Anotações do Show: Móveis Coloniais de Acaju, no Festival de Calouros da UFSCar 2008

Em mais uma louvável iniciativa da Rádio UFSCar, promovendo a segunda edição do seu Festival de Calouros no dia 15 de Maio de 2008, São Carlos é agraciada com o grupo do mundo independente de Brasília, que está quase por cair no mainstream, Móveis Coloniais de Acaju.

Como o Programa Bluga esteve lá para puramente curtir a noite na Praça do Mercado, trazemos mais uma vez a sessão Anotações do Show, comentando brevemente as “vagas opiniões” e o setlist.

Em se tratando do Festival, algumas bandas interessantes estavam lá mostrando seu trabalho. Outras, nem de longe trabalham. A primeira que se pode apreciar dado o horário das apresentações foi o grupo Cubanistas, para o qual só os mais desavisados precisam de explicações: Salsa, Merengue e Mambo. A formação na ocasião trazia um excelente trompetista e delicioso vocal feminino, acompanhados de baixo, guitarra, bateria, trajados a rigor. Muito embora exista espaço para clássicos do ritmo cubano na cidade, considerando-se o grande número de latinos na cidade, talvez não fosse o público ideal para o quinteto. Mas perto do que viria, os trinta minutos cedidos a eles foram bravíssimos!

Na seqüência, calouros do curso de Biologia formaram (às pressas?) o Mitoses Assassinas. Como proposta, apresentar o Mamonas Assassinas. Mas a máximo de homenagem que fizeram foi à Roberto Carlos com uma flor presa a orelha, já que o som era execrável. Felizmente não duraram mais que dez minutos.

E perto da sofreguidão dos Mitoses, frustrados tocando uma banda frustrante, a banda T.I.M.E, com repertório embasado em U2, Cold Play e Maroon 5. Apesar dos pesares, seus vinte minutos foram escassos, deixando uma tietagem pedindo bis. Apesar do nome pomposo de Transcendental Innovative Musical Experiment, este pessoal da Engenharia Civil trazia apenas um Pop/Rock internacional, tocando as mais tocadíssimas das rádios.

Pra quem sabe salvar o nome dos Calouros da UFSCar, surgiu o Javali Underground, com uma inspirada apresentação instrumental, incursionando pelo Fusion. Guitarra, teclados, baixo e bateria que precisam ser visto de novo e com mais delonga.

Pra fechar a participação da UFSCar, nada mais clássico do que trazer a bateria da Atlética. Nada a declarar, porque a rivalidade não permite a imparcialidade... Como se algum infame conseguisse escrever sem ser parcial!

E para o ponto alto da noite, vinham os Móveis num microônibus endereçando Brasília, chegados de pequena turnê pelo estado, ainda a tempo de ter visto a bateria tocar seu hino inclusive.

Com seus muitos músicos ao palco, ainda assim notava-se a falta de uma das figuras, Leonardo Bursztyn autor de várias das músicas. Mas estavam lá todos os demais integrantes da trupe: André Gonzales nos vocais, BC na guitarra, Beto Mejía na flauta transversal, Eduardo Borém-perna-quebrada-e-tudo, na gaita e teclados, Paulo Rogério no sax, Esdras Nogueira no sax barítono, Xande Bursztyn no Trombone, Fabio Pedroza no baixo e Renato Rojas na bateria.

Às oito e meia da noite, entram com uma brilhante Menina-moça colada com Swing Hum e Meio, pra lembrar Swing I e II do primeiro EP. Conhecidas a parte, trazem a nova Lista de casamento, ainda por ser gravada em estúdio, com uma passagem de refrão geniosa e carregada de ironia.

Na seqüência, uma releitura do clássico do Ultraje a Rigor, Eu me amo. Esquilo não sambaCheia de manha, que não se soou muito bacanuda de primeira ouvida, como mais do mesmo. maravilhosa como ela só, e mais uma nova,

Perca peso e Seria o Rolex?, arrebatadoras. O público cresceu ao longo das apresentações do Festival, se concentrando para o Móveis Coloniais, e ali estavam suas quatrocentas pessoas, com massiva maioria não só embalando-se, mas cantando letras e mais letras.

Viria ainda outra nova, já disponibilizada como single pelo Trama Virtual, Sem palavras. Sadô-masô logo depois, com um excerto de Hit The Road Jack, como imortalizada por Ray Charles, fazendo todos cantar AQUELE embromation.

Aluga-se-vende, pra trazer mais uma importada, Glory Box, em EXCELENTE versão desta do Portishead, pra tentar fechar com Copacabana. Irresistível, o público obedece ao roteiro e faz a manha, voltando então os sujeitos relembrando o cancioneiro popular com Se essa rua fosse minha. E pra atender os sempre presente pedidos de “Toca Raul”, uma nobre versão de Como vovó já dizia, pra fechar de verdade com Do mesmo ar.

IMPRESSIONANTES ao vivo. André brisando, brisando no palco, sem parar um único segundo. Suas evoluções e revoluções compensam todo o vocal que não é lá essas coisas fora das gravações de estúdio. Impagável, empolgante, contagiante.

Geniais, com inúmeras brincadeiras daquele sem número de músicos no palco, essa big band parecia por vezes brincar de estátua, com todos correndo para lá e para cá, pra parar nas poses mais inusitadas, dignas de fotos. E claro que houve, além de um mosh incitado pela platéia do fronte, mas também uma bacanuda incursão dos membros da banda junto ao público para tocar no meio destes e levar TODOS a bailar. Divertidíssimo!

Ficou faltando apenas o pedido do público empossado no “GREGÓÓÓÓRIO” e quem sabe, de quebra, Cego. Em conversa com Renato Rojas, descobrimos que essa é requisitadíssima pelos cariocas. Por que será?

Subtraímos mais algumas coisinhas do pessoal da banda. Posto o número de faixas novas que eles vêm tocando ao longo de suas apresentações, como se pode conferir neste show, tinha-se de perguntar como anda o processo de gravação. Segundo Mejía, eles devem estar entrando em estúdio apenas no meio do ano, finalizando o novo álbum por dezembro, pra lançá-lo ao grande público possivelmente em março de 2009, o que é muito bem-vindo!

Ainda, mais uma do Rojas, para o Móveis Convida deste ano. O baterista nos confissionou que a banda procura trazer um grupo do cenário sul-americano, com quem sabe uma banda da Argentina ou Venezuela para o evento em Brasília.

Estendendo a conversa, ainda ficou no ar uma ação grande da banda, incursionando “por aí”. Conversou-se também sobre o próprio fato da banda estar comendo as bordas do mainstream, enquanto ainda está atrelada a um selo independente e continuará atuando assim enquanto isto se mostrar vantajoso, muito embora eles estejam procurando vincular parcerias com a mídia.

Pelo show excepcional, ficou a vontade de vê-los de novo, e pela conversa do pós, ELES também parecem querer voltar, com toda a certeza. Esperemos que seja logo!



http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/
http://www.myspace.com/moveis
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=81265
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=6232
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Resenha: Mentecapto no Caibar, em Araraquara

Mais uma sai da lista Perdidas-ao-longo-da-vida: a banda Mentecapto se apresentou no Bar Caibar em Araraquara, no sábado último, dia 10 de Maio, e o Programa Bluga TEVE de ir lá conferir.

Deixamos de ver estes mogianos tocando no 1º Festival Contato em razão da força maior, mas ainda havíamos de vê-los tocando. Descoberta a agenda da banda passando por Araraquara, lá fomos perscrutar o Caibar, casa com cara de São Carlos perdida nessa tal cidade vizinha. Nannda, simpaticíssima sócia do bar, e o marido(?) William tiveram a grande iniciativa de levar além do ‘de sempre’ a música da noite local, tornando-se os únicos a oferecer algo do gênero ali. Contudo, falando com ela sobre os pormenores do minguado cenário rock da cidade (apesar de Araraquara Rock e afins), só resta pedir que eles continuem com o pique e desejar sorte. Mas prometemos voltar lá!

Abrindo as portas praticamente junto com os donos e as duas bandas da noite, entravamos no ambiente TODO em preto do Caibar, pra esperar a noite começar. E com a banda de abertura Insônia, este começo não foi muito produtivo, em razão do péssimo ajuste de som em que a banda tocou. Contudo, o pouco que passava por essa barreira não parecia nada prazeroso. Era apenas uma banda da cidade, tocando para uns poucos amigos.

E como se suspeitava desde o princípio, foram amigos os que ficaram lá. Amigos da banda e amigos do bar, perfazendo escassa plebe. Felizmente, nenhuma das duas bandas se intimidou, especialmente o Mentecapto, como veríamos logo. Quem sabe eles estejam acostumados com QUALQUER tipo de audiência.

Subindo ao palco finalmente, o Mentecapto chegou a passar o som, mas ainda não o deixou a contento. No negrume do ar, paredes e piso, posicionavam-se frente ao único contrastante vermelho-berrante de uma cortina ao fundo do palco. Mesmo prontos para partir, todos ainda esperaram o vocalista dar um beijo na cabeça de todos da banda, como num rito cerimonial.

Devidamente abençoados, vinha a primeira, ainda não gravada, que entrou num breve suave pra quebrar MUITO pelo resto da faixa. A composição então chamada Sustentada,já dava a cara do que teríamos pelo resto da noite: piração no palco. A bateria tocando mais do que o lugar parece agüentar. O guitarrista solo, em próprio êxtase, chegando a virar as costas ao público, tocando para a caixa de retorno. O vocalista, descendo do tablado, já que sua altura deixava sua testa quase batendo na viga que o encimava, pra entrar em frenesi no vasto espaço entre o público e a banda.

Ficou devendo apenas o set do som, confirmando a dúvida, de que este não estava a contento. As guitarras saturadas já características do estilo ficaram exageradas, o baixo perdeu-se na acústica do ambiente e o vocal estava ininteligível.

Mal terminada Sustentada, fizeram uma dobradinha com a já conhecida Oito, segunda faixa do EP homônimo lançado em 2007. Com os riffs das guitarras na toada do surdo e muitos pratos, mostrava-se uma entrada do melhor do Indie Rock, nivelando-os à fina flor do cenário. Seguia-se no vocal de Alexandre Lima uma letra de refrão forte, entremeada por um genial atiro de palavras. Antes ainda, um bom solinho na guitarra de André Marques, prometendo mais.

Não se vendo a banda tocar, fica difícil imaginar o performismo da trupe. Resta dizer que a altas tantas Alexandre fazia-se equilibrista, jogando-se de um lado para o outro, enquanto se apoiava na viga que ameaçava sua fronte.

Tirando o pé do acelerador e indo pra primeira dos excertos mais “calmos” do show, a banda trazia mais uma nova, ensaiando um pagodinho na bateria, abrindo espaço para um cavaquinho em corpo de guitarra. Era Lambreta, faixa das muitas que embalariam uma multidão maior, que definitivamente não era o caso da noite. O vocal ficou devendo mais uma vez pelo set, mas a faixa mostra espertos back vocals dos dois guitarristas acompanhando Alexandre.

Voltando pro naipe mais “nervoso”, apresentavam mais uma do EP: Vulgo Mentecapto. Tocada espetacularmente, a faixa se mostra a razão pela qual vale a pena conferir certas coisas ao vivo. Com mais uma das falsas entradas suaves a toque de caixa, a faixa entrou pesado com o arranjo da bateria de Leandro Garcia, que ditava o toque. lembrando algo mais, regada a um doce bumbo marcado. As guitarras corriam juntas, com Henrique Rosek na guitarra base acompanhando André, alternando-se em riffs. No meio da canção, o vocal buscava ajuda trocando-se seu microfone com o de Henrique, já que de longe o problema com o som era muito mais sentido nos vocais. Minutos da música, depois de um quase final falso, davam abertura para uma jam session da guitarra de André que deveria ser aproveitada, em meio a psicodelias da guitarra base de Henrique e a bateria de Leandro. Em seguida, baixavam-se os demais instrumentos pra deixar apenas o coro de vozes e bateria acompanhando do refrão final, fechando com a volta das guitarras.

Agradecendo a primeira ovação da meia-dúzia que se empolgou em vias de fato, Alexandre Lima soltou um irônico “Vocês são muito gentis!” de volta ao público.

E naquela retomada do samba velho da noite paulistana, veio o arranjo desta outra faixa, Você Não tem Ninguém. Este é um aspecto interessantíssimo do Indie nacional, com a mescla dos estilos da música brasileira, mesmo de sambão e pagode. Finalmente vinha aos ouvidos sonoramente o baixo da garota da banda, Priscila Ynoue, num mistério de timidez, entocada a parede, enquanto toda a banda exalta-se sempre. A troca de mike foi muito bem vinda, para trazer os monossilábicos um pouco melhores ao público, muito embora Alexandre tenha mais uma vez saído do palco, desta vez pra ouvir a própria voz de nosso ponto de vista e adequá-la. Ou quem sabe só assistir a própria banda tocar.

Seguindo, tocaram Pobre Coitado, que embora não esteja no EP, está disponível por aí. A musica carregava lindas firulinhas na guitarra, enquanto sentia-se mais uma vez o baixo de Priscila cavalgando em alto e bom som. Nesta faixa viamos um entrosamento muito bom de André e Henrique: enquanto o último dava o ritmo, o primeiro floreava com seus dedos dançando pelo braço da guitarra. Solo de André e por fim as duas guitarras brincaram juntas de novo.

Apesar de o vocal não ter estado nem um pouco claro por conta do som no Caibar, já se conhecia o trabalho do Mentecapto pela divulgação na internet(maravilha que não cabe aqui discutir). Disso pode-se dizer que as letras da banda são de um mínimo de inteligência, bem elaboradas e com arranjos de voz bem trabalhados, caindo como uma luva para Alexandre Lima.

Chegando ao meio do show, Alexandre dava uma jogada de água na cabeça ao soltar um “Eu sinto muito calor!”, o que era de se esperar ao ver o entusiasmo frenético do garoto ao cantar. E meio a isso, uma movimentação estranha acontecia na banda: André tomava emprestadas baquetas para tirar o que a molecada do Programa Bluga se recusava a acreditar: a platéia era brindada com o chimbau de Cicatriz ESP, obra-prima da melhor banda surgida nos últimos tempos, The Mars Volta, consenso dentro do Bluga (e segundo próprio André também!). Sabido era que a banda conhecia os caras, tendo inclusive sendo inquiridos quanto a covers, mas aparentemente eles não saem muito da onda rock autoral. Este que vos relata anotava o último fato, crente numa brincadeira, mas eis que o impossível acontece: alguém tocava o excerto final de Asilos Magdalena, com sua guitarra geniosa. Olhei a minha frente, Henrique Rosek, que me aponta para André Marques, embevecido! Nisso, os blugers vão ao delírio. Infelizmente, como soubemos depois, André “esqueceu-se” do resto e tocou só um trechinho. Já valeu a tentativa, trazendo ao conhecimento de um novo público esse expoente da música atual.

Claro que até então tudo cheirava a alguma outra coisa, inclusive levando a comparações da performance do vocalista Alexandre Lima em palco à Cedric Bixler-Zavala e até mesmo algumas viradinhas de bateria de Leandro Garcia a Jon Theodore. Mas até então, pura especulação. Entretanto, depois desta devida homenagem, fica clara a influência, haja visto que a banda viu o TMV tocando na edição do Tim Festival de 2004. Assim, pode-se traçar paralelos desde Priscila tocando no seu canto como de La Peña, até o fato de André tocar para o monitor, com as pernas arqueadas em esquizofrenia, por vezes ignorando o público, como Omar Rodriguez-Lopez. Será que foi arquitetado?

Recuperando o fôlego e voltando para o trabalho autoral, traziam Velório, faixa de abertura do EP, com bela letra e vocal que poderia ser apreciado mesmo naquelas circunstâncias. Entra em cena mais uma vez a empolgação da banda, que,aproveitando o espaço deixado pelo escasso público a frente do palco, usa dele para brincar, descendo desta vez não só o vocal Alexandre, mas Henrique, num lance como que se-a-platéia-não-vem-até-a-grade-a-banda-vai-até-o-público. Extravazando ainda mais, Henrique chegou a tocar a escala da guita usando o pedestal, enquanto os pratos de Leandro e a guitarra André voavam alto numa profusão de sons, pirando muito e com MUITO barulho!

Ademais, vinha outra composição inédita, que não se revelou muito promissora, mas deixou um final desejoso, que poderia ser explorado.

O Réquiem, com sua entrada arrebatadora, exaltada no ao vivo, estendendo-se na melodia da guitarra de André, enquanto sentia-se um pouco do lirismo da letra, que se perdeu no ajuste de som. Faixa perfeita pra fazer toda a casa bailar, como convidava a própria letra. Mas já que não foi o caso, Alexandre dançou só no salão com o pedestal de seu microfone. Ao final, espetacularmente Alexandre e os dois guitarristas cantavam uma ironia ao próprio coro dos três.

Na seqüência, mais uma inédita, intitulada Não faz Mal. Ou seria Brasil? Mais uma da banda, desta vez com o nome da faixa, transparecendo uma piada interna. Trazendo um excelente baixo e guitarras rapidíssimas, indo e vindo com escalas brincalhonas. Ali pareciam todos felizes como nunca dantes, empolgados, mesmo com a diminuta platéia de parcas trinta pessoas.

Terminando o show, Mayou, com um baixo ululante de Priscila e buenos riffs. Mais uma faixa linda pra dançar, que virava num forte e surpreendente final, com todos os homens da banda ao chão, como num montinho levando guitarras e tudo.

O Mentecapto, só por seu EP, já mostrava-se digno de nota, inclusive incitando a assistir um ao vivo. E que AO VIVO. Esperamos que eles sejam selecionados para o Araraquara Rock deste ano, porque precisamos vê-los com um som decente! E quem sabe também estejam presentes novamente no Festival Contato, promovido pela Radio UFSCar, Cine UFSCar, LAbI e CCS.



http://www.myspace.com/mentecapto
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=67524
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=24152696
http://www.youtube.com/user/5mentecaptos


Anotações do Show: Mariana Aydar, no SESC São Carlos

No último sábado o SESC de São Carlos foi brindado com Mariana Aydar. Trazendo o refino da turnê de seu primeiro trabalho solo, Kavita 1, a garota parecia radiante em apresentar-se também para os amigos e a família da cidade que deixou lembranças em sua adolescência, segundo a cantora.

A equipagem do Programa Bluga esteve lá conferindo tudo, a título de apreciação. Vamos dar aqui setlist e algumas das impressões tiradas do show, estreando nosso novo formato, Anotações do Show, mostrando o que conferimos sem maiores pretensões.

Acompanhavam a dama Lucas Wargas nos teclados, acordeão e providencial escaleta; Gustavo Ruiz na guitarra e incursões pelo violão e cavaquinho; Márcio Arantes, da “baixaria” e no violão de sete cordas da abertura; Fumaça na percussão; e Duani, na bateria, direção musical e cavaquinho modulado da última do show.

Tal e qual o próprio álbum, abre a noite a dobradinha Minha Missão e Na Gangorra, pra na seqüência entrar uma das muitas emprestadas para o show, Vai Vadiar, de Jessé Gomes da Silva Filho.

Na volta ao álbum, Vento no Canavial, faixa excelente, escolhida por unanimidade no Programa Bluga como mais bacanuda da noite; Prainha, composta especialmente para Mariana Aydar por Chico César, falando de Trancoso, recanto preferido da cantora; e Deixa o Verão, em excelente versão da música Rodrigo Amarante, famosa por Los Hermanos.

E noutro excerto ao Kavita 1, Mariana trás vários outros arranjos. Consolação, de Baden Powell e Vinícius de Moraes; Tunuka, de Orlando Pantera com letra atirada no dialeto cabo-verdiano, conhecida também na voz de Mayra Andrade, cantora cabo-verdiana recomendada em dica no mesmo show por Mariana Aydar, com quem ela já dividiu os vocais desta composição; Un, Deux, Trois, de Camille, a chamada “furacão francês” (em clara referência ao tão famoso quanto o Katrina); e Beleza Pura, de Caetano Veloso, já encarada no show antes mesmo de cair na novela homônima.

Recomeçando mais uma vez com o material do álbum, Candomblé, Zé do Caroço, Festança e Menino das Laranjas, anunciada como a última, levando a exclamações da platéia e promessa de que teríamos um bis. E justamente pra esse bis, em incrivelmente coincidente pedido da platéia, Onde está Você, com aquele baixo de Ska, pra fechar depois com um “ousado” novo arranjo de Zé do Caroço, com samples do funk carioca, dando nova fantasia a música.

Faltou apenas Maior é Deus, pra fechar todo o álbum e pingar um pouco do forró pelo qual já se conhecia a menina de outras épocas e doutro show no SESC de Ribeirão Preto em 2007.

Genialmente, o show, assim como o álbum, mostra uma fusão da quintessência do samba velho com novos aromas de guitarra, baixo elétrico e samples escolhidos a dedo. No cenário paulista, Mariana Aydar já é apontada como expoente desta e próxima geração, o que com satisfação nós e o já sensível número de fãs observaremos atentos.



http://marianaaydar.umw.com.br/
http://www.myspace.com/marianaaydar
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=162136
http://www.musicadebolso.com.br/videos/volume07/index.html

Resenha: Fenícia no Rock'n'Blues

Em mais uma das muitas investidas da molecada do Programa Bluga ao chão do CAASO, na sexta-feira, dia 28 de Março de 2008, acabamos conferindo logo DUAS das bandas que perdemos, por razões alheias a nossa vontade, na ocasião do evento Grito Rock que passou por São Carlos.

Embora a noite em questão se chamasse Rock’n’Blues, pode-se dizer que a primeira banda não caia exatamente sobre essa alcunha. Recheada de covers de bandas do cenário Alternative Metal, a banda Fenícia revelou-se uma excelente abertura para a noite, senão a peça principal, atraindo tanto público quanto o mel atrai moscas. Havia tempos que eu não via um roquinho colocar tanta gente, incluindo raparigas, dentro do CAASO (alguém se lembra de como um mítico cover do Pearl Jam encheu o lugar?).

Nesta nova passagem pelo território uspiano, o pessoal de Descalvado iniciou a noite por volta da 01h da manhã, tocando All my life, a preferida para abertura de shows do próprio Foo Fighters. Assim, a escolha não podia ser melhor e depois dessa, veríamos clássicos e mais clássicos (dos últimos dez anos, mas enfim, clássicos), que fariam a massa ficar num nervoso headbanging ao longo noite.

Seguindo com o show, a guitarra entra com uma Your Time has Come, que realmente vem a brilhar quando entram os pratos do baterista Antônio Carlos, vibrando tal e qual o Audioslave. Teuzinho Rocks tenta, consegue um bom som, mas não chega nessas do Tom Morello, embora se note a clara influência.

Continuando com o Morello, Teuzinho cai bem melhor no estilo com Sleep Now in the Fire, do Rage Against The Machine. O baixo me pareceu ficar devendo um pouco, mas o vocal fica interessante, revelando a força e presença da voz de Ninne, no limiar entre o cantar e o gritar (senão, o protestar), que marcaria várias outras faixas, inclusive o refrão da próxima tocada, Zombie, do The Cranberries, onde o vocal feminino se encaixa bem ao timbre da vocalista da Fenícia.

E dando continuidade ao que poderíamos chamar de “sessão protesto”, a banda traz uma composição própria. Deixando de lado a discussão sobre a própria incursão pela causa e nos concentrando na análise da musicalidade da faixa Eutanásia, ela se mostra um bom material, embora de riffs medianos, mas de baixo presente e vocal atirado, com muita influência das bandas deste cenário, quase num Rap-Metal.

E voltando para os covers, no mesmo seguimento eles trazem o que seria a vedete da noite: System of a Down. Como primeira faixa desta banda, vem Aerials, que só abrilhanta a voz da garota Ninne, muito a vontade, segurando bem a música. A banda faz uma interessante performance em palco, sobressaindo-se a figura de Ninne, que parece imerge na sensação da música, ao lado do guitarrista, que viria a entrar mais atirado no back vocal, fazendo aquele jogo de vozes típico do System, sem muito se preocupar com qualquer lirismo na coisa. Fica feio, mas talvez isso se justifique na desculpa esfarrapada de que não só sua voz, mas toda sua atitude no palco é atirada e imponente. Praticamente um showman.

Depois de uma Megalomaniac do Incubus, com um baixo arrebatador, a Fenícia trás outra de suas faixas, Não Enrola, que entra numa guita excelente, revezando-se com um baixo cavalgante, num estilo Rap Metal na melhor inspiração de Rage, incluindo a letra de música de protesto com vocal forte da vocalista, que ainda se ganha espírito no palco e encara firme a platéia.

E mais uma vez a banda visita o SOAD, deixando bem claro de quem são fãs e onde buscam inspiração, que se reflete em muito na postura do guitarrista Teuzinho Rocks, embora ele esteja esquecendo que o macaco louco do System é o baixista. Mas a troca de papeis é justa, assim como a troca da guitarra para tocar todas e exclusivamente as faixas desta banda, deixando de lado o espiral no melhor estilo Gibson Les Paul de Zakk Wylde. Traziam uma extremamente energética Innervision, naquela pegada pesadinha como na original, sentindo o baixo retumbante. E essa empolgação se reflete num uso demasiado de pratos na faixa, mas que não ficaram de modo algum exagerados, muito pelo contrário, caindo bem.

Mas o grande pulo da noite viria com a faixa nacional de Raimundos, com Eu quero ver o oco, com Lucas Eduardo desfiando aquele baixo catchy pra deixar a guitarra lançar aquele riffinho grudento. Aliás, trabalho muito bom de Lucas, com um baixo sonoro. (Ademais, havia tempos que eu não via um som tão bem setado num show do CAASO. Pra quem já tentou ver até um Paulinho Moska cair no veneno daquele palco, estava EXCELENTE. Foi trabalho do Leozinho isso é?) Enfim, pra lá de empolgante, a faixa, acabou levando mesmo quem não gosta do gênero. E levou TODO o público a entoar o mítico refrão junto com a vocalista Ninne, mais uma vez forte, conduzindo com maestria seu coral para a empolgação generalizada.

Continuando no que eu chamo agora de “sessão coral”, trouxeram um pouco do Post-Grunge da segunda metade da década de 90, com um Silverchair, Freak, onde mais a guitarra caiu como uma luva. Tocaram ainda Paparoach, Broken Home, pra não deixar faltar nenhuma das clássicas daquela época.

Pra não dizer que eu não falei dela, eles tocaram mais uma, que eu me recuso a comentar, porque é uma faixa deplorável.

MAS, pra felicidade geral (ou exclusivamente minha, considerando a predecessora), trouxeram mais um System of a Down, encarnado em Toxicity, que foi simplesmente ARREBATADOR. E a despeito de que a faixa por si só ser fulminante, tocada muito bem, a banda reafirma sua presença de palco, que veio num crescendo ao longo do show e culminou na espetacular investida de Teuzinho Rocks com a estrelinha colocada na cabeça da guitarra, iluminando o breu estabelecido no CAASO com a chuva de fogos de artifício. FIRE, man, FIRE!

E não obstante o que seria o desfecho perfeito, eles vem com a (sessão) saideira! Anunciaram a outra composição própria, que me deixou temeroso pela vinda de uma das faixas de trabalho da banda, Anjo Negro, que não cairia nem um pouco bem ao mote do show que eles se propuseram a mostrar. Isso sem considerar que em minha opinião, a faixa é pobre, com letra abaixo do medíocre e ferindo mortalmente a liturgia, sem muito a acrescentar. Felizmente trouxeram a luz 14 Palavras, que, embora eu não conheça na integra o material do grupo, não me deixa outra escolha senão afirmar que é a faixa mais promissora apresentada até então, podendo realmente vir a lançá-los na mídia, dado o apelo comercial da faixa, assemelhando a alguns trabalhos da cantora Pitty. Quem quiser conferir o material, que procure nos diversos links lá embaixo (até o fechamento deste artigo o site oficial da banda estava fora do ar*).

E pra fechar o sol, mais uma empolgante seção de Rage, com Killing in the Name of, cantada aos brados por Ninne com todo o estilo necessário, com toda a empolgação do encerramento do show da banda. Baixo ensurdecedor, promovendo mais uma vez o balançar de cabeças na massa ouvinte e outro replicar do refrão.

A meu ver, se tivessem promovido melhor a festa, teria sido um estrondo, porque a Fenícia trouxe muitas caras novas ao lugar. Tudo bem que era uma sexta depois da semana santa, mas enfim... Resta dizer que se esse não era o metier comum da “caasa”, acho bom os organizadores de festa do CAASO olharem com muita atenção para este seguimento, porque se, mesmo perdida no nome da festa, sem dizer a que veio exatamente, a Fenícia arrebatou aquele público diferente do visto normalmente, que fariam covers de SOADs, RATMs e Pearl Jams da vida?

Ultimamente não tenho visto bandas tão boas fazendo covers dessa leva de famosos, tocando com tanta vontade e com essa presença de palco fenomenal, cativante ao extremo. Posso dizer que os garotos e a menina fizeram o que não se via há muito tempo no CAASO: contagiar o público (novo).


*Em tempo: Segundo informações da banda, o site oficial fica fora do ar até maio. Ademais, adicionamos abaixo o link da banda no MySpace.


http://www.bandafenicia.com.br/
http://
www.myspace.com/feniciarock
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18759906
http://bandasdegaragem.uol.com.br/hotsite/index.php?id_banda=4896


Resenha: Tributo ao Pink Floyd pela banda Senhor X: Parte 2, a missão!

Onde? Armazém Bar, São Carlos.

Quando? Dia 29 de Março de 2008.

Depois de uma tarde embalada ao som de sertanejo e pagode e outras coisas do demo, regada a muito saquê e vodka nos drinks da bela moça cujo nome não recordo, carne ad infinitum e um belo tutu de feijão, partimos para o Armazém Bar, a fim de prestigiar a banda Senhor X e seu tributo ao Pink Floyd.

23h18: Devidamente estacionados e parapetados, dirigimo-nos ao Armazém.Era a primeira visita ao local, que apesar de conhecido há muito, sempre imaginei ser um grande galpão. Nada. Escada, balcão, lobby, salão, bar à direita, sala com mesas à esquerda, banheiros ao fundo.

23h30: O local começou a encher, com todos na espera por ouvir um bom som.

Pouco me incomodou saber que lá não havia aquela bebida amarela, cujo nome vem dos nórdicos, em latas, afinal, muito me interessou a prática promovida lá: “Não tenho mesa...”, disse eu; “Sem problema!” replicou o bartender com alargadores na orelha e camisa xadrez (gente fina, por sinal). Garrafas na mão direita, copo americano na esquerda, mandando ver, em pé, no centro do salão, na convergência das caixas de som.

Com a presença de mulheres bonitas no local, fiquei feliz em conhecer um lugar onde se toca rock e que abriga o sexo feminino em São Carlos. Mas também fiquei angustiado por saber que há anos ele existe e nunca fora freqüentado por mim.

12h09: Os integrantes da banda começam a popular o palco. Pára o som ambiente. Tensão no ar.

Péééeum!!!

In the Flesh inicia promovendo o que seria uma apresentação fenomenal. O primeiro detalhe observado, ainda do centro da sala e bloqueado pelos transeuntes, é o olhar fixo, quase preocupado, da vocalista Carla Viana. “If you wanna find out whats behind these cold eyes / Youll just have to blow your way through this disguise.” HELL YEAH !

Sem pausa, a conhecida introdução dos tijolos na parede, executada pelos hábeis Betos, empolga a platéia convidando-nos a bradar para a professora deixar as crianças em paz. Kudos para os backvocals (ou seria playback?) no refrão, lembrando realmente as crianças do álbum, pois afinal, somos apenas os tijolos para a parede e para a guitarra muitíssimo limpa de Beto Leoneti.

Neste ponto deu para sentir a falta de um jogo estereofônico, que seria o azeite dessa pizza deliciosa que estava indo para o forno.

Terminadas as partes de Another Brick on the Wall, para o nosso delírio, a banda soltou os cachorros* em Dogs.You’ve got to be crazy” para tocá-la inteira, e eles tocaram. Mal sabia eu o que nos aguardava pelo restante da noite.

Momentos de tensão, com a introdução suave da trilha ainda não identificada por nós. Luzes. Os braços da Carla vão ao alto bradando “Shine on you crazy diamond”. Impossível não notar aqui os braços ligeiramente torneados da vocalista.

Um ligeiro barulho de caixa registradora denuncia uma das músicas mais aguardadas da noite, Money, o que foi erroneamente denotado por nós, enquanto Speak to me e Breathe iniciavam. Embalados na tranquilidade e no ritmo que quase remetia às ondas do mar, curtimos as faixas, numa brecha pro baterista começar a desossar o seu chimbal*, em On the Run, e então fomos abruptamente interrompidos por tique-taques, e a introdução de Time, com a bateria precisa de Wellington Ruvieri na introdução. Leoneti assumindo os vocais impressionou com a entonação e a verossimilhança – e novamente um solo limpíssimo, o que viria a ser repetido várias vezes ao longo do show.

The Great Gig”, na verdade estava acontecendo na minha frente e não nos céus. Carla impressiona – ainda mais - com sua habilidade ao cantar (e qual seria a palavra correta para aquele som?) essa grande canção. Muito emocionante. O que foi viva e enfaticamente comentado pela mulher ao meu lado “Foi lindo pra caralho!”.

Nessa altura, estávamos quase cara a cara com a banda.

Mais caixa registradora. Era Money finalmente! Uma das coisas que mais me agrada no Floyd é a maneira como as músicas nos embalam. É só fechar os olhos e você está em outro canto qualquer, pirando nas notas bem colocadas.

Antes de irmos ao show, fizemos, claro, nossa lição de casa. Praticamente virgens em questão de Senhor X, procuramos no YouTube coisas da banda. As notas que se seguiram eram conhecidas já. Us us us us us us us, And them them them them them them them. And after all we’re just ordinary men… God only knows, it’s not what we would choose to do ! Forward he cried... E aqui é onde eu gozo. Essa passagem é demais, e fora muito bem replicada no bar da avenida Sete de Setembro.

Sem percebermos, a banda continou nonstop até o fim de Dark Side of the Moon, tocando Any Colour You Like, Brain Damage e Eclipse. Sem grandes comentários aqui, impressionante como todo o show.

Retomando Shine on You Crazy Diamond, a banda emendou uma sequência de músicas com um grau altíssimo de comoção e envolvimento do público. Foram “Oooh, how I Wish you were here, we’re just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year”, “Hey You, standing in the road, always doing what you’re told, would you help me ?”, e novamente In the Flesh para abrir espaço para o quase-hino, Confortably Numb.

E o grand finale, mostrando todo o entrosamento da banda, e as habilidades vocais de todos os Betos, Run Like Hell foi performado com a mesma empolgação do jogo de vozes original.

E pausa prum café, uma corrida ao toilette, uma respirada e duas águas. Desejando ouvir mais um pouco de Floyd e SE DEUS QUISESSE, Interstellar Overdrive, nos posicionamos de fronte ao palco preparados pra mais um quêzinho dos Senhores.

Burn, do Purple rolava ao fundo enquanto a banda retomava suas posições, e wham, pára o playback e eles seguem tocando a mesma faixa. Provável manobra maquiavélicamente arquitetada pela banda para conquistar esse público e muito bem utilizada... IS BURN!

Passando obviamente para a segunda parte do show, ou segundo show, a banda prossegue com mais rock clássico, tocando You shook me All night long, do AC/DC, se o palco tivesse mais espaço tenho certeza que o guitarrista sairia pulando pelo palco do mesmo modo de Angus Young.

Indo alguns anos antes, beijamos o céu com Hendrix e Purple Haze. A essa altura, podemos notar a vocalista muito mais solta, talvez por não estar mais no clima de Floyd, ou talvez por estar mesmo mais tranquila. Mostrando o lado performático da banda, com caretas, olhares peculiares e gestos.

I won’t get to get what i’m after”, The Seeker de The Who, altamente empolgante, levou-nos a mais uma sessão de headbangin’ nervoso e mais sede por rock do bom.

Intermission, para elogiar o rapaz da mesa do som, grande Henrique, parabéns pelo trabalho, e uma grande oportunidade para ouvir a voz da nossa efêmera musa que canta pra caralho.

E “um som diferente”, como explanado pela própria vocalista anuncia a música seguinte. Um misto de funk com... algo diferente. A voz entoando palavras abrasileiradas, demorou para cair a ficha e entender que a música estava em português. Era Oito da própria banda. A faixa agradou muito e deixou um gostinho de quero mais.

Silêncio. “Toca raul !” gritou um infeliz no fundo do bar. Terceira ou quarta vez, se contabilizei corretamente. A resposta veio em grande tom. Preparada para momentos como tal, creio eu, a banda solta uma versão mais pesada de Metamorfose Ambulante, do grande Raul Seixas. DEMAIS ! o arranjo ficou perfeito. Eu até ouviria mais Raul se fosse assim. “Essa é pro cara que ficou pedindo ‘toca raul’”, HÁ, toma!

Mostrando que o público ainda lembra do velho rock do Creedence, Proud Mary rolou com direito a cantar o refrão com a banda. “Rolling, rolling, rolling on the river!”

E a Carla pergunta: O que vocês querem ouvir agora? “Mars Volta !” gritamos nós, “Janis !” grita outro. “Que tal um Jethro Tull ?” ela pergunta, capisciosamente. “TOCA AQUALUNG !”. Não é que tocaram? “Sitting on a park bench” Execução foda e o vocal, mesmo feminino, encaixou no arranjo de uma maneira estupenda.

“E agora? Que tal um Beatles?”. Segue “Helter Skelter”. É impressionante como ficaram bons os arranjos das músicas e a voz da Carla encaixou nesses covers.

Um pouco de Led Zeppelin, não podia faltar. “Good times bad times” e seus riffs de baixo contagiaram o público já descrecente da casa.

Mais uma mudança abrupta no ritmo do Armazém, já batendo as 3:20 da matina, nova supresa quando a banda encaixa O Vira, do Secos & Molhados, originalmente performado por Ney Matogrosso. Os mais empolgados (tentei um pouco, mas estava impedido), dançaram o vira conforme manda a música, senhoritas vieram próximas ao palco virar homem e lobisomem.

Quem assiste o seriado House, e/ou conhece The Who, ficou instigado pela música seguinte, Baba O’Riley. Presença de palco da banda, encarnando os sentimentos contidos nas letras.

Findada a faixa anterior, a banda leva um ritmo de samba muito divertido e letras improvisadas para divertir o público enquanto Leoneti afina uma guitarra peculiarmente pequena.

Alternative metal à caminho, apesar de não ser grande fã desse estilo, Aerials é uma boa faixa com um arranjo interessante que ficou delicioso na voz da Senhora X. (um adendo: nós somos fãs declarados da Madam X, de Bellingham). Teve direito até a cantar junto “Aerials, in the sky !”.

Mais uma pausa. Ao longo do show pude perceber uma presença de uma moça, peculiarmente jovem no Armazém. Viemos a saber que se chama Lorena, é filha da Vocalista, tem 13 anos e manda muito bem no baixo. Ao lado da infante, a banda mandou Roadhouse Blues, The Doors. Destaque realmente pra jovem que apesar de parecer tensa no começo, mandou muito nessa faixa.

Neste momento entra em cena a quem eu classifiquei como chato da noite. Sem mais comentários por ameaças do mesmo. E os senhores anunciam a saideira.

Visto de longe, o setlist da banda parecia ter um Metallica, e eu, já há tempos ouvinte do Hammett e do Hetfield, fiquei entusiasmado, mas com o pé atrás duvidando que eles fossem mesmo tocar.

Som de cítara no sintetizador do Beto, notas estranhas não pareciam com nada conhecido, mas tinham o mesmo tom de Wherever I may roam. Continuaram estranhas. Beto pára. Carla tira um sarro. Beto reflete e retoma as notas.

Nem ouvi a Carla cantar essa. Tanto tempo sem ouvir Metallica, tanto tempo sem ouvir alguém tocar ao vivo, me empolguei e cantei junto a última música da noite do começo ao fim.

Quatro da matina. Satisfeitos. Roucos. E loucos para ouvir mais do Senhor X. Essa foi a sensação que ficou da noite. Kudos para as horas de prazer auditivo proporcionada e pelas longas horas dispendidas preparando o palco. Podemos dizer que os Senhores são versáteis e cobrem, muito bem, uma gama interessante de períodos do rock nacional e internacional. Mas eu ainda quero ouvir Interstellar Overdrive.



*Nota do Editor: Impressionantemente os dois “críticos” desse show acabaram por pura coincidência usando quase as mesmas expressões. Depois dizem que consciência universal não existe...

Resenha: Tributo ao Pink Floyd pela banda Senhor X: O Lado Escuro do Senhor X

Dando continuidade à iniciativa do Programa Bluga de elucidar mentes menos esclarecidas quanto à boa música, será esboçado um review do show que na opinião do autor é um ótimo exemplo daquela.

Antes de mais nada, é preciso deixar claro aos que não conhecem a trupe do Senhor X qual é a proposta da banda. Pelo menos ao meu limitado ver, adquirido pela audiência de tão somente um show, o Senhor X procura fazer um som que, mesmo tendo boa parte do seu repertório nos clássicos (e não se pode censurá-los por isso), fuja do lugar comum. O estilo peculiar da banda fica claro tão logo se escute a faixa própria, Oito - ótima, originalíssima - ou então se observe a vocalista Carla Viana em ação, com suas caretas a lá Serj Tankian (System of a Down) e uma interpretação única, muito digna do excelente repertório que a banda apresenta. Fica aqui a minha grande admiração por essa vocalista, sem dúvida uma das melhores do circuito nacional, e também pelo brilhante guitarrista, Beto Leoneti, que, além de executar solos improvisados sempre muito bem colocados, faz um uso inteligente do synth.

O viés inovador da banda é refletido também na tendência do repertório ao Rock Progressivo, ao Rock Psicodélico e ao Space Rock. E eu, prezando altamente por experimentalismos e por originalidade, tive, como principal fator atrativo no Senhor X, justamente essa caracaterística, que acabou me fazendo virar fã da banda no final das contas.

Pois bem, ao show. O tributo origina-se com a música de abertura do álbum The Wall, In the Flesh. Nada mais apropriado, já que, sendo a canção de abertura, o show começa com a devida imersão, costumeira aos fãs de Pink Floyd, no material subseqüente do álbum. Só que, nesse caso, a imersão é na ARREBATADORA VIAGEM proporcionada pelo show. De cara, tudo impressiona pela fidelidade com a qual a música é reproduzida.

A banda é sábia ao encaixar logo em seguida uma das composições mais famosas da banda homenageada, Another Brick in the Wall (parte 1 e 2). A canção mal tinha começado e eu já podia sentir que esse show iria ultrapassar as altas expectativas criadas pela visualização dos vídeos da banda no youtube. A apoteose do coro do público somada com o olhar hipnótico, em estado de transe, de Carla - que faz vez de back vocal na faixa - consubstanciavam-se na grandiosidade que deveria ser sentida em todo show cover de Pink Floyd.

Ao longo do tributo, o olhar de contemplação hipnotizada da front woman faz perceber que a música não é somente cantada, mas inteiramente sentida e repassada de modo irrestrito ao público.

Uma das minhas preferidas do Floyd vem em seguida. É a eterna Dogs. Muito bem vocalizada pelo guitarrista Beto(que no tributo é também vocalista), trazendo cerca de 17 minutos de um cover belamente produzido, com direito a latidos e tudo o mais! O casal Carla e Beto se reveza harmoniosamente nas guitarras, enquanto este faz uso do synth para literalmente soltar os cachorros em cima da platéia.

Quase como uma abertura para o álbum que imediatamente depois seria tocado de cabo a rabo, The Dark Side of the Moon, vem outra faixa altamente conhecida, Shine on You Crazy Diamond. Nela, Beto faz maravilhas com sua guitarra, executando impecavelmente, com o feeling que lhe é notório, o famoso solo de David Gilmour. A música acaba com uma sensação de pendência, deixando a impressão de que alguma força maior obrigaria a banda a tocá-la novamente.

O que se segue, é nada mais nada menos do que uma versão ao vivo do terceiro álbum mais vendido do mundo, o Dark Side of the Moon. Um fã de Pink Floyd não poderia querer nada mais – exceto quem sabe uma Interstellar Overdrive, de lambuja (se algum integrante da banda ler o review, que fique registrado). A canção de abertura, Speak to me, começa com o uso extensivo do sintetizador por Beto Leoneti, reproduzindo os efeitos sonoros de um helicóptero, de um relógio, de uma caixa registradora, de uma risada insana e de um coração batendo, que compõem a música e que serão depois novamente usados, respectivamente nas faixas On the Run, Time, Money, Brain Damage e Eclipse.

Breathe vem depois, com o baixista Beto Braz fazendo o back vocal. Seguindo a ordem do álbum, On the Run, com o baterista Wellington Ruvieri destruindo no chimbal.

Depois, a excelente Time, com Leoneti cantando os versos e Braz cantando os refrões, enquanto Carla Viana faz um back vocal afinadíssimo.

E aqui é onde entra um dos ápices do tributo ao meu ver. Pois, como talvez se perceba por meus comentários, o que mais me impressionou no Senhor X, junto com a sensibilidade e técnica apurada de Beto Leoneti, foi a performance de Carla Viana, com uma bela e potente voz e cujo estilo original nos tira da mediocridade da grande maioria de vocalistas que vemos por aí. Pois é justamente ao ápice da cantora que me refiro: The Great Gig in the Sky realmente NOS LEVA AO CÉU. Carla substitui Clare Torry, que faz as vocalizações na música original, de modo quase divino, mostrando toda a potência de suas cordas vocais.

Money, começando com o som temático da caixa registradora, marca bem a mistura de estilos entre blues rock e recursos eletrônicos que o Dark Side of the Moon representa, dentro do progressivo. Novamente, indefectível performance da banda.

As faixas que entram para dar desfecho ao álbum Us and Them, Any Colour You Like, Brain Damage e Eclipse vão na mesma linha, com os vocais de Beto Leoneti, back vocals marcantes de Carla e ocasionais back vocals de Beto Braz. Todas elas muito bem compassadas pela bateria de Wellington Ruvieri e pelo baixo de Braz, com belíssimos solos interpretados por Leoneti e modulados por Carla(usando, inclusive, um aparelho interfaceado com touch screen muito interessante e cujo nome eu desconheço) e com o uso muito conveniente do sintetizador.

A força, que permeia entre os espectadores de modo inconfundivelmente pink-floydiano, parece afetar a banda nessa altura, e tráz de volta ao palco a pendente Shine on You Crazy Diamond, como um mistério que ainda não foi resolvido. E de volta, arrepiando até o insensível copo de cerveja largado ao pé do amplificador, vem o coro da platéia: “Shiiine on you crazy diamond”. Impagável.

Certo, chega dessa divagação transcendental. Voltemos ao mundo, onde baladinhas como Wish You Were Here e Hey You fazem demasiado sucesso. São essas as composições tocadas após o cômico arrepio do copo de cerveja. Foi legal. Aqui sim a platéia cantou com toda a sua voz - ao menos em Wish You Were Here(incrível como todos conhecem a letra dessa música).

E a banda volta com In The Flesh, quase como num diálogo com a platéia. Um dizer “Hey, o show não acabou, a coisa ainda fica melhor!”.
So ya thought ya might like to go to the show. To feel the warm thrill of confusion, that space cadet glow.”.

Esperemos que com isso o Senhor X não tenha querido dizer também “If I had my way I'd have all of ya shot.”. De fato, eu sei que eles não tinham essa intenção, pois se apresentaram como uma banda muito amigável e carismática durante o show.

Mas claramente o “Hey, o show não acabou, a coisa ainda fica melhor!” era pra valer. Seguiram-se duas excelentes e psicodélicas faixas, Comfortably Numb e Run Like Hell.

Comfortably Numb segue dentro do esperado, com um solo de Leoneti no final da música de quase 3 minutos.

E Run Like Hell.... Run Like Hell! Foi empolgante! Empolgante como o inferno. Empolgante, no ritmo de alguém que corre como se fugisse do inferno. Os holofotes amarelos acendiam aos berros de RUN! RUN! RUN! de ambos os Betos e iluminavam os rostos extasiados daqueles que assistiam o estupendo show que acontecia diante deles. Definitivamente, um final perfeito.

Final... porém, não bem um final. Uma pausa de 10 minutinhos.

Foram dois shows em uma noite, a bem da verdade. Pois, após essas mais de duas horas de inspirado tributo, a banda Senhor X, com sua enorme benevolência para aqueles que apreciam seu trabalho, nos presenteou com mais 2 horas de um repertório excelente, fazendo jus a própria excelência da banda.

Repertório com direito a Aqualung (eu, adorando Jethro Tull e rock progressivo, penso ser essa uma faixa providencial aos shows da banda), System of a Down, Jimi Hendrix, Led Zeppelin e a excelente composição própria previamente citada, Oito. Mas isso fica para outra hora... ou para outrém (leia-se Shigueo).

Agora, chá-mate para acalmar(mesmo sendo este um estimulante) os ânimos reavivados pela memória.


http://www.senhorx.com
http://www.myspace.com/bandasenhorx
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=748723
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=49501
http://www.youtube.com/watch?v=9x_XBWjEk5U

Resenha: SancaStock 2008 – Parte III: Tomada

Terminando a sessão SancaStock 2008, a crítica do último show da casa!


Já passado pelas três da manhã e com várias expectativas na cabeça, vi a banda Tomada subir no palco para uma abertura que fez calar a boca, me forçando a dizer que foi uma entrada de respeito. Simplesmente blugaram os instrumentos, tocando non-stop uma excelente seqüência de covers rearranjados. Arrebatador. Destaque para Spanish Castle Magic, do Jimi, com seu bumbo retumbante numa toada mais ágil e guitarra suja que caíram excelentes! Só o vocal ficou devendo nestas faixas, em muito porque o mike não parecia a contento.


De qualquer maneira, emendaram suas três ou quatro músicas sem parar pra respirar, revigorando imediatamente o público já diminuto pelo adiantado da hora e demora pra (re)recomeçar a brincadeira de gente grande no palco.


Após a decisão do primeiro pronunciamento do vocalista, cumprimentando os presentes, a banda paulistana trouxe a faixa Shine do seu primeiro álbum, de 2003, Tudo em Nome do Rock’n’Roll. Na boa influência de um Tom Morello, a faixa se desenrola com Rodrigo Casais Gomes e guitarra modulando um eletrônico metalizado (que lembram muito Your Time has come, por sinal).
O vocal de Ricardo Alpendre por fim entra nos conformes e puxa um refrão bacanudo. Ou era a garganta dele que só responde pras faixas da banda?


Em seguida, mais uma deles, Volts, faixa homônima do segundo álbum, de 2005. Trás uma composição bacana, com riff em cima de riff. Contudo, nesse momento recai sobre mim aquela impressão que eu havia esquecido no começo do show. Ouvindo o material deles previamente, me lembrei daquela suma máxima proferida a torto e a direito: Hard Rock cantado em português
não soa legal. E isto se traduz nesta música. Não que o mal sejam só as letras, porque em inglês elas são por vezes do mesmo tamanho, mas parece que no britânico soa melhor. Digamos prosaicamente que nossa língua mãe seja nobre demais pro estilo. E já que estamos nessa discussão, os letristas também são de todo culpados, porque nossa recorrente temática futebol, mulher e cerveja é boba por demais. Claro que a idéia não é trazer os tolkenianos do rock sinfônico melódico medieval, mas podia ser melhor, não é?


Mais além na noite, apresentaram algumas faixas de seu vindouro novo cd, como Jogue tudo foraDoidão. A última é digna de nota, pela brincadeira excelente, que se fosse de improviso seria genial, dos vocais com o título da música. Me aparenta que os caras tem um bom material pra apresentar ainda, na mesma linha dos seus álbuns antigos. Claro que estes trabalhos tem muitas faixas boas, trazendo o excelente som do power trio mais vocal, com sua sempre estilosa guitarra e baixo bem marcado e vivo. Particularmente, gosto mais do primeiro álbum, com destaque pra faixa de abertura (pra não falar na primeira metade toda, com excelentes toques de blues, funk de baixo e mesmo soul), e
Notícias de Ontem, e Na Estrada e a faixa-título, Tudo em Nome do Rock’n’Roll . Já Volts traz algumas bem interessantes como Página 3, SSP-SP, além da última faixa do grupo que viria a ser tocada na seqüência do show. E fica a dica de que tudo está disponível pra download na página da Trama Virtual!


Como dito, tocaram ainda mais do álbum de 2003: Blues da Garrafa e Meia, num ritmo moroso e vocal inspirado de Alpendre; Ainda, Pé na Água Fria, memorável faixa que eu mesmo pediria se esse fosse meu mote, com guitarra inspirada, seguindo uma bateria com pratos cheios de Alexandre Marciano e as linhas de Marcelo Pepe Bueno, tocando um belíssimo (e sonoro) Rickenbacker preto. Pepe atira notas pro alto empunhando o baixo enquanto inspira alucinação com olhos esbugalhados.


E pra finalizar o show, um dos momentos impagáveis da noite, quando Alpendre e Pepe fazem questão de conclamar ao palco o fugidio vocalista Ricardo Fish, da banda anterior, Estação da Luz, que sai dali cunhado como o “Petardo do Rock Nacional”. E faz jus ao nome com sua voz, fazendo um excelente back vocal. E rolou realmente um puta lance, tocando o que eu imagino ser
Superstition, música de Stevie Wonder, num cover da famosa versão de Jeff Beck (a menos que eu esteja muito errado). Excelente, excelente, com a guitarra de Gomes fazendo bonito, com os wah-wahs manipulados inclusive em parceria com o próprio petardo. Faltou um talkbox, mas enfim, teve slide e tudo.


Eis que a banda de estilo menos compactuante(mas que merecia ser vista), saiu-se melhor do que o esperado. Sempre é interessante conferir o que está rolando por aí, em especial quando sabe-se que a Tomada está com as asinhas de fora, com shows em diversas casas de Sampa e mais álbuns engatilhados. E o material é bem aproveitável, diga-se de passagem. Sinceramente torço para que firmem o nome no grande mercado, apresentando que a nação também faz um bom Hard Rock.



http://www.tomada.czpublicidade.com/
http://www.myspace.com/tomada
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=134091