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Resenha: Overdrive Girls no Armazém Bar - Plano Próximo

No domingo último a equipagem do Programa Bluga esteve mais uma vez no Armazém Bar, em São Carlos, conferindo o intitulado Overdrive Girls, em iniciativa da garota Su. A casa abriu em horário não-usual, começando as 18h, para não trair o serviço de todos na manhã de segunda. Houve boa divulgação nos meios que cabem, mas mesmo assim não se atraiu muitas moscas à sopa. Talvez, infelizmente, pela ausência das bandas que haviam sido convidadas de São Paulo, mas que não fariam falta alguma aos nossos ouvidos e que o PB se recusa nominar. Ficamos então com a Fenícia, de Descalvado, e Kirx e Plano Próximo, ambas de São Carlos.

Noite então dedicada às meninas, que desde a última vez em que checamos, vem avassaladoramente fazendo rock competente por estas e outras paragens. Viva Lydia Lunch.

Irrompendo a noite a banda Kirx e suas duas meninas, Carú (baixo e voz) e (guitarra e voz) – ficando de fora do ‘meninas’ Luciano na bateria – tomando a pronúncia do destilado de cereja alemão Kirsch. Contudo, imaginá-la como doce é de longe um erro, pois como a própria bebida, mergulha-nos num certo amargor. Definitivamente não é o gosto do lado de cá, em seu hardcore melódico. Havendo quem goste, em se tratando do estilo sobressaiam-se no repertório as faixas Glamour Decadente e Ao meu Lado, duas canções que parecem saídas de uma nova safra de material, destoando das outras cinco faixas próprias apresentadas ao lado dos covers de Arctic Monkeys, um bem arranjado The Subways e o arriscado Legião Urbana, com a participação de Júnior na guitarra, e Bê fazendo as vezes no baixo, nos seus quarenta minutos no palco. Para aqueles que procuram outro olhar sobre a banda, o blog parceiro Coluna Escuta Essa gasta algumas palavras.

Como no mudar da água para o vinho, entra-se no Alternative Rock e Nu Metal com a banda Fenícia, trazendo muitos covers sui generis nesta noite ao longo de uma hora show. O Programa Bluga já esteve com a banda Fenícia e sua mulher de frente Ninne (voz) – e do sexo menos interessante TeuzinhoLucas Eduardo (baixo) e Antônio Carlos (bateria) – no CAASO, como pode ser conferido aqui. Mesmo apresentando um setlist semelhante, ainda assim deu gosto vê-los tocar, dada a competência do trabalho, muito embora uma renovação do material fosse muitíssimo bem-vindo! Entretanto, como o rock autoral deve ser mais promulgado, fica a vontade de conhecer mais no ao vivo, do material do álbum já gravado e atestar sua qualidade com o respaldo do público, além das duas composições das quais eles já podem se orgulhar, Não enrola e 14 Palavras, com certeza capazes de lançá-los em águas mais agitadas. Também aqui, comentários da Coluna Escuta Essa a respeito da banda Fenícia. (guitarra),

Fechando, grande pedida nossa da noite, a banda Plano Próximo, com mais duas garotas Carol Tokuyo (voz, sintetizador, escaleta e guitarra) e Rachel (baixo e voz) – e do outro lado, Gustavo Koshikumo (guitarra, sintetizador e voz), Ian (guitarra) e Daniel “D2” Roviriego (bateria).

Dado o bom material produzido em seu álbum de estréia em 2007, Wasabi, se fez necessária uma olhadela maior na banda, já conferida em curta apresentação junto ao 1º Festival Contato. E mais uma vez está lá a banda, no blog da Coluna Escuta Essa do Jornal 1ª Página.

Com o Plano Próximo pronto para desanuviar o clima da noite, inusitadamente a vocalista anuncia a faixa que abriria o show, Vou Capotar, como um grande plágio da abertura do seriado Meu Pequeno Pônei, dos idos da década de 80 no Xou da Xuxa e dos míticos poneizinhos coloridos de crinas plásticas. Realmente traz à reminiscência trechos no vocal de Carol. E juntando ‘a’ mais ‘bê’, redescobrimos outro PP, a banda Pequeno Pônei, extinta(?) banda onde Rachel, baixista do Plano Próximo, fazia as vezes de guitarrista e vocalista. Assim é feita a devida homenagem e começamos a descobrir as mentes criativas de cada faixa deste PP. E claro, comentando a faixa, esta abre numa guitarra muito baixa de Gustavo, que logo se junta à irmã, com Ian, que acabou suprimindo o volume da primeira. Reclamações ainda para o vocal, também perdido ali, só se fazendo sentir no forte brado punk de Carol, gritando o refrão!

Na sequência, trazem Ou não, faixa de letra insurrecta disfarçada de reggaezinho de guitarra morosa, pra ora descambar em mais frets e coral à três, de Carol, Gustavo e Rachel, e ora voltar a marcação característica do estilo.

Pedido o “Aumenta o vocal, Pardella!”, para trazer o primeiro dos competentes covers da noite, Hash Pipe, do Weezer, com seu riffinho grudento, mostrando de onde vem as nuances de powerpop da banda. Emendam com o final de Hash Pipe a faixa própria Nervosa, onde Carol empunha uma estilosa escaleta azul-turquesa, que infelizmente não se faz sentir dado o set do som. Mostrando-se MUITO boa, a faixa trazia guitarras mais pesadas que a gravação de estúdio. Dentro do figurativo Indie, num estilo sem maiores exageros ou virtuosismos, acaba rendendo arranjos bacanudos. Ressalta-se ao ouvido a paradinha em baixo,com Rachel, e chimbau e bumbo, com o cara da camisa-trocadilho do álbum Pet Sounds do The Beach Boys.

Não se desconfiando da fala “Poucas vezes executada ao vivo...”, da vocalista, seria necessário dizer que a próxima, Tem que se Mexer deveria ser tocada mais e mais vezes in live, já que realmente faz o balanço do pessoal, levado pela vocalista se remexendo de fato, subindo e descendo nas botas, esvoaçando o estiloso vestidinho verde-abacate.

Contrabalanceando muito bem seu próprio material, como bem se deve fazer, com músicas de além-mar, traziam a excelente de Your Honor, de Regina Spektor. Para aqueles que viram o segundo filme da (péssima) adaptação de Narnia, a pianista toca e canta por lá, no mesmo pobre paralelo de Enya e LOTR, então não sei se é de fato uma garota tão desconhecida. De qualquer modo, vale a pena conferir o trabalho dela. O vocal de Carol mostrou grande vigor, junto a seus comparsas na voz, mas poderia ter feito a grande diferença na faixa também de vocal feminino e mostrado a que a vocalista veio, não fosse o som.

Falando em contrabalancear a noite, outra própria Wrong, vendida como baladinha "dedicada para todo mundo que já se decepcionou", curta-lentinha para quebrar o clima e preparar os ouvidos para o que viria: Juice Box, de The Strokes, ANIMAL, vindo com baixo, muitos pratos e riffs de Ian na mesma toada. E lá no meio, solinho de Gustavo Koshikumo como Nick Valensi teria feito. Connection, do Elastica, outra banda povoada pelo dito sexo frágil, com Gustavo mais uma vez em bons riffs, e evoluindo uma bateria para entrada do resto. Ficaram faltando só os samples da original. O vocal estava mais uma vez inaudível, prejudicando Carol, que faria às vezes de Justine Frischmann.

Voltando ao Wasabi, Pior que Porrada, com D2 ditando a toada em que viriam junto Gustavo, Ian e Rachel para esta grande faixa. Ouvimos pela primeira vez um aguardado sintetizador, grande diferencial em estúdio, começando a arrebatar também ali no Armazém Bar. A letra bacana é transposta unicamente na voz de Carol, que termina atacando o ar com verbos fortes e cheios de significado.

Noutra baladinha de seu álbum, o Plano Próximo chega a metade de seu show com Não é Você, regada às duas guitarras e baixo melancólico, no exato clima que pede a música. Soam com brilho às palhetadas de Gustavo à entrada de cada estrofe maior, ao mesmo tempo em que Ian vem com outro timbre e tom.

No tomar-uma-água entre passada e futura, Ian brinca, fazendo a entradinha de Starway to Heaven e Paranoid, num clima em que poderia-se chamar o clássico de apenas um dos hits de Rock’n’Roll Racing.

Só queria conhecer o seu cachorro, parafraseando Carol é o momento mais pop do Plano Próximo, com a próxima tocada. De fato, é fácil imaginar ela num Acústico MTV, em sua letra boba, mas nem por isso ela é desmerecedora.

Faixa seguinte, um dos selecionados covers, Are you Gonna Be my Girl?, dos australianos do Jet, pouca das bandas dessa ilha-continente do sul que figuraram por aí. Viva Sebatian Hardie! Destoando do repertório de covers do por assim dizer Indie, caem aqui num Garage Rock de primeira. Tal e qual a original, sai o som de um pandeiro meia-lua empunhado por Carol abrindo a faixa. A faixa está ligeiramente rearranjada e com guitarras mais e mais rápidas que a original. Muito estilo no twist das pernas de Rachel, empolgadíssima com seu baixo. Paradinha orquestrada com a volta de Ian, e muitos, MUITOs pratos de D2. Belo cover!

Entrando num excerto interessante do show, o cenário muda ligeiramente. Na dramaticidade da vocalista Carol, música de "banda desconhecida, que já fez turnê na Europa... Com apenas UM show em São Carlos!" Eis que vinha uma composição da banda El Jessica, que deixa a incógnita da pronúncia de seu nome relacionada à sigla GSK, remetendo a uma insígnia do próprio Gustavo KoShiKumo possivelmente. Parece que o garoto pode nos trazer mais surpresas, com trabalhos neste interessantíssimo gênero e outras coisas mais, como o mix de som e imagem da banda Therenoise, em que brinca junto com D2. Com troca de posição no palco, Carol na guitarra e Gustavo nos vocais: Heyyy! Primeira do particular dance-punk que soaria por uns tempos. Fica a lembrança do vocal distorcido de Gustavo soltando a chamada capiciosa que dá nome a faixa, enquanto a bateria simplória dá a marcação da batida junto ao baixo, caracterizando o delicioso estilo.

Mais um dance-punk da tal El Jessica, Love Like a Pimp (ou seria Dance like a Lover?), com brilhante incursão no sintetizador de Koshikumo que continua lançando garganta, junto a dessa vez muito bem sentida voz de Carol no backing vocal. Desconcertantes maquinadas de D2 no chimbau e bumbo certamente cabem a pista e pedem ritmo de balada. Lembram MUITO !!! (isso mesmo que você está vendo, com nome de pronúncia a revelia). Será que um dia veremos um cover?

Deixando por hora o famigerado dance-punk, entram em um hardcore com uma Police Truck rearranjada, do Dead Kennedys. “Música muito antiga” como lembra Carol, que apesar dos pesares, é extremamente empolgante, e com os ótimos samples no sintetizador e baixo ululante de Rachel.

Mais uma do Wasabi, a faixa de abertura do álbum, Nada Demais, abrindo com a guitarra de Ian, Gustavo martelando dedadas nas teclas, para depois deixar o zunido quase macabro sair do sintetizador. Apesar de outra letra despropositada, o vocal está bacana, com o refrão forte de Carol, junto ao backing de Gustavo e Rachel. Fica faltando o metálico “Me deixa em Paz”, mas o “Ninguém, ninguém" de Rachel já deixa a faixa divertida.

Sem o assustar dos despertadores, segue Doce Vida, contando estorinha cotidiana como manda a praxe do estilo. Destaca-se o baixo de Rachel, enquanto o synth faz toda a sua pirotecnia, fazendo jus à influência do dance-punk dentro do Plano Próximo. Acompanhado de bumbo e surdo, o “solo” de sintetizador só seria melhor se usasse de jogadas de estereofonia. Termina-se a faixa com uma riffada diferente, já que não se tem o ciclo sem fim que sugere a faixa de estúdio.

E incorrendo mais uma vez com um pezinho no dance-punk, Whoo! Alright - Yeah... Uh Huh, cover de The Rapture. Impagável timbre da caneca achada no meio da bateria de D2 , com o baixo de Rachel fazendo a festa todo solto e Carol brincando com o pandeiro mais uma vez. Faltou só um melhor trabalho do backing vocal, pra chegar ao coral da original. Sintetizadores, sem comentários!

Em recado de Carol, "Para todas as meninas aí, TODAS, essa música se chama TPM Song". Não sendo uma faixa das melhores, sobram os sintetizadores chorandinho, que, no erro da repetição, fazem a GRANDE diferença no PP. Cobrindo então todas as faixas de seu álbum, trazem a excelente Até Quebrar a Certa, com Gustavo atacando novamente na guitarra. Mais uma vez as canequinhas dão aquela marcada perdida, de tom misterioso, à faixa, cheia de paradinhas. Muito embora o backing vocal de Gustavo não saia como o esperado, em mais uma estória cantada, Carol ainda desprega refrão forte e no sintetizador, agudíssimo, traz ao final um clima praticamente psicodélico. Prolongam-se os acordes, junto às guitarras, para entrar de novo em marcha lenta, com baixo e bateria, e trazer ao final mais um altíssimo acorde final.

Terminado seu próprio material(que ainda veio com os extras da El Jessica), trazem mais dois covers: The Ting Tings, em mais uma excerto do famigerado com That's Not My Name, onde Gustavo intercala guitarra e sintetizador e apresenta-se um bom coral dos três, e Carol pulando entusiasta do começo ao fim(será que ela gosta?); e ainda fechando com a “que todo mundo conhece, vai gente”, Date With the Night, do bem anunciado Yeah, Yeah, Yeahs, gritado por Carol no mesmo ritmo da música.

Com apresentação muito bacana, o Plano Próximo recolhe-se depois de ter imposto muito respeito, mostrando que nem só de ingleses se faz o Indie Rock. Com autoria de qualidade e músicos extremamente competentes, uma boa pedida pode ser extender o uso do sintetizador, com novos trabalhos em cima do dance-punk. Por sinal, seria ternamente acolhido trazer mais do El Jessica aos shows, que já se sabe ter mais duas outras composições. No cenário underground, as garotas (garotas por primeiro, sim, além do cavalheirismo, porque a noite era delas) e garotos do Plano Próximo fazem trabalho de gente grande, estando a um passo de serem abocanhados por um selo e deixarem a alma da alcunha indie.



http://www.myspace.com/planoproximo

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=41169

http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/planoproximo/

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14162613




Resenha: Fenícia no Rock'n'Blues

Em mais uma das muitas investidas da molecada do Programa Bluga ao chão do CAASO, na sexta-feira, dia 28 de Março de 2008, acabamos conferindo logo DUAS das bandas que perdemos, por razões alheias a nossa vontade, na ocasião do evento Grito Rock que passou por São Carlos.

Embora a noite em questão se chamasse Rock’n’Blues, pode-se dizer que a primeira banda não caia exatamente sobre essa alcunha. Recheada de covers de bandas do cenário Alternative Metal, a banda Fenícia revelou-se uma excelente abertura para a noite, senão a peça principal, atraindo tanto público quanto o mel atrai moscas. Havia tempos que eu não via um roquinho colocar tanta gente, incluindo raparigas, dentro do CAASO (alguém se lembra de como um mítico cover do Pearl Jam encheu o lugar?).

Nesta nova passagem pelo território uspiano, o pessoal de Descalvado iniciou a noite por volta da 01h da manhã, tocando All my life, a preferida para abertura de shows do próprio Foo Fighters. Assim, a escolha não podia ser melhor e depois dessa, veríamos clássicos e mais clássicos (dos últimos dez anos, mas enfim, clássicos), que fariam a massa ficar num nervoso headbanging ao longo noite.

Seguindo com o show, a guitarra entra com uma Your Time has Come, que realmente vem a brilhar quando entram os pratos do baterista Antônio Carlos, vibrando tal e qual o Audioslave. Teuzinho Rocks tenta, consegue um bom som, mas não chega nessas do Tom Morello, embora se note a clara influência.

Continuando com o Morello, Teuzinho cai bem melhor no estilo com Sleep Now in the Fire, do Rage Against The Machine. O baixo me pareceu ficar devendo um pouco, mas o vocal fica interessante, revelando a força e presença da voz de Ninne, no limiar entre o cantar e o gritar (senão, o protestar), que marcaria várias outras faixas, inclusive o refrão da próxima tocada, Zombie, do The Cranberries, onde o vocal feminino se encaixa bem ao timbre da vocalista da Fenícia.

E dando continuidade ao que poderíamos chamar de “sessão protesto”, a banda traz uma composição própria. Deixando de lado a discussão sobre a própria incursão pela causa e nos concentrando na análise da musicalidade da faixa Eutanásia, ela se mostra um bom material, embora de riffs medianos, mas de baixo presente e vocal atirado, com muita influência das bandas deste cenário, quase num Rap-Metal.

E voltando para os covers, no mesmo seguimento eles trazem o que seria a vedete da noite: System of a Down. Como primeira faixa desta banda, vem Aerials, que só abrilhanta a voz da garota Ninne, muito a vontade, segurando bem a música. A banda faz uma interessante performance em palco, sobressaindo-se a figura de Ninne, que parece imerge na sensação da música, ao lado do guitarrista, que viria a entrar mais atirado no back vocal, fazendo aquele jogo de vozes típico do System, sem muito se preocupar com qualquer lirismo na coisa. Fica feio, mas talvez isso se justifique na desculpa esfarrapada de que não só sua voz, mas toda sua atitude no palco é atirada e imponente. Praticamente um showman.

Depois de uma Megalomaniac do Incubus, com um baixo arrebatador, a Fenícia trás outra de suas faixas, Não Enrola, que entra numa guita excelente, revezando-se com um baixo cavalgante, num estilo Rap Metal na melhor inspiração de Rage, incluindo a letra de música de protesto com vocal forte da vocalista, que ainda se ganha espírito no palco e encara firme a platéia.

E mais uma vez a banda visita o SOAD, deixando bem claro de quem são fãs e onde buscam inspiração, que se reflete em muito na postura do guitarrista Teuzinho Rocks, embora ele esteja esquecendo que o macaco louco do System é o baixista. Mas a troca de papeis é justa, assim como a troca da guitarra para tocar todas e exclusivamente as faixas desta banda, deixando de lado o espiral no melhor estilo Gibson Les Paul de Zakk Wylde. Traziam uma extremamente energética Innervision, naquela pegada pesadinha como na original, sentindo o baixo retumbante. E essa empolgação se reflete num uso demasiado de pratos na faixa, mas que não ficaram de modo algum exagerados, muito pelo contrário, caindo bem.

Mas o grande pulo da noite viria com a faixa nacional de Raimundos, com Eu quero ver o oco, com Lucas Eduardo desfiando aquele baixo catchy pra deixar a guitarra lançar aquele riffinho grudento. Aliás, trabalho muito bom de Lucas, com um baixo sonoro. (Ademais, havia tempos que eu não via um som tão bem setado num show do CAASO. Pra quem já tentou ver até um Paulinho Moska cair no veneno daquele palco, estava EXCELENTE. Foi trabalho do Leozinho isso é?) Enfim, pra lá de empolgante, a faixa, acabou levando mesmo quem não gosta do gênero. E levou TODO o público a entoar o mítico refrão junto com a vocalista Ninne, mais uma vez forte, conduzindo com maestria seu coral para a empolgação generalizada.

Continuando no que eu chamo agora de “sessão coral”, trouxeram um pouco do Post-Grunge da segunda metade da década de 90, com um Silverchair, Freak, onde mais a guitarra caiu como uma luva. Tocaram ainda Paparoach, Broken Home, pra não deixar faltar nenhuma das clássicas daquela época.

Pra não dizer que eu não falei dela, eles tocaram mais uma, que eu me recuso a comentar, porque é uma faixa deplorável.

MAS, pra felicidade geral (ou exclusivamente minha, considerando a predecessora), trouxeram mais um System of a Down, encarnado em Toxicity, que foi simplesmente ARREBATADOR. E a despeito de que a faixa por si só ser fulminante, tocada muito bem, a banda reafirma sua presença de palco, que veio num crescendo ao longo do show e culminou na espetacular investida de Teuzinho Rocks com a estrelinha colocada na cabeça da guitarra, iluminando o breu estabelecido no CAASO com a chuva de fogos de artifício. FIRE, man, FIRE!

E não obstante o que seria o desfecho perfeito, eles vem com a (sessão) saideira! Anunciaram a outra composição própria, que me deixou temeroso pela vinda de uma das faixas de trabalho da banda, Anjo Negro, que não cairia nem um pouco bem ao mote do show que eles se propuseram a mostrar. Isso sem considerar que em minha opinião, a faixa é pobre, com letra abaixo do medíocre e ferindo mortalmente a liturgia, sem muito a acrescentar. Felizmente trouxeram a luz 14 Palavras, que, embora eu não conheça na integra o material do grupo, não me deixa outra escolha senão afirmar que é a faixa mais promissora apresentada até então, podendo realmente vir a lançá-los na mídia, dado o apelo comercial da faixa, assemelhando a alguns trabalhos da cantora Pitty. Quem quiser conferir o material, que procure nos diversos links lá embaixo (até o fechamento deste artigo o site oficial da banda estava fora do ar*).

E pra fechar o sol, mais uma empolgante seção de Rage, com Killing in the Name of, cantada aos brados por Ninne com todo o estilo necessário, com toda a empolgação do encerramento do show da banda. Baixo ensurdecedor, promovendo mais uma vez o balançar de cabeças na massa ouvinte e outro replicar do refrão.

A meu ver, se tivessem promovido melhor a festa, teria sido um estrondo, porque a Fenícia trouxe muitas caras novas ao lugar. Tudo bem que era uma sexta depois da semana santa, mas enfim... Resta dizer que se esse não era o metier comum da “caasa”, acho bom os organizadores de festa do CAASO olharem com muita atenção para este seguimento, porque se, mesmo perdida no nome da festa, sem dizer a que veio exatamente, a Fenícia arrebatou aquele público diferente do visto normalmente, que fariam covers de SOADs, RATMs e Pearl Jams da vida?

Ultimamente não tenho visto bandas tão boas fazendo covers dessa leva de famosos, tocando com tanta vontade e com essa presença de palco fenomenal, cativante ao extremo. Posso dizer que os garotos e a menina fizeram o que não se via há muito tempo no CAASO: contagiar o público (novo).


*Em tempo: Segundo informações da banda, o site oficial fica fora do ar até maio. Ademais, adicionamos abaixo o link da banda no MySpace.


http://www.bandafenicia.com.br/
http://
www.myspace.com/feniciarock
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18759906
http://bandasdegaragem.uol.com.br/hotsite/index.php?id_banda=4896