Mostrando postagens com marcador Colaboradores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colaboradores. Mostrar todas as postagens

Relatos do Aliba #06: Avantgarde Festival, Schiphorst, Schleswig-Holstein

Durante o Elbjazz, logo após aquele tão magnífico show do Stian, fiz amizade com um ser de Kiel que me falou sobre esse tal festival. Quando ele disse que era seu festival favorito e além disso que a lendária banda kraut-rockiana Faust toca todo ano lá, como eu poderia deixar de ir? O mais interessante descobrir depois que esse pequeno festival, em sua 8ª edição, ocorre na casa de um dos fundadores Faust, o baixista Jean-Hervé Péron. Isso tudo num pequeno vilarejo com não mais que 500 habitantes, basicamente o mesmo número de visitantes no festival! Nada mais ideal para reproduzir o ambiente rural em que a banda foi criada. Por ser um festival de pequeno porte (apesar de se declarar o maior festival de artes experimentais da Europa Ocidental) e contar com um estilo musical diferente, por assim dizer, carregava um clima meio intimista, como se fosse uma imensa família reunida. Na real, não me lembro muito bem da ordem das bandas, mas vamos contar um pouco de cada uma delas.




AVANTGARDE FESTIVAL, SEXTA, 24.06.2011


Derschlaeger (AT/CH/DE) - Projeto paralelo do bateirista do Faust, Werner "Zappi" Diermaier, um dos fundadores e também atual membro da banda, assim como Péron. Como o nome diz, nesse projeto eles tocam o Schlager, que seria algo como o brega alemão, mas de uma forma diferente, junto com Noise, bem estranho. Enquanto a vocalista cantava normalmente as músicas Schlager, o resto da banda ficava produzindo sons, ruídos bem aleatórios, que às vezes chegavam a um ponto bem irritante por questões fisiológicas, mas junto com um brega que também é irritante por outras questões, ficava uma parada genial. Talvez esta seja até uma idéia para uma outra banda, onde a banda inteira toque brega enquanto alguém fica responsável pelo noise, como que "estragando" tudo.

Klaus Kinski (UK) - Banda proveniente do País de Gales, cujos integrantes em várias músicas pareciam somente fazer barulho tocando correndo pelo braço dos instrumentos sem parar. O bateirista usava algo como uma panela no chimbal e sempre tocavam com muita brutalidade. Outra coisa deles que gostaria de entender foi o que o vocalista quis dizer com a afirmação que lançou no meio da discussão sobre o Avantgarde, sobre seu papel, se precisamos dele hoje ou não. Dizia ele que "O artista deve de certa forma ser um pouco fascista." Claro, esse cara, no manuseio das palavras, impressionantemente, consegue ser pior do que eu.



2606º Fahrenheit (FR) - Instalação onde três franceses manuseavam "instrumentos" bizarros, atrás de uma divisória que os isolava do público, através da qual podíamos ver apenas as sombras dos músicos. Além das sombras, também havia um telão com vídeos já gravados sendo transmitidos em alguns momento enquanto em outros o vídeo era da captura ao vivo, de dentro do ambiente onde os músicos estavam. O pouco que conseguia se ver nisso, remetia a um ambiente industrial hostil, com máquinas bizarras e faíscas voando por toda parte. O som seria algo que uma música ambiente-noise-industrial. Se utilizar dessa imagem, segundo eles, remetia a idéia de mostrar que não existe uma separação entre o trabalhador e o artista, todos sendo capazes de criar a arte.



VED (SE) - Tocam uma música instrumental que seria algo meio minimalista, com um certo swing sueco, mas que definitivamente é hipnotizante. A banda começou como um projeto solo de um dos integrantes que diz ter sido inspirado por trilhas sonoras, rock progressivo, música eletrônica primordial e folk. Sabe-se lá como, mas o som passou de uma música ambiente-drone no ínicio para o que eles apresentaram no festival, devido a influências de trilhas sonoras de filmes de terror, surf-rock e fitas cassetes encontradas por aí (que pelo que entendi, são usadas em samples nas músicas).




AVANTGARDE FESTIVAL, SÁBADO, 25.06.2011


Majmoon (DE) - Post-rock, Post-metal, sei lá como classificar, mas normalmente tendia mais pro segundo, um pouco mais pesado. Sempre utilizavam as projeções pra contribuir com o ambiente sonoro que pretendiam criar. Também já fizeram trilhas sonoras pra dois documentários nos idos de 2007.



Passierzettel com Mushroom Brothers (DE) - No ínicio o pessoal do Passierzettel tocou por mais de quinze minutos, sem o vocalista, com os Mushroom Brothers, que eram dois amigos que tocavam berimbau de boca. Enquanto tocaram juntos, os berimbaus predominavam e a música induzia a um certo estado introspectivo de transe. Quando o vocalista entrou finalmente e os MB se foram, houve uma grande mudança: O vocalista usava diversos efeitos que ele controlava através de uma placa que estava sempre com ele presa por uma correia, assim como fazem com guitarras, baixos e afins. A forma como ele cantava e utilizava os efeitos fazia com que nada que fosse cantado pudesse ser entendido, mas parecia que havia algum tipo de mensagem escondida ali, algo que ele estivesse transmitindo inconscientemente. E isso foi assustador, ao pensar que talvez sempre sejamos controlados por algo. Hahaha!


Kakawaka (DE) - Bom, não consigo achar a origem do ser, mas atualmente reside em Berlin e desconfio que seja de algum país do leste europeu. Puro noise, como está em seu site: "i am kakawaka. this is my homepage. i make noise." Simples assim. Ele subiu ao palco, lotado de efeitos, com um traje bizarríssimo e seu instrumento era um garfo que de alguma forma ele conseguiu conectar a um cabo para que passasse por todos seus efeitos, fazendo diversos experimentos com esse garfo. Em outro momento, no dia seguinte, no espaço entre alguns shows ele passeou completamente vendado pela área externa, onde o pessoal se reunia pra comer, beber e conversar, nisso ia trombando nas pessoas e nas coisas e com um cabo que estava conectado a um mini-amplificador que carregava, tentava captar o som daquilo em que trombava.



Faust (DE) - Provavelmente o momento mais esperado do festival, já que todos estavam ali assistindo ao show. Até as crianças que mal viam os shows foram ver e tiveram seu lugar na frente reservado, afinal não atrapalhavam a visão de ninguém e caso não ficassem lá não conseguiriam ver nada. Nesse show eles tocaram muitas das composições do álbum Something Dirty que foi lançado agora em 2011. Executaram composições como Tell The Bitch To Go Home e a homônima ao álbum, Something Dirty. Também houve o momento onde o baixista largou o instrumento e foi lançar lampadas dentro de um tonel de latão, que depois seria atacado com uma serra pelo bateirista. Sem comentar a placa de metal usada como prato no set da bateria. Enquanto rolava a apresentação um pintor ficou no fundo desenhando sobre um painel.






Stadtfisch & Xyramat (DE) - Música ambiente onde Xyramat cuidava da parte dos samples enquanto Stadtfisch ficava produzindo ruídos enquanto tocava guitarra. Tudo ao mesmo tempo em que um vídeo era passado e a música se encaixava como trilha sonora perfeita. No final também contaram com a participação de uma saxofonista louca.



Somnambule (DE) - Banda que como o nome já diz, tem uma conexão com o mundo dos sonhos. Seria algo como uma música ambiente dos sonhos, porém nem sempre os sonhos são felizes, assim o visual que apresentavam mostravam já esse lado mais obscuro. Enquanto um músico revezava entre samples e guitarra, outro entre baixo e um instrumento eletrônico que não sei o nome, a vocalista utilizava correntes e pratos em alguns momentos. Vale a pena dar uma ouvida na hora de durmir, aqui.





AVANTGARDE FESTIVAL, DOMINGO, 26.06.2011


Doubleganger e convidados (IT/NO) - Dois membros da banda Doubleganger convidaram o guitarrista dos também italianos Elton Junk e o bateirista do DimHunGer. Foi bem interessante pois a apresentação inteira foi um grande improviso, não só da banda, como também da platéia, pois sempre a vocalista ia pro meio do público e forçava alguém a começar a cantar ou fazer algum som. Durante toda a apresentação o som parecia ser proveniente das profundezas viscerais do corpo, trazendo uma brutalidade totalmente desconexa com a mente.



Fall Out Trio (HR) - Banda croata que toca algo que seria um metal balcânico. não há muito o que falar, mas a primeira vez que ouvi algo do gênero.


Toys 'R Noise (FR) - Fizeram uma instalação no meio do espaço reservado ao público em um dos palcos. Ali meteram milhões de brinquedos, aparelhos eletrônicos e também instrumentos danificados e incompletos (o baixo por exemplo só possuía 2 cordas). Com isso ficaram fazendo seu noise interruptamente por cerca de uma hora. Muitos não aguentaram a parada toda e foram embora logo. Esse teoricamente foi o final do festival.





AGORA, O VERDADEIRO FINAL.


Depois de todas as bandas ja terem tocado o que restava era ficar ali trocando uma idéia com o pessoal. Nisso acabei me sentando na mesa onde estavam o pessoal do Doubleganger e quem havia tocado com eles, Junto também estavam os noruegueses. Depois de um certo tempo, um dos noruegueses pegou sua garrafa de cerveja e começou a batucar na mesa com a vocalista do Doubleganger cantando bem baixo a frase "Make some noise!". Dentro de pouquíssimos minutos a mesa inteira já tinha entrado no clima e as pessoas contribuiam com o que podiam, garrafas, vozes, palmas, batuques na mesa, o que quer que fosse. Rapidamente todos que ainda estavam por lá também foram se juntando à essa grande improvisação. Até os meios para se criar os improvisos sonoros foram improvisados e ali estavam, mais de 100 pessoas contribuindo com algum som ou ruído, enquanto mais uma centena observava. Nisso ficamos até que o anfitrião do lugar pedir para pararmos, já que o festival tinha um acordo verbal com os vizinhos sobre horário de término do festival. Mas, alguém teve a brilhante idéia de irmos para os geradores de energia eólica, afinal lá não teria nenhum vizinho para reclamar. Nisso umas 40 pessoas acabaram indo para lá e alguns se aventuraram em experimentos sonoros com o próprio cata-vento por um certo tempo. Esse final, que foi algo realmente inacreditável...




Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este é mais um relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa dele e nesse Flickr!


Relato do Aliba #05: Stian Westerhus no Elbjazz


Stian Westerhus, Elbjazz, Hamburgo, 27.05.2011

Guitarrista com um vasto currículo, Stian Westerhus toca em bandas como Jaga Jazzist, Monolithic, Puma, Nils Peter Molvær e outras tantas. Participou também em diversos álbuns de outros nomes, como o último álbum do Ulver, e produziu mais uns vários. Neste show no Elbjazz, dentro de um navio, Stian entrou no palco com sua guitarra semi-acústica, seus milhares de efeitos e um pequeno público, menos de 100 pessoas. 

A partir do momento que começou a tocar, parecia estar em transe: a única coisa que importava era o som. E nisso permaneceria por cerca de uma hora, sem parar, somente com improvisos, indo desde a sonoridade mais sublime até a mais visceral e obscura. 



Em alguns momentos utilizava mais os pés do que as mãos para que conseguisse os efeitos desejados. Stian tem perfeito conhecimento sobre todos eles e como interagem entre si, sempre conseguindo criar aquilo que deseja. Dançava com seus pedais. Também utilizou um arco de violino (e não só pra se aparecer) para fazer com que a guitarra realmente soasse como um violino. Usava até algo como pregadores de metal, bastante maleáveis, presos nas cordas. E gritos no ar. E gritos, soprões, nos captadores, nas cordas. Além de tudo isso, ainda se inspirava em sons alheios para suas composições de momento: Tosses, celulares, pessoas subindo e descendo a escada, tudo lhe servia de instrumento e inspiração. 


Após o término da apresentação, ele deixou o palco com sua guitarra e, a platéia maravilhada com o que acabara de presenciar, aplaudiu incessantemente por mais de cinco minutos. Talvez até dez, não faço a mínima idéia de quanto tempo passou na verdade, já que foi realmente um choque. Depois disso, enquanto ainda restavam algumas palmas, ele voltou ao palco e, quando todos acreditávamos que somente voltara pra  agradecer, fomos novamente supreendidos quando ele pegou o cabo de áudio da guitarra e tirou música dele usando seu arsenal de efeitos. Simplesmente genial! 

Como inclusive diversos comentários a seu respeito dizem, é realmente díficil explicar o que ele faz, não há ninguém que suceda e esteja próximo de algo assim. Já pensei muito a respeito e a conclusão a que chego é que este é o maior gênio da guitarra atualmente, não havendo alguém minimamente próximo de sua técnica. Mais que um Jimi Hendrix do novo milênio, já que as diferenças são muitas, a começar por não estar no mainstream. Mas estas diferenças só colocam Stian em um nível ainda mais alto, se é que podemos falar em níveis.



Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este é mais um relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa!


P.S.: Como sou um péssimo escritor e manuseio muito mal as palavras, acho injusto que quem leia isso se oriente apenas pelo que escrevi aqui. Então também vou deixar vídeo da famosa sessão na BBC e o que escrevem sobre ele por aí, compilado de seu site.


''For the last few years Stian Westerhus has put more and more energy into challenging the electric guitar alone on a stage. Having been blessed with little or no respect for the instrument his performances balance raw expressiveness, virtuosity and melodic instinct utilizing his Norwegian heritage as well as growing up listening to Slayer. 
With a soundscape far beyond the standard guitar he seeks to push the boundaries for improvised music across the muddy waters of genres.''


“The sense of menace is generated with huge energy by the belligerently brilliant Norwegian guitarist Westerhus who coaxes a plethora of tortured sounds from his axe, bowed notes elongating into harmonic dismemberment of epic proportions. (...) This is heady, sometimes heavy, otherworldly stuff, fuelled by jazz but never hindered by it. Welcome to the new century of improvised music." 
- JazzWise Magazine, U.K. 


“Pulverizes every notion people may have about every kind of guitar hero. There are guitar sounds here you have never heard before.” 
- Midjo, Trønder-Avisa (N)


“..this is such unbelivably beautiful music, which despite it’s first apparent inaccessibility is incredibly easy to love, and hits me directly in some sort of absurd music-lover’s nerve center. Unconventional music in the highest degree, but at the same time so much more moving than the vast majority. (...) Look forward to the journey to another place!”
- KimVonKlev (N)


“There's little in the canon of solo guitar—with the possible exception of Derek Bailey and Fred Frith—that can prepare or set precedence for Norwegian guitarist Stian Westerhus and Pitch Black Star Spangled, an album that utterly redefines the concept of solo recording.”
“Melody according to Westerhus, however, is unlike any melody you're likely to hear elsewhere.” “...some of the most exciting new music on the instrument”
“Pitch Black Star Spangled is a masterpiece of solo guitar, positioning the boldly unrelenting Westerhus as an artist whose realized promise only suggests far more to come.”
“one of Norway's most important new voices.”
-John Kelman, All About Jazz (US)

Relatos do Aliba #04: Elbjazz, Hamburgo


O Elbjazz é um festival de origem recente - acredito que esta tenha sido a segunda edição - onde a ideia foi utilizar áreas do porto de Hamburgo como palcos, às margens do rio Elba. Nisso são aproveitadas diversos espaços como a área de reparos de navios da Blohm+Voss, onde o trabalho continuava normalmente durante o evento. 



HafenCity, área do porto que foi revitalizada, hoje lar de milionários, também era usada. HafenCity também abriga as mais novas construções da cidade, como a famosa Filarmônica do Elba, cujos custos públicos hoje são mais que o dobro do projeto inicial (de 190,9 para 399,9 Milhões de euros, isso em novembro de 2008, hoje provavelmente já seja muito mais).

Também foram utilizados o Museu do Porto, dois navios e um teatro. Pelo fato do festival ser no porto, tiveram a interessante idéia de utilizar barcos como meio de transporte. Porém não foram tão bem sucedidos, já que não havia tanta disponibilidade dos mesmos, então imensas filas se acumulavam e se perdia um tempo precioso ali. Outro problema é que fui enganado na compra do ingresso quando me falaram que não poderia levar cameras, assim, infelizmente não possuo nenhuma foto do primeiro dia.
  
  


ELBJAZZ, HAMBURGO, PRIMEIRO DIA - 26.05.2011 


Gabby Young & Other Animals (UK) - Show aberto, foi uma prévia para o festival. Ou pelo menos foi o que disseram, já que não fui para o festival esperando isso. Som animado que em alguns momentos até fez os alemães dançarem um pouco (Ah, preconceitos!). O ponto alto do show foi quando inesperadamente os dois violões que foram levados estavam com as cordas estouradas, deixando que o trompetista do grupo ficasse sozinho no palco mandando uns improvisos.

 


ELBJAZZ, HAMBURGO, SEGUNDO DIA - 27.05.2011: O dia da Noruega!

Helge Sunde Ensemble Denada (NO) - Apesar do nome lembrar algo do português, ele foi tirado de uma música de não me lembro quem. Essa era uma big-band norueguesa muito boa, com um contrabaixista excepcional. Infelizmente devido a sobrecarga do sistema de transportes do festival só pude pegar o final da apresentação. Segundo a página dedicada a eles no site do evento eles mandam hardcore jazz, música de câmara, grooves e improvisação livre.

Lars Duppler Rætur (IS) - Ouvi apenas duas músicas já não queria correr o risco de perder alguma parte do próximo show, pois precisaria pegar outro barco pra chegar lá. Uma das músicas lembrou um pouco de seus compatriotas do Sigur Rós enquanto a outra me lembrou algo do álbum The Dragons of Eden do Buckethead com Travis Dickerson, porém elas eram algo muito mais simples e menos intensas do que as músicas a que remetiam.

Stian Westerhus (NO) - Prefiro deixar os comentários pra uma sessão aparte, pois senão isso aqui iria ficar muito extenso! Aguardem o próximo relato!

Sidsel Endresen (NO) - Cantora solo, realmente solo, utilizava somente a voz e nada mais. Mas, a utilizava de formas experimentalmente bizarras que exigiam muito do corpo, tendo que se posicionar de diferentes maneiras pra conseguir o som desejado, forçando algumas partes do corpo pra tirar outros sons e por ai vaí. Às vezes a voz saia com uma sonoridade meio que "molhada", enquanto outras parecia um voz alienígena!

Sessão Norueguesa (NO) - A maior decepção do dia. Fui todo esperançoso ver esta apresentação depois de ver a descrição no site do evento, dizendo que todos os músicos da terra dos fiordes foram convidados para tocarem juntos e sem nada previamente preparado. Nisso esperava ver Stian Westerhus e Mathias Eick do Jaga Jazzist junto com Sidsel Endresen. Mas comecei a desconfiar quando conversando com o Stian ele afirmou que não sabia de nada disso e que só iria tocar novamente no dia seguinte. A tal noite norueguesa acabou sendo três membros da Helge Sunde Ensemble Denada que chegaram com partituras e tudo, tocando o que liam com alguns breves momentos de improvisos. No final eles convidaram qualquer músico que estivesse na platéia pra subir e tocar com eles, mas esses também não fizeram muita coisa, seus improvisos baseavam-se somente em padrões específicos. Ou seja, não eram improvisos. 


ELBJAZZ, HAMBURGO, TERCEIRO DIA - 28.05.2011

Papa Carlos Kamin (UA) - Trombonista solo, que utilizava muito o efeito de looping nas músicas. Além do trompete também fazia algumas coisas no beatbox, que quebrava oportunamente as camadas criadas pelo looping, que traziam uma profundidade bem intensa.

 

Nik Bärtsch Ronin (CH)  - Meio minimalista, meio ritualístico. Frases são repetidas constantemente com leves alterações. Introspectivo e bem detalhista. Como o próprio grupo se define, são um zen-funk. Acho realmente díficil explicar decentemente o que eles fazem, por isso vou apelar novamente a textos já prontos e dessa vez vai um do próprio site dos caras: "Sua música segue uma visão estética sobre diversos aspectos intrumentais. criando o máximo de efeitos com o mínimo de meios." Essas formas não são somente sobrepostas de maneira pós-moderna, mas sim numa amálgama, num novo estilo coerente. Não sei qual a razão desse nome, mas todas suas músicas tem como nome Modul, seguido de um número.


Stian Westerhus & Sidsel Endresen (NO) - Esse foi o real encontro de noruegueses com improviso. E que encontro! Stian, impecável como vocês poderão ler logo menos, e Sidsel, com seus cantos bizarros. Pena que ela não fez nada tão intenso como no dia anterior, mas provavelmente isso se dê ao fato de que o que ela faz exije muito do físico e provavelmente ela não consiga fazer isso por dias seguidos. Mas mesmo assim foi muito, muito, muito bom! Ainda me impressiono como esse país que tem menos da metade do número de habitantes da cidade de São Paulo tenha tanta coisa magnífica.




Balkanoid (DE) - Banda de Hamburgo de música balcânica. Faltou espaço para o público, afinal o show foi dentro de um navio. Foi um dos últimos do festival e as pessoas não queriam ficar ali simplesmente paradas vendo a banda tocar... Afinal música balcânica sempre incita a uma dança. Além da música também rolaram projeções cômicas, que ficavam insistentemente repetindo algumas cenas engraçadas de filmes que desconheço.

 

Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este é mais um relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa

Relatos do Aliba #03: Jazzahead!, Bremen

JAZZAHEAD!, BREMEN - 30.04.2011

Jazzahead! segundo algumas fontes é a maior feira de jazz que ocorre no mundo. Não sei se isso realmente é verdade, porém existiam representantes de inúmeros países por lá: Alemanha, Holanda, Indonésia, Finlândia, Itália, Suécia, Noruega, Portugal, Espanha, Catalunia, Rússia, Grécia, Suiça, Dinamarca, Estônia, Turquia e, claro, também de nossa querida pátria. A proposta ali não era como a de um festival, onde o pessoal vai para simplesmente assistir os shows. A idéia era meio que ter uma amostra do que alguns artistas tinham pra oferecer para que realizadores de eventos entrassem em contato com eles ou com as instituições dos diferentes países para contráta-los para fazer alguns shows. Uma forma dessas diferentes instituições divulgarem esses artistas era através de CDs promocionais que podiam ser pegos nos stands! Por causa voltei pra casa com minha mochila lotada. 


Infelizmente só fiquei sabendo do evento no segundo dia dele e no dia seguinte já tinha um compromisso então pude ir. Um dos shows que perdi foi o do Stian Westerhus (mas ainda pude vê-lo 2 vezes no Elbjazz, falo disso da próxima vez). Como no domingo não havia nenhuma apresentação que me interessei muito, acabei indo só no sábado mesmo.


Trio Braam, de Joode, Vatcher (NL) - Uma das formações clássicas de jazz (contrabaixo, bateria e piano), porém nada entediante como ocorre às vezes com essa formação. Tocavam uma música meio caótica, bem quebrada,  meio que uma interação como uma conversa rápida entre os instrumentos, algo como o Chorume da Alma do jazz, ou seja, mais audível para ouvidos não preparados/acostumados. Normalmente essa composição caótica parecia ser muito bem pensada e trabalhada, mas quando a música atingia seu ápice, o improviso parecia tomar conta (talvez tenha sido só uma impressão e também já fosse tudo pensado e trabalhado) com todos os músicos tocando com muito ímpeto.

Mari Kvien Brunvoll (NO) - Cantora proveniente desse país que apesar de ter menos de 5 milhões de habitantes produz muita coisa de altíssima qualidade no cenário musical. (Talvez porque os músicos de lá fiquem o inverno todo trancados em casa só praticando) Ela é uma das novas descobertas do país, tanto que ainda não possui um álbum e existe pouco material dela disponível na internet (alguns poucos vídeos de curta duração e um vídeo de uma apresentação com mais dois músicos no Festival do Gelo deste ano). Além de utilizar sua voz que é suave e bem agradável, também usa alguns outros efeitos como o looping por exemplo. Também toca alguns outros instrumentos em suas músicas como kalimba e um mini-xilofone, mas os usou em pouquíssimas músicas.


Nicolas Kummert Voices (BE) - Banda boazinha, música legalzinha, mas não senti que traz nenhuma proposta nova. Saxofone, guitarra, contrabaixo, bateria e piano.

Kalle Kalima & K-18 (FI) - Banda com uma proposta bem interessante, que se inspira em obras de diretores para criar as músicas. Segundo eles, K-18 na Finlândia é algo como proibido para menores de 18 anos. Nessa apresentação as músicas eram inspiradas em David Lynch, então bizarrice era o que não podia faltar ali. Contrabaixista chutando seu instrumento para criar certo efeito, Kalle Kalima tocando sua guitarra com chocalho, saxofonista abusando dos efeitos de surdinas, fora isso ainda havia um rapaz tocando acordeon e o saxofonista também tocou xilofone ou algo do tipo. Após o show ainda tive a oportunidade de trocar uma idéia com o Kalima e acabei recebendo o CD que é inspirado em Kubrick de presente.  

Jean-Marie Machado & Danzas (FR) -  Big Band cujo pianista (Jean-Marie) era meio que o maestro da parada. Assim como a banda belga também não trazia nada de novo.

Noite Turca - Outra idéia do evento era que em todas as noites haviam shows que eram ligados de alguma maneira. Ocorreram a Noite do Além-mar, Encontro do Jazz Europeu, Noite Alemã, Club Night e a Noite Turca. Na Noite Turca, o evento trouxe quatro bandas deste país eurasiano. Foi uma idéia bem interessante até pelo fato de existir uma grande quantidade de imigrantes turcos aqui na Alemanha, o que deu pra notar bem quando Erkan Ogur falava em turco e a maior parte da platéia que compreendia aplaudia, enquanto os que não entendiam nada o que ele falava só observavam. Infelizmente não pude ver a última banda e vi pouco da terceira, pois se ficasse para vê-las perderia o último trem de volta pra casa.


Ayse Tütüncü Quartet (TR) - Quarteto que se apresentou como um trio: não sei o que ocorreu que o quarto músico não foi, pois quando consegui entrar no local onde estava tendo a apresentação, pelo menos um quarto do show já tinha ido embora! O trio consistia em piano, bateria e oboé. Nas últimas músicas o bateirista ainda fez com que a platéia ajudasse a criar alguns efeitos nas músicas, ele meio que ensinava alguns sons e associava-os com certos movimentos que ele fazia, assim se tornou um maestro para o público, que adorou essa interação.


Erkan Ogur & Derya Türkan Duo (TR) - Erkan Ogur é um músico bem conhecido na Turquia, já criou trilha sonora para alguns filmes e tudo mais. Nessa apresentação além de tocar violão, com e sem trates, também tocou um instrumento típico de seu país, enquanto isso,  Derya Türkan tocava um instrumento que era algo como um violino turco, mas que possui apenas 3 cordas e que é tocado apoiando-o no colo. A apresentação toda foi uma sessão de improvisos, porém boa parte do tempo era algo meio entediante. 


Korhan Futaci Kara Orkestra (TR) -  Banda com integrantes mais jovens que as outras, a abertura do show foi algo bem explosivo, mas o tempo que fiquei depois isso não acontecia nas músicas. Apesar das músicas parecerem serem algo sofrido oumeloso, tinha um peso que normalmente essas letras ecantorias não possuem, o que tornava a idéia um pouco mais atraente. A banda possui um vocalista/saxofonista, baixista, bateirista, guitarrista e um maluco no Hammond.


Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este é mais um relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa!

Relatos do Aliba #02: Friction Fest, Berlim

Mesmo com um line-up muito bom, havia um público pequeni que no máximo chegava a 500 pessoas, isso chutando alto. Lugar beeeem grande! Acredito eu que ali também era um bunker, que depois a galera foi deixando porque não sabia o que fazer com ele, até que recentemente alguém comprou e decidiu montar algo. Parece que normalmente o que rola lá são festas com música eletrônica. Pra se ter uma noção de grandeza do lugar, no final do segundo dia do festival também estava começando uma festa das que ocorrem mais normalmente por lá, com pelo menos a mesma quantidade de pessoas do festival. E ambos os eventos estavam com o som no talo e um não interferia em nada no outro. Uma pena não poder entrar com sua própria câmera e tirar umas fotos lá dentro...


FRICTION FEST, BERLIM, PRIMEIRO DIA - 21.04.2011

God Is An Astronaut (IE) - Perfeito, exceto pelo fato do guitarrista demorar pra reafinar a guitarra a cada música que era tocada... Com isso poderiam ter tocado mais uma ou duas músicas no tempo que tinham pra se apresentar! Além do que, ele também perdia sempre o exato momento da entrada nas músicas e fazia os outros membros repetirem a abertura infinitamente até ele estar pronto. Mas enfim, mesmo com isso foi algo sublime. Presenciar um show deles foi quase como uma viagem real de astronautas a outro planeta. Conseguem levar o púbico a um estado próximo do nirvana, com suas melodias, para então entrar com um pouco mais de peso para nos trazer de volta a este mundo. Fizeram como de costume umas projeções que foram boas. Com imagens de viagens espaciais, testes nucleares, guerras e essas coisas mais que existem em seus clipes. Porém, já vi melhores em vídeos de outros shows deles, que usavam outros elementos não encontrados nestes clipes. Souberam escolher bem as músicas, tocando apenas duas do último álbum, o que menos gosto, mas que mesmo assim soaram muito bem ao vivo. Foi uma pena eles terem de abrir o festival e não seguirem o horário original que seria com The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble logo em seguida. Algumas músicas que foram tocadas, mas que não necessariamente estão em ordem, são: Age of The Fifth Sun, Suicide by Star, Shadows, Route 666 e Fragile.



Julie Christmas (US) - Subiu ao palco com uma pintura no rosto meio indígena, meio lembrando Marilyn Manson, algo nesse estilo. As duas primeiras músicas não combinavam muito com esse seu visual, usando a voz de forma bem calma, exceto em alguns poucos trechos e por aí vaí. Porém, a partir da 3ª música ela mostrou o porque do visual bizarro: a quantidade e a intensidade dos gritos aumentaram consideravelmente, mostrou-se bem performática, quase se enforcando a todos os instantes com o cabo do microfone. O efeito que a luz causava nos olhos por causa da pintura dava uma aparência meio demoníaca a garota. Já possui um certo currículo, cantou no Spylacopa e tudo mais, também foi bem gente boa em mandar um vinho pra galera, afinal a bebida não era tão barata.


Imaad Wasif (CA) - Nada de mais, apenas um magrelo maluco em cima do palco. Não tenho muito a dizer sobre o rapaz, mesmo. Pelo material dele que estava sendo vendido na lojinha da parada, ele prometia muuuuuuito mais.



The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble (NL) - Putaqueopariu, o imbecil que regulava o som conseguiu cagar forte. O grave do maluco que manipulava os samples de bateria estava tão absurdamente grave que a alma de umas cinco gerações passadas tremiam com aquela merda! Outra coisa ruim foi que por não conseguirem montar o telão e ajeitar os instrumentos rapidamente, desencanaram do telão e mandaram as projeções na parede mesmo, o que não ficou muito bom, pois havia algumas estruturas na frente e tals. Agora, da apresentação, eles conseguem criar uma atmosfera realmente impressionante, muito introspectiva, capaz de fazer entrarmos nas profundezas do consciente, inconsciente e subconsciente. Claro que isso também só foi possível com tamanha intensidade devido a maravilhosa vocalista: Essa sim tinha voz realmente perfeita! Algo tão maravilhoso que chega a lembrar a lenda das sereias, que são capazes de hipnotizar com o seu canto e essas coisas mais. Estou completamente apaixonado pela voz dela. Esses maníacos símeis podiam desencanar de tantos projetos e simplismente ir a caça de alguém assim... Nunca consigo lembrar o nome das músicas, pois sempre ouço o álbum de uma vez e não paro pra ver o nome delas, mas sei que tocaram definitivamente Pearls for Swine.


Uma boa experiência que tive com a música deles - ou do The Mount Fuji Doomjazz Corporation, que são as mesmas pessoas- foi ouvir um álbum enquanto assistia o desfile das escolas de samba, no mudo, na grandiosa Sarjeta. Experimentem isso ano que vem, aposto que vão curtir!

Electric Wizard (EN) - O que tinha ouvido falar dos mesmos é que seriam um Black Sabbath em que os membros realmente seriam satânicos e drogados. Quanto às drogas eu não sei, mas em relação ao satanismo esse comentário parecia estar certo... O baixista era amedrontador, com seu rosto coberto por tatuagens. Mas isso são apenas suposições rídiculas de minha parte, o que é certo é que, embora na real eu não conheça as letras das músicas, eles com certeza são o Black Sabbath do novo milênio, com mais peso, menos velocidade e sem aquele monopólio de pentatônicas. Algo mais no feeling, um pouco stoner.



FRICTION FEST, BERLIM, SEGUNDO DIA - 22.04.2011

Oozing Goo (DE) e Ef (SE) - O imbecil aqui perdeu as duas. A primeira porque achou que o festival começava no mesmo horário nos dois dias e a segunda por pura incompetência de ser um turista burro, sem mapa, que quis ir num ponto não muito turístico (Treptow Crematorium), mas que valeu a pena. Mas não vou começar a falar das minhas experiências de turista, né? Bom, Oozing Goo é uma banda local de Berlim e Ef é algo já mais conhecido, até já ouvi, mas não consigo me lembrar bem como eram...

Khoma (SE) - Banda que quase não conseguiu chegar a tempo pra apresentação! Pesada, porém com um vocal que não combinava muito.Lembrava uma dessas coisas não tão interessante da Inglaterra (The Killers, Franz Ferdinand?), mas, tudo bem. A performance da banda como um todo era muito boa, só não foi melhor porque não conseguiram manter o visual que propunham: utilizaram capuz durante a apresentação,. Mas, afinal haviam acabado de chegar de terras gélidas e os 20 e poucos graus do local eram insuportáveis nessas condições. Nas músicas pesadas eram muito intensos, enquanto nas mais calmas conseguiam transmitir desespero e melancolia impressionantes.

Owen Pallett (CA) - Artista solo (violino, teclado e voz). Vinha na idéia, bem interessante por sinal e que tenho acompanhado a um tempinho, de utilizar instrumentos clássicos com efeitos de looping e afins para criaçao de músicas. Porém o que conhecia era com violoncelos e sem vocal (Julia Kent, que pretendo ver em breve e Zöe Keating). O engraçado é que todos são canadenses! Não tem muito o que falar, é só ouvir. Mas, novamente o vocal estragou a parada: Ouvir essas dois trabalhos, Owen Pallet e Khoma, fez com que eu entedesse melhor a minha preferência pela música instrumental, afinal a palavra não é algo realmente essencial.

Earth (US) - Algo como TKDE, mas com bateria ao invés dos samples, violoncelo no lugar do violino e sem aquela voz divina. As baixista, bateirista e violoncelista eram integrantes novas e o trombonista foi convidado pra apresentação, então só o guitarrista era um membro mais antigo. Criam também uma atmosfera introspectiva, porém bem menos intensa que TKDE (Como aquela voz faz falta!). Ah, a bateria também não era tinha em nenhum momento uma levada um pouco mais diferente, nada quebrado, o que deixa tudo um pouco mais monótono

T.raumschmiere (DE) - Não tive saco pra assistir, a música não era nada de mais, as projeções não eram das melhores e o vocalista queria se aparecer demais.





Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este é mais um relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa!

Relatos do Aliba #01: Hamburgo e Berlim

A LONGA NOITE DOS MUSEUS, HAMBURGO - 16.04.2011

Depois de uma tarde inteira reconhecendo o território hamburguês, inclusive tendo visitado um bunker que hoje acomoda a Escola de Música de Hamburgo, algumas lojas de instrumentos musicais, bar entre outras coisas mais, acabo descubrindo que aconteceria naquela noite a Longa Noite dos Museus (Die Lange Nacht Der Museen), evento que ocorre todo ano por aqui, algo como uma meia-virada cultural dos museus. O mais curioso é que começaria ao mesmo tempo da Virada paulistana caso não houvesse a diferença dos fusos. Triste foi ficar sabendo apenas de última hora, chutando quais museus seriam mais interessantes na pura sorte, mesmo assim deu pra ver algumas coisas bacanas. 


Interessante também era a apresentação de algumas bandas nesses museus durante a noite, nisso deu pra notar a imagem que a cidade tem com o alavanco da carreira dos Beatles, que aqui começaram a fazer sucesso, pois além de um museu dedicado a eles que segundo fontes estava absurdamente cheio, houve também pelo menos uma banda que tocou seus covers em outro museu. Também pude assistir uma banda instrumental local que se diz indie/post-punk que era legalzinha mas nada de mais no Deichtorhalle e também um trio muito bom que mandava, acho eu, uns improvisos, havia um saxofonista, um bateirista e um cara no controlador midi na Galerie der Gegenwart que faz parte da Kunsthalle.


LENTO(IT) e TERMINAL SOUND SYSTEM (AU) NO ROTE FLORA, HAMBURGO - 19.04.2011

Local bem interessante, o Rote Flora é um squat que antigamente era um teatro em Hamburgo e está ocupado desde 1989, onde ocorrem atividades políticas e culturais porém que infelizmente corre o risco de ser fechado e tomado pelas forças da lei - claro que não facilmente - devido a querida especulação imobiliária, como já ocorreu com o Liebig 14 em Berlim e que também está meio perto de ocorrer com o também berlinense Tacheles que voltarei a comentar logo mais. Show bem pequeno com no máximo umas 50 pessoas e o som também não era perfeito, afinal lá acho que tudo deve ser bem no DYI, não devem haver especialistas e afins. Bom, como consta no próprio myspace do Lento: "(...)No final de 2005, Lento começou a estruturar as bases de um humor mais elaborado. Incorporando elementos da música ambiente, doom e hardcore, Lendo criou a perfeita oposição entre riffs pesados e lamacentos e suítes ambientes psicodélicas(...)". Acho que só não nota-se muito o hardcore e os caras são bons, tanto que já dividiram palco com bandas como Pelican e Zu



Na real to meio com priguiça de definir as bandas então vai mais uma do myspace, agora do Terminal Sound System: "O Terminal Sound System é s.klein, metade do equipamento do culto doom-noise HALO (Relapse Records), acompanhado ao vivo pelos compatriotas humanos m.fogarty and g.haztigeorgiou, e a paisagem visual sincronizada de vídeos reapropriados. Descrito por pelo menos um ouvinte inebriado como "Doom Cinemático", o Terminal Sound System constrói trilhas sonoras imaginárias de Meccano cristalino em oito dimesões, criando camadas de riffs doom e batidas quebradas com mal-funcionamento, post-rock apocalíptico com sinistra adoração sub-grave e pós-pós Lynchian cocktail IDM". Algo que lembra um pouco o God Is An Astronaut, porém bem mais pesado do que os irlandeses e curti muito os videos de suas projeções.


POST-PUNK NO TACHELES, BERLIM - 24.04.2011


Tacheles é outro squat, só que dessa vez basicamente só voltada pra questão artística (claro que isso leva a questões políticas também, mas o mais forte é a arte, tanto que lá vão muitos turistas enquanto nos outros não). Este lugar já foi uma loja de departamento, escritório central da SS. Sofreu alguns danos após a segunda guerra e por isso haviam planos de demolição do lugar, o que ocorreu parcialmente, em 1980 uma parte foi demolida e o restante planejava-se ser demolido em 1990, porém alguns meses antes os artistas ocuparam e estão lá. Hoje, não sei muito bem como funciona, mas parece que umas partes já foram vendidas sem o consentimento do grupo de artistas e a prefeitura de Berlim foi e construiu um muro pra impedir a passagem da rua para a área dos fundos onde rolam as esculturas, claro que foi dada uma solução e um novo caminho foi criado, porém a briga tá ai, muita movimentação da galera, abaixos-assinados, doações e claro que a questão do muro pegou meio mal, afinal os berlinenses não tem uma boa lembrança de muros. 

Gostaria de estar errado, mas acredito que apesar de tudo esses locais estão com seus dias contados, mas talvez isso ajude a engradecer o projeto 'Squat the World', ou pelo menos assim espero. Quanto ao show, a banda era bem fraquinha, mas os efeitos visuais eram bons, mas também com uns 10 monitores sendo usados e uns 5 projetores numa sala minúscula...

Já perdi uns dias do Jazzahead! em Brema, fiquei sabendo hoje, mas vou pelo menos amanhã, Julia Kent e Elbjazzfestival em breve.




Otávio Medeiros, o Aliba, se ocupa com festivais pela Europa e nas horas vagas estuda na Alemanha. Este foi o primeiro relato compilado de seu Diário de Viagem. Veja mais fotos das andanças pela Europa lá no Picasa!