Anotações do Show: Quarteto Pererê em São Carlos, e com Ivan Vilela de quebra!


Ontem, quinta-feira, acabou que a oportunidade derradeira para ver o Quarteto Pererê aconteceu aqui mesmo em São Carlos, em apresentação no SESC.

Apesar de conhecer a proposta do grupo a um bom tempo, só fui entrar em contato de fato com o material depois de topar com eles novamente a pouco tempo com a coletânea Sons do Brasil, idéia bacaníssima da Cooperativa de Música, que trás um CD com diversas faixas em MP3 dos artistas de seu catálogo, um DVD com vídeos e um encarte bacaníssimo carregado de informações, que servem muito bem a divulgação da melhor maneira possível: conhecendo.

Cabem aqui parenteses pra falar da Cooperativa, que abarca nomes que já passaram por aqui, como Axial, e trocentos nomes de trabalhos admiráveis, como A Barca, Manu Maltez e Grupo Cardume e, não menos importante Projeto B, por quem tenho grande apreço e irei ver ao vivo pela primeira vez na Virada Cultural Paulista em Piracicaba neste sábado. Claro, eles virão para o SESC São Carlos em Junho, no dia 17, pelo mesmo trabalho que trouxe o Quarteto Pererê, a Série Instrumental Sem Palavras. Mas isso é só uma desculpa para os vermos não uma, mas DUAS vezes.

Voltando ao Quarteto Pererê. Se apresentavam pela primeira vez no SESC São Carlos, com seu trabalho que se confunde entre o erudito e o popular. Convidavam e homenageavam Ivan Vilela, pesquisador de cultura e música populares, violeiro e professor da ECA, Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Ivan Vilela também esteve recentemente em São Carlos, participando do I Seminário de Políticas Culturais realizado pela CEC, Coordenadoria  de Eventos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de São Carlos.



Munidos também de uma viola caipira, um violão de sete corda, um violino e um leque de gaitas cromáticas, conseguiam com esta variedade de instrumentos passear por diferentes trabalhos e época, indo de Villa-Lobos à Guinga. Abriram a apresentação com  Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos, trazendo no repertório ainda Senhorinha (Guinga), As Montanhas (Madredeus) e mesmo uma composição anônima do século XII, Istampita Palamento, entre vários arranjos de seu primeiro álbum Ebulição e o segundo e último trabalho, Balaio, cuja canção título serviu de entrada para Ivan Vilela, declamando o poema de Gildes Bezerra

Depois de apresentar-se homenageando e sendo homenageados com Ivan Vilela, deixaram-no só ao palco, para que então se apresentasse solo na viola caipira com alguns de seus trabalhos, que compõe seu último álbum, Dez Cordas, de 2007, com um arranjo magnífico para Carreirando, homenagem a Tião Carreiro de Pereira da Viola e um trabalho que saltava aos ouvidos, com Eleanor Rigby, de Lennon e McCartney, ou João e Paulo, como o mestre chamava.


Voltaram para apresentar também um arranjo do último álbum de seu convidado, Pescador, composição original de Xisto Bahia, para findar a apresentação. Obviamente não tardaram para trazer um bis, com Corta Jaca, de Chiquinha Gonzaga.

O Quarteto Pererê trata-se de uma jóia rara. Com mais de oito anos de estrada, merece muito maior projeção, dada acuidade do trabalho feito e justamente por isto não se podia deixar de comentar a apresentação aqui no Programa Bluga, por mais rápidas que sejam as anotações do show. Meninos, ouçam!

3 comentários:

Pererê disse...

Ao querido Vanderlei, agradecemos a São Carlos a oportunidade de promover este encontro mais do que especial para o Quarteto Pererê e a sua sensibilidade em escrever um texto tão bonito em relação a este concerto. Isto só faz engrandecer o nosso carinho por todos vocês da cidade de São Carlos.
grande abraço
Alessandro Ferreira
violonista
Quarteto Pererê

Pererê disse...

Valeu Vanderlei, pela escuta e pelas palavras !!! abração do kiko - violeiro do Quarteto Pererê

Gildes disse...

Estive lá, na voz do Ivan Vilela.
Obrigado pela citação.
Gildes