Esta é a primeira das muitas tiradas do MACACO (Movimento Artístico e Cultural do CAASO) que estão por bater aqui. Trazemos o programa Ecos de Tupak Amaro #105. Nesta edição, a primeira depois da comemoração de dois anos do Ecos, quem dá as caras é o grupo Cumieira. Ouça direto aqui no player o áudio do programa, ou baixe lá no final do post!
Vindos de Campinas para apresentação em São Carlos justamente na Noite do MACACO no CAASO, ao lado da apresentação de dança Hidrogênio, a banda Nuda e a discotecagem radiofônica dos camaradas do Independência ou Marte, em parceria com a Rádio UFSCar, fizeram nos estúdios da Rádio gravações de composições próprias e interpretações de Tom Jobim e Hermeto Pascoal, divulgando seu trabalho e o próprio show na Noite do MACACO em 14 de Agosto. Também fizeram uma entrevista com Lucas Ferreira, justamente para o Ecos de Tupak Amaro, que foi ao ar no dia 22 de Agosto, rolando os sons gravados anteriormente também.
Na entrevista, os integrantes do grupo falam de sua formação musical, nas suas influências, em como surgiu o Cumieira. Ainda, a cada uma das composições apresentadas, dão pequena introdução a respeito, ajudando a desmistificar seu trabalho. Como já sabiamos, também deixam o recado sobre seu álbum que está para sair, Festa da Cumieira.
Assim, aqui fica o arquivo, registrando as palavras e as belas gravações, a quem quiser! Mais além, trazemos aqui as músicas gravadas e veiculadas no programa, em alta qualidade, com um dos muitos trabalhos do MACACO para continuidade e perpetuação de sua espécie.
Como já havíamos dito antes, a Noite do MACACO era planejada para servir de divulgação à 5ª Semana do MACACO, acontecendo na primeira Sexta-Feira em que tanto as aulas da USP de São carlos quanto da UFSCar teriam voltando, logo, aproveitando o máximo de público possível. Contudo, por conta da Gripe Suína, adiou-se o início das aulas, mas não a Noite do MACACO, já que tudo estava armado. Divulgação toda feita, apesar dos pesares, foi uma noite onde nem de longe faltou público.
O MACACO - Movimento Artístico e Cultural do CAASO - já vinha tomando forma este ano, com a realização de duas noites culturais no primeiro semestre de 2009. A primeira delas se deu no 13 de Maio, suscitando a discussão sobre o Dia da Abolição da Escravatura no Brasil. Na ocasião, aconteceu a exibição do filme No Repique de Tambu: O Batuque de Umbigada, procurando valorizar a tradição dos escravos no interior do estado, e a apresentação de Hip-Hop do Subloco Coletividade. Outra noite, no dia 19 de Maio, houve o Palquinho Caipira no CAASO, com violeiros de São Carlos e Ribeirão e banda Pau-de-Arara, divulgando o Encontro Nacional de Violeiros que aconteceu em Maio em Ribeirão Preto, procurando trazer mais desta Cultura à São Carlos e nossa comunidade universitária. Ainda, houve um insight da Expo Stickers 2009 em São Carlos, em parceria com o Festival Contato.
As duas noites já referidas vinham trabalhando o que viria a ser a temática do MACACO deste ano: a Resistência e Independência Artístico-Culturais. Nesta mesma toada, vinha a noite de lançamento do MACACO, valorizando a produção independente em suas diferentes formas artísticas.
Abria a noite ali no CAASO, muito pontualmente de fato, o espetáculo de dança Hidrogênio, do Núcleo Trilhos da Cooperativa Paulista de Teatro. Como já dito em nossa postagem anunciando esta noite, a idéia do Núcleo Trilhos é criar um espetáculo em cima de uma composição sonora, usando, justamente, como trilha sonora. Aqui quem fazia o acompanhamento das meninas, nossas dançarinas, era Bocato, trombonista conhecido nosso de outras parcerias, como com Arrigo. Contudo, seu álbum de 2008 nos parece um tanto quanto raro e nos foi inédita a audição do mesmo, junto do espetáculo de dança. Mudava-se em muito o espaço habitual dos palquinhos do CAASO, deixando o amarelo-sujo de paredes e janelas e o cinzento do piso para a caixa preta onde aconteceria o espetáculo, dando um impacto visual tremendo aqueles que dali se aproximavam, curiosos pela apresentação sem saber exatamente que esperar.
Lara Dau Vieira, ex-aluna da USP de São Carlos, dirigia e atuava no espetáculo, acompanhada de Daniela Dini, Deborah Furquim e Xica Lisboa dançando, além da presença constante de Ricardo Fornara junto ao palco, que, tomando de um projetor junto ao corpo, evoluía junto das meninas lançando imagens contra telões e nas vestes das próprias meninas, criando um diferente espetáculo visual.
A temática do espetáculo, como era de se esperar, explorava o elemento Hidrogênio. De formas abstratas, a dança pouco revela diretamente e muito deixa a interpretação do espectador. Contudo, durante o debate sobre Arte, Ciência e Meio Ambiente junto do Prof. Dr. Antonio Aprigio Curvelo, do IQSC - Instituto de Química de São Carlos, Lara nos deixava algumas linhas a seguir nesta interpretação, destacando quatro grandes momentos ao longo do espetáculo: Num primeiro excerto, apresenta-se o Hidrogênio justamente enquanto elemento, gás, que disperso no meio, evoluindo em órbitas desconexas; Noutro, apresenta-se o Hidrogênio aprisionado aos corpos, às florestas, relevando a beleza daquelas formas e criando a consciência e senso de preservação ali necessários. Este momento do espetáculo culmina num grito desesperado junto a microfones dispostos num ponto tão alto, mas tão alto, que é impossível ouvir aquele grito, por mais forte que este fosse; Num terceiro momento, Vestes de papel junto ao corpo das dançarinas, que serviam de tela a projetar imagens de florestas e matas, são rasgadas, destroçadas, justamente como acontece àquele ambiente; E, por último, apresenta-se o cúmulo a que se chegou ao Hidrogênio, usado como arma, junto às bombas H, em imagens marcantes lançadas enquanto as dançarinas criam um clima frenético e desesperador.
Vale destacar que a vinda deste espetáculo para o CAASO, em especial para o MACACO, só foi possível pela iniciativa da própria Lara, que fez questão de se apresentar ali, naquele espaço por onde já havia circulado anos antes. E, claro, contando com um edital do ProAC, Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo. Mas, isso não vem ao caso.
Com este espetáculo que buscava o resgate das questões humanas, apresentando o Hidrogênio desde sua congeminação, dando forma a vida, até seu uso como arma de destruição em massa, fazia-se o lançamento temático do MACACO deste ano. Nada melhor para o meio que permeia o Campus da USP de São Carlos, na sua excelência enquanto Campus de Ciências Exatas, fazendo uma interessante ponte entre os dois mundos.
No intervalo, intervenções do Teatro Acaso, grupo de teatro do próprio Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira, CAASO, que ganha força e expressão na cidade, que viria a ser ponto forte e fundamental durante todo o MACACO.
Na sequência, teriamos a música instrumental do Cumieira, de Campinas. Todos músicos do curso do Instituto de Artes da UNICAMP, não era de se esperar muito menos de quem se propunha a executar Hermeto Pascoal. Com Maria Beraldo no clarinete, Fernando Seiji Sagawa no sax alto, e Lívia Nestrovski na voz, fazendo um trabalho de impressionante de naipe junto das palhetas, na linha de frente, acompanhados de Gustavo Santos na guitarra, Henrique Eisenmann no piano, Julio Melo no contrabaixo e Dhieego Andrade na bateria, o Cumieira fazia sua primeira apresentação após saírem de uma maratona dentro de estúdios.
Gravando o que virá a ser seu primeiro álbum cheio, com tiragem de 1.000 cópias conseguida junto ao Fundo de Investimento Cultural de Campinas (FICC), estavam ensaiadíssimos. Naquele mesmo dia, durante a tarde, botaram os pés dentro da Rádio UFSCar, fazendo uma transmissão independente e deixando embasbacados os que ali os assistiam ao vivo e com certeza a todos os ouvintes.
O título que aponta para este álbum vindouro, Festa da Cumieira, que trás também o nome do grupo, faz referência à própria tradição da festa da cumieira, prática feita em comunidades para comemorar o teto, cume, levantado, no mutirão de construção de um casa nova, antes mesmo de se pensar nas paredes da mesma. A Festa da Cumieira, citada em Águas de Março, de Tom Jobim, também entra nas referências ao nome do grupo, lembrando que a música está no repertório do grupo e virá, com arranjos desmistificadores, também no álbum que sai até Novembro.
Renderam também uma entrevista para o Programa Ecos de Tupak Amaro, com Lucas Ferreira, que foi veiculada no dia 22 de Agosto. Logo mais traremos tanto o áudio do Programa Ecos quanto as gravações ao vivo nos estúdios da Rádio, disponibilizando este material aos deuses e aos muitos mundos. Já é possível conferir um pouco de seu trabalho junto do MySpace da banda, mas com certeza a água na boca está pelo lançamento do álbum físico.
Naquela Noite do MACACO faziam a primeira apresentação pós-gravações, no que seria um pré-lançamento em São Carlos. Tocando com grande atraso, pela própria questão da organização do evento, atabalhoada em desmontar toda a estrutura da dança e receber a banda, entrariam após uma breve e insuficiente passagem de som às 00h40. Com uma ambiente lotado, passando as mil pessoas no palco aberto do CAASO, Cumieira bem sabe como conduzir a noite, deixando-se contagiar e tocando pela pura empolgação e prazer de fazê-lo.
No repertório da noite, composições de Hermeto Pascoal, centradas em seu último álbum, Mundo Verde Esperança, com arranjos tirados com muito suor. Renan, Taynara, Celso e Camila, são algumas das faixas deste trabalho, que serviu de base para a linha que o grupo seguiria, tomando emprestado o termo Música Universal, cunhado pelo multiinstrumentista. Vale lembrar que antes de se chamar Cumieira, o grupo tomava do nome banda Hermética, em referência ao mestre.
Além disso, regavam composições próprias, já deixando sua marca, além de Águas de Março e Outra Coisa, de Mário Campos, outro dos muitos professores que cruzaram o caminho do grupo. Tocariam ali algumas inéditas aos shows, compostas especificamente para as gravações. Segue o setlist do show abaixo.
Setlist Cumieira: 01. Renan (aka Poré Poré) (Hermeto Pascoal); 02. Quando todos se encontram (Fernando Seiji Sagawa); 03. Taynara (Hermeto Pascoal) 04. Chorinho em Gotham City (Henrique Eisenmann); 05. Nada é o que parece ser (Gustavo Santos); 06. Outra Coisa (Mário Campos); 07. Caubói (Henrique Eisenmann); 08. Celso (Hermeto Pascoal); 09. Camila (Hermeto Pascoal); 10. Águas de Março (Tom Jobim); BIS 01. Viva o Rio de Janeiro (Hermeto Pascoal);
Esperemos, contudo, que estes camaradas aportem por terras sancarlenses novamente, muito quem sabe dentro de um Música na Cidade, num Florestan Fernandes, espaço que bem merece para a completa apreciação da apresentação.
Já no adiantado da noite, passado o auge da turba, com um público reduzido, mas ainda carregado de energia, subia ao palco já muito depois das duas o pessoal da Nuda.
Vindos de Recife, Pernambuco, a banda atravessava uma pequena turnê pelo estado, acompanhados do pessoal do Massa Coletiva e Independência ou Marte, que fizeram mais uma vez um pequeno lobby para trazê-los acá ao MACACO, no CAASO. Aliás, Independência ou Marte que garantiu a discotecagem radiofônica nos intervalos de banda e ao final da noite, instigando alguns ali a se questionarem a respeito de que raios era aquilo, pouco usual, que tocavam.
Nuda, composta por Arthur Dossa, Henrique Caçapa, Raphiro, Roberto Scalia e Judá, em duas guitarras, baixo, bateria e percussão, apresentavam um Rock Experimental único, que em nada se parece com outro trabalho, com alguma forte influência de nossa MPB e em especial de uma Tropicália, com um pé nos ritmos regionais.
Fizeram um show forte, centrado no seu trabalho autoral, com faixas que estão em seu EP, Menos Cor, Mais Quem, e singles, além de uma série de inéditas, ainda por registrar em estúdio. Confira o setlist abaixo.
Setlist Nuda: 01. A Pedra; 02. Maruimstad; 03. Toque pra calhetas; 04. É de manhã; 05. Pisa; 06. Acorde Universal; 07. Eu e/ou Você, Doutor; 08. Samba de Paleta; 09. Ode aos Ratos; 10. Fato: Mamado Vado; 11. A Maré Nenhuma; BIS 01. Deus, às Estéticas; 02. Mother Nature's Son (Beatles); 03. Colibrilho;
Também fizeram uma gravação na Rádio UFSCar, transmitida ao vivo, junto do programa Independência ou Marte #108. A quem quiser é possível baixar o programa e ouvir a entrevista do pessoal. Mais além, também iremos disponibilizar por aqui este material, claro!
Esta noite provava dois, senão mais, aspectos. Primeiro, é possível sim trazer atividades do dito "cunho cultural", que propiciam uma bela festa, agraciando tanto o público quanto os organizadores, do ponto de vista do retorno financeiro. O Segundo, é que se privilegiou ali a produção autoral, fugindo do universo quase sempre presente de covers que pesa sobre os palcos do CAASO, e, ainda assim, houve público massivo. Houve mesmo espaço para intervenções completamente inesperadas, que ficaram registradas a tinta no coração do CAASO. Façamos mais?
O MACACO, Movimento Artístico e Cultural do CAASO, toma força mais uma vez e culmina em atividades para nosso segundo semestre. No dia 14 de Agosto já vem a Noite do MACACO, trazendo alguns bons nomes para São Carlos, servindo de divulgação para a Semana do MACACO, a acontecer dos dias 22 à 28 de Agosto,
Abrindo às oito da noite com a apresentação de Hidrogênio, espetáculo de Dança Contemporânea do Núcleo Trilhos, da Cooperativa Paulista de Teatro. Usando como trilha sonora o álbum homônimo do trombonista Bocato, este projeto tem um enfoque sobre a questão ambiental, caindo bem ao Campus da USP de São Carlos, com pesquisas na área da Química e da Engenharia Ambiental. Pra ter uma pequeniníssima idéia do que estamos falando, segue o vídeo abaixo:
Na sequência à dança, haverá o debate Diálogos entre Arte, Ciência e Meio Ambiente, entre Lara Dau Vieira, diretora, coreógrafa e dançarina do espetáculo, e o Prof. Dr. Antonio Aprigio Curvelo, do IQSC - Instituto de Química de São Carlos.
Ainda, entremeando os espaços da noite vem a sempre presente discotecagem radiofônica dos camaradas do Independência ou Marte e intervenções do Teatro Acaso, grupo de teatro do CAASO, surgido das experiências em outra edições da Semana do MACACO.
Às onze da noite, teremos a apresentação do Cumieira, grupo de Música Instrumental saído do IA - Instituto de Artes - da UNICAMP. Começaram chamando-se banda Hermética, fazendo interpretações de Hermeto Pascoal, perdendo o nome para outro grupo que tomou da alcunha antes. Da Cumieira faz parte Lívia Nestrovski, que já foi comentada aqui quando da Virada Cultural. O grupo, que já vinha apostando em composições próprias na mesma linha, explorando ritmos populares do país aliados ao jazz e ao erudito contemporâneo. Na Noite do MACACO apresenta um repertório novo, afinado para a gravação de um álbum cheio previsto para sair até o fim do ano. Na passagem por São Carlos, farão uma transmissão ao vivo na Rádio UFSCar na tarde de Sexta-Feira, divulgando a noite, além de um bate-papo no Ecos de Tupak Amaro no Sábado, dia 15, quando o programa da Rádio completa seus dois anos!
Para fechar a noite, já adentrando a madrugada, o MACACO traz a Nuda. Banda de Recife, Pernambuco, em turnê pelo estado de São Paulo, ganha projeção nacional, com incursões por programas como o Radiola, da TV Cultura. Dentro do rock, sua sonoridade explora um pouco da música popular brasileira, além de influências do Jazz e Blues.
E vale destacar a belíssima arte do cartaz de divulgação, finalizado por Maithe Bertolini. A arte original, do quadrinhista Gil Tokio, é uma homenagem a Hermeto, obviamente, e ao quadrinho Macaco Albino, de Leandro Robles.
Noite do MACACO no CAASO
Data: Sexta-Feira, 14 de Agosto de 2009, às 20h Entrada: Grátis Local: CAASO, São Carlos, SP Realização: CAASO Produção: MACACO e Massa Coletiva Arte Original: Gil Tokio Arte do Cartaz:Maithe Bertolini
Já acompanhamos a Virada Cultural a algum tempo, sempre maravilhados com o caráter de gigantesco festival, pela possibilidade de ver gerações de grandes nomes num mesmo dia e local, embora desconfiados da real imersão cultural ali proposta.
Contudo, este ano é a primeira vez em que fazemos a cobertura, apesar de no ano anterior, quando já havia Programa Bluga, termos deixado a cobertura para os anais da mídia convencional e um sem número de blogs.
Em 2008 vimos muitas, mas muitas atrações das mais interessantes rolando, outras perdemos, mas no final não encontramos um material realmente interessante. É quase cômico procurar por blogs relatando algo da Virada e nos depararmos apenas com compilações da programação da Virada, coisa muito bem disponibilizada já no site oficial. Difícil mesmo encontrar alguém que nos trouxesse mais do que vagas impressões pessoais, gostos e desgostos, mas sim que compilasse informações relevantes de maneira concisa, num formato decente e, sobretudo que transmitisse as sensações de assistir a um show, num jornalismo crítico. Isto, sem a pretensão de entender nossa proposta aqui como a perfeita, mas despendemos tempo e esforço para chegar a um resultado mínimo. Enfim, tentamos.
Claro que talvez muitos blogs tenham tido seu alcance diminuído, senão ofendidos, com a proposta da organização de Imprensa da Virada, feita pela Foco Jornalístico Assessoria de Imprensa. Apesar do simples acesso a seção de Imprensa direto no site oficial da Virada, com direito a milhares de fotos das edições anteriores e outras informações, "a concessão de credenciais para as áreas de acesso privilegiado é restrita à imprensa". Esta foi a resposta a nossa solicitação, ignorando quem mais publica conteúdo hoje, os blogs, especialmente material bom sobre assuntos bastante específicos como é com a (boa) música. Não vamos discutir os méritos dessa consideração aqui ou não, deixando isto para gente grande, já que tínhamos quase certeza dessa negativa, só queríamos entender como tudo iria funcionar.
De qualquer maneira, para a Virada Cultural de 2009, pensamos em fazer uma pré-seleção de material todo o material que já conhecíamos e achávamos relevante, procurando ainda pesquisar algo das centenas de nomes que passariam por lá, tarefa perto do impossível. Nisso, apontamos alguns nomes já no nosso post pré-Virada e já deixamos duas resenhas com boa quantidade de informações e setlist completo, comentando Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno, no Theatro Municipal no álbum Clara Crocodilo, e Iara Rennó, no Largo Santa Efigênia, apresentando seu Macunaíma Ópera Tupi.
Agora, além de depositar alguns comentários sobre mais alguns nomes que presenciamos, deixamos impressões mais gerais sobre a Virada, do ponto de vista organizacional. Afora os comentários ali de cima sobre a própria cobertura do evento.
Como uma postagem sobre o Arrigo Barnabé, que pode ser vista AQUI, não foi suficiente, vamos a alguns detalhes mais sobre a experiência no Theatro Municipal de São Paulo. Como no ano passado, quando quisemos ver Snegs pelo Som Nosso de Cada Dia, chegamos com larga antecedência. Contudo, uma hora e meia não foi suficiente senão para nos deixar lugares nos últimos dois andares das galerias do teatro. Possivelmente teria valido a pena ter perdido mais uma hora ali, especialmente antes da Virada dar a largada propriamente dita. Afinal, perder três horas em uma fila, o que equivaleria a perder no mínimo três outras atrações potencialmente boas em meio as centenas, é quase um sacrilégio. Teria de valer muito a pena.
Felizmente, uma das poucas atrações que valeria a pena de novo no Theatro, Egberto Gismonti, era imediatamente após o Arrigo Barnabé, deixando de lado qualquer possibilidade de ver as duas apresentações. Foi difícil escolha entre os dois nomes, mas não tanto, ponderando sobre perder horas na fila antes da brincadeira começar ou quando tudo já estava rolando. E Tom Zé que nos desculpe, adoraríamos vê-lo, mas as horas de fila nas poucas (poucas?!) 24 horas de Virada não dá. E Violeta de Outono, bom, vamos ver em casa, no Teatro Municipal de São Carlos nesta quinta!
Ainda do Municipal, é bem ridículo darem-nos o ingresso às portas do lugar, para cinco metros depois tomarem-no de nossas mãos, rasgando-o ao meio. Se era para ter uma estimativa da locação, que isso fosse feito com um simples contador de mão. Grande desperdício de papel (que seria mínimo perto do visto depois). Afora que em nenhuma das atrações que ja presenciamos dentro do Theatro, seja nesta Virada ou na passada, a lotação de 1300 e tantos lugares foi atingida. O que nos faz pensar que eles guardam alguns lugares, pra não dizer quase uma centena, bem visíveis das galerias, para convidados especiais, organização e imprensa, que acabam não usando destes (afinal, se esse realmente é o caso, o ideal era assistir atrás do palco).
E claro, falamos mal das filas do Theatro, mas de outra maneira não seria possível. Levar uma atração deste porte a qualquer dos palcos da Virada levaria a situações como qualquer das que aconteceram no Palco da Avenida São João. Toda a massa está lá, impossível de assistir com um mínimo de conforto qualquer apresentação, ou mesmo de ver mais que um ponto. E não, telões não salvam. Afora que alguns daqueles shows, em sua maioria, precisam do espaço de um teatro para serem sua percepção plena. Feito Jon Lord acompanhado da Orquestra Sinfônica Municipal. Não que ele mereça todo o bafafá feito em cima dele.
Nisso, nossa escolha recaiu em palcos menores. Isto em público e tamanho, mas obviamente não na importância de sua música. Saídos do Arrigo, dirigimo-nos então para o Largo Santa Efigênia para quem sabe pegar um poquito da apresentação de Anelis Assumpção. E, de fato, chegamos a tempo de conferir duas ou três faixas finais, mais o bis! Anelis Assumpção esta acompanhada de Maurício Pregnolatto no baixo, Bruno Buarque na bateria e Cris Scabello na guitarra, todos os três do Rockers Control que ainda bateria por ali mais tarde, mais a menina Lelena Anhaia na guitarra. Faltou só a Simone Sou que muita gente se perguntou onde estava. Como nem de longe vimos tudo, vamos deixar apenas um vídeo pra vocês conferirem.
Agora, um comentário a parte é a escolha quase inconsciente de nossa primeira parte da programação de sábado. Começando toda linha de raciocínio com Arrigo Barnabé... Pulando para Anelis Assumpção, quem é menina? Filha de Itamar Assumpção. Para quem não sabe, Itamar é um dos arranjadores de Diversões Eletrônicas, faixa maior do álbum Clara Crocodilo, de Arrigo, tendo também performando em apresentações da Banda Sabor de Veneno, inclusive na ocasião do Festival Universitário da Canção, em 1979 pela TV Cultura, com Diversões Eletrônicas. Não obstante, Anelis Assumpção é integrante do grupo DonaZica, com influências mil das mais honoráveis, passando tanto por Itamar Assumpção quanto por Arrigo, onde também encontramos Iara Rennó. Filha de Carlos Rennó - outro dos sujeitos que compuseram com Arrigo, desta vez em seu segundo álbum, Tubarões Voadores, autor de A Europa curvou-se ante o Brasil e Mirante - e de Alzira Espíndola, outra de parcerias com Arrigo e Itamar, irmã de Tetê Espíndola, que nos canta também em Clara Crocodilo. Sem contar os arranjos de Arrigo para Macunaíma Ópera Tupi. Das meninas, trata-se de um berço pouco promissor, que, ao mínimo, propiciou muito do afloramento destes trabalhos. Mas é claro que o mérito é todo delas. Felizes de nós. E viva a Vanguarda Paulista!
Enfim, já entregamos que vimos Iara Rennó. Se você não viu, está mais que na hora de ler, aqui, ó, com resenha completa do show e fotos! E no meio da platéia tanto de Anelis quanto de Iara, tínhamos uma presença ilustre, camuflada entre a multidão. Alguém notou a Zélia Duncan assistindo as meninas? Também, pudera, participações de Zélia com o DonaZica AQUI, a Anelis no DVD da Zélia AQUI.
E ali naquele palco, no intervalo das apresentações, presenciamos uma das muitas atrações de rua da Virada, com a Troupe Djembedon, com Fanta e Fadima Konatê, cantando, batucando e dançando, tudo ao mesmo tempo, ritmadas por Petit Mamady Keita. Absurda a percussão proposta ali, que vale a pena conferir o som AQUI, especialmente se você gosta de tambores, não é? Só fique ressabiado ao saber que esta iniciativa tem um dedinho do Santo Daime.
E continuando no Largo Santa Efigênia, ficamos para ouvir Lívia Nestrovski Antes de qualquer coisa, mesmo de saber que ela é filha de Arthur Nestrovski, conhecemos a garota por um de seus muitos projetos, o Grupo Cumieira, antes chamado de Banda Hermética. Ali, entre interpretações de Hermeto Pascoal e composições próprias na mesma linha, Lívia desponta fazendo vocalizações surpreendentes. Eles já estão com uma demo gravada, do mesmo material disponível no MySpace e acabaram de receber uma verba para gravar CD do Fundo de Investimento Cultural de Campinas (FICC). Outro de seus projetos é o Grupo Casaforte que ainda precisamos conferir ao vivo.
Naquela noite Lívia se apresentava com o parceiro (e também marido) Fred Ferreira na guitarra, trazendo o trabalho do Duo Jamaxim. Contudo, por mais que a voz de Lívia seja de um timbre gostoso e de uma técnica impecável, beirando o impressionante, apenas o acompanhamento da guitarra parecia pouco para empolgar o público, ficando o clima de barzinho. Claro que o fato de o som naquele palco não estar nem um pouco perto do razoável também não ajudava muito. Assim, não foram muitos que assistiram a apresentação, mas aqueles que ficaram entoavam baixinho junto com Lívia as canções ou dançavam de mansinho no embalo da voz da menina. Ser citada em diversos veículos, ou simplesmente entrando na programação da Virada como um dos novos talentos é um grande passo para a carreira de Lívia, que escolheu um belo repertório, com a MPB de todos os cantos, especialmente o mineiro, com as canções: Estrada do Sol, famosa na voz de Nara Leão; Modinha, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; Zelão, de Sérgio Ricardo; Jogral, de Djavan; Clube da Esquina Nº 1, de Milton Nascimento e Lô Borges do grupo e álbum homônimos, Clube da Esquina; Sonho de Marinheiro, de Fausto Nilo; Um Gosto De Sol e Nada Será Como Antes, as duas de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos; A Sede do Peixe, também de Milton Nascimento, agora com Márcio Borges. Ainda, depois de incursionar por outros ritmos latinos com autores que desconhecíamos mas acabamos apreciando e nos perguntando que era aquilo, Lívia caiu num bom Jazz, com The Dry Cleaner From Des Moines, de Charles Mingus e Johnny Mitchell, onde faz de sua voz instrumento e como que duela com a guitarra de Fred.
Finda a apresentação, já era hora de dar uma olhada na movimentação nas ruas do centro velho de São Paulo, passeando por cada palco. Nisso, nos dirigimos para tirar a dúvida sobre que seria a tal Harpa Monumental. Chegando a Praça Ramos, ao lado do Theatro Municipal, lugar da instalação, deparamo-nos com uma peça que realmente valia seu nome, já que suas proporções eram maiores mesmo que muitos monumentos ali, com suas cordas partindo das balaustras do Theatro, até o meio da praça, cobrindo coisa de 30 metros. Era o Mass Ensemble, grupo americano de Los Angeles, cuja proposta é transformar prédios, montanhas, enfim, qualquer coisa, em gigantescos instrumentos musicais. E esta arte dessa vez foi feita com o Theatro Municipal, sendo tocada de maneira inusitada pela beldade, Andrea Brook, ora acompanhada da bateria, ora da guitarra e voz de Shawn Barry, apresentavam um som de "moderna erudição", que parou uma multidão à praça, dependurada até no parapeito do viaduto do chá, tanto à meia noite do Sábado, quanto às três da tarde de Domingo.
Para se ter idéia uma real idéia do que é o Mass Ensemble com o Earth Harp, somente presenciando. Ou assistindo a um vídeo, como este aqui. Muito do mérito ali é justamente o tamanho do instrumento, realmente impactante. Contudo, o estilo modernoso dos dois, Andrea e Shawn, também era marcante, assim como as incursões corporais solo que eles fizeram: A noite, o sujeito brinca como eu nunca antes havia visto no Brasil, com correntes com maças em chamas; e a garota performando posições impossíveis do ioga, enquanto Shawn usava pela primeira vez da gigantesca cítara elétrica ali exposta que também causava dúvida.
Voltando mais uma vez para o reduto seguro do Largo Santa Efigênia, era a hora de Curumin subir ao palco. Ele já tinha dado o ar de sua graça naquela mesma noite, tocando com Iara Rennó. Também já havíamos visto o camarada apresentando faixas de seus dois discos Japan Pop Show e Achados e Perdidos no Festival Contato, em 2008, então sabíamos que o show seria no mínimo divertido.
Claro que a fama do rapaz se fez sentida, especialmente naquele horário, quando todo canto estava intransitável. A frente do palco estava lotadíssima, parecendo mesmo a São João. Ponto para Curumin, que atingiu com seu som não só Natalie Portman, mas também as massas.
Mais uma vez acompanhado do baixo de Lucas Martins e o MPC de Marcelo Effori, Luciano Nakata Albuquerque, o Curumin, na bateria, cavaco elétrico e vocais, trouxe suas composições e mais umas: Mal Star Card; Sambajapa; Compacto; Sambito; Kyoto; Everybody loves the Sunshine; Caixa Preta; Guerreiro; Magrela Fever. Antes de mandar a última, ainda trouxe ao palco novamente para uma palhinha Anelis Assumpção, já que ela ainda estava por ali de bobeira, para depois fechar com um reggaezinho.
E atravessar as 24 horas da Virada é tão difícil quanto ser um náufrago em meio ao oceano: parar de nadar é a morte. E como não sabemos nadar, fomos para casa, os que restaram, descansar algumas horas e aproveitar melhor o Domingo, já a luz do sol do meio-dia.
Ainda esta semana, se sobrar fôlego, sai mais uma postagem, com mais alguns comentários gerais da Virada e quem sabe uma visão do show da Central Scrutinizer Band acompanhada de Ike Willis. Enquanto isto, propaganda nunca é demais, leia o texto nosso sobre o Arrigo e o outro da Iara Rennó na Virada e também veja uma reunião de fotos destas atrações no nosso Picasa. E pra acompanhar tudo mesmo, nos siga no Twitter!
E mais uma vez vamos a Virada Cultural. Afinal, tantos shows de alto gabarito juntos são uma ocasião rara que precisa ser conferida. Muito embora este ano pareça que não será nem de longe melhor que 2008, só teremos uma resposta depois de tudo passado.
Esta impressão é bem latente, ainda mais considerando que começamos o ano passado esquentando com o Terço, tendo vislumbres mágicos com o Terreno Baldio e em êxtase com Som Nosso de Cada Dia. Afora que dos grandes, não sobraram muitos que ou já passaram pela Virada, ou que sempre se tem a oportunidade de ver aqui e acolá.
Desta vez nosso roteiro já começa dispensando Som Nosso. Claro que isso é irretratável, SE você não viu. Mas nós já os vimos. Alguns aqui, mais de uma vez.
E que vamos ver no lugar do Som Nosso? Bom, vamos entregar aqui o nosso roteiro: Começaremos no Teatro Municipal às 18h, com Arrigo Barnabé, imperdível, obrigatoriamente, com seu Clara Crocodilo; Na sequência, em concomitância ao SNCD, IaraRennó, com Macunaíma Ópera Tupi às 20h30, que afinal, precisamos ver, senão acontecerá como ano passado, quando perdemos de ver Fernanda Takai cantando Nara Leão com Onde brilhem os seus Olhos na vã esperança de que teríamos outra oportunidade e acabamos sem tê-la; E , ainda no Largo Santa Efigênia logo depois de Iara, LíviaNestrovski, às 22h30. Quem é essa menina? Pouco interessa. Ouvindo a demo do grupo Cumieira, percebe-se que ela canta horrores. Precisamos ver!
Depois, que fazer? O momento decidirá. É sempre interessante ter opções abertas. Temos Macaco Bong, que alguns aqui já viram ontem, rolando pela Virada no CCPC junto com Fóssil, inclusive com épica sessão de improviso das duas bandas juntas. Temos também Curumin, que pode ser uma boa pedida ao fim de noite.
Fim de noite? Não vamos virar? Pelo bem do domingo e pelo resto de uma semana atribulada, não. Assim, quem sabe aproveitemos mais. Que veremos? Não nos resta muito. Ano passado ainda tínhamos vários lances pra ver no domingo, a começar por Tarancón, a Takai e até Malu Magalhães, que não foi nada demais. Esse ano, tencionamos conferir logo "cedo", 12h00, Nação Zumbi, na Praça da República. Palco "Rock". Estranha e perigosa a seleção ali, depois de CPM22 e antes de Nasi, mas tudo bem. No interím, bandeamos para quem sabe o palco da Santa Efigênia ou na Conselheiro Crispiniano, já que não ouvimos tudo que queriamos de antemão, como deveria ser para tudo conhecer, mas é bem possível que algo nos surpreenda.
E terminamos o dia como? Com IkeWillis e Central ScrutinizerBand, às 17h20 na Praça da República novamente, tentando capturar um pouco do espírito de Zappa.
Esta seleção de shows parece pequena perto do que tentamos ver no ano passado. Mas nisso, acabamos descartando várias opções além do Som Nosso, como EgbertoGismonti, já que é impossível (ainda) estar em dois lugares ao mesmo tempo. Mas, pensando nas questões logísticas da Virada, é fácil entender alguns de seus aspectos organizacionais, mesmo olhando daqui. É quase óbvio colocar diversas atrações maiores, ditas principais, num mesmo horário. Isto evita palcos vazios e, logicamente, superlotação também, afinal as platéias acabam por se dividir entre várias atrações principais. Evita-se também um trágico movimento migratório das massas de palco em palco, a procura das atraçõesFODÁSTICAS. Eis o porque, de, por exemplo, rolar Mutantes e Som Nosso ao mesmo tempo em 2008.
Acabamos deixando de lado muitas das atrações do Teatro Municipal por se perder tempo demais nas filas ali. Iremos ver apenas a primeira do nosso roteiro no Teatro, já que podemos estar lá ANTES das 18h e aí enfrentamos horinhas perdidas, ou não. Também evitamos ao máximo o Palco Principal, já que é impossível ver qualquer coisa com um mínimo de conforto por lá, dada a gigantesca turba. Nisso, perdemos o Jon Lord e afins.
Segue o roteiro do Programa Bluga criado dentro do site da Virada. Aliás, como já dissemos no Twitter, essa iniciativa apesar de louvável, não foi muito bem implementada. O site mudou o visual de repente nesta semana, ficando mais sujo e lento, pouco userfriendly, trazendo esta ferramenta, que não funciona 100%. E nada justifica isto, nem dizendo que é uma iniciativa pública. Isto não implica dizer que precisa ser ruim. Afinal, a Virada tem um nível de excelência grande.
Depois, resta-nos escrever algumas impressões e tentar transparecer aqui um pouco do que vimos. Resta saber se ainda teremos fôlego para tanto.