Contudo, não só trazer o MACACO desde o primeiro momento do ano letivo da USP São Carlos era a intenção da Macacada. Um aspecto deste festival que deve ser salientado são as justificativas a escolha do local de sua realização, o Campus 2. Há várias ideias envoltas nesta proposta. Em uma primeira análise, faz-se justamente com que os estudantes conheçam melhor a área para onde ocorre a desenfreada expansão de vagas da USP de São Carlos, com os cursos novos ali instalados, como as Engenharias Aeronáutica, Ambiental e de Computação, além da Física Computacional e da novíssima Engenharia de Materiais. Apesar de já ter lá seus cinco anos de uso corrente, afora estes estudantes com aulas regularmente, os demais cursos desconhecem as condições dali, assim como a própria população da cidade, que apesar de conhecer seu nome, sequer sabe onde fica. Assim, fazer o uso do espaço por uma ação deste porte é também fazer seus problemas serem conhecidos de todos.
Outro aspecto interessante desta escolha está na tentativa de aproximação da população dos bairros próximos, buscando a integração entre estudantes e comunidade. Afinal, trata-se de um espaço público, embora a USP tente fechar suas portas ao mundo exterior a todo custo. Com atividades realizadas durante a tarde daquele 05 de Março à porta do Campus, fazia-se um convite à população. Infelizmente, o choque ainda é grande demais e houve pouca participação. Novas tentativas são necessárias, com contato mais direto e parceria conjunta com a comunidade.
Enfim, num espaço privilegiado destes, com gramado aconchegante e sem vizinhos por perto, há possibilidades infinitas para todo tipo de atividade. Não usá-lo seria, definitivamente, um pecado.
Agora, vamos falar de música?

Abrindo a noite, tivemos a já conhecida e da casa
Aeromoças e Tenistas Russas. Aos que não conhecem, confesso que visualmente não são tão atraentes quanto o nome sugere, mas acabam compensando com a boa música. Não me arrisco a classificá-los em qualquer estilo, já que cada música carrega elementos distintos, passando pelo jazz, samba, pop rock e mesmo o eletrônico. Para pessoas como eu, que não conferiam um show dos caras há bastante tempo, agradáveis surpresas, como as músicass
Insomne e
Kirilenko, recém saídas do forno. Ecleticidade é sempre bom, mas com tanta variação de estilos, às vezes instrumental, às vezes cantado, a impressão que me passa é que estão passando por uma fase de transição, limando o estilo e se encontrando. Bom, esperamos que agora que estão caindo às graças do público, com produção renovada com camisas, discos e videoclipes (como esse
aqui), não deixem de continuar tocando por aqui. Quando conquistarem fama internacional e uma legião de fãs no Japão, aí sim dá-se uma colher de chá. E vai lá o vídeo da música nova,
Kirilenko, gravado direto na Macacada:

Depois de alguns minutinhos da sempre boa discotecagem do
Independência ou Marte, sobe ao palco
Jennifer Lo-Fi, vinda diretamente da metrópole. Como os caras nunca tocaram em São Carlos e nunca foram comentados aqui pelo no blog, vai lá uma introdução: Jennifer Lo-Fi é composta por
Sabine Holler,
Filipe
"Miu",
Caio Freitas,
Luccas Villela e
Gustavo Santos. Cortes de cabelo extravagantes, camisas listradas, dancinhas esquisitas: nota 10 no quesito indie.
Ao começo do show da J-LoFi, houve alguns problemas técnicos com o vocal, mas afora isso, a banda surpreende bastante. Também, com um bom vocal feminino e toneladas de efeitos aliados a bom gosto e criatividade não poderiam dar em coisa ruim. E no bom gosto, ficam claras as influências de bandas como
The Mars Volta e
Sonic Youth. Sempre tive muita vontade de ver esses caras ao vivo e, realmente, foi um belo show, apesar de me parecer que estavam se sentindo pouco à vontade no palco, sem entrar numa dinâmica boa com o público.

Mais um tempinho para curtir o vento gelado que aramava naquele dia em que quase choveu e partimos para um instrumental dos bons, vindo lá de Recife:
A Banda de Joseph Tourton. Quem foi Joseph Tourton eu não sei exatamente, mas a banda que começou tocando numa rua que levava seu nome consiste dos nomes
Diogo Guedes, na guitarra e efeitos,
Gabriel Izidoro, na outra guitarra, escaleta, flauta e mil efeitos,
Rafael Gadelha no baixo, e
Pedro Bandeira, na bateria. À primeira ouvida, as primeiras relações que me vêm à mente são outras instrumentais, feito
Hurtmold e mesmo
Malditas Ovelhas!, esta já bem conhecida por cá. Claro, Joseph Tourton traz um inconfundível toque pernambucano a mais. Os caras também fazem bom uso de instrumentos menos convencionais como a flauta transversal e a escaleta, além de empregarem muito bem os recursos oferecidos pelos laptops que carregam a tira-colo durante o show. Muito bom saber que o rock experimental vem adquirindo representantes de peso no cenário alternativo brasileiro.

Bom, sobre o
QISP, Quinto Impacto de São Paulo, acho que não tenho muitos comentários a fazer, já que o mundo do Hip-Hop é algo completamente desconhecido para mim. Limito-me a dizer que a aceitação do público foi muito boa, e acredito inclusive que muitas pessoas presentes estavam lá exclusivamente para ver o QISP. Vale comentar que, apesar de já conhecermos na mesma vibe os sancarlenses do Zero16, o QISP faz seu rap usando não só de discotecagem, mas com baixo, guitarra e bateria rolando no palco, o que é um atrativo a mais, além de três sujeitos no repente. Acho interessante e, obviamente, muito bom, o fato de que um festival com bandas de estilos tão variados tenha dado tão certo.

E para aumentar ainda mais a variedade de estilos, a noite se encerra com o bom MPB do
Quizumba para acabar bem sancarlense, do jeito que começou. Ao contrário do que achei que aconteceria, com o último show já as duas e tantas da madrugada e apesar do frio, foi justamente o mais cheio, ao menos na concentração de público imediatamente a frente do palco. Há um público cativo da banda, que espera ansiosamente para vê-la. Encerrar com música brasileira realmente é uma boa pedida, naquele vocal gostoso e o instrumental bacana já conhecidos de
outras paragens.
E assim a Macacada invade o Campus 2! Bom, esperemos que continuem por lá. Árvore é que não vai faltar.
E tem mais fotos
aqui! E podem aguardar mais surpresinhas!!!
Ah sim, tem os setlists:
Aeromoças e Tenistas Russas
01. Saguis; 02. Bang Bang; 03. Insomne; 04. Mirela; 05. Instrumental 1456; 06. Solarística; 07. Kirilenko; 08. Sex Sugestion; 09. Samba!; 10. Jacques Villeneuve Experience; 11. Smonkey Skulls;
Jennifer Lo-Fi
01. Escafandro; 02. Instrumental; 03
. Catarse; 04.
Ataraxia; 05. Delírio Coletivo; 06. Coletivo Segundo; 07. Michael Caine; 08. Pedacabo;
A Banda de Joseph Tourton
01. 16 Minutos; 02. Lembra o quê?; 03. Salomão; 04. Provolone; 05. 100 m; 06. Aquaplanagem; 07. #03;
QISP
01. RG Manifesto; 02. Retrato Brasileiro; 03. Viagem com Consciência; 04. Medley Tim Maia (Azul da Cor do Mar/ Se Me Lembro Faz Doer); 05. Ataque Popular; 06. Nove Anos Atrás; 07. Olhar Acima de Nós; 08. Racionais MC´s (Fórmula Mágica da Paz); 09. Periferia da Paz;
Quizumba
01. Bola de Meia, Bola de Gude; 02. Ladeira da Preguiça; 03. Conta Outra; 04. Domingo no Parque; 05. Samba do Grande Amor; 06. E o Mundo Não se Acabou; 07. Lavadeira do Rio; 08. Anjo de Fogo; 09. Prece Cósmica; 10. Curto de Véu e Grinalda; 11. A Volta do Malandro; 12. Naquela Mesa; 13. Cara Valente; 14. Para Ver as Meninas; 15. Águas de Março; 16 Tive, Sim; 17. Pedro Pedreiro; 18. Dinheiro (Participação Especial-J.Gheto, do Zero16); 19. Santana; 20. Panis et Circenses; 21. Amor; 22. A Deusa dos Orixás; 23. Partido Alto; 24. Sem Compromisso; 25. Camisa Listrada; 26. Ave Maria no Morro; 27. Bandeira Branca;
Fotos por:
Catita Alves (Aeromoças e Tenistas Russas),
João A. Cassaro Júnior (Palco) e
Vincent de Almeida (Jennifer LoFi, A Banda de Joseph Tourton, QISP e Quizumba).