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Rádio UFSCar - Uma bela iniciativa faz três anos e põe o Lucas Santtana no palco!

Na segunda última comemorava-se o aniversário de três anos da Rádio UFSCar, emissora educativa projeto da Universidade Federal de São Carlos, no próprio gramado em frente a próprio prédio que divide com a CCS, Coordenadoria de Comunicação Social da Universidade. Para a comemoração, estava armado palco para discotecagens de vários dos programadores da radiodifusora e encerramento com uma apresentação de Lucas Santtana. Costumeiro aqui é comentar ou resenhar os shows, mas apesar do mote, o espaço cabe mesmo é a falar da empreitada mais que nobre que figura na transmissão dos 95,3Mhz. Ouvindo-a praticamente desde sua existência, se não pela transmissão inaugural pelos primeiros dias no ar, já ali se sentia o peso diferencial da proposta que a norteava. Encarando-se mesmo como emissora educativa, tem uma abordagem inovadora deste aspecto. 


Surgia na época em que havia uma concessão de frequência Rádio USP FM em São Carlos, retransmitindo o conteúdo da capital e fazendo parte da programação localmente, que quem sabe pudesse em certos aspectos trabalhar conjuntamente enquanto proposta, mas que infelizmente caiu com seu mecenas e especialmente por falta de iniciativa de uma  universidade retrógrada.

No papel que cabe entre os vários formatos de emissoras, quando se pensa que enquanto emissoras educativas, majoritariamente ligadas à universidades e governos, todas venham a cumprir o papel que a Rádio UFScar desenvolve, isso não é imediatamente verdadeiro. Uma rádio educativa intenta mandatoriamente promulgar conteúdo educativo e, sobremaneira, cultural. Contudo, mesmo neste objetivo pode-se ter amplas interpretações. Ivete Cardoso Roldão vem nos dizer que a "A programação musical não deve ser elitista, mas ao mesmo não deve reproduzir a massificação cultural verificada na maioria dos meios de comunicação que apresenta apenas a produção artística imposta pelas grandes gravadoras. (...) No que se refere ao jornalismo, é essencial que uma rádio educativa se diferencie das emissoras comerciais a partir da democratização das fontes e pautas, ou seja, é preciso incluir os excluídos dos meios de comunicação."

Exatamente aí reside a preocupação, antes de obrigação, da Rádio UFSCar. Levando uma programação semanal focando na produção fora do mainstream, abordando o independente, em especial a brasileira e latino-americana. De samba, reggae e soul, de blues, rock e jazz, de eruda, caipira e eletro,  ao mesmo tempo em que pisa não só na música, mas no teatro e no cinema e no futebol e na produção científica. O cenário de nossa megalópole próxima, onde mudar a sintonia fina do receptor entre uma centena de sinais é apenas mudar de repertório entre sertanejo, pagode, pop e o evangélico, se repete mesmo em São Carlos nas suas nove emissoras comerciais, sete no FM e três no AM. A Rádio UFSCar invariavelmente, ressalta aos ouvidos nesta mesmice, pondo-se lado a lado por vezes com a proposta das rádios livres que operam na cidade, Alternativa (107,3MHz) e Capivara (96,1Mhz).

E aqui, a apresentação de Lucas Santtana refletia muito do intuito da Rádio UFSCar. Um dos artistas mais interessantes do cenário atual da música brasileira, divulgando seu conteúdo online por um portal próprio e incentivando a distribuição pelos meios eletrônicos, ao mesmo em que faz certa crítica ao sistema no seu trabalho. Trabalho este que, dialogando com toda a miríade da sociedade, desponta como diferente aos ouvidos do público, exatamente como é aquele feito pela Rádio UFSCar.

Lucas Santtana (voz, guitarra e cavaco) se apresentaria ao lado de Regis Damasceno (guitarra) e Rian Batista (baixo e cavaco), que já haviamos visto com o Cidadão Instigado ainda este ano em São Carlos e em 2008 com o GuizadoBruno Buarque (bateria e MPC) que bateu por aqui com Anelis Assumpção na Virada Cultural e ainda precisa dar as caras com o Rockers Control, e Dustan Gallas (sintetizadores), além de Sasquat, filho de Buguinha Dub, na técnica, seleção naturalmente bacanuda.

Em outras ocasiões já publicamos aqui no Programa Bluga transmissões feitas ao vivo nos estúdios da Rádio, disponibilizadas como bem encaminham as diretrizes da Rádio UFSCar. Não só é feito nos estúdios da Rádio este tipo de trabalho, que ainda permite aos artistas ter o registro em pistas múltiplas da gravação, mas também retransmitindo eventos na cidade, como os festivais Contato e Rock na Estação.

A abertura para os artistas locais terem esta oportunidade existe e está sendo trabalhada fortemente em uma iniciativa recente, com o Tenho uma Banda. Claro, nem sempre a Rádio UFSCar consegue levar a cabo suas próprias diretrizes. Há que se lembrar, além do trabalho de vários sujeitos envolvidos com visões diferentes sobre o papel da emissora e seus próprios objetivos serem abrangentes, trata-se uma rádio sem fins lucrativos, ligada a uma instituição e por mais vanguardista que seja, como diz-se por aí da Universidade Federal de São Carlos no campo da Cultura e da Extensão Universitárias, esta carece de abertura e mesmo visão para contextualizar-se.

Mas desta vez, saindo dos estúdios para montar a beira de suas portas a estrutura para uma bela apresentação que seria também transmitida para toda a cidade na frequência da Rádio e ao mundo pelo streaming online no portal, abria-se a possibilidade para que a ventura seja repetida ao mesmo tempo em que propiciava uma comemoração digna dos três anos da Rádio, agraciando ao público.

Setlist
1. Cira, Regina Nana; 2. Pela Orla dos Velhos Tempos/Super Violão Mashup; 3. Amor em Jacumã; 4. Ogodo Ano 2000; 5. Deixe o Sol Bater; 6. Nightime in the Backyard; 7. Rua 23; 8. Who Can Say Which Way; 9.Recado pro Pio Lobato; 10. Lycra Limão
Encore
11. Faixa Amarela; 12. Tijolo a tijolo, dinheiro a dinheiro; 12. Positive Vibration.



Fotos: João Tellaroli Terezani/CCS (Rádio UFSCar) e Massa Coletiva (Lucas Santtana e Seleção Natural)



Escrito ao som do streaming da Rádio UFSCar via oggvorbis. Pena que ainda é mono!

Twittadas!

Já faz um tempo que estamos no twitter, desde que a coisa se mostrou interessante o suficiente para ter acesso a informações, a despeito dos outros aspectos de uma rede social que a ferramente contempla.

Nisso, passamos a lançar várias coisas interessantes por lá, desde links de notícias, textos, vídeos e, claro, música, a divulgação de shows por São Carlos e região.

Então, não podemos deixar as informações só por lá e vamos lançar aqui também os links, como o pessoal do Move That Jukebox faz , só que com os links que eles não publicam mas julgam interessantes, e inspirado no que o Fábio Zelesnki começou em seu blog, o Café & Vitrolas e o Bruno Nogueira faz no PopUp! (e estes hyperlinks não estão aí só pra justificar nada, mas pra dar uma espiadela, que são fontes interessantes, interessantes!).

Então, se tudo der certo, inauguramos mais uma "movimentadíssima" sessão aqui no Programa Bluga e lançamos todo sábado as twittadas mais relevantes da semana. Afinal, já era hora de postarmos alguma coisa aqui, não é? Segue lá:

10º Congresso de Estudantes de USP aprova moção de apoio à Rádio Alternativa!

Seguindo com o encadeamento de informações sobre a Rádio Alternativa, com a qual temos grande afinidade, após divulgarmos a carta pública Liberdade de Expressão e Comunicação? Rádio Alternativa no CAASO!, vem notícias boas. Após uma série de moções de apoio à Alternativa FM, Emissora Livre $em Fin$ Lucrativos, saiu uma moção de grande representatividade, no 10º Congresso de Estudantes a Universidade de São Paulo.



Instância máxima deliberativa do diretório de estudantes da USP, o DCE Livre da USP Alexandre Vannucchi Leme, o 10º Congresso aprovou por unanimidade a moção de repúdio como segue abaixo, publicando-a em seu caderno de resoluções.


"MOÇÃO DE APOIO À RÁDIO LIVRE DO CAMPUS DE SÃO CARLOS

O 10º Congresso de Estudantes da USP, fórum máximo do DCE e do Movimento Estudantil da USP, se posiciona a favor da liberdade de rádio‐difusão e contrário à repressão às Rádios Livres, se solidarizando à Rádio Alternativa, emissora livre dos estudantes de São Carlos, e exigindo que a Coordenadoria do Campus cesse com suas práticas repressoras e criminalizantes em relação à Rádio Alternativa."


Com mais de cento e cinquenta delegados representando cursos e unidades dos diversos campi da USP, o Congresso ainda tirou como acúmulos dos debates sobre a pauta de Cultura e Comunicação indicações bastante favoráveis à comunicação livre e em específico às Rádios Livres:


"Comunicação

25. Criar um núcleo permanente de comunicação e produção editorial do movimento estudantil, com objetivo de pautar as mídias (grande e alternativa) e levar para fora dos muros as nossas demandas. Usar esse núcleo também para projetos experimentais em comunicação. A infraestrutura do núcleo deverá ser instalada em algum espaço dentro da sede do DCE.
26. Defesa das iniciativas de comunicação livre, como rádios livres, zines, e em especial àqueles ligados aos estudantes.
27.Defesa da participação social na definição de políticas públicas para a comunicação e para a cultura."


Estes pontos tocam não só as Rádios Livres, mas todas as formas de manifestação livre, que passam a ter amparo nas entidades de representação estudantil da USP, o que é bastante representativo não só dentro das universidades como fora das universidades.

Quem quiser conferir o Caderno de Resoluções do 10º Congresso, eis o link para download AQUI.

Pede-se a ampla divulgação da moção, considerando ainda que a Rádio Alternativa está em processo de reativação em meio a uma série de ataques e ameaças. 



P,S.: E não custa lembrar que na mesma ocasião houve apresentação das bandas Rinoceronte e Eddie,  pela festa de abertura do Congresso, como divulgamos aqui! E, fotos aqui!

Liberdade de Expressão e Comunicação? Rádio Alternativa no CAASO!



LIBERDADE DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO?
RÁDIO ALTERNATIVA NO CAASO!


"O rádio seria o mais fabuloso meio de comunicação imaginável na vida pública, um fantástico sistema de canalização. Isto é, seria se não somente fosse capaz de emitir, como também de receber; portanto, se conseguisse não apenas se fazer escutar pelo ouvinte, mas também pôr‐se em comunicação com ele. A radiodifusão deveria, conseqüentemente, afastar‐se dos que a abastecem e constituir os radioouvintes em abastecedores."
Bertold Brecht, Teoria do Rádio, 1932.


“Rádio Alternativa FM 107,3 MHz ‐ Emissora Livre $em Fin$ Lucrativo$”. No Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (CAASO), na USP de São Carlos, sempre houve e ainda há estes dizeres impregnados seja com tinta nas paredes de seu espaço seja na memória daqueles que por ali passa(ra)m. Com atividades datando em mais de vinte anos, a Alternativa já passou por vários momentos de altos e baixos, e entrou o ano de 2009 em processo para a reativação plena de suas atividades. Justamente durante esse processo, sofreu novos e duros ataques (tanto de quem já se esperava quanto de quem menos esperávamos), sobre os quais gostaríamos de falar aqui.

Mas antes disto, qual vem a ser a idéia da Rádio Alternativa, de um grupo de rádio no CAASO? Nada mais do que fazer, por nossos próprios meios, aquilo que nos é negado pelos grandes meios de comunicação. Ou, em outras palavras, compor um coletivo que abrace a proposta de democratização dos meios de comunicação através da radiodifusão – com autonomia e isenta de ditames mercadológicos – procurando levar as pessoas da condição de ouvintes à de agentes ativos, construindo idéias conjuntamente, buscando a cultura e o conhecimento. Trata‐se de uma Rádio Livre. De abrangência mundial, o Movimento de Rádios Livres propicia meios para a comunicação popular e a disseminação cultural, alheio aos modelos convencionais, sejam os legalizados de caráter comercial, sejam os clandestinos. Vale lembrar que Rádio Livre não é crime; é, sim, criminalizada por setores do Estado a partir de pressões dos meios comerciais de massa.

No que toca o CAASO, a Rádio Alternativa figura como uma iniciativa das mais abrangentes e importantes. O coletivo possui Estatuto e Código de Ética, que definem o papel da rádio, seus objetivos e as regras internas que os membros devem seguir. Eles foram aprovados em Assembléia. A Alternativa cumpre um papel fundamental de aproximar pessoas, tanto estudantes do Campus quanto moradores da cidade e estudantes das outras universidades, contribuindo na prática para a tão falada integração da universidade com a sociedade, e com o próprio papel cultural definido no Estatuto do CAASO.

No recente processo de reativação, o Coletivo da Rádio Alternativa sofreu, como dissemos, alguns duros golpes. Teve sua antena e sua torre de transmissão furtadas por ordem da Coordenadoria do Campus da USP (algo que de maneira alguma cabe a ela e que foi feito à margem de qualquer formalidade exigida para todos os seus atos) e, semana passada, parte de seus equipamentos, incluindo seu transmissor, confiscada pela Gestão Amarela do CAASO (equipamentos que já foram resgatados pela Rádio). Além disso, três estudantes foram aleatória e covardemente denunciados à USP como sendo supostos membros da Rádio. E tudo isso mesmo sem estarmos transmitindo.

Mas o que mais choca é a agressão moral e ética sofrida, ao ver‐se criminalizada não por setores que historicamente combatem e criminalizam as Rádios Livres, mas pela própria gestão que atualmente ocupa a diretoria do CAASO. A Rádio Alternativa buscou o diálogo com a gestão Amarela por repetidas vezes, em reuniões do CAASO, por meio de cartas públicas e mesmo em Assembléia Geral dos Estudantes, e sempre recebeu o silêncio ou evasivas como resposta. Ela veio agora, de maneira excusa, cercada de ações agressoras à Rádio, mostrando ignorância em relação à legislação e ao debate do direito à comunicação, além de desprovimento de postura ética e abertura ao diálogo.

Por tudo isso, vimos aqui dialogar com os estudantes e cobrar, publicamente, direito de resposta à carta difundida pela diretoria do CAASO em seu Informe eletrônico. Também convidamos todos os estudantes para um debate sobre a democratização da comunicação e as rádios livres.


DEBATE ABERTO SOBRE O DIREITO À COMUNICAÇÃO E O MOVIMENTO DE RÁDIOS LIVRES: TERÇA‐FEIRA, 11/05, ÀS 18H, NO CAASO.



***


Aos que não sabem, a proposta original do Programa Bluga era justamente ser um programa de rádio, idealizado para transmissão na Rádio Alternativa, uma Rádio Livre e sem fins lucrativos que operava na frequência de 107,3MHz no Campus da USP de São Carlos. Infelizmente, a época de 2007, por questões técnicas, que advinham de questões financeiras e mesmo organizacionais, o Coletivo da Rádio Alternativa cessou por tempo indeterminado suas ações e o Programa Bluga nunca foi ao ar formalmente.

Mudamos os planos, simplesmente porque precisava-se participar ativamente das movimentações em torno da música, mas o intento original permanecia na mente, tanto que mesmo figurando apenas um blog, se tem ainda, obviamente, atrelada ao nome "Bluga" a palavra "Programa".

Recentemente houve uma organização para a reabertura da Rádio Alternativa. Contudo, esta reestruturação passa por uma série de revezes, como twittamos ao longo da semana passada, envolvendo uma postura desprovida de conhecimento sobre a causa por parte tanto da Coordenadoria do Campus quanto pela diretoria da entidade de representação estudantil do Campus, o Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (CAASO), levando a atos extremamente radicais, como se vê na carta pública divulgada hoje pelo Coletivo da Rádio Alternativa.

Outras rádios livres já manifestaram apoio, como a Rádio Capivara, também de São Carlos, ligada ao DCE-UFSCar, e a Rádio Muda, em Campinas, ligada a UNICAMP, assim como o rizoma Rádio Livre. Também o Massa Coletiva, ponto de cultura de São Carlos noticiou alguns dos acontecimentos e manifestou-se em apoio a reabertura da rádio e em repúdio a ação da gestão Amarela da diretoria do CAASO e à Coordenadoria do Campus e São Carlos (CCSC).

Vamos entrar em contato com o Coletivo da Rádio Alternativa e conseguir mais informações sobre tudo. Acontecerá, nas dependências do CAASO, nesta terça-feira, 11/05, um debate com a presença da Rádio Capivara, Massa Coletiva e ex-membros da Rádio Alternativa sobre o livre direito a comunicação e o Movimento de Rádios Livres.

E, claro, fica declarado nosso profundo desgosto e repúdio a estas ações contra o Coletivo da Rádio Alternativa, e mais, contra a democratização dos meios de comunicação. Daremos todo apoio possível para a reabertura da Rádio Alternativa!