Anotações do Show: Terreno Baldio, na Biblioteca Cassiano Ricardo

Seguindo com mais um Anotações do Show, venho aqui falar-vos da apresentação da inequiparável banda Terreno Baldio, previamente anunciada no nosso blog.

Esse foi possivelmente o show mais esperado pelo Programa Bluga desde seu recente começo e naturalmente nossas expectativas estavam bem altas, visto a colossalidade que foi o espetáculo da banda na Virada Cultural.

Pois bem, chegamos à Biblioteca Temática de Música Cassiano Ricardo por volta das 15 horas daquele sábado, 30 de Agosto. Tão logo entramos, arrebanhamo-nos com os integrantes da equipe responsável pela produção do DVD não-oficial do show que aconteceria. Já adianto que postaremos aqui algum link em html ou torrent para baixá-lo, assim que fique pronto. Eu não figurava entre a equipe oficial, porém pude acompanhar os entrementes da produção, já que estava junto de um conhecido nosso, o Vanderlei, de um tal Programa Bluga.

Já estavam lá, no palco, o violinista Cássio Poleto e Mozart Mello, conhecido de qualquer guitarrista que se preze, brincando com sua guitarra. Enquanto a equipe do DVD discutia quais seriam os locais apropriados para as câmeras, uma melodia soava na guitarra de Mello, que logo associei à música Saci, do álbum Além das Lendas Brasileiras. Uma faixa demasiadamente boa, que finalmente traria o gostinho desse álbum, ausente no set list da Virada.

Encontramos lá também Roberto Lazzarini, pianista, maestro, compositor, arranjador e produtor, além de muito simpático e aparentemente bem empolgado com a idéia do DVD. Depois de uma passagem de som rápida, tive a oportunidade de ver a entrevista que Lazzarini gentilmente concedeu para compor os extras do DVD. Aos fãs do Terreno digo que constarão também conversas com os outros integrantes, a exceção de Mozart, que infelizmente teve que sair mais cedo. Muita informação interessante saiu desse papo e é facilmente percebido ali que a banda, além de ter músicos incomparáveis, dotados de conhecimento musical e artístico invejável, é composta por ótimas pessoas.

Foi um privilégio poder assistir a passagem de som: a empolgação aumentando gradualmente a cada riff reconhecido, a cada melodia terrenisticamente associada e mal pude conter a expectativa, ao ouvir Este É o Lugar. Faixa esta que, junto com Despertar, são as minhas duas favoritas do Terreno.

A certa altura saí do auditório, junto com a equipe de reportagem e presenciei entrevistas cedidas pelos fãs, sendo o mote da maioria deles o Rock Progressivo. Dentre eles estavam não só fãs de longa data, mas também aqueles que conheceram a banda ainda esse ano, na ocasião da Virada Cultural (incluímo-nos nesses últimos) e também, como era de se esperar, fãs fervorosos de Gentle Giant.

Faço aqui um gancho pra comentar parte da entrevista do muito carismático vocalista João Kurk. Segundo ele, o estopim para a criação do Terreno foi justamente a primeira ouvida do álbum Three Friends, do Gentle Giant. Abismado com o que ouviu, Kurk – pronuncia-se kúrk, não kãrk – foi logo comentar com Lazzarini, que confessou ter ouvido o mesmo álbum e ter ficado igualmente surpreendido. Eis que surge a semente do Terreno Baldio. De duas mentes brilhantes, posteriormente acompanhadas de uma terceira: a de Mozart Mello. Parece-me ser essa a tríade que capinou e limpou o espaço que por fim viria a ser o Terreno Baldio. São ELES o Aquelôo, e essa é a verdade.

Enquanto fãs davam seus depoimentos, a banda passava o som. Algo que durou mais de duas horas. Infelizmente, apesar de todo esse tempo, o som não ficou a contento e pode-se vexar grandemente a empresa responsável pelo som – uma tal de Line Som – que fez um trabalho extremamente ruim: muitas falhas durante o show, com o teclado sumindo, falta de retorno, o vocal sendo por vezes inaudível, por vezes baixo demais e freqüentemente saindo somente de um lado do palco. Penso eu que essa foi realmente a única parte negativa do show, mas, mesmo assim, tal situação (normalmente catastrófica para outras bandas) não conseguiu tirar a magia da apresentação.

E vejam que ainda mais desgosto a empresa Line Som nos traria. Graças a essa empresa que fez um trabalho tão incompetente, soubemos via Lazzarini que possivelmente a captura direto da mesa-de-som comprometerá o áudio do DVD! De qualquer modo, peço àqueles que ficaram tão indignados como eu que mandem um e-mail a linesom@linesom.com.br, fazendo suas reclamações quanto ao ocorrido.

Enfim, passada essa reclamação tão necessária, continuo com o relato daquilo que era a causa da minha ansiedade. O alvo da coletiva expectativa, que então atingia a turba (estimada em 230 pessoas, 65 a mais que a lotação) dos mais fiéis habitantes do Terreno sobre o qual fala o primeiro álbum da banda.

Enquanto os então repórteres entrevistavam Renato Muniz, encarregado do contrabaixo, acomodei-me, esperando os músicos subirem ao palco, o lugar a que realmente pertencem. Kurk, Poleto e Edson Guilardi ainda dariam suas entrevistas, findo o espetáculo.

Alguns minutos depois, com a banda composta, a tão inspirada e esperada ode ao Terreno Baldio enfim começaria! Não comentarei a performance da banda, sendo ela incensurável por alguém como eu, mas os deixarei com o set list do show e algumas impressões, que, mesmo sendo pessoais, provavelmente estenderam-se semelhantemente a cada um dos atingidos pela sonoridade que emana do importante Terreno.

O show começou com a infalível abertura de Este é o Lugar, que também foi usada ao início do show da Virada, apresentando-nos seu protagonista: o Terreno, onde podemos despejar “Todo o lixo que se acumulou”. A canção mostra-nos o lugar que, embora cada um de nós desconfie existir, nunca realmente achamos. (Passamos sempre perto, mas mesmo assim não notamos!) Seguindo o enredo de nossa estória, temos a composição Água Que Corre, com um maravilhoso teclado que suavemente flutua, sugerindo que sejamos como a água, fluindo e sempre procurando o lugar certo. Uma faixa que parece um tanto curta durante o show, impressão possivelmente desejada pela banda, pois traduz a brevidade e sutileza com que a água passa.

Quando as coisas ganham vida, que veio nos contar daquilo que faz brotar o sol no Terreno. Seguida por Aquelôo, uma sábia criatura vinda de uma era muito antiga, que acorda de seu sonho diurno, toma sua função de purificador do Terreno. Enquanto executa seu trabalho, Aquelôo performa sua dança noturna. Esta é uma faixa que adoro e realmente não consigo entender como ela acabou ficando de fora do álbum!

O ápice de Cassio Poleto no espetáculo vem em seguida, numa faixa instrumental nominada O vôo sempre continua, onde sola de forma embasbacante, assim como Mozart Mello e sua impecável técnica.

Relógio de Sol, composição ainda não gravada, porém presente no YouTube, é o próximo componente terrenístico apresentado: é ao final de suas horas que Aquelôo emerge da terra e começa sua limpeza.

Contando-nos de um certo pássaro, vem Despertar, uma faixa simplesmente brilhante, com contagiante representação de Kurk (é impossível que João Kurk não tenha tido aulas de interpretação) que quase incorpora o pássaro em suas sensações. E, enfim desperto, apto ao seu vôo, Pássaro Azul aparece! O coro da platéia encorajando seu alto vôo. Foi um dos ápices do show e Lazzarini realmente se deixou levar pelo clima tão habilmente conjurado por ele e os demais.

Vinha inesperadamente um solo inspirado da bateria de Edson Guilardi, como a quebrar um pouco o clima do primeiro álbum e preparar a platéia para a participação especial do negrinho de uma perna só, o Saci, saído direto do álbum Além das Lendas Brasileiras. Uma das minhas faixas favoritas desse álbum e realmente gostei de vê-los tocando-a!

Depois de Saci, o conjunto apresentou Velho Espelho, outra canção ainda não gravada em português, mas também presente no YouTube. Acredito que ela deveria fazer parte do primeiro álbum, mas foi cortada, assim como Aquelôo e Relógio de Sol, pela falta de tempo do formato em LP.

Enfim, o Terreno Baldio canta sua canção definitiva: Grite. Manda-nos gritar, enquanto fala que, mesmo nos tempos de hoje, ainda existe paz. A paz que se refugia no Terreno. É aqui que você pode gritar e correr e viver, diz a música.

Nesse momento bate-me um sentimento de pré-concebido vazio, pois sei que, além de ser possivelmente a principal mensagem do Terreno, ela é também sua última. Porém, não tão facilmente a platéia deixa a talentosa trupe ir embora. Todos em pé, visivelmente fascinados pelo espetáculo, o pedido de bis, clamando ao Terreno que nos falasse uma vez mais.

A música escolhida para a reprise foi Pássaro Ázul e, dessa vez, ainda mais vozes cantaram seu vôo. Juntou-se a ela o final de Grite, como derradeiro lembrete. E foi aqui, nesse medley inesquecível, que o Terreno deu seu último adeus. Último adeus da noite, claro, já que espero que muitos shows do Terreno Baldio ainda venham
!

(Confira mais fotos, clicando AQUI, pra nossa conta no Picasa!)

http://www.terrenobaldio.com.br/
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=15387658
http://www.youtube.com/user/Kurkinho


Fotos: Erick Fernandes

Cobertura: Semana do MACACO, no CAASO

Em sua 4ª edição, o MACACO, Movimento Artístico e Cultural do CAASO mais uma vez traz atrativos ao mundo da música, e um mundo de outras artes, como bem diz o nome. Como não poderia deixar de ser, o Programa Bluga esteve lá conferindo, ainda mais dentro do nosso território.

Acompanhamos a edição desde sempre, lembrando a excepcional apresentação do grupo ½ Dúzia de 3 ou 4 se apresentando na edição de 2006. Pudemos ver eles novamente no 1º Festival Contato, e são geniais, geniais. Na edição de 2007 passaram lá os caras da excelente banda de Araraquara, Malditas Ovelhas, e nos vimos toda a apresentação deste espaço dedicado ao experimentalismo e psicodelia. Infelizmente perdemos outra banda que prometia muito, a Mamma Cadela, numa vertente semelhante. MAS, tivemos o imenso prazer de ver pela primeira vez ao vivo a Orquestra Brasileira de Tango de Puro Guapos, com o argentino Mirol em seu bandoneon com vários Piazzolla no repertório, acompanhado de violinos, violoncelo e contrabaixo baixo, só pra listar as cordas, além de piano e clarinete. Impagável e tudo isso no palquinho do CAASO, defronte ao Bar do Mário, como tem que ser.

Nesta edição de 2008, a Semana do Macaco como sempre nos trouxe algumas alegrias. Como o foco do blog é música, se é que não deu pra perceber, vamos comentar apenas as apresentações do gênero. Contudo mesmo assim vamos levar a público apenas alguns dos acontecimentos, porque não conseguimos nos desdobrar em dez ou doze, como gostaríamos e o MACACO exige presença diária! Afora o fator de sempre, com os horários da agenda do dia nunca respeitados, atrasando-se até o costumeiro horário das 23h57.


SEGUNDO DIA

Começamos errado, já depois do início. Mais uma vez com espaço dedicado à um rock cheio de experimentalismos, a organização nos trouxe as Aeromoças e Tenistas Russas, banda que revisamos em nosso último post. A proposta deles, não somente pelo próprio som, exigia presença mandatória: apresentaram ao vivo trilha sonora composta para o curta-metragem holandês Regen, de 1929, dirigido por Joris Ivens. O curta por si só já é uma bela viagem, mostrando um dia de chuva em Amsterdã e a cidade mudando sua aparência ao acompanhamento da trilha original, orquestrada.

O mesmo papel faz a nova trilha feita pela banda, muito embora seja uma revitalização usando de sonoridade próxima ao Rock Progressivo, executando-a em baixo elétrico(Juliano), teclados(Gustavo), bateria(Nilo), pífano e saxofone(Thiago Hard). Em menor escala, um trabalho a la Soundtrack from the film More. Perde-se a conta em quatro ou cinco passagens nos pouco mais de 10 minutos de fita, embasbacantes. Essa linha de material é justamente o que poderia rechear shows apenas com composições próprias. Tocaram ainda durante a passagem de som um pedacinho da sua versão de Superstition e enceraram seu palco com outra versão conhecida nossa, com Play That Funky Music White Boy.

Esta apresentação fez parte da parceria da organização do MACACO com a RUA, Revista Universitária do Audiovisual, iniciativa mais uma vez do curso de Imagem e Som, com seus alunos da turma de 2007, da UFSCar.

Trocam-se instrumentos e músicos, mudando o conjunto da bateria inteiro e ainda montando um set de percussão, para que vislumbrássemos o Eletrogroove. Todos alunos do curso de música da Unicamp, vinham com a incrível marcação de baixo de Mazon, a guitarra minimalista e obviamente fundamental de Spiga, os teclados regados a timbres espaciais de Montorfano e a dupla coordenadíssima na bateria e percussão, Gigante e Chico Santana. Trazendo apenas composições próprias, visitaram várias vertentes com pé no experimental, mesclando-as todas, seja com Drum’n’Bass e Fusion Jazz, seja com Funk e Progressivo, seja com Post-Rock e Samba. Simplesmente imperdível.

Compactuando com a banda, havia a presença de um pessoal da Unicamp, que, enquanto aguardavam sua vez de fazer a música, não só assistiram o Eletrogroove, mas participaram do espetáculo com incursões usando bolas de contato e a pirotecnia de uma inusitada figura girando um bastão de fogo. Claro que podem ter vindo a tirar o foco do show em si, mas não foi nada imperdoável, já que com certeza acrescentaram total psicodelia à apresentação.

Tocaram uma hora inteira, para depois o percussionista Chico Santana deixar seu posto junto a banda e fazer a ponte, regendo então dois mundos, entre o que viria pela frente: a Bateria Alcalina. Composta principalmente por estudantes da Unicamp, oferecida como atividade de extensão universitária pelo Instituto de Artes, IA, a bateria apresenta elementos incomuns a grande maioria das baterias universitárias, aproximando-a muito mais da excelência de uma escola de samba. Funcionando DE VERDADE com surdos de primeira, segunda e terceira, faziam toda uma diferença com agogôs de quatro bocas, criando uma sonora dissonância e fazendo sua música muito mais rica, acompanhando caixa e repique nos instrumentos de marcação e chocalhos e tamborins na percussão. Tocando por mais de meia-hora em conjunto com o Eletrogroove, ora fazendo a entrada deste grande jam, ora em concomitância, ora finalizando a brincadeira, a Bateria Alcalina nos trouxe uma experiência única.

Mesmo com suas camisetas amarelo-e-preto-caaso, era impossível este pessoal se confundir ao CAASO, quando, já autores dos malabarismos da noite, ainda dançaram desvairadamente ao som do Eletrogroove. Esta é a grande diferença em ter um curso de Música, um curso de Dança, um curso de Artes Plásticas, enfim, todo um Instituto diferenciado. Este pessoal trouxe um brilho único noite do CAASO, findando sua parceria com o Eletrogroove para tocar direto mais de uma hora sem parar nunca, honrando seu nome, lembrando a mítica propaganda dos coelhinhos da bateria que “dura, dura, dura, dura...” Nas várias levadas únicas da Alcalina, findaram a apresentação debaixo de coro EXIGINDO um cortejo, mesmo depois de a Polícia Militar ter adentrado o domínio da Universidade. Será que os vizinhos reclamaram?


QUINTO DIA

Pela tal força maior, pulando terça e quarta-feira, onde inclusive tocou o pessoal do Cubanistas, que já tínhamos visto numa curta apresentação no Festival do Calouro da UFSCar de 2008, chegamos na quinta, no finzinho do pessoal rolando os pífanos. Como sempre, a ecleticidade comprova-se uma grande falácia e mudam as caras e cores para receber o Jardim Cefálico. Programados para tocar no domingo, não puderam comparecer, deixando o espaço daquela noite para as pick-ups do pessoal do programa Independência ou Marte, logo depois do Ganja Groove, também da Rádio UFSCar, fazer uma bela apresentação mesclando seu som entremeando Reggae e Dub com as imagens do VJ COSMO.

Nessa re-escalação estavam incumbidos do Rock Luiz Manoel a frente dos vocais, Renato de Sá no baixo, Rodrigo Volpe na bateria e o guitarrista onipresente-das-bandas-são-carlenses, Danilo Zenite. Mesmo apresentando formação incompleta, faltando a segunda guitarra de Cristiano Godoy, que viria a fazer certa diferença, não deixaram nada a dever. Trouxeram um repertório bem balanceado entre suas composições e covers, mais centrados ao Hard Rock, transparecendo o gosto da banda pelo Grand Funk e a excelência na execução de duas do Sabbath, além de pitadas do sempre bom Led Zeppelin e Deep Purple, fechando a base do Hard Rock lá fora, e trazendo aqui de dentro Casa do Rock, Casa das Máquinas! Pingadas do Progressivo também se fizeram presentes, num Jethro Tull, com A New Day Yesterday, e Pink Floyd com Dogs em uma variação que não agradou muito a camaradagem aqui, mas balançou o público sedento, e Breathe.

Ponto alto da noite realmente era o material próprio do Jardim Cefálico, que honra o nome e as influências, que certamente remetem ao Rock Progressivo. Neste setlist estavam faixas do álbum recém-lançado Contempotrópole, com uma boa produção contemplando o Heavy Prog. Este material pode ser conferido na integra junto ao Bandas de Garagem do UOL. Destaque neste show para a faixa que finalizou a apresentação, Beijos Nucleares, do último álbum, e Desígnio, material mais antigo, de grande qualidade dentro das duas horas em que os garotos se apresentaram.


CONCLUINDO...

Faltou ainda a sexta, mas... Ficam as congratulações por esta excelente seleção de bandas ao Fedel, a meu ver grande responsável pela semana. Claro, rolaram muito mais atividades neste MACACO, mas agora só ano que vem. E nós estaremos lá, com certeza. Só não divaguem muito sobre essa sigla, porque o importante é a figuração.


http://www.caaso.org.br/macaco/programacao.php

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=85199

http://vimeo.com/1263958
http://www.youtube.com/watch?v=AIBOF6DYfxQ
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=46916188

http://www.myspace.com/eletrogroove
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=25362
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=4403003

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=553774

http://www.myspace.com/jardimcefalico
http://bandasdegaragem.uol.com.br/hotsite/index.php?id_banda=12307
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=42559
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=4200793

Cobertura: Escuta Essa 4x4 - Parte II

Review tardio, mas ainda necessário!

A altura do início de nossa terceira hora do show 4x4 que rolou no domingo 10 de agosto de 2008 no Armazém Bar em São Carlos, estava lá um público misógino: Gente nova, amigas do som que já havia rolado; Motociclistas (não motoqueiros, perdão...) ouvindo o clássico Rock do Barbante Submarino; e o público amante de som, o público de sempre e agregados. Mas outro pessoal sempre envolvido com a música, os universitários, deu as caras por lá, atraído pela banda da deste quarto de noite, as Aeromoças e Tenistas Russas.

Esbanjam em seu trabalho boas origens e uma visão promissora dos rumos da música, consciência possivelmente provinda também de suas influências dentro do curso de Imagem e Som da UFSCar, que vem rendendo bons frutos aos ouvidos do Programa Bluga. Com formação definida desde quando calouros em 2007, trouxeram sua cara ao mundo somente neste ano, e já fizeram nome pelos cantos da cidade, tocando na Firefox 3 Party, promovendo o navegador da Mozilla, e mesmo dentro do CAASO na festa das secretarias SAPA e SAAU, no mesmo movimentado fim-de-semana em que tocaram no Armazém.

Obviamente não se tem as tais gostosas no palco, mas sim quatro cabras, em bateria com Nilo, baixo com Juliano Parreira, teclados com Luiz Gustavo e Thiago Hard alternando-se com voz, guitarra e sax. Resta saber quais dois são as aeromoças e quais dois as tenistas russas.

Mirando no que nos interessa, o show das Aeromoças e Tenistas Russas começa às 09h30 com a primeira das muitas faixas de autoria própria da noite, Bang Bang, que só não é uma instrumental porque traz o gibberish de Hard. A música leva o nome do filme de 1971 de Andrea Tonacci, referência junto ao chamado Cinema Marginal e dentro dos cursos de cinema, justamente de onde vêm os integrantes da banda. Aliás, valem os 90 minutos de fita, em um experimento fotográfico surpreendente para os padrões atuais.

Segunda faixa da banda no seu quarto de show, trouxeram Mirella, outra assinada pelas aeromoças e tenistas. Entra com um baixo arrebatador de Juliano, evoluindo com riffs bem marcados. Hard já mostra a que veio, com devaneios no palco, mostrando os primeiros sinais da psicodelia.

Para sua terceira música, mostram o refino de seus covers. Ilegal, Imoral ou Engorda, da voz de Roberto Carlos, em releitura na versão da banda Del Rey, que tocaram na Virada Cultural Paulista deste ano em Araraquara, com China, da desaparecida Sheik Tosado, e alguns dos caras da banda Mombojó, que revitalizaram nesse projeto os sucessos em covers rearranjados da Jovem Guarda. Na faixa, entretanto, dão seu toque pessoal, com Hard abandonando a guitarra por alguns instantes e dedicando-se totalmente ao vocal. Deixa-se espaço então para a excelente cozinha dar o tom para os teclados brincarem, enquanto o vocal é muito bem performado, revelando a presença de palco da figura inusitada, por vezes recorrente ao gênero, ali na noite.

Não esquecendo que este domingo de 4x4 era justamente o Dia dos Pais, a Aeromoças e Tenistas Russas foi a primeira banda a se lembrar do fato e homenagear o pai do baixista, seu Júlio, vindo de longe a visitar o filho em sua universidade e comemorar. E homenageando a figura, trouxeram mais um versão portentosa, dessa vez do Beto Lee, filho da Rita de nossos Mutantes: Fuscão Preto. Mais uma prova das singulares influências que cobrem o grupo. E nem vou falar que a faixa famosa revelada com Almir Rogério rendeu um filme homônimo protagonizado pelo próprio e de quebra com a estréia da Xuxa, porque esse eu nunca vi. Antes de Amor Estranho Amor, acredite se quiser. Lenda urbana.

Mix de influências também na cara da banda, com Thiago Hard portando sua camiseta da recente coletânea Mothership do Led, que marcou sua volta, enquanto entre as baquetas de Nilo vem a estampa os Flinstones e com Juliano uma ilustração esperta com o Chiqueirinho (Pig-Pen) de Charles Schulz.

Deixando de lado o ar de revival-cafona-reformulado-que-vira-cool, tocam não uma, mas DUAS faixas instrumentais. A primeira delas, entra de vez no clima psicodélico esperado, quase chegando num Post-Rock. Como toda boa instrumental, tem espaço para escapulidas para fora do palco, com Gustavo em busca de outro latão de Itaipava. Ele preparava-se para trazer, depois dos muitos picks espalhando névoa, a cerrada atmosfera para a derradeira viagem da guitarra. No seu auge, vem uma queda no ritmo, para a brisa do Korg de Gustavo, enquanto Hard troca de instrumentos para vermos pela primeira vez o belo sax esmaltado em preto entrar na dança. Bela faixa.

Não perdendo o clima já criado para êxtase da platéia, trazem a segunda faixa, puramente intitulada Instrumental. Enérgica, começa com aquele velho sample dos placares eletrônicos dos jogos de hóquei, crescendo sensivelmente com Nilo na bateria. Juliano tem espaço para um bom solo de baixo enquanto bateria e guitarra, pouco antes dos teclados voltarem e chamarem todos os instrumentos a uma profusão sonora. Quando gravam esse material?

Entremeiam o clima angustiante criado, com um blues de composição própria. Revisitam mais uma vez algo na mesma linha das versões de Ilegal, Imoral ou Engorda e Fuscão Preto, no que chamaremos de Jovem Guarda Psicodélica, com Um Lugar do Caralho, composição de Júpiter Maçã, ícone da escola. Apesar dos pesares, é estranho observar a evolução do show da banda, oscilando bruscamente do Nu-Prog a esta Jovem Guarda que quer ser Bossa. Nem por isso é ruim já que tudo é alternativo, tudo é experimental e acima de tudo, embala o público, que tem como prova o coral do público, cantando junto. E, claro, proporciona o contato com o material próprio, senão também a estréia de ouvidos virgens a um estilo na virada dos tempos.

Mas não só do lado de cá viveram as Aeromoças. Elas viajam também além mar, e trazem Play That Funky Music White Boy, em uma versão própria, sem vocal, não na esperança de que o público cante, mas trazendo um arranjo para sax, como muitas bandas de jazz já o fizeram. Teclados, como manda o figurino, o delicioso baixo que leva moças a rebolar, mas ao invés das guitarras, solo de sax.

Não esquecendo seu próprio ganha-pão, mostram mais uma composição própria, Ensolaradas. Fazem a sempre boa e necessária divulgação, sem exageros, de seu material junto ao site Trama Virtual. Trata-se de um material excelente, escolhido para agradar a todo público da banda e mostrar tudo a que o grupo se propõe. E, ao vivo se mostra mais interessante ainda!

Provando a teoria de que eles são o liquidificador do barman que faz excelentes drinks, abraçam outro estilo, com a faixa própria Samba. Sem maiores segredos, o nome é auto-explicativo, agradando aos amantes de um Los Hermanos. Detalhe que ao seu final, vem a paradinha, ensaiada e tudo, que foi prolongada pelo baterista, deixando os camaradas na espera enquanto buscava uma garrafa d’água. Sem perder o bom humor, apresentam o garoto Nilo-bebe-água, que solta um “Bebam água, água faz bem”, e volta às baquetas para finalizar.

De novo lá fora, trazem Superstition, de Stevie Wonder, abandonando o vocal da faixa como na canção de Wild Cherry e trazendo os arranjos de voz transpostos ao saxofone, bem como o que viria a ser o trompete da original. Teclados, mais uma vez, como não poderia faltar e baixo marcantes, com Juliano encarando o nada, no olhar insano que sabe-se lá porque baixistas adoram fazer, enquanto Nilo traz uma fiel bateria.

Encaminhando-se para o fim de seu quarto de 4x4, as Aeromoças e Tenistas Russas trazem, a pedido do organizador da noite, xará do baterista, por sinal, um Tim Maia. Guiné Bissau, Moçambique e Angola, como quê de improviso. Quase-quase acabando, a pedidos do baixista, empolgado, Nilo não pára sua bateria, moendo, trazendo um último improviso pra abrilhantar mais a banda naquela noite.

As Aeromoças e Tenistas Russas se mostraram uma banda excelente, com um repertório bem pensado, com um material corajoso, regado a inusitados atrativos. Com certeza esses camaradas receberiam um selinho ‘Programa Bluga aprova!’, quando tivermos essa moral. Estaremos acompanhando de perto os shows dessa banda e sua evolução, sempre esperando que eles cresçam e nos tragam mais.

E já entrando em nosso último quarto da noite, para um dia que antecede a segunda-volta-ao-trabalho, o bar ainda permanecia cheio. Era o público na espera de um último respiro de música pra extravasar, o que veio com a primeira apresentação da banda Rise Up.

Rise Up é uma banda de Hardcore. Formada recentemente, se apresentaram com Carlos Alisson nas guitarras, Eric no baixo e Murilo Ramos na bateria, com todos fazendo voz. Performaram uma série de covers de bandas desta vertente, como Dead Fish e Nitrominds do lado de cá e como Pennywise e NOFX do lado de lá. Particularmente o estilo não cobre o mundinho restrito do Programa Bluga (de opinião única e própria de seus colaboradores, obviamente), mas a banda empolgou MUITO os sobreviventes da noite, levando inclusive as Aeromoças e Tenistas Russas à inversão de papéis, botando-os na cara do palco. Com boas horas de ensaio por trás desta primeira apresentação, mostraram-se competentes e ainda honraram o nacional, tocando muito mais as do lado de cá e fechando ouvidos aos pedidos do lado de lá!


http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=85199
http://vimeo.com/1263958
http://www.youtube.com/watch?v=AIBOF6DYfxQ
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=46916188


http://www.purevolume.com/bandariseup
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=49704046

Cobertura: Escuta Essa 4x4 - Parte I

Tentando abarcar mais do sempre-crescente cenário Rock da cidade de São Carlos, na noite de domingo dia 10 de Agosto, o Programa Bluga esteve cobrindo o Escuta Essa 4x4. A produção é promovida pelo Nilo, do portal Escuta Essa, lembrado o Festival de mesmo nome, cuja 2ª edição tivemos o prazer de conferir em 2007. Saídos deste festival, revisamos depois Fenícia e Plano Próximo.

A proposta do E.E. 4x4 é claro no título: Quatro bandas, quatro horas de rock. O Escuta Essa sempre demonstra certa ecleticidade em suas produções e mais uma vez isso se refletia nas apresentações da noite. Entretanto, a combinação do Grunge, do Rock’N’Roll, de um rock experimentalista (?!?) e do Hardcore acabou numa xenofilia entre o público, deixando todos satisfeitos.

O evento teve lugar no nosso conhecido Armazém Bar. Entretanto, a excelência da casa esteve comprometida: desfalque da cerveja de uso comum, pelo ávido público da banda Mandinga na noite anterior, que deve ter lotado a casa. Incongruências a parte, latão de Itaipava ao mundo, Bohemia para nós.

Nos idos das 07h30, vinha a Dharmanet, encarnando-se como banda de abertura. Pelo domingo, havia as muitas 30 pessoas, número que cresceu até o auge da noite a despeito das circunstâncias. Apresentando covers daquele tal estilo, incrivelmente bem sucedido e impressionantemente vivo hoje, pingaram também algum trabalho próprio.

Todos garotos, tarimbados das boas casas do ramo e festivais da região: Gaudêncio em guitarra base vocais, Douglas na solo e backing, Vinícius na bateria e Léu no baixo. Trouxeram bons covers da banda que os marca a ferro, Nirvana, fazendo do Dharmanet praticamente um tributo, tocando Love Buzz, Come As You Are, About a Girl, School, In Bloom e Serve The Saints. O vocal de Gaudêncio, mesmo dentro do estilo por vezes deixa a desejar, cantando fora do tom, como se as cordas do garoto ainda estivessem oscilando na sua puberdade. Ainda, estudaram um muito bem escolhido Alice in Chains, com Man In The Box e Them Bones, que ajudaram a quebrar o nirvanismo (Viva Jerry Cantrell!). Tocaram ainda I Wanna Be Your Dog, The Stooges e praticamente assassinaram Page, Plant e Jones, pra não falar no estrago que Vinícius roboticamente causou a um coveiro qualquer, com sua versão de Immigrant Song. Mas traziam em Douglas um lead guitar muito bom, enquanto Gaudêncio e Léu fizeram toda a lição de casa. Apresentaram algumas faixas de composição própria, sobressaindo-se Good Question. A faixa é curta, que parece fugir do estilo da banda, mas é um fio de maturidade em seu som, com algum experimentalismo.

Trocam-se os instrumentos, trocam-se os músicos, troca-se o estilo.

Entrando pro seu quarto de noite, as 08h25, vinha outra banda são-carlense, o Barbante Submarino. Descobriu-se que a velha história da influência do núcleo familiar, tão falada dos assistentes sociais, realmente leva a bons garotos e quem sabe boa música: banda formada pela família Seneme o Barbante é a prova viva disto. Pais, mostrem a década de 70 a seus filhos, por favor.

O nome declaradamente sugere uma banda com um pezinho no Rock Progressivo, entretanto o repertório da noite, conforme conversa com integrantes da banda, foi pensado para o público do evento. Assim, fomos agraciados com as mais clássicas músicas de clássicas bandas, subindo o nível do evento.

Quando o vocal Rafael Seneme (o irmão) veste um colete em couro cheio de bordados, fica a clara a veia que trouxe Born to Be Wild, primeira faixa executada. Também é a dita primeira faixa do estilo, cunhando inclusive o Heavy Metal ao falar das motocicletas que mais tarde seriam vistas em Easy Rider enquanto a faixa era ouvida na trilha sonora. Fácil entender o fixação dos motoclubes.

Já a segunda faixa mostra mais do que se esperava ser a cara da banda, ao visitar o Prog Folk do Jethro Tull com Hymn 43, do álbum de 1971, Aqualung. Enquanto dificilmente alguém foge do cover da faixa título do álbum, eles mostraram corajosos e bons conhecedores do assunto. Contando os quatro integrantes da banda, em vocal, guitarra baixo e bateria, fica claro que não há a presença do teclados marcantes, mas o trabalho foi competente, com destaque para a bateria de Rafinha Simões (sobrinho?). Faltou sentir um pouco da presença de baixo de Bruno Seneme (o sobrinho). Detalhe, Bruno é um baixista canhoto, em meio a um mundo de guitarristas do avesso. Ficou a vontade de ouvir uma Cross Eyed-Mary!

Trazendo a primeira das muitas desta banda que povoaria esta segunda hora do 4x4, vinha Proud Mary, e percebemos a grande presença de público ao redor, já nas quase 100 cabeças, empolgando-se com a performance da banda. Faz falta a segunda guitarra, deixando órfã a música. No muito bem arquitetado setlist para agradar ao gosto da noite, traziam na sequência, nas palavras de Rafael “uma homenagem ao rei do rock”, com Blue Suede Show, na versão de Elvis dessa faixa saída da boca de Johnny Cash, e tocada por muitos outros, entre eles Hendrix e Tommy Iommy. Desta vez, a guitarra estava definitivamente em sua praia.

Apresentando uma das composições da banda, com composição de Edson Seneme (o tio) e letras de Rafael, a próxima era Minha Liberdade, com título refletindo o sentimento da faixa, regada a solinhos clássicos na guitarra de Edson, que ainda acompanhando no vocal.

E dizendo “Eu vou ser o 1º à gritar”, Rafael Seneme fez desnecessários os míticos pedidos de TOCA RAUL, trazendo Babilina à empolgar a noite com Tio Edson revelando a alma da guitarra com a música.

Vem a pausa para o (im)pertinente comentário de Rafael, consagrando sua presença de palco amistosa e contagiante, falando do xará Rafinha, “baterista à álcool, modelo 85, único dono”, procurando um certo refresco.

Volta marcada pela paixão do guitarrista, segundo sua esposa: Doors, Roadhouse Blues. Rafael não é nenhum Jim Morrison, mas segura os vocais. Mais uma vez indo de Creedence Clearwater Revival, Bad Moon Rising, que a banda diz ter saído no improviso, muito embora a guitarra estivesse muito bem nos solos, acompanhada da marcação ligeiramente mais sofisticada que a original de bateria com Rafinha.

E na pergunta a platéia (que não respondeu, aliás) E ai, tudo bem?, composição do Barbante Submarino, entrando com bateria e guitarra quase num Reggae, que é desmistificado para o Rock pelo baixo. Bons arranjos de vocal na faixa, entremeando o tal ritmo jamaicano com uma guitarra ousada.

Depois de falar do REI do Rock, Rafael falava agora dos REIS do Rock. Twist and Shout, no que seria “mais um grande improviso”. Pois se foi improviso, valeu a pena, pois desde o primeiro acorde, rendeu gritinhos histéricos da platéia, mostrando a força dos Beatles, na faixa imortalizada também no cinema pelo clássico da Sessão da Tarde, Ferris Bueller’s Day Off, mas conhecido nosso como Curtindo a Vida Adoidado!

“Mais um barbante pra gente não dispensar a chance”, Vou Ficar, com excelentes riffs de Edson abrindo a faixa, que evolui pra uma baladinha com o vocal de Rafael. Em seu solo, traz a mente a guitarra poderosa um Santana. Na sequência, o que seria o encerramento do show, a terceira do CCR, daquelas mais clássicas, Have You Ever Seen The Rain, balada certeira. Com a audiência grande, já conhecedores da banda, pedem mais. Ficaram devendo a tão chamada pelo público, “Vidas Secas”, composição própria dita progressiva. Finalizaram a noite com outra ali pedida ao extremo, tirada do chapéu: dos míticos Sá e Guarabyra, com outro Rodrix, Jesus numa Moto, mais uma vez justificando os vários casacos de couro ostentando brasões de motoclubes na platéia, entoando a plenos pulmões a canção.

Encerrava-se o show. Muito aplaudidos, foram agradáveis, mas queremos ver ainda um show deles com repertório mais Hard Rock, mais inglês, mais progressivo. Queremos também conferir a tal Vidas Secas! Veremo-nos novamente.

Chegando a metade do 4x4, faltavam ainda as outras duas bandas da noite, que deixaremos para a segunda parte da cobertura. Aguardem!



http://www.purevolume.com/dharmanet
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=5807209

Agenda: Show da banda Terreno Baldio, dia 30/09/2008

Toca, no dia 30 desse mês de Agosto, no auditório da Biblioteca Cassiano Ricardo, em São Paulo, a excelente banda Terreno Baldio.

Sem dúvida, um espetáculo imperdível de um dos grupos de maior representatividade - ainda que seja relativamente pouco conhecido - do Rock Progressivo nacional.

Os que tiveram a infelicidade de perdê-los na Virada Cultural da cidade de São Paulo, em 2008, terão a oportunidade de ver aqueles que, na opinião do Programa Bluga, performatizaram o melhor show da Virada Cultural.

A apresentação do Terreno Baldio foi impecável, conseguindo - ao meu ver - superar inclusive o esperado show do conjunto Som Nosso de Cada Dia (que não deixou de ser memorável, todavia). A excelência técnica de cada um dos músicos do grupo foi notória, tendo sido a sua formação a seguinte: João Kurk nos vocais, Mozart Mello na guitarra, Roberto Lazzarini nos teclados, Edson Ghilardi bateria, Renato Muniz no contrabaixo e Cássio Poleto no violino. Nomes de peso para quem conhece o cenário musical nacional (com destaque para Lazzarini, Mozart e Kurk).

Com uma sincronia absurda, dando a impressão de que a banda ensaiou todos os dias dos 14 anos durante os quais a banda ficou inativa, as faixas executadas foram estas:

Este é o Lugar
Quando as Coisas ganham vida
Água que Corre
Aquelôo
Pássaro Azul
Despertar
Faixa Instrumental - durante a qual a guitarra de Mozart e o violino de Cássio Poleto travaram um duelo musical embasbacante.
Grite - ótima escolha para o encerramento do show, a exemplo do álbum homônimo.


Após o partir da banda, a platéia começou um coro insistente de bis, que aos poucos evoliu para um grito que aclamava Terreno! Terreno! Terreno! (Obviamente, pelo formato pouco maleável do evento, eles não poderiam voltar ao palco do Rock República).

Vejam bem, tudo isso, apesar da banda ter um público realmente restrito. Tal foi a força da apresentação! E há de se lembrar ainda que se trata de Rock Progressivo, um estilo pouquíssimo provável de agradar as massas!

Enfim, para aqueles que tiverem interesse, eis algumas informações:
Endereço- Auditório da Biblioteca Cassiano Ricardo.
Av. Celso Garcia, 4200 . Tatuapé.
São Paulo/ SP
Lotação- 165 pessoas
Inicio- 18:00

Entrada franca.

Site Oficial

Performance ao vivo do grupo



(O Gentle Giant brasileiro está de volta, graças a todos os deuses!)

Resenha: Overdrive Girls no Armazém Bar - Plano Próximo

No domingo último a equipagem do Programa Bluga esteve mais uma vez no Armazém Bar, em São Carlos, conferindo o intitulado Overdrive Girls, em iniciativa da garota Su. A casa abriu em horário não-usual, começando as 18h, para não trair o serviço de todos na manhã de segunda. Houve boa divulgação nos meios que cabem, mas mesmo assim não se atraiu muitas moscas à sopa. Talvez, infelizmente, pela ausência das bandas que haviam sido convidadas de São Paulo, mas que não fariam falta alguma aos nossos ouvidos e que o PB se recusa nominar. Ficamos então com a Fenícia, de Descalvado, e Kirx e Plano Próximo, ambas de São Carlos.

Noite então dedicada às meninas, que desde a última vez em que checamos, vem avassaladoramente fazendo rock competente por estas e outras paragens. Viva Lydia Lunch.

Irrompendo a noite a banda Kirx e suas duas meninas, Carú (baixo e voz) e (guitarra e voz) – ficando de fora do ‘meninas’ Luciano na bateria – tomando a pronúncia do destilado de cereja alemão Kirsch. Contudo, imaginá-la como doce é de longe um erro, pois como a própria bebida, mergulha-nos num certo amargor. Definitivamente não é o gosto do lado de cá, em seu hardcore melódico. Havendo quem goste, em se tratando do estilo sobressaiam-se no repertório as faixas Glamour Decadente e Ao meu Lado, duas canções que parecem saídas de uma nova safra de material, destoando das outras cinco faixas próprias apresentadas ao lado dos covers de Arctic Monkeys, um bem arranjado The Subways e o arriscado Legião Urbana, com a participação de Júnior na guitarra, e Bê fazendo as vezes no baixo, nos seus quarenta minutos no palco. Para aqueles que procuram outro olhar sobre a banda, o blog parceiro Coluna Escuta Essa gasta algumas palavras.

Como no mudar da água para o vinho, entra-se no Alternative Rock e Nu Metal com a banda Fenícia, trazendo muitos covers sui generis nesta noite ao longo de uma hora show. O Programa Bluga já esteve com a banda Fenícia e sua mulher de frente Ninne (voz) – e do sexo menos interessante TeuzinhoLucas Eduardo (baixo) e Antônio Carlos (bateria) – no CAASO, como pode ser conferido aqui. Mesmo apresentando um setlist semelhante, ainda assim deu gosto vê-los tocar, dada a competência do trabalho, muito embora uma renovação do material fosse muitíssimo bem-vindo! Entretanto, como o rock autoral deve ser mais promulgado, fica a vontade de conhecer mais no ao vivo, do material do álbum já gravado e atestar sua qualidade com o respaldo do público, além das duas composições das quais eles já podem se orgulhar, Não enrola e 14 Palavras, com certeza capazes de lançá-los em águas mais agitadas. Também aqui, comentários da Coluna Escuta Essa a respeito da banda Fenícia. (guitarra),

Fechando, grande pedida nossa da noite, a banda Plano Próximo, com mais duas garotas Carol Tokuyo (voz, sintetizador, escaleta e guitarra) e Rachel (baixo e voz) – e do outro lado, Gustavo Koshikumo (guitarra, sintetizador e voz), Ian (guitarra) e Daniel “D2” Roviriego (bateria).

Dado o bom material produzido em seu álbum de estréia em 2007, Wasabi, se fez necessária uma olhadela maior na banda, já conferida em curta apresentação junto ao 1º Festival Contato. E mais uma vez está lá a banda, no blog da Coluna Escuta Essa do Jornal 1ª Página.

Com o Plano Próximo pronto para desanuviar o clima da noite, inusitadamente a vocalista anuncia a faixa que abriria o show, Vou Capotar, como um grande plágio da abertura do seriado Meu Pequeno Pônei, dos idos da década de 80 no Xou da Xuxa e dos míticos poneizinhos coloridos de crinas plásticas. Realmente traz à reminiscência trechos no vocal de Carol. E juntando ‘a’ mais ‘bê’, redescobrimos outro PP, a banda Pequeno Pônei, extinta(?) banda onde Rachel, baixista do Plano Próximo, fazia as vezes de guitarrista e vocalista. Assim é feita a devida homenagem e começamos a descobrir as mentes criativas de cada faixa deste PP. E claro, comentando a faixa, esta abre numa guitarra muito baixa de Gustavo, que logo se junta à irmã, com Ian, que acabou suprimindo o volume da primeira. Reclamações ainda para o vocal, também perdido ali, só se fazendo sentir no forte brado punk de Carol, gritando o refrão!

Na sequência, trazem Ou não, faixa de letra insurrecta disfarçada de reggaezinho de guitarra morosa, pra ora descambar em mais frets e coral à três, de Carol, Gustavo e Rachel, e ora voltar a marcação característica do estilo.

Pedido o “Aumenta o vocal, Pardella!”, para trazer o primeiro dos competentes covers da noite, Hash Pipe, do Weezer, com seu riffinho grudento, mostrando de onde vem as nuances de powerpop da banda. Emendam com o final de Hash Pipe a faixa própria Nervosa, onde Carol empunha uma estilosa escaleta azul-turquesa, que infelizmente não se faz sentir dado o set do som. Mostrando-se MUITO boa, a faixa trazia guitarras mais pesadas que a gravação de estúdio. Dentro do figurativo Indie, num estilo sem maiores exageros ou virtuosismos, acaba rendendo arranjos bacanudos. Ressalta-se ao ouvido a paradinha em baixo,com Rachel, e chimbau e bumbo, com o cara da camisa-trocadilho do álbum Pet Sounds do The Beach Boys.

Não se desconfiando da fala “Poucas vezes executada ao vivo...”, da vocalista, seria necessário dizer que a próxima, Tem que se Mexer deveria ser tocada mais e mais vezes in live, já que realmente faz o balanço do pessoal, levado pela vocalista se remexendo de fato, subindo e descendo nas botas, esvoaçando o estiloso vestidinho verde-abacate.

Contrabalanceando muito bem seu próprio material, como bem se deve fazer, com músicas de além-mar, traziam a excelente de Your Honor, de Regina Spektor. Para aqueles que viram o segundo filme da (péssima) adaptação de Narnia, a pianista toca e canta por lá, no mesmo pobre paralelo de Enya e LOTR, então não sei se é de fato uma garota tão desconhecida. De qualquer modo, vale a pena conferir o trabalho dela. O vocal de Carol mostrou grande vigor, junto a seus comparsas na voz, mas poderia ter feito a grande diferença na faixa também de vocal feminino e mostrado a que a vocalista veio, não fosse o som.

Falando em contrabalancear a noite, outra própria Wrong, vendida como baladinha "dedicada para todo mundo que já se decepcionou", curta-lentinha para quebrar o clima e preparar os ouvidos para o que viria: Juice Box, de The Strokes, ANIMAL, vindo com baixo, muitos pratos e riffs de Ian na mesma toada. E lá no meio, solinho de Gustavo Koshikumo como Nick Valensi teria feito. Connection, do Elastica, outra banda povoada pelo dito sexo frágil, com Gustavo mais uma vez em bons riffs, e evoluindo uma bateria para entrada do resto. Ficaram faltando só os samples da original. O vocal estava mais uma vez inaudível, prejudicando Carol, que faria às vezes de Justine Frischmann.

Voltando ao Wasabi, Pior que Porrada, com D2 ditando a toada em que viriam junto Gustavo, Ian e Rachel para esta grande faixa. Ouvimos pela primeira vez um aguardado sintetizador, grande diferencial em estúdio, começando a arrebatar também ali no Armazém Bar. A letra bacana é transposta unicamente na voz de Carol, que termina atacando o ar com verbos fortes e cheios de significado.

Noutra baladinha de seu álbum, o Plano Próximo chega a metade de seu show com Não é Você, regada às duas guitarras e baixo melancólico, no exato clima que pede a música. Soam com brilho às palhetadas de Gustavo à entrada de cada estrofe maior, ao mesmo tempo em que Ian vem com outro timbre e tom.

No tomar-uma-água entre passada e futura, Ian brinca, fazendo a entradinha de Starway to Heaven e Paranoid, num clima em que poderia-se chamar o clássico de apenas um dos hits de Rock’n’Roll Racing.

Só queria conhecer o seu cachorro, parafraseando Carol é o momento mais pop do Plano Próximo, com a próxima tocada. De fato, é fácil imaginar ela num Acústico MTV, em sua letra boba, mas nem por isso ela é desmerecedora.

Faixa seguinte, um dos selecionados covers, Are you Gonna Be my Girl?, dos australianos do Jet, pouca das bandas dessa ilha-continente do sul que figuraram por aí. Viva Sebatian Hardie! Destoando do repertório de covers do por assim dizer Indie, caem aqui num Garage Rock de primeira. Tal e qual a original, sai o som de um pandeiro meia-lua empunhado por Carol abrindo a faixa. A faixa está ligeiramente rearranjada e com guitarras mais e mais rápidas que a original. Muito estilo no twist das pernas de Rachel, empolgadíssima com seu baixo. Paradinha orquestrada com a volta de Ian, e muitos, MUITOs pratos de D2. Belo cover!

Entrando num excerto interessante do show, o cenário muda ligeiramente. Na dramaticidade da vocalista Carol, música de "banda desconhecida, que já fez turnê na Europa... Com apenas UM show em São Carlos!" Eis que vinha uma composição da banda El Jessica, que deixa a incógnita da pronúncia de seu nome relacionada à sigla GSK, remetendo a uma insígnia do próprio Gustavo KoShiKumo possivelmente. Parece que o garoto pode nos trazer mais surpresas, com trabalhos neste interessantíssimo gênero e outras coisas mais, como o mix de som e imagem da banda Therenoise, em que brinca junto com D2. Com troca de posição no palco, Carol na guitarra e Gustavo nos vocais: Heyyy! Primeira do particular dance-punk que soaria por uns tempos. Fica a lembrança do vocal distorcido de Gustavo soltando a chamada capiciosa que dá nome a faixa, enquanto a bateria simplória dá a marcação da batida junto ao baixo, caracterizando o delicioso estilo.

Mais um dance-punk da tal El Jessica, Love Like a Pimp (ou seria Dance like a Lover?), com brilhante incursão no sintetizador de Koshikumo que continua lançando garganta, junto a dessa vez muito bem sentida voz de Carol no backing vocal. Desconcertantes maquinadas de D2 no chimbau e bumbo certamente cabem a pista e pedem ritmo de balada. Lembram MUITO !!! (isso mesmo que você está vendo, com nome de pronúncia a revelia). Será que um dia veremos um cover?

Deixando por hora o famigerado dance-punk, entram em um hardcore com uma Police Truck rearranjada, do Dead Kennedys. “Música muito antiga” como lembra Carol, que apesar dos pesares, é extremamente empolgante, e com os ótimos samples no sintetizador e baixo ululante de Rachel.

Mais uma do Wasabi, a faixa de abertura do álbum, Nada Demais, abrindo com a guitarra de Ian, Gustavo martelando dedadas nas teclas, para depois deixar o zunido quase macabro sair do sintetizador. Apesar de outra letra despropositada, o vocal está bacana, com o refrão forte de Carol, junto ao backing de Gustavo e Rachel. Fica faltando o metálico “Me deixa em Paz”, mas o “Ninguém, ninguém" de Rachel já deixa a faixa divertida.

Sem o assustar dos despertadores, segue Doce Vida, contando estorinha cotidiana como manda a praxe do estilo. Destaca-se o baixo de Rachel, enquanto o synth faz toda a sua pirotecnia, fazendo jus à influência do dance-punk dentro do Plano Próximo. Acompanhado de bumbo e surdo, o “solo” de sintetizador só seria melhor se usasse de jogadas de estereofonia. Termina-se a faixa com uma riffada diferente, já que não se tem o ciclo sem fim que sugere a faixa de estúdio.

E incorrendo mais uma vez com um pezinho no dance-punk, Whoo! Alright - Yeah... Uh Huh, cover de The Rapture. Impagável timbre da caneca achada no meio da bateria de D2 , com o baixo de Rachel fazendo a festa todo solto e Carol brincando com o pandeiro mais uma vez. Faltou só um melhor trabalho do backing vocal, pra chegar ao coral da original. Sintetizadores, sem comentários!

Em recado de Carol, "Para todas as meninas aí, TODAS, essa música se chama TPM Song". Não sendo uma faixa das melhores, sobram os sintetizadores chorandinho, que, no erro da repetição, fazem a GRANDE diferença no PP. Cobrindo então todas as faixas de seu álbum, trazem a excelente Até Quebrar a Certa, com Gustavo atacando novamente na guitarra. Mais uma vez as canequinhas dão aquela marcada perdida, de tom misterioso, à faixa, cheia de paradinhas. Muito embora o backing vocal de Gustavo não saia como o esperado, em mais uma estória cantada, Carol ainda desprega refrão forte e no sintetizador, agudíssimo, traz ao final um clima praticamente psicodélico. Prolongam-se os acordes, junto às guitarras, para entrar de novo em marcha lenta, com baixo e bateria, e trazer ao final mais um altíssimo acorde final.

Terminado seu próprio material(que ainda veio com os extras da El Jessica), trazem mais dois covers: The Ting Tings, em mais uma excerto do famigerado com That's Not My Name, onde Gustavo intercala guitarra e sintetizador e apresenta-se um bom coral dos três, e Carol pulando entusiasta do começo ao fim(será que ela gosta?); e ainda fechando com a “que todo mundo conhece, vai gente”, Date With the Night, do bem anunciado Yeah, Yeah, Yeahs, gritado por Carol no mesmo ritmo da música.

Com apresentação muito bacana, o Plano Próximo recolhe-se depois de ter imposto muito respeito, mostrando que nem só de ingleses se faz o Indie Rock. Com autoria de qualidade e músicos extremamente competentes, uma boa pedida pode ser extender o uso do sintetizador, com novos trabalhos em cima do dance-punk. Por sinal, seria ternamente acolhido trazer mais do El Jessica aos shows, que já se sabe ter mais duas outras composições. No cenário underground, as garotas (garotas por primeiro, sim, além do cavalheirismo, porque a noite era delas) e garotos do Plano Próximo fazem trabalho de gente grande, estando a um passo de serem abocanhados por um selo e deixarem a alma da alcunha indie.



http://www.myspace.com/planoproximo

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=41169

http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/planoproximo/

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14162613




Cobertura: Setlist da banda Senhor X no St. Patrick Pub

Até então, só havia se visto MPB e afins no St. Patrick Pub, muito embora se cogitasse ver um programa ROCK nesse novo, por assim dizer, estabelecimento de São Carlos. Eis que então veio muito bem a calhar a visita da banda Senhor X, nossa conhecida de outras paragens, na noite de 31 de Maio.

Já esmiuçamos um show dos senhores x (aqui e aqui também!), na ocasião do Tributo ao Pink Floyd - Dark Side of The Moon, no Armazém Bar, mas sempre é útil saber que se passa a cada show, com a evolução da banda ao longo da noite, além desta vez termos um repertório de mais cores na paleta. Assim, apresentamos aqui o setlist e mais bobagens para quem quiser conferir!

Casa pequena, balcão, vários quartos, algumas mesas: LOTADO. Sem possibilidade de reserva das mesas desde a noite anterior, muita, muita gente num trânsito infindável. Pelo simples fato de que era um sábado à noite, era de se esperar o número de pessoas no St. Patrick. A pergunta é quantas VIERAM pela banda, quantas estavam por lá, e quantas se SUBMETERAM a ela. Contudo, havia um público, grande e diverso, amante do repertório, cantando várias e pedindo aos berros outras tantas. Detalhe: mais da metade dos ouvintes até o final do show.

Estavam lá Beto Leoneti, em guitarra, mini-guitarra, efeitos e voz; a outra voz, Carla Viana; Beto Braz, de baixo, mais voz; e Wellington Ruvieri na bateria. Como boa banda de bar, tocaram um MONTRUOSO setlist, atentando a todo o momento para a qualidade do som aos ouvintes, impecável tanto no canto onde estavam como para duas das ante-salas. No sempre diminuto espaço, desta vez estavam mais confortáveis, sem muito do aparato que exigia um Dark Side of The Moon.

Fizeram um excelente show com repertório do bom e também do melhor. Fiquei a me perguntar quando eles tocariam uma ou outra d’Os Mutantes, já que fica sempre a dúvida se o Senhor X, da questão, não seria o mesmo de Senhor F, em uma inspiração ou homenagem. Afora que estão no repertório deles não uma, mas DUAS faixas do Tudo Foi Feito Pelo Sol, impagável álbum de 1974 do Sérgio Dias, a excepcional Deixa Entrar um Pouco d’Água no Quintal e o Contrário de Nada é Nada – PRECISO ver eles tocando isso, porque nem os próprios autores tocam essas...

Também prometeram que logo mais sai um álbum novo – mas queria saber mesmo onde achar os outros dois! Já podemos conferir muito do trabalho deles no site da trama e no myspace da banda. Por sinal, este material deles já dava essa pedida há muito tempo! Duas faixas apresentadas no show, e esperemos que saia(m) alguma(s) inédita(s) por aí.

E finalmente, o resumo da noite:

01 - Deep Purple - Stormbringer

02 - Led Zeppelin - Immigrant Song

03 - The Beatles - Come Together

04 - Jimi Hendrix - Purple Haze

05 - AC/DC - You Shook Me All Night Long

06 - The Who - The Seeker

07 - Black Crowes - Remedy

08 - Creedence Clearwater Revival - Proud Mary

09 - Raul Seixas - Metamorfose Ambulante

10 - Pink Floyd - Another Brick in the Wall (Part I)

11 - Pink Floyd - The Happiest Days of Our Lives

12 - Pink Floyd - Another Brick in the Wall (Part II)

13 - Deep Purple - Black Night

14 - The Doors - Roadhouse Blues

15 - Queen - Crazy Little Thing Called Love

16 - The Clash - Brand New Cadillac

17 - The Who - My Generation

18 - Senhor X - Oito

19 - Janis Joplin - Mercedes Benz

20 - Secos & Molhados - O Vira

21 - The Who - Who Are You

22 - Alice in Chains - Would

23 - Pink Floyd - Time

24 - Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

25 - Led Zeppelin - Good Time Bad Times

26 - Supertramp - The Logical Song

27 - The Who - Baba O'Riley

28 - Black Sabbath - Symptom of The Universe

29 - Jethro Tull - Aqualung

30 - Led Zeppelin - Rock & Roll

31 - Drum Solo?

32 - Deep Purple - Highway Star

Pausa prum chá mate?

33 - Rolling Stones - Jumpin'Jack Flash

34 - Led Zeppelin - Black Dog

35 - AC/DC - Highway to Hell

36 - Senhor X - Peso Sem Culpa

37 - System of a Down - Aerials

38 - Ozzy Osbourne - No More Tears

39 - Pink Floyd - Run Like Hell

40 - Metallica - Wherever I May Roam

41 - Audioslave - Cochise

Depois de DUAS HORAS E VINTE MINUTOS de show non-stop, voltando depois com fôlego renovado pra MAIS UMA HORA, o Senhor X saia já prometendo volta à cidade com mais um Tributo, dessa vez ao The Who. Será que dessa vez eles vão tocar Tommy?

http://www.senhorx.com