Agenda: Sabatina - Zoo Intrumental traz Malditas Ovelhas e Fóssil no SESC São Carlos!


O projeto Sabatina realizado pelo SESC, traz à Sanca neste sábado às 15h o Zoo Instrumental que por sua vez trará as bandas Malditas Ovelhas! de São Carlos (já conhecida por nosso público) e Fóssil, de Fortaleza, que também já passou por aqui, em apresentação para poquíssimos no Armazém e um Palquinho Maluco no DCE da UFSCar.

Criado pela Agência Alavanca, o Zoo Instrumental surge como instrumento de divulgação da música independente contemporânea no país na sua vertente instrumental. Em sua estréia em março deste ano, eles levaram ao público Macaco Bong e Pata de Elefante num evento realizado no Inferno Club localizado na famigerada R. Augusta.

Nesta edição, o privilégio será todo nosso. Aqui, onde tudo acontece, teremos mais este evento que ainda por cima é gratuito!


Projeto Zoo Instrumental apresenta Fóssil e Malditas Ovelhas!

Data: Sábado, 1º de agosto de 2009, às 15h
Entrada: Grátis
Local: SESC São Carlos: Com. Alfredo Maffei, 700 - São Carlos, SP - (16) 3373-2333
Realização: SESC-SP
Conceito e produção: Agência Alavanca
Cartaz: Dani Hasse

Cobertura: Braia e Tuatha de Dannan no Centro Cultural São Paulo



Domingo, 12 de Julho, e lá estava eu para mais um dos shows do Tuatha de Dannan no Centro Cultural São Paulo, na (ainda) Estação Vergueiro. Havia perdido o do dia anterior, o que só me deixava mais ansiosa ainda. Entendam, eu já devo ter ido à cerca de dez shows deles e, excetuando o show com Martin Walkyier, ex-vocalista e criador do Skyclad, que ocorreu no Manifesto, os melhores shows que já vi deles em São Paulo ocorreram no Centro Cultural... E funciona. Lá você pode escolher se quer assistir bem de cima, sentado na altura da banda, ou pulando e dançando em frente à mesma. O planejamento sonoro geralmente é bem melhor que o dos bares ou mesmo casas de shows, e tem o tamanho ideal para você não morrer claustrofóbico e ainda assim se sentir num ambiente único e intimista com a banda. Por isso foi impressionante quando, chegando ligeiramente atrasada, fui surpreendida por um público todo sentado e comportado, como se ouvindo uma história mágica e surpreendente. O motivo de tal quietude é que não, não era um show habitual do Tuatha. Ao menos não inicialmente.

Naquela noite quem tocava primeiro era o Braia, projeto solo do vocalista Bruno Maia que se propõe a mesclar a MPB mineira, música celta e Rock Progressivo. Produzido com a colaboração de vários músicos, para essa apresentação contava com o referido Bruno Maia nos vocais, flautas, guitarra, bouzuki, banjo e trocentos outros instrumentos, Fernanda Ohara e Isabel Tavares nos vocais, Rafael Castro e Edgard Brito nos teclados, Alex Navar na gaita de fole, Roger Vaz no violino, Giovani Gomes no baixo, Anderson Alarça na bateria e Julio Andrade nos violões e bouzuki.

Abrindo o show e justificando todo aquele clima quieto da platéia, um solo de gaita de fole de Alex Navarro, emendado na música de introdução ao álbum e ao projeto, Slainte a la Brasilis, na qual a banda improvisa ritmos brasileiros com instrumentos celtas. E logo aí percebemos qual o ideal do grupo: mesclar culturas e influências, referências e personalidades.

O show segue com faixas de seu trabalho de estréia ...e o mundo de lá. Com destaque para Dança do Abismo, na qual o vocal lírico e suave de Fernanda se contrapõe à voz forte e precisa de Isabel, criando um diálogo que lembra muito aquele tom bardo e teatral de se contar uma história. O mesmo comentário pode ser feito para a Falalafada, em que Isabel vai aumentando a tensão da música até um ápice, em que Bruno Maia entra contrapondo a ela. Ambas apostam num clima mais pesado, dramático, mas, ainda assim, sem perder a suavidade. Essa é uma das coisas que me agrada muito no Braia, essa naturalidade com que as músicas pulam do épico das grandes lendas celtas para o tom dançante, presente, por exemplo, em Brunebriante Papuloa Dançante, Juras Promessas ou Tempos Idos, outros dois pontos altos da noite.



Para os puristas de plantão, não, de fato não é música celta tradicional. E em momento algum se propõe a ser. É um projeto claramente pessoal, com diversas influências e que busca aproveitar ao máximo cada colaboração musical, ilustrada muito bem pelos solos de Fernanda Ohara, Alex Navar, Anderson Alarça e Roger Vaz. Ou na que ia encerrar o show do Braia: Pinga do Duende Maluco, uma daquelas composições raras, cheia de mudanças de tempo, um ótimo aproveitamento dos mais variados timbres dos instrumentos e vozes, a música mais irreverente do grupo, que já ia levantando o público e tornando-o mais ativo para o que seria o show do Tuatha.

Porque se a sonoridade ao vivo do Braia evoca um público mais contemplativo, que observa as portas para um mundo mágico serem abertas e as lendas saírem lá de dentro, a do Tuatha te pega pelas mãos e te leva pra dentro desse mundo. É incrível que por mais shows deles que você tenha ido, eles nunca decepcionam, nunca. Uma daquelas bandas cuja apresentação ao vivo não só alcança a performance de estúdio como a supera sempre! Presença de palco, noção de performance que sobra à banda, que contagia o público.

Após um intervalo imperceptível, entram novamente no palco Bruno, Giovani, Edgard e Roger Vaz, com Rodrigo Berne assumindo o violão e Julio Andrade se posicionando na bateria. Este, mais que roadie oficial da banda, nesse show particularmente mostrou sua integração com a mesma, substituindo o baterista oficial Rodrigo Abreu prontamente e segurando a bateria em todas as músicas com uma qualidade e familiaridade que surpreendeu até os companheiros de banda.

Abrindo com a já tradicional e sempre aclamada pelo público Tan Pinga Ra Tan, uma música de boas vindas que tira a apatia de qualquer pessoa que ainda se permitia a ela. Seguem com Land of Youth (Tir Nan Og) uma das mais, senão A mais dançante música deles, e que, junto com a que se segue, capta melhor o estilo do último álbum Trova de Danu. Mais rápidas e animadas Believe it's True engata um medley com Behold The Horned King e The Dwarves Rebellion.



Um show de clássicos, o descanso ao clima dançante viria nas mais lentas Last Words e Us, ambas do debut da banda, duas das mais bonitas composições do grupo, que abusam dos arranjos de flauta e bandolim, se é que isso pode ser dito a respeito de alguma música deles sem correr o risco de ser injusto com todas as outras.

E aqui cabe um adendo para evidenciar a integração da banda. Poucas bandas têm a capacidade de improvisação e sintonia como eles têm. Claramente um show menos “planejado”, sem que isso seja visto como um ponto negativo, a banda improvisava em cima de arranjos das músicas com aquela clara segurança de quem as conhece tão bem que sabe exatamente os pontos onde se pode redirecionar um tema, adicionar um solo, uma mudança. Percebe-se que já desenvolveram um clima a ser criado a cada apresentação de maneira que conseguem agrupar as músicas numa ordem que sempre parece ser a melhor para o momento, sem jamais quebrar o encanto ou deixar o público baixar com algum momento tedioso. Mesmo durante as pausas entre músicas, a conversa constante com o público e as brincadeiras de algum dos músicos fazem parte do show, do hiato de tempo/espaço criado durante as apresentações, que esperamos que se repitam em breve e tenham seus climas transpostos para os DVDs que estão por sair.

Agenda: Sons em Série - Esquentando pro III Rock na Estação!



Fugindo da tradicional São Carlos como palco de sempre, quem bebe da fonte desta vez é Araraquara, já conhecida da equipagem bluga de outras investidas. Neste domingo, a cidade abrirá as portas para a primeira ação do festival Rock na Estação (confira também a cobertura do II Rock na Estação). Este evento faz a divulgação da 3ª edição do festival, que já tem data para acontecer, 14 e 15 de Novembro, além de trazer uma amostra de a quantas anda o cenário musical independente.

Antes da apresentação das bandas, teremos a palavra de Robson Timóteo, nada menos que presidente do Cidadão do Mundo, associação que promove a difusão das mídias alternativas por meio da interação com a comunidade. O papo terá foco justamente na produção independente.

Como não podia faltar, depois da conversa com Robson, a noite seguirá com as conhecidas sancarlenses Plano Próximo e Aeromoças e Tenistas Russas e a banda Churrasco Elétrico, de Araraquara, numa pegada mais psicodélica e que já se apresentou em Sanca na 2ª edição do festival, em 2008.

O evento será sediado no Kruppa, que ao que nos parece chega como uma casa de divulgação cultural, apoiando o evento.

Nos resta aguardar!




Discos em Roda - Debate com Robson Timóteo (Associação Cultural Cidadão do Mundo no ABC)

Data: 26 de julho, domingo, das 16h30 às 18h
Tema: Cadeia produtiva da música independente e o mercado
Entrada do debate: Gratuita
A partir das 19h: Shows com as bandas Plano Próximo, Aeromoças e Tenistas Russas e Churrasco Elétrico
Entrada dos shows: R$5,00
Local: Kruppa - Av. Feijó, 804, Centro, Araraquara
Realização: Massa Coletiva, Rock Público, Cultura Independente e Circuito Fora do Eixo


Cobertura: VIII Araraquara Rock - Sexta: Maquiladora, Fast Food Brazil, Venus Volts e Wry! Graham Bonnet?


Visitar Araraquara é sempre bom. Desta vez não íamos ao Caibar, mas explorávamos pela primeira vez o Araraquara Rock. Já em sua oitava edição, nunca havíamos prestigiado o evento, já que este acontecia sempre nas férias aqui da universidade. Desta vez a oportunidade surgiu e, mesmo desfalcada, a equipagem do Programa Bluga marcou presença. Em nossa chegada, já de longe, sabíamos onde estávamos pelo característico cheiro de laranja que permeava o ar. E o local do evento, o Teatro de Arena, ainda por cima, ficava do lado de uma Cutrale!

O Teatro de Arena "Pref. Benedito de Oliveira" ainda se mostraria um lugar excepcional. Fato engraçado é que ele fica na dita Praça da Bíblia. Já era uma incongruência uma praça pública ter este nome quando o Estado deveria ser laico. Agora, quando envolvemos religião e Rock, apesar do Rock Cristão, a coisa toda é no mínimo cômica.

Quando esperávamos o início da sexta-feira do Araraquara Rock, dia 10 de Julho, pensávamos na pontualidade de um evento público organizado pelo município. Chegamos às 17h15, esperando um leve atraso, já que tudo estava programado para início às 17h. Contudo, como sempre, o festival atrasou e veríamos os portões se abrindo apenas às 18h30. Estamos desacostumados em pensar em eventos da Prefeitura, SESC e afins sempre na hora.

A primeira impressão do Teatro de Arena é o vislumbre de suas arquibancadas imponentes, que se aproveitam genialmente dos altos e baixos da cidade: de fato uma grande arena aberta, como à época dos romanos, proporcionando ainda uma acústica única! Um palco excelente estava montado ali, dando o clima realmente de um grande show. Com o bom equipamento que dava as caras e a visão privilegiada do palco de qualquer parte do teatro, além dos dois telões com diversas câmeras, garantiria o prestigio das bandas.

No espaço da entrada, saguão do Teatro de Arena, ainda havia toda uma infra-estrutura para entreter o público com barraquinhas de comida, bar, banquinhas para venda de CDs e camisetas e até mesmo um bom set multimídia para abrigar duelos de Guitar Hero World Tour, com guitarra, baixo, microfone e bateria no kit.

Maldito Guitar Hero, a resposta à frustração daqueles que não nada tocam. Deveriam todos na verdade gastar suas dez horas de games por semana praticando com um instrumento for real. Em uns cinco anos eles tocariam Rush, mas enfim... Durante o evento aconteceria até um campeonato do jogo, todos os dias durante a tarde. E, ouso dizer, as partidas de Guitar Hero por vezes dividiam o público dos shows no palco do Araraquara Rock, deixando-os quase vazios, além de ser a atração dos intervalos.

Aquele ainda não era o dia do rock, mas o clima vinha se fazendo presente por toda a semana. Contudo, quase havíamos esquecido o evento. Também, não havia grande divulgação na grande mídia ou mesmo na especializada, sequer nas cidades próximas, pelo menos no que chegou até nos, e olhe que fuçamos bastante por aí. Um evento deste porte merecia um cuidado melhor nesta questão!

Após o já comentado atraso, subia ao palco a primeira escalada, a banda Sabre, direto de Santa Catarina, em pequena turnê pelo estado. Com o público ainda reduzido, Elias Scopel Liebl nos vocais e guitarra, Mario Oliva na bateria e Jean Medeiros no baixo nos traziam uma sonoridade dentro do Heavy Metal e do Hard Rock, beirando o pop do estilo. Com instrumental sem exageros, simplista, mas bem fundamentado, os vocais de Scopel são bons a ponto de incitar o ouvinte a cantar junto. Apesar de desconhecida do público, embalada os primeiros headbangers do dia. Destaque no setlist para Searching for a Moment e Boemia, das mais empolgantes dentro da proposta. A banda comentava ao público que ainda ao fim da noite no Teatro de Arena, iria dar uma palhinha no classudo Caibar para a verdadeira saideira.

Na seqüência, tínhamos a banda Voltz, de São José do Campos. Justificavam-se facilmente os prêmios em festivais de bandas patrocinados por grandes marcas de refrigerante ao saber que se tratava de uma banda de Pop Rock. Parecia-nos um tanto quanto deslocada ali, onde quem sabe pudesse encontrar meia-dúzia de novos fãs se bem posicionada na noite, mas não ali em meio a tribos que reinavam.

A Voltz é composta por Glauber Ribat na voz e guitarra, Fernando Bozo no baixo e Pablo Maranho na bateria. Com seu segundo álbum disponível pra download no MySpace, centravam aí sua apresentação, que não mostrava nada mais que o especulado.

Já nossa próxima banda era uma das esperadas deste lado de cá. Na verdade, começaria um excerto de três bandas que por si só já valiam a pena ter vindo a Araraquara. A primeira delas era a Maquiladora, de Mogi das Cruzes, promissora terra do já finado Mentecapto. Já nos era conhecida a tempos de nome, mas nunca havíamos visto seu som ao vivo.

A Maquiladora é composta por Thania D. nos vocais e na segunda guitarra, Aline Nynona no baixo, Andrea Marques na bateria e Thais Naomi na primeira guitarra. Agora, pensar na Maquiladora como o mundo de "bandas de meninas" que pipocaram nos últimos tempos é completamente enganoso. Aliás, a mídia precisa criar outro rótulo, senão deixar de usá-los, para não enganar o ouvinte ao falar de gente feito a Maquiladora. Bandas de... garotas?

Maquiladora é uma porrada, e essa é a verdade. Me lembram algo do avant-guard do Punk, como o Art-Punk. Sonic Youth? E não é só pelo vocal feminino, querendo trazer paralelos com Kim Gordon. Mas carrega muito do metal alternativo, também, criando som daqueles pra se botar todo dia no player.

Nesta apresentação, curta como em todo o festival, deslizavam várias de suas músicas, todas curtinhas: 01. Monster; 02. How Can I Call You; 03. Scenter Dog; 04. Full of Nothing; 05. Maybe They Were Right; 06. On my way; 07. Too Much Wine.


Com um vestido florido e sapatilhas pretas, Thania D. trazia seu vocal forte e marcante, que ao lado da garota-japa, totalmente shoegazer, Thais Naomi numa guitarra memorável faziam as primeiras rodas de mosh surgirem em meio ao público, que começava a se mostrar presente. Pela segunda vez elas batiam a porta do Araraquara Rock, já com publico conhecedor da pancada que é seu show.

Emendando outro show aguardado, Fast Food Brazil. Subiam ao palco Hugo Rafael, nos vocais junto de Bruno Peretti nas duas guitarras, Igor Paiva no Baixo e Italo Ribeiro na bateria e backing-vocals, que trariam uma boa combinação de elementos do Funk e mesmo de nossa MPB (cheirando a Clube da Esquina) para um bom Rock já apinhado de influências do nosso Progressivo, como bem denunciava a camiseta de Hugo a capa do primeiro álbum do Rush, de 1974 (que nem cheirava a Prog ainda, nem tinha Neil Pearty).

Por São Carlos eles já haviam passado no ano passado, na ocasião do 2º Rock na Estação. Não havíamos visto-os, junto também de Alex Valenzi (que tocaria nesta mesma noite naquele palco) não me lembro porque, mas imagino que fosse um motivo fortíssimo, já que os sujeitos são bons.

No setlist da noite, algumas das faixas que estão em seu EP lançado no ano passado e outras ainda por ver uma gravação: 01. Demônio Irracional; 02. Pedro Pobre Paulo Rico; 03. Tatu Catupiry; 04. Flagrante Fragrante; 05. Aliás; 06. Lavando Louça; 07. E Osso Pai.

Fast Food Brazil é um nome genioso. Juntar a comida brasileira ao hambúrguer industrializado americano e aos empanados de carne de frango compactado em um mesmo prato é justamente o que a banda faz, voltando ao nosso primeiro parágrafo sobre a banda. E ainda por cima algumas de suas letras vêm os falar sobre fundos-de-panela, catupirys e ossos-duros-de-roer, envoltas com um fundo social e político. Divertidíssimo!

A estrutura oferecida ali era animal, se é que não deu pra notar, muito embora pudesse ter envolvido maior público frente à magnitude do oferecido. A data, claro, privilegia as férias escolares, tanto é que o número de adolescente era grande no início do festival mas esquece o público universitário que cerca Araraquara, São Carlos e Ribeirão, foragido nesta época.

Mais meia-horinha de show por vir, fechava o excerto das bandas selecionadas que realmente aguardávamos a Venus Volts.

A banda é composta pela menina Trinity dividindo e alternando-se nos vocais com Pellê, que ainda segura uma das guitarras, enquanto Filipe encara a outra mais os backing-vocals junto de Dinho, do baixo, enquanto Du ataca a bateria.

Faixas como In Gold We Trust, XVI Century e Paper Boards fizeram seu repertório da noite. A maioria das composições ainda não foi lançada em um formato de álbum, apesar de a banda já ter material lançado ainda com a banda sob o nome de Fluid, incluindo o álbum cheio Do Not Disturb e o EP Mamma Hates.

Venus Volts trata-se de uma puta banda de Indie Rock, perdida aqui no meio do Brasil. Mais incursões, além mar, com certeza virão logo, quando é fácil pensar neles como saídos de um algum canto inglês.

Fechando o a apresentação das seis bandas selecionadas, deixando as partas abertas para as quatro bandas convidadas da noite, tivemos a apresentação da banda Carro Bomba. Rogério Fernandez (vocais), Fabrizio Micheloni(baixo), Marcelo Schevano (guitarra) e Heitor Schewchenko (bateria) fizeram um show fortíssimo de quem sabe o que faz com alguns vários anos de estrada, trazendo um metal em português autoral. Com bom instrumental e um excelente vocal para o estilo, que nos lembra muito a escola criada por Ronnie James Dio, Carro Bomba finalmente fazia a graça dos headbangers.

Engraçado como o público sempre surge para ouvir um bom metalzinho. Ali no Araraquara Rock as camisetas pretas predominavam na paisagem até então, bem como o grande número de adolescentes, em suas diversas tribos: metal, qualquer-coisa-core, punk(?) e afins.

Já beirando as dez da noite, começariam as bandas convidadas pela organização do evento para fechar este dia do festival. A primeira delas, Sananda, no entando, deixaria sérias indagações sobre estas escolhas.

Sananda trazia Wal no vocal, Caco e Wandinho nas guitarras, Marquinhos no baixo, Anderson nos teclados, todos fazendo vozes, acompanhados de Sussa na bateria. Contudo, não valia o esforço do baixista, que tocava sentado, ostentando um pé quebrado. Faziam um discurso em algumas de suas letras sobre motivos cotidianos, que embora relevantes, estavam travestidos em uma roupagem que os fazia motivo de chacota. Sua sonoridade nada mais era que uma pegada pop um dedinho mais trabalhada, com influências tanto do rock oitentista lá de fora, a la Trevor Rabin, e mesmo um Djavan por aqui, às vezes soando mesmo como Jota Quest!

No setlist, várias composições próprias mais alguns covers, falhos, que em nada abrilhantaram sua apresentação: 01. Tá Ficando Quente; 02. Por Que a Gente é Assim; 03. Tempo Pra Viver; 04. Fátima; 05. Fome de Você; 06. No Recreio; 07. Não Pode Ficar; 08. Gi; 09. Quando a Maré Encher; 10. Hey Joe; 11. Vida de Ilusão; 12. Top Top.

Sua vocalista nos lembra de levinho os trejeitos de uma Cássia Eller, se é que ela não tentava impostar o timbre em sua voz, o que sai bem denotado em Top Top, d'Os Mutantes, mas cantada como na versão da falecida cantora. E seu guitarrista, nada mais que medíocre, não segurava nem de longe um Lúcio Maia em Quando a Maré Encher. Pode ser que exageremos falar mal inclusive de seus cover, mas enfim, é o horror da proposta da banda que mata qualquer outra abordagem possível.

Entre o pop e a música de cunho realmente político e social, Sananda acaba não agradando a nenhum dos dois mundos, perdendo-se, sem público, sem sucesso. Ao descobrir que Sananda vem de Peruíbe, chegamos à conclusão que não passam de mais uma banda de balada, daquelas que encerram o réveillon na praia.

A esta hora, senão já há algum tempo, a população tomava os lugares da Arena, ainda que não a preenchendo de todo. Mais uma vez isso servia para provar que o povo gosta de sair sobre o cair da noite, todos notívagos.

Mudando da água para o vinho, veríamos a banda que nos prometia algo a dentre as bandas convidadas. Wry subia ao palco com Mário "Mario Bross" Silva nos vocais, guitarra elétrica e violão; Luciano "Lu" Marcelo na guitarra, W27 no baixo e Renato Bizar na bateria. Em passagem pelo Brasil, não podíamos deixar de vê-los.

Uma banda já com década de estrada feita. Nisso certamente ela passou por vários momentos do nosso rock recente e acabou explorando várias sonoridades, incursionando por vários estilos, sua apresentação começava perdendo-se no Post-Grunge, flertava como Post-Punk e, a metade à frente entrava no Post-Rock. Nada mais são que showgazers de marca maior!

Para a noite, a seqüência: 01. Sister; 02. Airport Girl; 03. Bitter Breakfast; 04. Million Stars; 05. Disorder; 06. Nossa História; 07. Dois Corações; 08. In The Hell; 09. Luzes. Em sua maioria composições de seu último álbum cheio, She Science e do EP Whales and Sharks. Foi uma apresentação forte, agitadíssima, acelerada, encabeçada pelo baterista, louquíssimo.

"Há muito tempo atrás (sic) tocávamos em Araraquara, em uma faculdade, e tomamos muito suco de laranja... Chegando aqui, já sentimos o cheiro, bateu aquela nostalgia" - nos dizia Mario Bross, um pouco canastrão, como já podem dar-se ao luxo de ser sujeitos com mais de trinta e muita estrada andada.

Ponto alto da noite, a faixa Nossa história começa agora, onde o guitarrista Luciano Marcelo usava um arco para tocar, enquanto Mario Bross empunhava um violão acústico: post-rock em português.

E antes do grande final, com Graham Bonnet, Alex Valenzi! Junto do Fast Food Brazil, que já tinha dado o ar de sua graça, também estavam escalados para o 2º Rock na Estação, em São Carlos, no ano passado.


Subindo ao palco, o pianista imediatamente fez o público descer as escadarias à frente do palco e dançar o twist! Ao final do show, era toda uma massa que se embalava ao seu som, lotando a ravina do Teatro de Arena. Claro, a esta altura, virando a meia-noite, tínhamos um público que já estava ali para curtir a noite, heterogêneo ainda, mas aberto ao eclético rockabilly.

Alex Valenzi, no piano boogie woogie era acompanhado de Caio Durazzo na guitarra, MacCoy na bateria e investidas nos vocais e Leandro Negri no contra-baixo. Aliás, um belo contrabaixo, com acabamento em Black Piano, estilosíssimo. Não obstante carregava ainda cordas de náilon em um verde-limão fluorescente. Estilo MESMO, regado a acrobacias com o instrumento.

Mas não era só pose que a trupe tinha. Bem justificada era a comoção do público, atingindo aí o maior número de pessoas do dia dentro da Arena (Nisso, o Guitar Hero havia acabado, então as pessoas só tinham UM show pra assistir, agora).

E tão bom foi, com todos dançando a exaustão, que as pessoas deixavam o espaço ao fim do show de Alex Valenzi. Os poucos que sobrariam para nossa atração principal eram, realmente, fãs do trabalho de Bonnet, ou, mais quem sabe, do Rainbow, apesar de apenas um álbum gravado no curso de pouco mais de um ano na banda.

Graham Bonnet subiria ao palco já às 01h20 da matina. Acompanhavam-no a Paulo Zinner Rockestra. Paulo Zinner, baterista, nome famoso no círculo do Hard Rock nacional, apresentava Daniel Latorre nos teclados, Rodrigo Montovani no baixo, Fernando Piu na guitarra e as belas moças Jenifer Pauzner e Vanessa Caran.

Bonnet é mais uma das muitas figuras emblemáticas de uma geração que não voltará, embora lembrada por muitos, admirada, senão venerada por outros tantos. E este era o público presente ali que entoava as letras e fazia o Headbanger, em ode a um velhote caquético, arrebentando a garganta para arrancar algumas notas mais altas.

Graham nos trazia no repertório as melhores do álbum Down to Earth, do Rainbow, assim como duas faixas do Alcatrazz, God Blesses Video e Will You be Home Tonight e uma do MSG, Desert Song. Segue o setlist: 01. Eyes of the World; 02. God Bless Video; 03. Love's no Friend; 04. Bad Girl; 05. Desert Song; 06. Sons and Lovers; 07. Stargazer ; 08. Will You Be Home Tonight; 09. Kree Nakoorie; GUITAR SOLO 10. Since You Been Gone; 11. All Night Long; 12. Lost In Hollywood;

O show teve alguns problemas logo a seu começo, o PA desaparecendo a toda hora, chegando a irritar Bennet. As backing-vocals bem poderiam ter um pouco mais de volume para se fazerem sentir de fato e quem sabe quebrar o galho de Bonnet. Mesmo porque Bonnet nos contava que esteve doente aquela semana, tendo passado por quarto hospitais, com uma forte gripe. "I feel like shit" nos dizia o vocalista. Claro que as garotas seguravam muito as pontas ali. Se elas pudessem ser ouvidas mesmo, teriam feito grande diferença no show. Graham Bonnet subia ao palco vermelho como um camarão, como quem passou alguns dias na praia. Não era à toa sua gripe.

Pontos altos ali eram os teclados mais Jon Lord do que nunca, em faixas como Love's no Friends e Stargazer, que ainda trazia um poderoso solo de guitarra de Fernando Piu. Contudo, o esperado solo de bateria de Paulo Zinner foi, digamos, clássico demais. Às antigas, todos haviam deixado o palco, voltando só após o solo de Zinner, para retomar Stargazer. Contudo, o solo parecia limitado, mesmo dentro do Hard Rock mais clássico.

Em All Night Long, já ao final do setlist, o velhote ainda tinha algumas cartas na manga, arrancando uns berros sabe se lá de que corda vocal, que não lhe restava nenhuma. Era a empolgação de seu maior hit.


Ao final do show, já não eram muitos os que mais os que restavam aí. Graham parecia très decepcionado com a evasão de público, notando que enquanto Alex Valenzi tinha mil e tantas pessoas assistindo, não lhe sobrava nem metade. Dizia ele ironicamente que já era tarde, hora de dormir. A população do Teatro Arena havia se reduzido para duzentos, trezentos se tanto ao final do show de Graham e não, não era o adiantado da hora que havia mandado as crianças de volta para casa. Bonnet agradecia muito a banda, contando-nos que houve pouco tempo para montar o show e ensaiar. Saía do palco sem bis, não atendendo aos tímidos gritos de "one more song" da platéia.

Engraçado não termos visto aí, no espaço do Araraquara Rock a mídia de sempre dos festivais. Mesmo com uma porrada de bandas independentes, nada de Trama, nada de Radiola, nem mesmo Auto-Falante.

O evento ainda teria mais dois dias, sábado e domingo 11 e 12 de julho, regados a metal e hardcore na agenda, respectivamente, mas enfim, estamos de férias.

Pelo menos este era um evento onde as caras mudavam um pouco, quando em São Carlos já estamos acostumados com os mesmos rostos, sempre. Aqui, além de alguns dos sujeitos envolvidos com a cena com quem trombamos sempre também, havia um novo público que estava ali para prestigiar o show. À esta altura, o preto predominante das arquibancadas ganhava alguns pontos coloridos. Tínhamos algo perto de mil pessoas no espaço do Teatro Arena. Ao longo do dia muitas mais passaram por ali. Nos três dias do evento quanto teria ele atingido? cinco mil pessoas? Sucesso, praticamente. Também, pudera, oitava edição! Nós é que estávamos atrasados.



Mais fotos do evento podem ser vistas na nossa conta no Picasa!

Fotos: Henrique Resek (Maquiladora); Sergio Martins (Sabre, Alex Valenzi e a última foto de Graham Bonnet); Milton Purple (Fast Food Brazil, Carro Bomba, Wry e a primeira foto de Graham Bonnet).


Anotações do Show: Iara Rennó na Casa de Francisca


Pois que depois de trabalhar no feriado, decidi acatar a twittada do Vanderlei e fui ver a Iara Rennó se apresentar na Casa de Francisca.

Primeira visita ao local, vale uma descrição do mesmo: São poucos metros quadrados de área, ouso estimar menos de 45m²! Decoração interessantíssima com escritos e quadros na parede, um a geladeira old-school da Eisenbahn num canto e cerca de 16 mesas espalhadas nos pequenos espaços da casa, comportando algo como 40 pessoas sentadas. Muito aconchegante.

No cardápio, comes e bebes, e alguns avisos entre os quais: Não se come ou bebe durante as apresentações. Mas, este não foi imposto aos clientes que estavam com pratos em suas mesas ou cervejas em seus copos. Uma cerveja e uma torta depois, vêm um rapaz pedindo que não se faça barulho ao sair para fora da casa ao terminar o show - para não incomodar os vizinhos, que suponho já terem reclamado inúmeras vezes.

Quando finalmente Iara se dirige ao palco, ela empunha o violão e inicia o show com Risco, de sua autoria, seguida de Roendo as Unhas, de Paulinho da Viola.

Para completar o line-up, entra Bruno Barroso no contrabaixo para a faixa Pagan Poetry, da Bjork.

Sem a pretensão de explorar cada faixa desta apresentação fenomenal, a noite ainda contou con Elza Soares, Vinícius e Tom, entre outras faixas de autoria da própria Iara.

Pontos altos da noite estão nos arranjos das músicas, nas faixas Naipi e Bamba-querê, da MacunaÓpera, em versão acústica e, como sempre, na voz da Iara que, quando o ambiente permite, envolve e fascina os mais curiosos.

Agora nos faltando uma Iara a menos para ouvir, fica o desejo de ver uma este trabalho gravado, já que o show ficou fenomenal!

Notícia: Solarística - Aeromoças e Tenistas Russas lançam clipe!



Esta semana uma das bandas mais bacanudas de São Carlos lançou seu primeiro clipe, pronto pra ser visto (e ouvido, muito bem dito, esperemos que você tenha áudio*) ali em cima. Os camaradas, cursando o curso de Imagem e Som da UFSCar, investiram know-how fazendo um trabalho de estética inusitada.

Aeromoças e Tenistas Russas foi uma bela surpresa resenhada por aqui tempos atrás. Composta por Nilo Arruda na bateria, Juliano Parreira no baixo, Luiz Gustavo Palma nos teclados e Thiago "Hard" Gonçalves na guitarra, sax e vocais, trazem suas últimas composições lambendo a pedra do Rock Progressivo. Nisso, não só o compasso 7/8 vem ao paladar, mas também inesperadamente uma preocupação conceitual. A música levada ao clipe, Solarística, parece ter sido criada com um foco em mente, no mínimo um método subjetivo.

Solarística era até pouco tempo atrás apenas conhecida como "X", indefinição mantida por certo tempo justamente pelo apreço e significância que um nome deve ter. Apesar de não tão óbvia, já que poucos conhecem a referência, o nome nos remete a Solaris, ficção científica escrita pelo genioso polonês Stanislaw Lem. Na obra, a Solarística é a ciência que estuda o planeta Solaris, uma entidade viva, um oceano, uma consciência única, tentando ironicamente classificá-la etimo e taxonomicamente, esquecendo-se de entendê-la de fato. Quando nossos cientistas tentam compreendê-la, acabam defrontando-se com o seu próprio eu. Bárbaras alucinações refletidas pelo oceano-ser Solaris.

Contudo, o foco da composição não se dá sobre a abordagem do polonês sobre a entidade Solaris em si, mas sobre o filme homônimo do russo Andrei Tarkovski. Aliás, embora seja uma adaptação que perde muito do enfoque no Sci-Fi envolto na Solarística, é um daqueles filmes que se você não viu, perdeu metade da sua vida. Lembrando sempre de não confundir o filme russo com a adaptação mais desgraçada ainda feita pelo Steven Soderbergh com o George Clooney. Pavoroso.

Nem me espanta mais as referências cinematográficas do Aeromoças, depois de Bang Bang e Regen.

Agora, voltando ao clipe, os sujeitos fazem jus ao audiovisual e prestam uma devida homenagem a linguagem utilizada por Tarkovski no filme. Em conversa rápida com Juliano Parreira, descobrimos que a idéia era abordar o infinito na construção do clipe. Logo, a música Solarística cai como uma luva, justamente por trabalhar esta idéia de espaço infinito, a beleza etérea do ser e sua dúvida existencial, na evolução cíclica da composição.

Claro que o clipe em si tem licenças poéticas à parte, dando margem a muitas outras interpretações. Nos é apresentado uma personagem que evolui junto à música, um personagem não-humano, a bailarina cuja sombra vemos dançar ao começo do clipe, que se revela a dada altura e novamente se embrenha em um manto de luz. A noção de tempo passada ali, não mais apenas pela música, mas pela coreografia da dança de nossa bailarina.

Os garotos da Aeromoças surgem, como que do nada, em uma das cenas do clipe, assistindo a um televisor. Quem sabe, estariam eles assistindo a esta bailarina, e depois novamente, na estrada em meio à mata. E quem sabe, esta personagem, poderia ser a encarnação viva de Solaris, nosso planeta inebriante, como sua dança. Então, eles seriam nada mais do que os cientistas, os estudiosos da Solarística. Justamente como os personagens de nosso livro/filme, estariam hipnotizados pelo poder de Solaris, embevecidos então na busca de uma auto-compreensão.

Ademais, esta especulação reflete muito da própria banda. Quando começavam com seu material próprio, apresentavam algumas letras em suas composições de maior apelo, ao mesmo tempo em que tinham instrumentais mais elaboradas. Suas últimas composições, em contrapartida, investem pesado neste segundo aspecto.

Não é um clipe convencional, longe disso. Mas também a sonoridade da banda não é caso-comum, afastando-se pouco a pouco do comercial.

Esta busca por uma identidade, não-definitiva, mas própria e que reflita o âmago da banda, com certeza é uma preocupação da AeTR. Solarística parece um bom começo para esta introspecção.


Solarística - Aeromoças e Tenistas Russas

Direção:
Juliano Parreira

Roteiro:
Luiz Gustavo Palma
Nilo Arruda

Direção de Fotografia:
Suzana Altero Bispo

Assistente de Fotografia:
Matheus Cury

Montagem e Pós-Produção:
Felipe Passarini

Direção de Arte:
Ana Caroline Bittencourt

Maquiagem:
Thaísa Makino

Coreografia:
Jaqueline Parreira

Produção:
Felipe Carrelli




Making Of (?):
http://www.fotolog.com.br/jaquep/37423006
http://www.fotolog.com.br/jaquep/36867239
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*Nota do Editor: Vamos tentar upar uma versão em maior qualidade tão logo seja possível!