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Cobertura da 5ª Semana do MACACO: Segunda-Feira - Deduções de Dupin e La Cartelera!


De 22 a 28 de agosto, aconteceu a Semana do MACACO, o culminar do Movimento Artístico e Cultural do CAASO (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira) em sete dias, se é que isto é possível. Já em sua quinta edição, nosso querido símio veio trazendo consigo as mais variadas formas de manifestações artísticas para os interessados, dentro da dança, teatro, e afins, além de, felizmente para nós blugueiros, música! Como em nossa cobertura do ano passado, é neste aspecto do MACACO em focamos alguns breves comentários aqui no blog. Claro, não podemos deixar de deitar impressões sobre outras apresentações que tivemos a oportunidade de ver. Afinal, mesmo não sendo o escopo do Programa Bluga, toda boa arte é digna de nota.

Começando atrasados, já na segunda-feira, dia 24, entrei na Semana do MACACO mais precisamente com a apresentação de dança Absinto. Infelizmente, cheguei muito tarde para o Rito para uma Dança Masculina, de modo que não poderei comentá-lo aqui. Mesmo a música não sendo o principal aqui, muito embora ela caminhe sempre lado a lado com a dança, é incorrigível não comentar algo tão notável como Absinto. Apresentação de um homem só, Rafael Barzagli Oliveira, vindo de Campinas, Absinto é baseado no experimentalismo, cheio de movimentos que impungem dor ao corpo só em vê-los sendo desenrolados, representando muito bem a embriaguez que propõe o título, casando muito bem com a música de fundo, tudo numa incrível fluidez. Seria de se duvidar se o homem realmente não está embriagado para incorporar o personagem, não fosse o nível de esforço ali apresentado, aliado a concentração. E, como 'profundo conhecedor' da arte da dança, deveria me limitar simplesmente a dizer que foi algo deveras bonito e impressionante.

Continuando com o experimentalismo, mas agora migrando exclusivamente às impressões sonoras, vinha algo um tanto quanto aguardado por aqui: Deduções de Dupin!

Deduções de Dupin nada mais é que uma colaboração de Dida Placeres na guitarra e Eduardo Zanardi nos teclados, ambos integrantes da banda Pantomime Jazz, com Fabiel Merck na bateria e André Luiz Nardim, vulgo Jaguadarte, no baixo, já conhecidos da extinta Javali Underground. Aqui, a palavra de comando é improvisação, um estímulo da força criativa. De começo, achei a proposta um tanto arriscada, julgando que, justamente por ser um improviso, havia grandes chances de não sair algo dentro de sua proposta. Mas no fim o resultado foi muito, muito interessante. A pouca iluminação garantiam um clima um pouco sinistro, tanto que em grande parte do show, ninguém ousava ultrapassar a barreira imaginária que separava o público da banda, formando um semi-círculo completamente deserto à frente do palco. Claro, a bebida acabou fazendo o seu papel, e os mais imersos na experiência acabaram aproximando-se.

A idéia original desta apresentação era, também acompanhada de Rafael Barzagli, levar este improviso também a dança, tornando-a uma apresentação multimidiátiva. Por si só seria espetacular, junto de outras mídias, que fosse a dança, que fosse o cinema, torna-se outra experiência. Se tivesse rolado esta mescla, teria sido surreal, se é que já não foi.

Ademais, esta iniciativa é ímpar, especialmente se falando em São Carlos, enquanto apresentação, senão dentro do país. Claro, falando lá de fora, temos muito mais. Contudo, valorizar esta abordagem aqui é por muito necessário, justamente para chocar aquele público, imbuí-los de novas perspectivas, afinal era esta justamente parte da proposta.

E, bela proposta, com um grande dedo do Programa Bluga no meio: Este ano com o blugueiro Vanderlei participando da organização do MACACO, foi ele quem fez o convite aos rapazes para rolar o projeto, especialmente para o MACACO. Nisso, poderiamos entregar aqui inclusive onde está a grande relação do nome 'Deduções de Dupin' com o símio, mas deixemos isso para outra ocasião. Melhor, nos pergunte depois!

Claro que o ponto alto no quesito público e empolgação viria um pouco mais tarde, direto da Argentina. Já na madrugada alta, entravam em cena os sujeitos de La Cartelera Ska y Sus Limones Domingueros, diretamente da provincia hermana de Córdoba. Em turnê pelo Brasil, resolveram dar uma passada por São Carlos, com os nomes:

· Ariel “Gavilán Pollero” Galeano - Voz e Coros
· Sebastián “Reverendo Alegría” Osimani - Bateria, Percussão, Rapeio, Coros e Acordeón
· Sebastián “Gato de Malagueño” Brenner - Baixo e Coros
· Andrés “Toco Madera” Losada - Guitarra, Tres e Coros
· Martin “Maracaibo” Marassa - Guitarra, Voz, Coros e Acordeom
· Fabián “El Pendex” Narvaja - Congas, Bongô, Percussão e Coros
· Jeremías “Pico Dulce” Guiñazú – Trombone

Como bem sugere o nome, a banda rola um Ska, mas está longe de sê-lo tão somente. Ali no meio mesclavam-se Reggae, Cumbía, Cuarteto e outras tantas influências que nem me atrevo a adivinhar, com base na música popular Argentina, o que resultou numa mistura sonora no mínimo diferente e altamente empolgante.

A começar pela quantidade de pessoas, já se vê o contraste entre as duas bandas da noite. Com um público significativamente maior, o clima imposto pelo La Cartelera é de festa, bem diferente do tom mais experimental do Deduções de Dupin. Felizmente, o povo que freqüenta o Macaco é um tanto quanto eclético, e uma das propostas do evento é justamente a diversidade cultural. Como toda boa banda de ska, os caras sabem muito bem empolgar o público, interagindo com o pessoal, convidando a bater palmas e até com passos de dança ensaiados durante o show. Mas o que dá para dizer pela reação do povo é que chamar os caras do La Cartelera foi uma escolha bem acertada. É sempre bom termos bandas dos vizinhos por aqui!

Eis o setlist do show:
01. El Creyente; 02. Hasta Trastabillar; 03. Sabes Bien; 04. Un Instante; 05. Caminando; 06. Perro; 07. Arrepentida; 08. Tanto Tanto; 09. Te Sorprende; 10. Magic Star; 11. El Buitre; 12. Vuelve a Mi; 13. Te Burlaste; 14. Carteludo; 15. El Corso; 16. Movidito;

Estes rapazes aportaram também pela Rádio UFSCar no dia seguinte à apresentação, compilando um belo trabalho. Tão logo quanto possível, iremos disponibilizar este material por aqui ou acolá, aguardem!

E em breve, mais textos sobre os demais dias do MACACO! Enquanto isso, mais fotos podem ser conferidas no Picasa do Programa Bluga!



Fotos por Vincent de Almeida

Cobertura: Introdução e Abertura do Contato - A Recombinação e o Javali Underground

Organizado por um série de grupos vinculados a UFSCar – Universidade Federal de São Carlos – como Rádio UFSCar e CineUFSCar , o Festival teve na sua primeira edição, em Novembro de 2007, noitada de shows em todos os dias do evento, dias estes praticamente temáticos: Quinta-feira marcada pela brasilidade de Tom Zé e um inusitado ½ Dúzia de 3 ou 4; Sexta de gente-como-a-gente, trazendo Jumbo Elektro e de quebra coisitas como Mentecapto; Sábado memorável com gente de fora, mas personas boníssimas, de The DT’s, com quem o pessoal aqui bateu altos papos e assistiu junto o espetacular Daevid Allen; e um domingo de Hip-Hop, que não foi degustado por nosotros.

Neste ano seriam apenas dois dias de show, levando a especulação sobre verbas, negociações de espaço e afins. O local do evento mudou também, indo para a Praça do Mercado, aqui em São Carlos, saindo da Estação Cultura, antiga Estação Ferroviária da cidade, perdendo o charme dos trens passando ao largo da apresentação, mas mantendo o formato de dois palcos confrontando-se. Como não poderia deixar de ser estaríamos lá para conferir na íntegra os eventos.

Na véspera desse fim-de-semana tão esperado pelo Programa Bluga, o 2º Festival Contato já atravessava sua metade, hora certa de confraternizar. Estava armada mais um Independência ou Marte- A Festa!, naquela sexta-feira, dia 10 de Outubro, no Armazém Bar. Parcas são as ocasiões em que se pode ver este bar lotando ao som de tão boa música, e muitas destas poucas vezes são nos eventos do Independência ou Marte.

Lotação da casa atingida logo cedo, abria a noite uma das muitas bandas da prolífica Mogi das Cruzes. Vício Primavera apresentava seu som, na hoje mandatória mistura de influências, indo do Rock ao Manguebeat e do Pop ao Funk. Entretanto, apesar do bom instrumental apresentado, parecem esquecer-se que música boa não se faz só de pretensiosa poesia nas letras.

MAS, o que esperávamos ansiosamente era o Javali Underground, banda cuja movimentação acompanhamos desde sua primeira apresentação no Festival de Calouros da UFSCar. Pelas influências pescadas do som apresentado àquela época, além da sonoridade surpreendente, perdida em São Carlos, prenunciamos um dos sons mais promissores dos próximos anos.

Este ano o Contato se reinventava trazendo como proposta a RECOMBINAÇÃO de seus elementos. Sendo um festival multimídia, a idéia era fazer esta experiência realmente em muitas mídias, fazendo a união áudio-e-visual de fato. Nessa linha vinha a apresentação do Javali, ao mostrar ao público suas composições aliadas à imagens tridimensionais projetadas em um telão. E veio a mistura!

Na mira do projetor no canto esquerdo do diminuto palco, trajando camisetas brancas tentando se mesclar ao fundo branco, vinham com o som Jovem Palerosi empunhando guitarra, Andre Jaguadarte no baixo, Fabiel Merck no synth e revezando-se na bateria com Bigga Johnny, do Ganja Groove. Além claro da participação especialíssima de Cristiano Rosa, o Pan&Tone, no mais puro improviso com a manipulação dos ruídos em circuitos de baixa voltagem (ou brinquedos, como queria). Panetone nem se deixava aperceber, no chão a um canto, escondido atrás da massa que entupia o Armazém.

E do projetor, as cenas do filme O Monstro da Lagoa Negra (Creature From The Black Lagoon), de uma cópia restaurada por Leonardo Andrade, professor do Curso de Imagem e Som da UFSCar. Estas cenas podem ser vistas na página pessoal de Leo, se você tiver óculos 3D anaglíficos, aqueles de lentes azul e vermelha, como os que foram entregues antes da apresentação com arte manual da RUA, Revista Universitária de Audiovisual, causando sensação aquela noite e dando estilo aos transeuntes do bar.

O Javali tocaria sete faixas, três delas conhecidas nossas da Praça do Mercado, com Bigga Johnny na bateria: Space Combo, Voa e Don’t Stop; Mais, quatro faixas inéditas, com Fabiel Merck pulando pra bateria em três delas e voltando pra quarta novamente aos teclados: Limite ou Princípio do Prazer, Trieste, única faixa com uma letra bem definida, que não o gibberish ou a monossilábica Voa, C and Grace, altamente psicodélica, finalizando com Jumpin’ Monkey, Orange Cloud.

Nessa mescla sensorial, perdeu-se muito das cenas tridimensionais, por conta da alocação do projetor, que privilegiava para experiência plena apenas um ângulo de visão ótimo usando também das camisetas dos músicos. Tamanha era a expectativa daqui para essa apresentação que resta dizer que o impacto inicial foi menor que o esperado. Contudo, aguardar até às duas faixas finais para dar o veredicto era necessário, pois elas foram exatamente o que esperávamos. Como disse o Jovem ao final, “Novos experimentos acontecerão!”

E nós estaremos lá para ouvir. E ver?

Fotos: Dani Teixeira