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FUSCA 2011

São Carlos realiza novamente seu FUSCA, o Festival Universitário São Carlos Alternativo, nesta semana, de 15 à 17 de Setembro. A edição desde ano terá novamente três dias de música, passando por diversos ritmos, valorizando desde os nomes de São Carlos até atrações do Chile.


Contrapondo as festas que acompanham a disputa pela TUSCA (Taça Universitária de São Carlos), o FUSCA já é mais esperado por alguns que a própria programação oficial. Com divulgação forte pelos meios eletrônicos, com evento no Facebook com mais de 1.500 presenças confirmadas e subindo, o festival deixa os cartazes em preto e branco das edições anteriores para ganhar cores.

Mas não só ganha cores como passa a ter outras mãos trabalhando por ele. Tracionalmente organizado pelas entidades de representação estudantil das duas universidades da cidade, neste ano toma parte no festival apenas o CAASO (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira), já que o DCE UFSCar está desarticulado. Contudo, o FUSCA se estabelece como um dos grandes festivais da cidade passando também a ter apoio do Aparelho Coletivo, ponto de linguagem do Fora do Eixo em São Carlos

E também recebe atrações pelo Contato, festival multimídia colaborativo, com a chilena Anita Tijoux. Com a nova escolha de datas do festival, Novembro, e a rapper confirmada desde Março para a data, era natural incorporá-la ao FUSCA.

Enquanto a TUSCA é organizada pelas associações atléticas da USP de São Carlos e da UFSCar com programação paga e focada no público universitário, o FUSCA tem suas noites gratuitas e abertas a toda população. E parece que será grande!


5º FUSCA

DIA SANCA VIBE
Data: Quinta, 15 de Setembro
Horário: 21h
Local: CAASO, USP São Carlos
Criatua
Malditas Ovelhas!
Drag Me To Hell
Gagged
Hipnos

DIA BLACK
Data: Sexta-Feira, 16 de Setembro
Horário: 21h
Local: DCE-UFSCar
Ganja Groove
Sub Loco
DJ Caixa Preta
Anita Tijoux


DIA DO SAMBA AO ROCK
Data: Sábado, 17 de Setembro
Horário: 18h
Local: CAASO, USP São Carlos
Contos de Réis
Dj Serra Leoa
Quizumba 
Discotecagem Scratch Monkeys
Bexigão de Pedra 
Namorada Belga


Realização:
CAASO
Festival Contato
Aparelho Coletivo
Fora do Eixo
Rádio Capivara

Apoio:
Grupo de Som do CAASO
Rádio UFSCar
CAPe - UFSCar

Quizumba Ao Vivo na Macacada

Este é o último bootleg gravado no Festival Macacada no Campus 2 da USP São Carlos. Composto apenas da canção brasileira, de Samba, MPB e tropicalismos, as gravações são um trabalho bastante diferenciado da banda são-carlense Quizumba

No festival, o Quizumba destoava das demais apresentações da noite, embasadas na música independente e autoral. Contudo, sua presença ali se justificava justamente para entender melhor que significa fazer hoje boas versões na música brasileira.

Afinal, muito se fala no meio da música do trabalho autoral, fruto das próprias bandas que o apresentam. Com esta bandeira, separa-se esta nova música daquela de tributos e covers, que comercializaria mais facilmente nomes desconhecidos com hits de grandes ícones. Contudo, poucos prestam atenção a própria canção brasileira, com intérpretes e arranjadores, que retrabalham e criam versões de outros autores desde sempre. Mais uma vez se repetiria a história, sob certa ótica brilhantemente, na música proposta pela banda Quizumba.

Quando surgia em 2008 juntos aos cartazes de festas universitárias por São Carlos, pouco se podia esperar do nome Quizumba. Contudo, vê-los se apresentando permitiria outras perspectivas. Lançando mão de vertentes bem atuais da música brasileira, criavam versões carregadas de um estilo muito próprio e único, dando nova personificação a trabalhos já consagrados com nomes como Chico Buarque, Elis Regina e Clara Nunes. 

Não era de estranhar que a base do grupo já tivesse passado por outros grupos que figuraram na história recente da noite na cidade, com Pablo Mendonza às guitarras e Fábio Salvatti na bateria, vindos de nomes como Zero16 e Lado C. Este bootleg, um das últimas apresentações do guitarrista com o Quizumba, marca a forte personalidade que denota o grupo, junto da voz de Marina Casonato, a Tika.

Hoje, o grupo continua seus trabalhos com novos membros, Marcos Carreri nas guitarras e Muca Matheus na bateria, que se aliam aos remanescentes Tika e Guilherme Ambrósio, baixista da banda. Formam um grupo com raízes fortes no curso de Música junto à UFSCar, Universidade Federal de São Carlos, e já acumulam importantes apresentações por toda região, continuando a gratificante releitura da música brasileira.






Quizumba - 2011 - Ao Vivo na Macacada

Setlist
01. Bola de Meia, Bola de Gude; 02. Ladeira da Preguiça; 03. Conta Outra; 04. Domingo no Parque; 05. Samba do Grande Amor; 06. E o Mundo Não se Acabou; 07. Lavadeira do Rio; 08. Anjo de Fogo; 09. Prece Cósmica; 10. Curto de Véu e Grinalda; 11. A Volta do Malandro; 12. Naquela Mesa; 13. Cara Valente; 14. Para Ver as Meninas; 15. Águas de Março; 16 Tive, Sim; 17. Pedro Pedreiro; 18. Dinheiro (Participação Especial-J.Gheto, do Zero16); 19. Santana; 20. Panis et Circenses; 21. Amor; 22. A Deusa dos Orixás; 23. Partido Alto; 24. Sem Compromisso; 25. Camisa Listrada; 26. Ave Maria no Morro; 27. Bandeira Branca;

Festival Macacada realizado no dia 26 de Fevereiro de 2010, no Campus 2 da USP-São Carlos, promovido pelo MACACO (Movimento Artístico e Cultural do CAASO - Centro Acadêmico Armando de Sales Oliveira). 

Capturado direto da mesa de som em dois canais pelo Programa Bluga (http://programabluga.blogspot.com/) e lançado como bootleg virtualmente no dia 14 de Fevereiro de 2011.

Agradecimentos ao Julinho, responsável pela sonorização da noite, que possibilitou a captura do áudio e também à banda Quizumba (http://www.myspace.com/quizumba) que cedeu as gravações para este bootleg. 

Cobertura: Festival Macacada no Campus 2



E para começar 2010 com o pé direito, temos enfim a primeira atividade cultural da USP São Carlos, situada no (ainda) tão subaproveitado Campus 2! Trata-se da Macacada, festival promovido pelo MACACO, juntamente com a SAAero (Secretaria Acadêmica de Engenharia Aeronáutica) e a SAPA (Secretaria Acadêmica Pró-Ambiental), para integrar as atividades da Semana de Recepção dos Calouros, inclusive figurando na Calourada Unificada com apoio do DCE Livre da USP Alexandre Vannucchi Leme, oferecendo aí algo um pouco diferente dos polêmicos eventos tradicionais.

Contudo, não só trazer o MACACO desde o primeiro momento do ano letivo da USP São Carlos era a intenção da Macacada. Um aspecto deste festival que deve ser salientado são as justificativas a escolha do local de sua realização, o Campus 2. Há várias ideias envoltas nesta proposta. Em uma primeira análise, faz-se justamente com que os estudantes conheçam melhor a área para onde ocorre a desenfreada expansão de vagas da USP de São Carlos, com os cursos novos ali instalados, como as Engenharias Aeronáutica, Ambiental e de Computação, além da Física Computacional e da novíssima Engenharia de Materiais. Apesar de já ter lá seus cinco anos de uso corrente, afora estes estudantes com aulas regularmente, os demais cursos desconhecem as condições dali, assim como a própria população da cidade, que apesar de conhecer seu nome, sequer sabe onde fica. Assim, fazer o uso do espaço por uma ação deste porte é também fazer seus problemas serem conhecidos de todos.

Outro aspecto interessante desta escolha está na tentativa de aproximação da população dos bairros próximos, buscando a integração entre estudantes e comunidade. Afinal, trata-se de um espaço público, embora a USP tente fechar suas portas ao mundo exterior a todo custo. Com atividades realizadas durante a tarde daquele 05 de Março à porta do Campus, fazia-se um convite à população. Infelizmente, o choque ainda é grande demais e houve pouca participação. Novas tentativas são necessárias, com contato mais direto e parceria conjunta com a comunidade.

Enfim, num espaço privilegiado destes, com gramado aconchegante e sem vizinhos por perto, há possibilidades infinitas para todo tipo de atividade. Não usá-lo seria, definitivamente, um pecado.

Agora, vamos falar de música?

Abrindo a noite, tivemos a já conhecida e da casa Aeromoças e Tenistas Russas. Aos que não conhecem, confesso que visualmente não são tão atraentes quanto o nome sugere, mas acabam compensando com a boa música. Não me arrisco a classificá-los em qualquer estilo, já que cada música carrega elementos distintos, passando pelo jazz, samba, pop rock e mesmo o eletrônico. Para pessoas como eu, que não conferiam um show dos caras há bastante tempo, agradáveis surpresas, como as músicass Insomne e Kirilenko, recém saídas do forno. Ecleticidade é sempre bom, mas com tanta variação de estilos, às vezes instrumental, às vezes cantado, a impressão que me passa é que estão passando por uma fase de transição, limando o estilo e se encontrando. Bom, esperamos que agora que estão caindo às graças do público, com produção renovada com camisas, discos e videoclipes (como esse aqui), não deixem de continuar tocando por aqui. Quando conquistarem fama internacional e uma legião de fãs no Japão, aí sim dá-se uma colher de chá. E vai lá o vídeo da música nova, Kirilenko, gravado direto na Macacada:


Depois de alguns minutinhos da sempre boa discotecagem do Independência ou Marte, sobe ao palco Jennifer Lo-Fi, vinda diretamente da metrópole. Como os caras nunca tocaram em São Carlos e nunca foram comentados aqui pelo no blog, vai lá uma introdução: Jennifer Lo-Fi é composta por Sabine Holler, Filipe "Miu", Caio Freitas, Luccas Villela e Gustavo Santos. Cortes de cabelo extravagantes, camisas listradas, dancinhas esquisitas: nota 10 no quesito indie.

Ao começo do show da J-LoFi, houve alguns problemas técnicos com o vocal, mas afora isso, a banda surpreende bastante. Também, com um bom vocal feminino e toneladas de efeitos aliados a bom gosto e criatividade não poderiam dar em coisa ruim. E no bom gosto, ficam claras as influências de bandas como The Mars Volta e Sonic Youth. Sempre tive muita vontade de ver esses caras ao vivo e, realmente, foi um belo show, apesar de me parecer que estavam se sentindo pouco à vontade no palco, sem entrar numa dinâmica boa com o público.

Mais um tempinho para curtir o vento gelado que aramava naquele dia em que quase choveu e partimos para um instrumental dos bons, vindo lá de Recife: A Banda de Joseph Tourton. Quem foi Joseph Tourton eu não sei exatamente, mas a banda que começou tocando numa rua que levava seu nome consiste dos nomes Diogo Guedes, na guitarra e efeitos, Gabriel Izidoro, na outra guitarra, escaleta, flauta e mil efeitos, Rafael Gadelha no baixo, e Pedro Bandeira, na bateria. À primeira ouvida, as primeiras relações que me vêm à mente são outras instrumentais, feito Hurtmold e mesmo Malditas Ovelhas!, esta já bem conhecida por cá. Claro, Joseph Tourton traz um inconfundível toque pernambucano a mais. Os caras também fazem bom uso de instrumentos menos convencionais como a flauta transversal e a escaleta, além de empregarem muito bem os recursos oferecidos pelos laptops que carregam a tira-colo durante o show. Muito bom saber que o rock experimental vem adquirindo representantes de peso no cenário alternativo brasileiro.

Bom, sobre o QISP, Quinto Impacto de São Paulo, acho que não tenho muitos comentários a fazer, já que o mundo do Hip-Hop é algo completamente desconhecido para mim. Limito-me a dizer que a aceitação do público foi muito boa, e acredito inclusive que muitas pessoas presentes estavam lá exclusivamente para ver o QISP. Vale comentar que, apesar de já conhecermos na mesma vibe os sancarlenses do Zero16, o QISP faz seu rap usando não só de discotecagem, mas com baixo, guitarra e bateria rolando no palco, o que é um atrativo a mais, além de três sujeitos no repente. Acho interessante e, obviamente, muito bom, o fato de que um festival com bandas de estilos tão variados tenha dado tão certo.

E para aumentar ainda mais a variedade de estilos, a noite se encerra com o bom MPB do Quizumba para acabar bem sancarlense, do jeito que começou. Ao contrário do que achei que aconteceria, com o último show já as duas e tantas da madrugada e apesar do frio, foi justamente o mais cheio, ao menos na concentração de público imediatamente a frente do palco. Há um público cativo da banda, que espera ansiosamente para vê-la. Encerrar com música brasileira realmente é uma boa pedida, naquele vocal gostoso e o instrumental bacana já conhecidos de outras paragens.

E assim a Macacada invade o Campus 2! Bom, esperemos que continuem por lá. Árvore é que não vai faltar.

E tem mais fotos aqui! E podem aguardar mais surpresinhas!!!

Ah sim, tem os setlists:


Aeromoças e Tenistas Russas
01. Saguis; 02. Bang Bang; 03. Insomne; 04. Mirela; 05. Instrumental 1456; 06. Solarística; 07. Kirilenko; 08. Sex Sugestion; 09. Samba!; 10. Jacques Villeneuve Experience; 11. Smonkey Skulls;

Jennifer Lo-Fi
01. Escafandro; 02. Instrumental; 03. Catarse; 04. Ataraxia; 05. Delírio Coletivo; 06. Coletivo Segundo; 07. Michael Caine; 08. Pedacabo;


A Banda de Joseph Tourton
01. 16 Minutos; 02. Lembra o quê?; 03. Salomão; 04. Provolone; 05. 100 m; 06. Aquaplanagem; 07. #03;

QISP
01. RG Manifesto; 02. Retrato Brasileiro; 03. Viagem com Consciência; 04. Medley Tim Maia (Azul da Cor do Mar/ Se Me Lembro Faz Doer); 05. Ataque Popular; 06. Nove Anos Atrás; 07. Olhar Acima de Nós; 08. Racionais MC´s (Fórmula Mágica da Paz); 09. Periferia da Paz;

Quizumba
01. Bola de Meia, Bola de Gude; 02. Ladeira da Preguiça; 03. Conta Outra; 04. Domingo no Parque; 05. Samba do Grande Amor; 06. E o Mundo Não se Acabou; 07. Lavadeira do Rio; 08. Anjo de Fogo; 09. Prece Cósmica; 10. Curto de Véu e Grinalda; 11. A Volta do Malandro; 12. Naquela Mesa; 13. Cara Valente; 14. Para Ver as Meninas; 15. Águas de Março; 16 Tive, Sim; 17. Pedro Pedreiro; 18. Dinheiro (Participação Especial-J.Gheto, do Zero16); 19. Santana; 20. Panis et Circenses; 21. Amor; 22. A Deusa dos Orixás; 23. Partido Alto; 24. Sem Compromisso; 25. Camisa Listrada; 26. Ave Maria no Morro; 27. Bandeira Branca;


Fotos por: Catita Alves (Aeromoças e Tenistas Russas), João A. Cassaro Júnior (Palco) e Vincent de Almeida (Jennifer LoFi, A Banda de Joseph Tourton, QISP e Quizumba).

Agenda: Festival Macacada no Campus 2 da USP São Carlos



Já abrindo as portas do ano, nosso conhecido MACACO faz atividades à Semana de Recepção dos Calouros da USP de São Carlos.

Agregando cada vez mais peso a idéia de Movimento que permeia seu nome, suas ações tornam-se cada vez mais abrangentes, ampliando seus espaços de atuação ao promover ações no Campus 2 da USP São Carlos, lugar interessantíssimo a se explorar para grandes festivais e outras coisas mais, ainda em desuso e desconhecidíssimo da população de São Carlos.

Numa excelente proposta, além de uma série de oficinas, incluindo aí novas investidas de revitalizar a Rádio Livre Alternativa FM, fazem uma festival com bons nomes da cidade e de fora: Aeromoças e Tenistas Russas e Quizumba, dois conhecidos já de longa data nossos, um vindo de uma participação lá no Macondo Circus e atravessando uma maratona de apresentações no Grito Rock, conquistando São Paulo, outr com algumas novidades, incluindo aí um baterista novo que não podemos deixar de conferir; E a banda Jennifer Lo-Fi e o grupo QISP (Quinto Impacto São Paulo), a primeira uma queridinha nossa, com guitarra enlouquecedoras e vocalista de voz potente, o outro um grupo e Hip-Hop de letras bastante politizadas, rolando som com baixo, bateria e guitarra, lembrando o que era a proposta do nosso Zero16 de tempos atrás.

Basicamente, imperdível. Ainda mais quando estamos envolvidos na parada, não é? E nisso, vamos tentar trazer pra cá um bootleg de cada apresentação, aguardem!




FESTIVAL MACACADA NO CAMPUS 2 DA USP SÃO CARLOS

Data: 26 de Fevereiro, sexta-feira, às 19h
Local: Em frente a Engenharia Ambiental, Campus 2 da USP São Carlos (Ao final da A. João Dagnone, bairro Santa Angelina)

Aeromoças e Tenistas Russas (Sao Carlos/Progressive Pop)
Jennifer Lo-Fi (São Paulo/ Rock Experimental)
QISP (São Paulo/ Hip-Hop)
Quizumba (São Carlos/ MPB)

*Ira rolar também uma apresentação não programada: A Banda de Joseph Tourton virá dar o ar da graça também!

Resenha: Quizumba no Palquinho da Federal

Quizumba! Verdadeiro tesouro do cenário musical são-carlense,não poderíamos deixar de prestigiar mais um show deles, desta vez no Palquinho da Federal, no dia 11 de março. Depois de uma apresentação interrompida na Semana do Bixo, no Palquinho do CAASO, e outra na Praça do Mercado no Dia Lilás, no Mês da Mulher promovido pela Prefeitura Municipal, do qual eu peguei apenas a última música, finalmente pude checar a banda mais uma vez, agora na UFSCar.

Primeiro, uma introdução: a banda Quizumba é composta por Marina Casonato, ou Tika, no vocal, Gui Ambrósio no baixo, Pablo Mendoza na guitarra e Fábio Salvatti nas baquetas. O repertório da banda traz essencialmente música brasileira, de estilos variados, mas todas de extremo bom gosto, misturando clássicos como Chico Buarque, Elis Regina, Milton Nascimento e Secos e Molhados com artistas mais atuais, representantes da "Nova MPB", como Maria Rita, Céu, Marisa Monte, Los Hermanos e Vanessa da Mata. Aqui, um muito obrigado pela valorização dos músicos atuais, mostrando que ainda existe boa música brasileira, infelizmente não mais tão reconhecida como antigamente. Uma das desvantagens do excesso de informação é que muita coisa boa fica no anonimato, debaixo de tanta porcaria. Esperemos que o "P" da sigla volte com força algum dia.

Já que estamos nesse assunto, bem que a banda poderia incorporar mais alguns nomes ao repertório, hein? Meninas como as do DonaZica, Andréia Dias e Iara Rennó. É uma pena ver gente boa assim ser tão desconhecida. Seria um prazer imenso para o pessoal do Programa Bluga vê-los no Quizumba! E, claro, ao vivo também.

Agora, ao show propriamente dito. Infelizmente e mais uma vez, por razões diversas (leia-se "nos perdemos!"), chegamos ao palquinho um tanto quanto atrasados, o que me impossibilita de comentar o início da noite em maiores detalhes. Ao invés disso, me limitarei a dar uma visão geral e uma impressão minha, particular, do evento.

Lá pela meia-noite, o show começa (ao menos para nós) em grande estilo, com Parabolicamará de Gilberto Gil, seguido de Prece Cósmica, de Secos e Molhados, esta que parecia ser bem conhecida do público presente. De cara, destaca-se a linda voz de Tika, e o instrumental bem dosado da banda, transpondo para os instrumentos do rock sambas e afins. Depois de uma pequena pausa, aparentemente por conta de uma corda estourada, a continuação com Além do Que se Vê, original do Los Hermanos (e não Loser Manos, como alguns por aqui insistem em chamar). Mesmo sendo fã dos caras, admito que achei tanto o arranjo quanto o vocal do Quizumba mais atraentes do que o original, um fato que parece se repetir com bastante freqüência (vide Deixa o Verão com Mariana Aydar, Casa Pré-Fabricada com Maria Rita, entre outras mais).

Durante todo o show, vê-se um público bastante animado e familiar com o repertório, o que me surpreendeu muito. O pessoal cantava e dançava junto da maioria das faixas, com destaque para Cara Valente de Marcelo Camelo, famosa na voz de Maria Rita, e A Rita de Chico Buarque. Bom saber que a boa música ainda tem grande audiência, caçando bem os lugares apropriados para ouvi-la. Pablo Mendoza abusa dos pedais em várias partes do show, como em Camisa Listrada da Carmem Miranda, e rouba a cena (coisa bem difícil ali, visto que temos o excelente vocal da Tika na linha de frente) em determinados momentos, como em Mistério do Planeta dos Novos Baianos.

Completam ainda o setlist adaptações muito bem elaboradas de músicas de Céu, Vanessa da Mata, Elis Regina, Marisa Monte e Chico Buarque, este último que, sem querer desmerecer o restante, consideramos o ponto alto do show. A Volta Do Malandro foi onde Tika mostra do que realmente é capaz no vocal fazendo da música algo memorável. Impossível não lembrar da versão da mesma canção que vimos e comentamos com Mônica Salmaso, cantando ao lado do Pau Brasil, mas não vou cometer a injustiça de comparar as duas.

Iniciando-se o fim, a banda continua com Deixa o Verão dos Hermanos, mais uma vez com uma versão mais interessante do que a original. Sinceramente, me passou um pouco batido, já que ainda estava um pouco aturdido com a Volta do Malandro. Depois de Muito Pouco, de Maria Rita, a banda nos presenteia com as duas primeiras músicas próprias da noite em que estreiavamos os ouvidos também: O Cobrador; e a próxima, cujo nome infelizmente desconheço, mostrando que não só de versões e releituras vive Quizumba. Seria deveras interessante ver essas e eventuais outras faixas da banda gravadas em estúdio! Tenho certeza que o resultado seria muito, muito bom. O grupo se despede com Velha Roupa Colorida de Elis Regina, deixando o público pedindo mais. É uma pena que não tenham voltado noutro bis, mas, afinal, tudo que é bom um dia acaba.

Para contentar os ânimos, eis que o próximo show do Quizumba já está marcado, para o dia 19 de Abril, às 15h no SESC de São Carlos, como bem visto na nossa agenda, por sinal. Mais fotos para lembrar do show também na conta do Picasa do Programa Bluga!

Fotos: Vincent de Almeida

Ensaio: Palquinho na Semana do Bixo do CAASO

Esta seria mais uma simples cobertura de bandas, não fossem as intrigas envolvendo o caso e os fatos que transcorreriam. Logo, enquanto espaço público vamos levar algumas questões à atenção de todos. Não que precisássemos nos justificar nesse sentido, afinal, somos completamente independentes. Mas não se preocupe, o espetáculo aconteceu e foi grande... uma batalha de proporções épicas!

Depois de algumas tentativas frustradas de fazer algo diferente dentro do espaço da USP de São Carlos na Semana do Bixo, finalmente uma diretoria do CAASO propôs inovação, para a tarde de terça-feira desta XI Semana de Recepção de Calouros, Semana "Ângelo Morato Strini", um Festival de Bandas e outras atividades culturais.

Nos anos anteriores o que se via neste mesmo espaço às terças-feiras era o fenômeno conhecido como "Apelidação", seguido do "Miss Bixete". A Apelidação consiste da turba de bixos tintados e/ou enlameados levados por seus veteranos para uma concentração com todos os cursos, logo após receberem seus apelidos, que os seguirão pelo resto da vida universitária e quem sabe profissional. Reunida a bixarada, rolam brincadeiras sacanas com eles, no que seria uma competição entre os bixos de cada curso, promovida pelos grupos da AtlétiCAASO (obviamente a atlética do CAASO), GAP (Grupo de Apoio a Putaria) e agregados. Já o Miss Bixete, na seqüência, nada mais é do que eleger a bixete mais... portentosa. Nunca sem antes apresentar uma profissional ali a fazer um top-less, o então chamado "Peitão", e algo mais.

A questão do CAASO em ir contra a Apelidação é encará-la como um evento de caráter opressor, exaltando a diferenciação entre bixos e veteranos, não promovendo a integração desejada entre estas classes. Isso seria justificado ainda pela ausência de alguns dos cursos do Campus, contrariados com a proposta. Logo, encaremos inicialmente esta postura do CAASO como tentativa de promover maior integração ao atender a todos, sem distinção. Afora o machismo do Miss Bixete.

A bem da verdade, o CAASO não tem como proibir a realização da Apelidação ou Miss Bixete. O que a gestão atual – a Abrearoda – fez, foi posicionar-se contra e não ceder o espaço do Centro Acadêmico para tanto.

Outro aspecto dessa história envolve o Grupo de Som do CAASO, que promoveu diversos eventos naquele espaço, como o SancaStock e o FeBICA. O Grupo de Som a princípio faria o Festival de Bandas em alinhamento com a diretoria do CAASO. Contudo, como seus integrantes tinham em mente que haveria uma Apelidação quer-queira-quer-não, eles afirmavam que caso houvesse uma comoção generalizada eles usariam seu equipamento para tanto. Chegaram mesmo a propor manter os dois eventos em paralelo, um dentro do espaço do CAASO e outro no palquinho externo, controlando o volume do som. A despeito disso, a diretoria do CAASO contratou som terceirizado, do Julinho, sempre presente em outros tantos shows na cidade, garantindo a realização de seu Festival e mantendo-se firme na decisão de não ceder seu espaço.

Assim, ao começo da tarde do dia 15 último estava montado no palquinho externo do CAASO a estrutura que comportaria o Festival de Bandas. Mas ao mesmo tempo, uma concentração descomunal de pessoas aglomerava-se na Praça Central da USP, onde Atlética, GAP e agregados organizavam a Apelidação deste ano, com piscina de lama e tudo o mais. E lá estava também o Grupo de Som, despreterizado pela diretoria do CAASO, mas necessário a grande massa de alunos deste mesmo CAASO.

Enquanto surgiam delegações dos bixos de cada curso pastoreados pelos veteranos, no estacionamento do CAASO surgia o que seria a primeira apresentação do Festival: o grupo Yanagi Taiko. Para quem não conhece, o taiko nada mais é que o a percussão japonesa, com rudimentos característicos da marcha marcial. Usando de tambores de diferentes formas e tamanhos, com as chamadas bachi, as baquetas, subindo aos ares em performance que lembra um balé, foi um som um tanto quanto inusitado para o momento, deixando um clima estranho no ar. Haveria uma mescla deste taiko e de um grupo de Maracatu, como já havia acontecido em apresentações dentro do próprio Teatro Municipal, mas infelizmente o Maracatu não compareceu. O Yanagi Taiko é um grupo da Associação Nipônica de São Carlos, que tem seus ensaios feitos dentro do CAASO, logo nada mais justo do que apresentarem-se ali.

Nesse mesmo momento, se montava o equipamento do grupo de samba Entre Amigos, que faria uma apresentação para uma platéia minguadíssima, já que todo o público se concentrava na Apelidação, naquela situação esquisitíssima. Não acompanhamos de perto a apresentação, mas ao longe parecia um som dos mais razoáveis, em se tratando do sambão.

Agora, um dos aspectos mais estranhos era uma das justificativas da diretoria, em que a Apelidação não contemplava uma série de cursos, seja da Engenharia, como a Ambiental seja dos Institutos, como a Computação. Derrubando essa teoria por terra, estavam lá na Apelidação tanto Ambiental como Computação.

Interessante mesmo seria a apresentação do que viria na seqüência, com o Quizumba. Rolando altos sons de nossa MPB mais recente, transpostos para a língua rock em baixo, guitarra e bateria. Quizumba é a menina Marina "Tika" Casonato na voz, que também canta no excelente conjunto vocálico Dó Bemol (que cairia bem no MACACO próximo), mais Guilherme Ambrózio no baixo, de outras tantas bandas, indo do Tarja Preta a Fanfarra do Maestro Invisível (viva ainda estaria esta?), mais Rodrigo "Digão" Lancelotti, de Rocha Sólida a O Fantástico Mundo de Jimi, cobrindo a ausência de Pablo Mendoza, além de Fábio Salvatti na bateria. Vamos dedicar mais além uma resenha propriamente dita a um show deles, afinal o som merece, então aqui vamos nos ater a alguns dos fatos, apesar de já termos conferido a graça deles no palco.

A essa altura, às 15h40 de sol forte, aglomerou-se ali um número bem maior de pessoas, suas cinqüenta cabeças, já que o Quizumba é conhecido do CAASO de outras festas e o som, com perigo de repertir-me, é cativante. Contudo, mal rolou a passagem de som e três outras faixas para que todo aquele mundo que estava na praça central invadisse o espaço do CAASO, chamados pela GAPeria, bateria amarelo-e-preta caasística. Aqueles bixos troteados do começo agora se sentavam ao pé do palquinho e ouviam a bateria. Esse ato, antes de qualquer coisa é um tremendo desrespeito para com o público que ali assistia e, sobretudo para com os músicos. Caberia ali ao menos esperar que eles terminassem a faixa do Lenine que ia findando, senão esperar que eles fizessem sua apresentação até o fim. Sem ter o que fazer, os músicos esperaram sentados enquanto a bateria entoava hinos do CAASO. Aliás, bateria pavorosa, com os surdos terrivelmente descompassados. A platéia que queria ver o Quizumba se mostrava indignada, sem mesmo cantar o próprio hino do centro acadêmico, como que em protesto ou ainda vergonha dele.

Em um segundo momento esta atitude mostra-se um tanto quanto válida enquanto expressão de força. Contrapor as cerca de mil pessoas que usaram nos últimos anos o espaço do CAASO para a Apelidação contra 50, que fossem 100 pessoas, é mostrar exatamente quem são as pessoas que compõe o CAASO e o que elas querem. Claro que o posicionamento da diretoria foi aquele que compete a todo centro acadêmico, indo contra toda ação minimamente opressora e hierárquica, mas esta decisão não poderia ter sido tomada levianamente. Muito embora eles tenham levado o caso ao chamado CSA, Conselho de Secretarias Acadêmicas, levantemos a questão da real representatividade das secretarias acadêmicas, enquanto voz de todo um curso. Usualmente os integrantes destas secretarias são pessoas mais politizadas, que de modo algum podem opinar ou confirmar participação para com uma transgressão das "tradições" do Campus. Decisão no mínimo precipitada da diretoria.



Idos os quinze minutos de afronta, toda essa turba migrou para dentro do CAASO, deixando continuar o som ali no palquinho externo. Claro, a coisa continuava estranha, com um barulho incômodo vazando lá dentro e grande aglomeração as portas do CAASO, transbordando de gente. Tantas eram as pessoas ali que alguns preferiram acertadamente ficar pra fora e assistir a banda continuar. Sem perder a ginga, Quizumba deitou mais oito músicas em vinte minutos, até onde deu, pois dali então começava o Miss Bixete e era insustentável continuar ali fora.

Este palquinho ainda teria mais uma banda, que começaria a tocar findo o bochicho todo. Este momento foi importante, já que sobraram ali suas duzentas, talvez trezentas pessoas que no final das contas aproveitaram o show. Às 17h30 começava a apresentação dos nossos conhecidos de já bom tempo, Aeromoças e Tenistas Russas. Seis meses depois de nossa primeira resenha deles, apareciam nesse fim-de-tarde algumas novas composições que chamaram a atenção, como Jacques Villeneuve Experience e outra, ainda não nominada e sequer finalizada, mas que já assombra. Mesmo seu material conhecido mudou ligeiramente, com novos arranjos, ora mais pesados, ora mais bem marcados. Prometemos tão logo quanto possível em condições de melhor temperatura e pressão uma resenha caprichada desse pessoal, que se mostra cada vez mais prolífico.

Entramos muito no mérito das partes aqui, mas na verdade gostaríamos apenas de apresentar os fatos na verdade e mostrar o trabalho dos músicos, talvez defendê-los. Quanto ao embate entre Atlética e a Apelidação versus a Diretoria do CAASO e o Palquinho, honremos a atitude da diretoria, já que certamente há espaço para atividades de cunho mais cultural dentro do Campus. Entretanto, ir imediatamente de encontro a uma força selvagem não é nem de longe esperto. Teria sido muito mais nobre, por exemplo, realizar este mesmo palquinho em outro horário. Obviamente muitos dos que estavam na Apelidação, seja por curiosidade, seja por pressão social, iriam comparecer e este spread cultural seria maior. Por outro lado, apesar do dar-as-caras-do-verdadeiro-estudante-do-CAASO, ali havia espaço para todos. Às três da tarde, todos iam feliz, palquinho ali embaixo, Apelidação lá em cima, pela primeira vez sem o sol rachando na cabeça... Mas enfim, aconteceu. Veremos que se sucederá nas próximas eleições para a diretoria do CAASO. (In)Felizmente, o povo tem Alzheimer.



Nota do Editor: Deveriamos é ter comentado a apresentação do Rocha Sólida na quarta. Ou mais cabível ainda, a homenagem a Ângelo "Bozo"Morato Strini com o Blues The Ville. Ângelo faleceu depois de sair sob circunstâncias muito suspeitas da casa noturna ZOE Dining Cub. Diga-se de passagem, ele ouvia muito bom som!