mistura de influências, indo do Rock ao Manguebeat e do Pop ao Funk. Entretanto, apesar do bom instrumental apresentado, parecem esquecer-se que música boa não se faz só de pretensiosa poesia nas letras.

MAS, o que esperávamos ansiosamente era o Javali Underground, banda cuja movimentação acompanhamos desde sua primeira apresentação no Festival de Calouros da UFSCar. Pelas influências pescadas do som apresentado àquela época, além da sonoridade surpreendente, perdida em São Carlos, prenunciamos um dos sons mais promissores dos próximos anos.

Este ano o Contato se reinventava trazendo como proposta a RECOMBINAÇÃO de seus elementos. Sendo um festival multimídia, a idéia era fazer esta experiência realmente em muitas mídias, fazendo a união áudio-e-visual de fato. Nessa linha vinha a apresentação do Javali, ao mostrar ao público suas composições aliadas à imagens tridimensionais projetadas em um telão. E veio a mistura!

Na mira do projetor no canto esquerdo do diminuto palco, trajando camisetas brancas tentando se mesclar ao fundo branco, vinham com o som Jovem Palerosi empunhando guitarra, Andre Jaguadarte no baixo, Fabiel Merck no synth e revezando-se na bateria com Bigga Johnny, do Ganja Groove. Além claro da participação especialíssima de Cristiano Rosa, o Pan&Tone, no mais puro improviso com a manipulação dos ruídos em circuitos de baixa voltagem (ou brinquedos, como queria). Panetone nem se deixava aperceber, no chão a um canto, escondido atrás da massa que entupia o Armazém.

E do projetor, as cenas do filme O Monstro da Lagoa Negra (Creature From The Black Lagoon), de uma cópia restaurada por Leonardo Andrade, professor do Curso de Imagem e Som da UFSCar. Estas cenas podem ser vistas na página pessoal de Leo, se você tiver óculos 3D anaglíficos, aqueles de lentes azul e vermelha, como os que foram entregues antes da apresentação com arte manual da RUA, Revista Universitária de Audiovisual, causando sensação aquela noite e dando estilo aos transeuntes do bar.

O Javali tocaria sete faixas, três delas conhecidas nossas da Praça do Mercado, com Bigga Johnny na bateria: Space Combo, Voa e Don’t Stop; Mais, quatro faixas inéditas, com Fabiel Merck pulando pra bateria em três delas e voltando pra quarta novamente aos teclados: Limite ou Princípio do Prazer, Trieste, única faixa com uma letra bem definida, que não o gibberish ou a monossilábica Voa, C and Grace, altamente psicodélica, finalizando com Jumpin’ Monkey, Orange Cloud.

Nessa mescla sensorial, perdeu-se muito das cenas tridimensionais, por conta da alocação do projetor, que privilegiava para experiência plena apenas um ângulo de visão ótimo usando também das camisetas dos músicos. Tamanha era a expectativa daqui para essa apresentação que resta dizer que o impacto inicial foi menor que o esperado. Contudo, aguardar até às duas faixas finais para dar o veredicto era necessário, pois elas foram exatamente o que esperávamos. Como disse o Jovem ao final, “Novos experimentos acontecerão!”

E nós estaremos lá para ouvir. E ver?

Fotos: Dani Teixeira

Cobertura: Escuta Essa 4x4 - Parte II

Review tardio, mas ainda necessário!

A altura do início de nossa terceira hora do show 4x4 que rolou no domingo 10 de agosto de 2008 no Armazém Bar em São Carlos, estava lá um público misógino: Gente nova, amigas do som que já havia rolado; Motociclistas (não motoqueiros, perdão...) ouvindo o clássico Rock do Barbante Submarino; e o público amante de som, o público de sempre e agregados. Mas outro pessoal sempre envolvido com a música, os universitários, deu as caras por lá, atraído pela banda da deste quarto de noite, as Aeromoças e Tenistas Russas.

Esbanjam em seu trabalho boas origens e uma visão promissora dos rumos da música, consciência possivelmente provinda também de suas influências dentro do curso de Imagem e Som da UFSCar, que vem rendendo bons frutos aos ouvidos do Programa Bluga. Com formação definida desde quando calouros em 2007, trouxeram sua cara ao mundo somente neste ano, e já fizeram nome pelos cantos da cidade, tocando na Firefox 3 Party, promovendo o navegador da Mozilla, e mesmo dentro do CAASO na festa das secretarias SAPA e SAAU, no mesmo movimentado fim-de-semana em que tocaram no Armazém.

Obviamente não se tem as tais gostosas no palco, mas sim quatro cabras, em bateria com Nilo, baixo com Juliano Parreira, teclados com Luiz Gustavo e Thiago Hard alternando-se com voz, guitarra e sax. Resta saber quais dois são as aeromoças e quais dois as tenistas russas.

Mirando no que nos interessa, o show das Aeromoças e Tenistas Russas começa às 09h30 com a primeira das muitas faixas de autoria própria da noite, Bang Bang, que só não é uma instrumental porque traz o gibberish de Hard. A música leva o nome do filme de 1971 de Andrea Tonacci, referência junto ao chamado Cinema Marginal e dentro dos cursos de cinema, justamente de onde vêm os integrantes da banda. Aliás, valem os 90 minutos de fita, em um experimento fotográfico surpreendente para os padrões atuais.

Segunda faixa da banda no seu quarto de show, trouxeram Mirella, outra assinada pelas aeromoças e tenistas. Entra com um baixo arrebatador de Juliano, evoluindo com riffs bem marcados. Hard já mostra a que veio, com devaneios no palco, mostrando os primeiros sinais da psicodelia.

Para sua terceira música, mostram o refino de seus covers. Ilegal, Imoral ou Engorda, da voz de Roberto Carlos, em releitura na versão da banda Del Rey, que tocaram na Virada Cultural Paulista deste ano em Araraquara, com China, da desaparecida Sheik Tosado, e alguns dos caras da banda Mombojó, que revitalizaram nesse projeto os sucessos em covers rearranjados da Jovem Guarda. Na faixa, entretanto, dão seu toque pessoal, com Hard abandonando a guitarra por alguns instantes e dedicando-se totalmente ao vocal. Deixa-se espaço então para a excelente cozinha dar o tom para os teclados brincarem, enquanto o vocal é muito bem performado, revelando a presença de palco da figura inusitada, por vezes recorrente ao gênero, ali na noite.

Não esquecendo que este domingo de 4x4 era justamente o Dia dos Pais, a Aeromoças e Tenistas Russas foi a primeira banda a se lembrar do fato e homenagear o pai do baixista, seu Júlio, vindo de longe a visitar o filho em sua universidade e comemorar. E homenageando a figura, trouxeram mais um versão portentosa, dessa vez do Beto Lee, filho da Rita de nossos Mutantes: Fuscão Preto. Mais uma prova das singulares influências que cobrem o grupo. E nem vou falar que a faixa famosa revelada com Almir Rogério rendeu um filme homônimo protagonizado pelo próprio e de quebra com a estréia da Xuxa, porque esse eu nunca vi. Antes de Amor Estranho Amor, acredite se quiser. Lenda urbana.

Mix de influências também na cara da banda, com Thiago Hard portando sua camiseta da recente coletânea Mothership do Led, que marcou sua volta, enquanto entre as baquetas de Nilo vem a estampa os Flinstones e com Juliano uma ilustração esperta com o Chiqueirinho (Pig-Pen) de Charles Schulz.

Deixando de lado o ar de revival-cafona-reformulado-que-vira-cool, tocam não uma, mas DUAS faixas instrumentais. A primeira delas, entra de vez no clima psicodélico esperado, quase chegando num Post-Rock. Como toda boa instrumental, tem espaço para escapulidas para fora do palco, com Gustavo em busca de outro latão de Itaipava. Ele preparava-se para trazer, depois dos muitos picks espalhando névoa, a cerrada atmosfera para a derradeira viagem da guitarra. No seu auge, vem uma queda no ritmo, para a brisa do Korg de Gustavo, enquanto Hard troca de instrumentos para vermos pela primeira vez o belo sax esmaltado em preto entrar na dança. Bela faixa.

Não perdendo o clima já criado para êxtase da platéia, trazem a segunda faixa, puramente intitulada Instrumental. Enérgica, começa com aquele velho sample dos placares eletrônicos dos jogos de hóquei, crescendo sensivelmente com Nilo na bateria. Juliano tem espaço para um bom solo de baixo enquanto bateria e guitarra, pouco antes dos teclados voltarem e chamarem todos os instrumentos a uma profusão sonora. Quando gravam esse material?

Entremeiam o clima angustiante criado, com um blues de composição própria. Revisitam mais uma vez algo na mesma linha das versões de Ilegal, Imoral ou Engorda e Fuscão Preto, no que chamaremos de Jovem Guarda Psicodélica, com Um Lugar do Caralho, composição de Júpiter Maçã, ícone da escola. Apesar dos pesares, é estranho observar a evolução do show da banda, oscilando bruscamente do Nu-Prog a esta Jovem Guarda que quer ser Bossa. Nem por isso é ruim já que tudo é alternativo, tudo é experimental e acima de tudo, embala o público, que tem como prova o coral do público, cantando junto. E, claro, proporciona o contato com o material próprio, senão também a estréia de ouvidos virgens a um estilo na virada dos tempos.

Mas não só do lado de cá viveram as Aeromoças. Elas viajam também além mar, e trazem Play That Funky Music White Boy, em uma versão própria, sem vocal, não na esperança de que o público cante, mas trazendo um arranjo para sax, como muitas bandas de jazz já o fizeram. Teclados, como manda o figurino, o delicioso baixo que leva moças a rebolar, mas ao invés das guitarras, solo de sax.

Não esquecendo seu próprio ganha-pão, mostram mais uma composição própria, Ensolaradas. Fazem a sempre boa e necessária divulgação, sem exageros, de seu material junto ao site Trama Virtual. Trata-se de um material excelente, escolhido para agradar a todo público da banda e mostrar tudo a que o grupo se propõe. E, ao vivo se mostra mais interessante ainda!

Provando a teoria de que eles são o liquidificador do barman que faz excelentes drinks, abraçam outro estilo, com a faixa própria Samba. Sem maiores segredos, o nome é auto-explicativo, agradando aos amantes de um Los Hermanos. Detalhe que ao seu final, vem a paradinha, ensaiada e tudo, que foi prolongada pelo baterista, deixando os camaradas na espera enquanto buscava uma garrafa d’água. Sem perder o bom humor, apresentam o garoto Nilo-bebe-água, que solta um “Bebam água, água faz bem”, e volta às baquetas para finalizar.

De novo lá fora, trazem Superstition, de Stevie Wonder, abandonando o vocal da faixa como na canção de Wild Cherry e trazendo os arranjos de voz transpostos ao saxofone, bem como o que viria a ser o trompete da original. Teclados, mais uma vez, como não poderia faltar e baixo marcantes, com Juliano encarando o nada, no olhar insano que sabe-se lá porque baixistas adoram fazer, enquanto Nilo traz uma fiel bateria.

Encaminhando-se para o fim de seu quarto de 4x4, as Aeromoças e Tenistas Russas trazem, a pedido do organizador da noite, xará do baterista, por sinal, um Tim Maia. Guiné Bissau, Moçambique e Angola, como quê de improviso. Quase-quase acabando, a pedidos do baixista, empolgado, Nilo não pára sua bateria, moendo, trazendo um último improviso pra abrilhantar mais a banda naquela noite.

As Aeromoças e Tenistas Russas se mostraram uma banda excelente, com um repertório bem pensado, com um material corajoso, regado a inusitados atrativos. Com certeza esses camaradas receberiam um selinho ‘Programa Bluga aprova!’, quando tivermos essa moral. Estaremos acompanhando de perto os shows dessa banda e sua evolução, sempre esperando que eles cresçam e nos tragam mais.

E já entrando em nosso último quarto da noite, para um dia que antecede a segunda-volta-ao-trabalho, o bar ainda permanecia cheio. Era o público na espera de um último respiro de música pra extravasar, o que veio com a primeira apresentação da banda Rise Up.

Rise Up é uma banda de Hardcore. Formada recentemente, se apresentaram com Carlos Alisson nas guitarras, Eric no baixo e Murilo Ramos na bateria, com todos fazendo voz. Performaram uma série de covers de bandas desta vertente, como Dead Fish e Nitrominds do lado de cá e como Pennywise e NOFX do lado de lá. Particularmente o estilo não cobre o mundinho restrito do Programa Bluga (de opinião única e própria de seus colaboradores, obviamente), mas a banda empolgou MUITO os sobreviventes da noite, levando inclusive as Aeromoças e Tenistas Russas à inversão de papéis, botando-os na cara do palco. Com boas horas de ensaio por trás desta primeira apresentação, mostraram-se competentes e ainda honraram o nacional, tocando muito mais as do lado de cá e fechando ouvidos aos pedidos do lado de lá!


http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=85199
http://vimeo.com/1263958
http://www.youtube.com/watch?v=AIBOF6DYfxQ
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=46916188


http://www.purevolume.com/bandariseup
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=49704046

Cobertura: Escuta Essa 4x4 - Parte I

Tentando abarcar mais do sempre-crescente cenário Rock da cidade de São Carlos, na noite de domingo dia 10 de Agosto, o Programa Bluga esteve cobrindo o Escuta Essa 4x4. A produção é promovida pelo Nilo, do portal Escuta Essa, lembrado o Festival de mesmo nome, cuja 2ª edição tivemos o prazer de conferir em 2007. Saídos deste festival, revisamos depois Fenícia e Plano Próximo.

A proposta do E.E. 4x4 é claro no título: Quatro bandas, quatro horas de rock. O Escuta Essa sempre demonstra certa ecleticidade em suas produções e mais uma vez isso se refletia nas apresentações da noite. Entretanto, a combinação do Grunge, do Rock’N’Roll, de um rock experimentalista (?!?) e do Hardcore acabou numa xenofilia entre o público, deixando todos satisfeitos.

O evento teve lugar no nosso conhecido Armazém Bar. Entretanto, a excelência da casa esteve comprometida: desfalque da cerveja de uso comum, pelo ávido público da banda Mandinga na noite anterior, que deve ter lotado a casa. Incongruências a parte, latão de Itaipava ao mundo, Bohemia para nós.

Nos idos das 07h30, vinha a Dharmanet, encarnando-se como banda de abertura. Pelo domingo, havia as muitas 30 pessoas, número que cresceu até o auge da noite a despeito das circunstâncias. Apresentando covers daquele tal estilo, incrivelmente bem sucedido e impressionantemente vivo hoje, pingaram também algum trabalho próprio.

Todos garotos, tarimbados das boas casas do ramo e festivais da região: Gaudêncio em guitarra base vocais, Douglas na solo e backing, Vinícius na bateria e Léu no baixo. Trouxeram bons covers da banda que os marca a ferro, Nirvana, fazendo do Dharmanet praticamente um tributo, tocando Love Buzz, Come As You Are, About a Girl, School, In Bloom e Serve The Saints. O vocal de Gaudêncio, mesmo dentro do estilo por vezes deixa a desejar, cantando fora do tom, como se as cordas do garoto ainda estivessem oscilando na sua puberdade. Ainda, estudaram um muito bem escolhido Alice in Chains, com Man In The Box e Them Bones, que ajudaram a quebrar o nirvanismo (Viva Jerry Cantrell!). Tocaram ainda I Wanna Be Your Dog, The Stooges e praticamente assassinaram Page, Plant e Jones, pra não falar no estrago que Vinícius roboticamente causou a um coveiro qualquer, com sua versão de Immigrant Song. Mas traziam em Douglas um lead guitar muito bom, enquanto Gaudêncio e Léu fizeram toda a lição de casa. Apresentaram algumas faixas de composição própria, sobressaindo-se Good Question. A faixa é curta, que parece fugir do estilo da banda, mas é um fio de maturidade em seu som, com algum experimentalismo.

Trocam-se os instrumentos, trocam-se os músicos, troca-se o estilo.

Entrando pro seu quarto de noite, as 08h25, vinha outra banda são-carlense, o Barbante Submarino. Descobriu-se que a velha história da influência do núcleo familiar, tão falada dos assistentes sociais, realmente leva a bons garotos e quem sabe boa música: banda formada pela família Seneme o Barbante é a prova viva disto. Pais, mostrem a década de 70 a seus filhos, por favor.

O nome declaradamente sugere uma banda com um pezinho no Rock Progressivo, entretanto o repertório da noite, conforme conversa com integrantes da banda, foi pensado para o público do evento. Assim, fomos agraciados com as mais clássicas músicas de clássicas bandas, subindo o nível do evento.

Quando o vocal Rafael Seneme (o irmão) veste um colete em couro cheio de bordados, fica a clara a veia que trouxe Born to Be Wild, primeira faixa executada. Também é a dita primeira faixa do estilo, cunhando inclusive o Heavy Metal ao falar das motocicletas que mais tarde seriam vistas em Easy Rider enquanto a faixa era ouvida na trilha sonora. Fácil entender o fixação dos motoclubes.

Já a segunda faixa mostra mais do que se esperava ser a cara da banda, ao visitar o Prog Folk do Jethro Tull com Hymn 43, do álbum de 1971, Aqualung. Enquanto dificilmente alguém foge do cover da faixa título do álbum, eles mostraram corajosos e bons conhecedores do assunto. Contando os quatro integrantes da banda, em vocal, guitarra baixo e bateria, fica claro que não há a presença do teclados marcantes, mas o trabalho foi competente, com destaque para a bateria de Rafinha Simões (sobrinho?). Faltou sentir um pouco da presença de baixo de Bruno Seneme (o sobrinho). Detalhe, Bruno é um baixista canhoto, em meio a um mundo de guitarristas do avesso. Ficou a vontade de ouvir uma Cross Eyed-Mary!

Trazendo a primeira das muitas desta banda que povoaria esta segunda hora do 4x4, vinha Proud Mary, e percebemos a grande presença de público ao redor, já nas quase 100 cabeças, empolgando-se com a performance da banda. Faz falta a segunda guitarra, deixando órfã a música. No muito bem arquitetado setlist para agradar ao gosto da noite, traziam na sequência, nas palavras de Rafael “uma homenagem ao rei do rock”, com Blue Suede Show, na versão de Elvis dessa faixa saída da boca de Johnny Cash, e tocada por muitos outros, entre eles Hendrix e Tommy Iommy. Desta vez, a guitarra estava definitivamente em sua praia.

Apresentando uma das composições da banda, com composição de Edson Seneme (o tio) e letras de Rafael, a próxima era Minha Liberdade, com título refletindo o sentimento da faixa, regada a solinhos clássicos na guitarra de Edson, que ainda acompanhando no vocal.

E dizendo “Eu vou ser o 1º à gritar”, Rafael Seneme fez desnecessários os míticos pedidos de TOCA RAUL, trazendo Babilina à empolgar a noite com Tio Edson revelando a alma da guitarra com a música.

Vem a pausa para o (im)pertinente comentário de Rafael, consagrando sua presença de palco amistosa e contagiante, falando do xará Rafinha, “baterista à álcool, modelo 85, único dono”, procurando um certo refresco.

Volta marcada pela paixão do guitarrista, segundo sua esposa: Doors, Roadhouse Blues. Rafael não é nenhum Jim Morrison, mas segura os vocais. Mais uma vez indo de Creedence Clearwater Revival, Bad Moon Rising, que a banda diz ter saído no improviso, muito embora a guitarra estivesse muito bem nos solos, acompanhada da marcação ligeiramente mais sofisticada que a original de bateria com Rafinha.

E na pergunta a platéia (que não respondeu, aliás) E ai, tudo bem?, composição do Barbante Submarino, entrando com bateria e guitarra quase num Reggae, que é desmistificado para o Rock pelo baixo. Bons arranjos de vocal na faixa, entremeando o tal ritmo jamaicano com uma guitarra ousada.

Depois de falar do REI do Rock, Rafael falava agora dos REIS do Rock. Twist and Shout, no que seria “mais um grande improviso”. Pois se foi improviso, valeu a pena, pois desde o primeiro acorde, rendeu gritinhos histéricos da platéia, mostrando a força dos Beatles, na faixa imortalizada também no cinema pelo clássico da Sessão da Tarde, Ferris Bueller’s Day Off, mas conhecido nosso como Curtindo a Vida Adoidado!

“Mais um barbante pra gente não dispensar a chance”, Vou Ficar, com excelentes riffs de Edson abrindo a faixa, que evolui pra uma baladinha com o vocal de Rafael. Em seu solo, traz a mente a guitarra poderosa um Santana. Na sequência, o que seria o encerramento do show, a terceira do CCR, daquelas mais clássicas, Have You Ever Seen The Rain, balada certeira. Com a audiência grande, já conhecedores da banda, pedem mais. Ficaram devendo a tão chamada pelo público, “Vidas Secas”, composição própria dita progressiva. Finalizaram a noite com outra ali pedida ao extremo, tirada do chapéu: dos míticos Sá e Guarabyra, com outro Rodrix, Jesus numa Moto, mais uma vez justificando os vários casacos de couro ostentando brasões de motoclubes na platéia, entoando a plenos pulmões a canção.

Encerrava-se o show. Muito aplaudidos, foram agradáveis, mas queremos ver ainda um show deles com repertório mais Hard Rock, mais inglês, mais progressivo. Queremos também conferir a tal Vidas Secas! Veremo-nos novamente.

Chegando a metade do 4x4, faltavam ainda as outras duas bandas da noite, que deixaremos para a segunda parte da cobertura. Aguardem!



http://www.purevolume.com/dharmanet
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=5807209

Resenha: Overdrive Girls no Armazém Bar - Plano Próximo

No domingo último a equipagem do Programa Bluga esteve mais uma vez no Armazém Bar, em São Carlos, conferindo o intitulado Overdrive Girls, em iniciativa da garota Su. A casa abriu em horário não-usual, começando as 18h, para não trair o serviço de todos na manhã de segunda. Houve boa divulgação nos meios que cabem, mas mesmo assim não se atraiu muitas moscas à sopa. Talvez, infelizmente, pela ausência das bandas que haviam sido convidadas de São Paulo, mas que não fariam falta alguma aos nossos ouvidos e que o PB se recusa nominar. Ficamos então com a Fenícia, de Descalvado, e Kirx e Plano Próximo, ambas de São Carlos.

Noite então dedicada às meninas, que desde a última vez em que checamos, vem avassaladoramente fazendo rock competente por estas e outras paragens. Viva Lydia Lunch.

Irrompendo a noite a banda Kirx e suas duas meninas, Carú (baixo e voz) e (guitarra e voz) – ficando de fora do ‘meninas’ Luciano na bateria – tomando a pronúncia do destilado de cereja alemão Kirsch. Contudo, imaginá-la como doce é de longe um erro, pois como a própria bebida, mergulha-nos num certo amargor. Definitivamente não é o gosto do lado de cá, em seu hardcore melódico. Havendo quem goste, em se tratando do estilo sobressaiam-se no repertório as faixas Glamour Decadente e Ao meu Lado, duas canções que parecem saídas de uma nova safra de material, destoando das outras cinco faixas próprias apresentadas ao lado dos covers de Arctic Monkeys, um bem arranjado The Subways e o arriscado Legião Urbana, com a participação de Júnior na guitarra, e Bê fazendo as vezes no baixo, nos seus quarenta minutos no palco. Para aqueles que procuram outro olhar sobre a banda, o blog parceiro Coluna Escuta Essa gasta algumas palavras.

Como no mudar da água para o vinho, entra-se no Alternative Rock e Nu Metal com a banda Fenícia, trazendo muitos covers sui generis nesta noite ao longo de uma hora show. O Programa Bluga já esteve com a banda Fenícia e sua mulher de frente Ninne (voz) – e do sexo menos interessante TeuzinhoLucas Eduardo (baixo) e Antônio Carlos (bateria) – no CAASO, como pode ser conferido aqui. Mesmo apresentando um setlist semelhante, ainda assim deu gosto vê-los tocar, dada a competência do trabalho, muito embora uma renovação do material fosse muitíssimo bem-vindo! Entretanto, como o rock autoral deve ser mais promulgado, fica a vontade de conhecer mais no ao vivo, do material do álbum já gravado e atestar sua qualidade com o respaldo do público, além das duas composições das quais eles já podem se orgulhar, Não enrola e 14 Palavras, com certeza capazes de lançá-los em águas mais agitadas. Também aqui, comentários da Coluna Escuta Essa a respeito da banda Fenícia. (guitarra),

Fechando, grande pedida nossa da noite, a banda Plano Próximo, com mais duas garotas Carol Tokuyo (voz, sintetizador, escaleta e guitarra) e Rachel (baixo e voz) – e do outro lado, Gustavo Koshikumo (guitarra, sintetizador e voz), Ian (guitarra) e Daniel “D2” Roviriego (bateria).

Dado o bom material produzido em seu álbum de estréia em 2007, Wasabi, se fez necessária uma olhadela maior na banda, já conferida em curta apresentação junto ao 1º Festival Contato. E mais uma vez está lá a banda, no blog da Coluna Escuta Essa do Jornal 1ª Página.

Com o Plano Próximo pronto para desanuviar o clima da noite, inusitadamente a vocalista anuncia a faixa que abriria o show, Vou Capotar, como um grande plágio da abertura do seriado Meu Pequeno Pônei, dos idos da década de 80 no Xou da Xuxa e dos míticos poneizinhos coloridos de crinas plásticas. Realmente traz à reminiscência trechos no vocal de Carol. E juntando ‘a’ mais ‘bê’, redescobrimos outro PP, a banda Pequeno Pônei, extinta(?) banda onde Rachel, baixista do Plano Próximo, fazia as vezes de guitarrista e vocalista. Assim é feita a devida homenagem e começamos a descobrir as mentes criativas de cada faixa deste PP. E claro, comentando a faixa, esta abre numa guitarra muito baixa de Gustavo, que logo se junta à irmã, com Ian, que acabou suprimindo o volume da primeira. Reclamações ainda para o vocal, também perdido ali, só se fazendo sentir no forte brado punk de Carol, gritando o refrão!

Na sequência, trazem Ou não, faixa de letra insurrecta disfarçada de reggaezinho de guitarra morosa, pra ora descambar em mais frets e coral à três, de Carol, Gustavo e Rachel, e ora voltar a marcação característica do estilo.

Pedido o “Aumenta o vocal, Pardella!”, para trazer o primeiro dos competentes covers da noite, Hash Pipe, do Weezer, com seu riffinho grudento, mostrando de onde vem as nuances de powerpop da banda. Emendam com o final de Hash Pipe a faixa própria Nervosa, onde Carol empunha uma estilosa escaleta azul-turquesa, que infelizmente não se faz sentir dado o set do som. Mostrando-se MUITO boa, a faixa trazia guitarras mais pesadas que a gravação de estúdio. Dentro do figurativo Indie, num estilo sem maiores exageros ou virtuosismos, acaba rendendo arranjos bacanudos. Ressalta-se ao ouvido a paradinha em baixo,com Rachel, e chimbau e bumbo, com o cara da camisa-trocadilho do álbum Pet Sounds do The Beach Boys.

Não se desconfiando da fala “Poucas vezes executada ao vivo...”, da vocalista, seria necessário dizer que a próxima, Tem que se Mexer deveria ser tocada mais e mais vezes in live, já que realmente faz o balanço do pessoal, levado pela vocalista se remexendo de fato, subindo e descendo nas botas, esvoaçando o estiloso vestidinho verde-abacate.

Contrabalanceando muito bem seu próprio material, como bem se deve fazer, com músicas de além-mar, traziam a excelente de Your Honor, de Regina Spektor. Para aqueles que viram o segundo filme da (péssima) adaptação de Narnia, a pianista toca e canta por lá, no mesmo pobre paralelo de Enya e LOTR, então não sei se é de fato uma garota tão desconhecida. De qualquer modo, vale a pena conferir o trabalho dela. O vocal de Carol mostrou grande vigor, junto a seus comparsas na voz, mas poderia ter feito a grande diferença na faixa também de vocal feminino e mostrado a que a vocalista veio, não fosse o som.

Falando em contrabalancear a noite, outra própria Wrong, vendida como baladinha "dedicada para todo mundo que já se decepcionou", curta-lentinha para quebrar o clima e preparar os ouvidos para o que viria: Juice Box, de The Strokes, ANIMAL, vindo com baixo, muitos pratos e riffs de Ian na mesma toada. E lá no meio, solinho de Gustavo Koshikumo como Nick Valensi teria feito. Connection, do Elastica, outra banda povoada pelo dito sexo frágil, com Gustavo mais uma vez em bons riffs, e evoluindo uma bateria para entrada do resto. Ficaram faltando só os samples da original. O vocal estava mais uma vez inaudível, prejudicando Carol, que faria às vezes de Justine Frischmann.

Voltando ao Wasabi, Pior que Porrada, com D2 ditando a toada em que viriam junto Gustavo, Ian e Rachel para esta grande faixa. Ouvimos pela primeira vez um aguardado sintetizador, grande diferencial em estúdio, começando a arrebatar também ali no Armazém Bar. A letra bacana é transposta unicamente na voz de Carol, que termina atacando o ar com verbos fortes e cheios de significado.

Noutra baladinha de seu álbum, o Plano Próximo chega a metade de seu show com Não é Você, regada às duas guitarras e baixo melancólico, no exato clima que pede a música. Soam com brilho às palhetadas de Gustavo à entrada de cada estrofe maior, ao mesmo tempo em que Ian vem com outro timbre e tom.

No tomar-uma-água entre passada e futura, Ian brinca, fazendo a entradinha de Starway to Heaven e Paranoid, num clima em que poderia-se chamar o clássico de apenas um dos hits de Rock’n’Roll Racing.

Só queria conhecer o seu cachorro, parafraseando Carol é o momento mais pop do Plano Próximo, com a próxima tocada. De fato, é fácil imaginar ela num Acústico MTV, em sua letra boba, mas nem por isso ela é desmerecedora.

Faixa seguinte, um dos selecionados covers, Are you Gonna Be my Girl?, dos australianos do Jet, pouca das bandas dessa ilha-continente do sul que figuraram por aí. Viva Sebatian Hardie! Destoando do repertório de covers do por assim dizer Indie, caem aqui num Garage Rock de primeira. Tal e qual a original, sai o som de um pandeiro meia-lua empunhado por Carol abrindo a faixa. A faixa está ligeiramente rearranjada e com guitarras mais e mais rápidas que a original. Muito estilo no twist das pernas de Rachel, empolgadíssima com seu baixo. Paradinha orquestrada com a volta de Ian, e muitos, MUITOs pratos de D2. Belo cover!

Entrando num excerto interessante do show, o cenário muda ligeiramente. Na dramaticidade da vocalista Carol, música de "banda desconhecida, que já fez turnê na Europa... Com apenas UM show em São Carlos!" Eis que vinha uma composição da banda El Jessica, que deixa a incógnita da pronúncia de seu nome relacionada à sigla GSK, remetendo a uma insígnia do próprio Gustavo KoShiKumo possivelmente. Parece que o garoto pode nos trazer mais surpresas, com trabalhos neste interessantíssimo gênero e outras coisas mais, como o mix de som e imagem da banda Therenoise, em que brinca junto com D2. Com troca de posição no palco, Carol na guitarra e Gustavo nos vocais: Heyyy! Primeira do particular dance-punk que soaria por uns tempos. Fica a lembrança do vocal distorcido de Gustavo soltando a chamada capiciosa que dá nome a faixa, enquanto a bateria simplória dá a marcação da batida junto ao baixo, caracterizando o delicioso estilo.

Mais um dance-punk da tal El Jessica, Love Like a Pimp (ou seria Dance like a Lover?), com brilhante incursão no sintetizador de Koshikumo que continua lançando garganta, junto a dessa vez muito bem sentida voz de Carol no backing vocal. Desconcertantes maquinadas de D2 no chimbau e bumbo certamente cabem a pista e pedem ritmo de balada. Lembram MUITO !!! (isso mesmo que você está vendo, com nome de pronúncia a revelia). Será que um dia veremos um cover?

Deixando por hora o famigerado dance-punk, entram em um hardcore com uma Police Truck rearranjada, do Dead Kennedys. “Música muito antiga” como lembra Carol, que apesar dos pesares, é extremamente empolgante, e com os ótimos samples no sintetizador e baixo ululante de Rachel.

Mais uma do Wasabi, a faixa de abertura do álbum, Nada Demais, abrindo com a guitarra de Ian, Gustavo martelando dedadas nas teclas, para depois deixar o zunido quase macabro sair do sintetizador. Apesar de outra letra despropositada, o vocal está bacana, com o refrão forte de Carol, junto ao backing de Gustavo e Rachel. Fica faltando o metálico “Me deixa em Paz”, mas o “Ninguém, ninguém" de Rachel já deixa a faixa divertida.

Sem o assustar dos despertadores, segue Doce Vida, contando estorinha cotidiana como manda a praxe do estilo. Destaca-se o baixo de Rachel, enquanto o synth faz toda a sua pirotecnia, fazendo jus à influência do dance-punk dentro do Plano Próximo. Acompanhado de bumbo e surdo, o “solo” de sintetizador só seria melhor se usasse de jogadas de estereofonia. Termina-se a faixa com uma riffada diferente, já que não se tem o ciclo sem fim que sugere a faixa de estúdio.

E incorrendo mais uma vez com um pezinho no dance-punk, Whoo! Alright - Yeah... Uh Huh, cover de The Rapture. Impagável timbre da caneca achada no meio da bateria de D2 , com o baixo de Rachel fazendo a festa todo solto e Carol brincando com o pandeiro mais uma vez. Faltou só um melhor trabalho do backing vocal, pra chegar ao coral da original. Sintetizadores, sem comentários!

Em recado de Carol, "Para todas as meninas aí, TODAS, essa música se chama TPM Song". Não sendo uma faixa das melhores, sobram os sintetizadores chorandinho, que, no erro da repetição, fazem a GRANDE diferença no PP. Cobrindo então todas as faixas de seu álbum, trazem a excelente Até Quebrar a Certa, com Gustavo atacando novamente na guitarra. Mais uma vez as canequinhas dão aquela marcada perdida, de tom misterioso, à faixa, cheia de paradinhas. Muito embora o backing vocal de Gustavo não saia como o esperado, em mais uma estória cantada, Carol ainda desprega refrão forte e no sintetizador, agudíssimo, traz ao final um clima praticamente psicodélico. Prolongam-se os acordes, junto às guitarras, para entrar de novo em marcha lenta, com baixo e bateria, e trazer ao final mais um altíssimo acorde final.

Terminado seu próprio material(que ainda veio com os extras da El Jessica), trazem mais dois covers: The Ting Tings, em mais uma excerto do famigerado com That's Not My Name, onde Gustavo intercala guitarra e sintetizador e apresenta-se um bom coral dos três, e Carol pulando entusiasta do começo ao fim(será que ela gosta?); e ainda fechando com a “que todo mundo conhece, vai gente”, Date With the Night, do bem anunciado Yeah, Yeah, Yeahs, gritado por Carol no mesmo ritmo da música.

Com apresentação muito bacana, o Plano Próximo recolhe-se depois de ter imposto muito respeito, mostrando que nem só de ingleses se faz o Indie Rock. Com autoria de qualidade e músicos extremamente competentes, uma boa pedida pode ser extender o uso do sintetizador, com novos trabalhos em cima do dance-punk. Por sinal, seria ternamente acolhido trazer mais do El Jessica aos shows, que já se sabe ter mais duas outras composições. No cenário underground, as garotas (garotas por primeiro, sim, além do cavalheirismo, porque a noite era delas) e garotos do Plano Próximo fazem trabalho de gente grande, estando a um passo de serem abocanhados por um selo e deixarem a alma da alcunha indie.



http://www.myspace.com/planoproximo

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=41169

http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/planoproximo/

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14162613