Cobertura: Móveis Coloniais de Acaju e Coco de Mazuca no CAASO!


Móveis Coloniais de Acaju novamente em São Carlos, para a felicidade de todos! Desta vez, para tocar em um evento realizado pelo CAASO, com apoio do sempre presente Massa Coletiva juntamente com os caras do Coco de Mazuca. Pois é, pois é, Maquinado, a despeito do que tínhamos anunciado antes aqui, infelizmente não pôde vir. Ficam os parabéns aos organizadores por acharem um substituto a altura, de última hora. E não só por isso, claro, afinal, o evento rolou super bem, com uma discotecagem deveras aprazível a nossos ouvidos, antes e depois dos eventos principais, e tudo a um preço modestíssimo, com o uso de verbas dos fundos de Cultura e Extensão da USP. Evento bom e barato não se vê todo dia, nem cai do céu. Como comentado pelo próprio André Gonzales, vocalista do Móveis, no meio do show, somos privilegiados. Interessante notar que, mesmo sendo pago, rolou muito mais gente, se comparado ao último show (de graça) dos caras aqui, no ano passado, lá no Festival de Calouros de Ufscar, chegando desta vez por volta das 1600 pessoas. Isso mostra que a banda vem ganhando popularidade de lá para cá, e numa velocidade altíssima. Muito bom para eles, muito bom para os fãs, muito bom para o cenário independente, já que Móveis pode ser considerado uma das referências e exemplos para as novas bandas nesta nova fase que a música no Brasil, e no mundo, vem passando, no sentido de utilizar a internet como principal meio para divulgação e reconhecimento. Temos aí vários outros exemplos, como a Mallu e Teatro Mágico (longe de mim querer comparar a qualidade musical de cada um).


De volta ao evento: Infelizmente chegamos atrasados, já ao final do Coco, de modo que não poderemos comentar o show de abertura em mais detalhes, assim como a discotecagem antes deles. Abrindo um parentêses para a introdução: O Coco de Mazuca tem na sua formação Marco Axé, Gustavo da Lua e Toca Ogan, sendo esses dois últimos integrantes do Nação Zumbi. A banda utiliza de instrumentos como ilús, ganzás, congas e pandeiros para tocar o Coco de Mazuca, adicionadas aí influências de vários outros ritmos. Pelo pouco que pegamos, vê-se que a escolha em chamá-los foi bem acertada, garantindo um clima bem dançante para o começo da noite. Claro que, das influências do Nação Zumbi, Maquinado e Coco se encontram em extremos opostos. Contudo, a energia trocada entre os músicos e o público foi grande, contagiando a todos.

Com o povo já esquentado, temos o início da apresentação principal, com a subida do Móveis ao palco, algumas horas a mais do que o horário oficial, mas provavelmente já previsto pela grande maioria. O show traz, como esperado, quase a totalidade do álbum novo, com exceção de Café Com Leite e Bem Natural. Engraçado, já que grande parte da passagem de som tenha sido feita com esta última. Naturalmente, o salão vinha abaixo era na hora das mais conhecidas, com o acompanhamento em peso do público, em Esquilo Não Samba, Aluga-se Vende, Perca Peso e Copacabana. A minha dúvida era como o público reagiria às novas músicas e se isso quebraria o característico clima de alta empolgação já bem conhecido da apresentação do Móveis. Felizmente, essa dúvida foi totalmente infundada e os caras tiraram de letra. Os pedidos de palmas pela banda são uma constante durante todo o show, talvez para compensar justamente o fato de que a maioria ainda não saiba cantar boa parte das novas músicas. De qualquer modo, ficou evidente que os caras sabem garantir a empolgação do público, mesmo estando pouco familiarizado com as letras, através não só das palmas, bem como de outros tantos movimentos do rock (como bem enumerou o Blue Man Group), da própria presença de palco de todos os músicos (aqui um destaque para o backing vocal bem energético do flautista Beto Mejía e dos passos de dança no mínimo curiosos de André Gonzáles), sem contar com a altíssima interatividade do público com o show. Aliás, um dos pontos altos do show é justamente durante Copacabana, quando os metais e André descem para o meio do povo e pedem para fazer uma roda, na grande ciranda característica de toda apresentação do Móveis. É essa energia e esse clima de descontração que garante um público fiel nos shows e a alta popularidade da banda, com certeza.

Ouvindo o álbum em casa, a impressão que me dava era que os metais tinham perdido um pouco da importância nas faixas, mas a verdade é que, ao vivo, a história é outra. Os metais estão mais presentes do que nunca, e o tom aparentemente mais "pop" das novas músicas não tira a essência da banda. Acredito que este segundo álbum vem para manter e agradar aos velhos fãs, ao mesmo tempo que atrai aos novos. O que realmente se constata é que, não tem jeito, Móveis é banda para se ver no palco. As faixas em estúdio são brilhantes, mas ganha-se muito na apresentação ao vivo. Para todos os fãs da banda, recomendo fortemente que confiram ao menos um show dos caras. Ainda mais porque grande parte da verba da banda deve vir dos shows, que acredito ser tendência, felizmente para os fãs, já que a venda de CD vêm perdendo força de tempos pra cá. Tanto é que o novo álbum da banda está disponível pelo projeto Álbum Virtual da Trama, de graça!

E o show chega ao fim, um pouco mais cedo do que eu gostaria, mas nada se pode fazer. Já no fim da noite, a pós-discotecagem do Independência ou Marte traz coisas bem legais como Guizado, Barbatuques e Maquinado, dentre outras coisas, não menos interessantes.

E assim, esperamos que Móveis passe a ser uma presença frequente na cidade, porque público por aqui já se viu que tem de sobra!


Setlist do show:
01. Cão-Guia
02. Lista De Casamento
03. Esquilo Não Samba
04. O Tempo
05. Pra Manter ou Mudar (A Do Piano)
06. Descomplica
07. Perca Peso
08. Cheia de Manha
09. Falso Retrato (U-hu)
10. Copacabana
11. Indiferença
12. Aluga-se Vende
BIS
13. Adeus
14. Sem Palavras




Ademais, aguardem que está pra sair mais uma grande surpresa vinda do show do Móveis, daquelas pra ficar na história! Enquanto você aguarda essa surpresinha, confira AQUI algumas fotos, tanto do Coco de Mazuca quanto de Móveis Coloniais de Acaju, no Picasa do Programa Bluga, e AQUI as fotos tiradas pelo Massa Coletiva!

Fotos: Vincent de Almeida (Móveis) e Danilo Eric dos Santos (Coco)

Download: Programa Ummaguma #100, com Violeta de Outono ao vivo


Depois do furor que nos foi assistir ao vivo o Violeta de Outono no Teatro Municipal de São Carlos, restava-nos apenas guardar na lembrança, quem sabe fotos, daquela noite. Contudo, eis que surge Marco Batalha, a quem temos muito a agredecer, que apresenta o programa Ummagumma ao lado de Maurício Martucci na Rádio UFSCar, com o arquivo de áudio daquela noite!

Como houve a transmissão ao vivo pelo Ummagumma, que comemorava ali sua centésima apresentação, o áudio foi capturado direto na Rádio UFSCar, à 128kbps. A qualidade é razoável apenas, mas com certeza vale pelo registro histórico da ocasião.

Há no arquivo a última faixa, Dogs, do Floyd, tocada pelo Homem com Asas, que fazia a abertura da noite, alguns comentários dos nossos apresentadores, pequena entrevista com Danilo Zanite do HcA e, a grande pedida, o ao vivo do Violeta de Outono.

Para quem ainda não leu, a cobertura daquela noite foi feita em nossa última postagem, AQUI! Quem prestar atenção, faltou o bis. Mas estão lá a psicodelia de Syd Barret. Para ouvir direto, só clicar no player abaixo:



Este não é o primeiro bootleg que apresentamos, há este outro material AQUI! Está no ar também um material gravado nos estúdios da Rádio UFSCar pela banda de Blues Rock Stranhos Azuis, da qual também fazer parte Danilo Zanite e Luciano Matuck, que tocaram nesta noite pelo Homem com Asas.

Esta divulgação através de bootlegs destas apresentações ao vivo, senão material oficial , seja em CD, DVD, no YouTube ou em algum outro canto qualquer, é fundamental para a carreira de uma banda. Logo mais tentarei sintetizar alguns pensamentos a respeito em um texto, necessário.

Espero que gostem do material do Ummaguma.

Download aqui!

Cobertura: Violeta de Outono e Homem com Asas - Programa Ummaguma #100


Presenciamos um fato inédito na última quinta-feira, 14 de Maio, no Teatro Municipal de São Carlos: a primeira transmissão ao vivo de uma apresentação ali feita. Ainda por cima, radiofônica, através da Rádio UFSCar, a 95,3 MHz, e, online, no portal www.radio.ufscar.br.

Que acontecia ali? A comemoração do centésimo programa do Ummagumma, já há dois anos no ar, umas das iniciativas mais bacanas nas ondas FM da cidade, trazendo o Violeta de Outono, banda que já passou AQUI pelo blog, ao lado do Dialeto, em resenha de nossa caríssima Carol Scoponi. E agora, tocando aqui em casa praticamente, não podíamos deixar de prestigiá-los, afinal deixamos de vê-los no Theatro Municipal em Sampa na Virada Cultural. Assim como iriamos prestar honras ao preferido de toda quinta à noite nos rádios, o Ummagumma.

Vale destacar que hoje o Violeta de Outono tem em sua formação atual dois sujeitos que já vimos tocando mais de uma vez por terras sancarlenses: Fernando "Macabro" Cardoso e Gabriel "Zoppo" Costa, do Homem com Asas. Nada mais propício então, que a abertura da noite fosse feita por esta banda, que faz honras ao progressivo e psicodelia sempre que toca por aqui. Claro que isso exigiria mais de duas horas dos dois tocando, mas eles dariam conta facilmente.

Programados para subir às 19h, os homens alados só viriam a dar as caras às 19h45, com o teatro a três quartos de sua lotação. Incenso preso ao pé de um pedestal, imagens pouco inebriantes projetadas ao fundo, cores mais, criando já o clima de imersão.


Para a primeira da noite, Gus Stardust (lead singer), Danilo "Fruits" Zanite e Marcelo "Minduim" Montaño (guitars) e Luciano Matuck (drums), aliados ao violeta Gabriel Costa (bass), nos traziam Achilles Last Stand, do Zeppelin.

Na seqüência, o sempre merecido espaço para uma composição própria, com A Natureza. Para a terceira, primeiro chamaram o outro violeta, Fernando Cardoso, para comandar as necessárias teclas em uma excelente versão de Rio de Janeiro, do álbum ao vivo de 1976 d'Os Mutantes.

Agora, era a vez de trazer um material um tanto quanto raro sequer de se ouvir falar, mas que sempre rola nos shows do HcA. Sempre vem a frente Zoppo, apresentando a banda alemã Frumpy, conotando a vocalista Inga Rumpf por nosso Gus na boníssima faixa Good Winds.

Estava estabelecido o clima altamente psicodélico. Contudo, sempre é estranho assistir a estas apresentações dentro de um teatro, comportadamente sentados. Claro que o interessante é que isto possibilita total concentração na música em si, sem qualquer dispersão. E a qualidade do áudio sempre é mais interessante em um ambiente fechado, especialmente quando pequenas nuances precisam ser ouvida, quase sempre caso do progressivo, que se perde em palcos ao ar livre.

E para fechar, como não poderia deixar de ser numa noite em que se comemora o aniversário do Ummagumma, uma Pink Floyd: Dogs. Com certeza a melhor das interpretações do grupo.

Tocando apenas cinco faixas, encerravam uma apresentação memorável. E o apenas justifica-se na contagem tão somente, afinal todas eram faixas longas, completando quase uma hora de apresentação!

E não vamos esquecer que Homem com Asas é a nossa primeira postagem AQUI no blog, mais de um ano atrás, quando experimentávamos formatos e o texto ainda deixava muito a desejar. De qualquer maneira, temos uma grande admiração pela banda, que apesar de já termos visto tocando inúmeras vezes, nunca deixamos de prestigiá-los. E apesar desta noite merecer uma resenha mais aprofundada, faremos isto em outra ocasião, não quando eles são "apenas" a banda de abertura e o ambiente não é dos mais normais para tentar captar a essência de um show. Falemos hoje de Violetas.

E nem falaremos tudo, já que nossa pretensão não é tão grande. Mais uma vez vamos dispender apenas algumas impressões mais cruas, trazer algumas fotos e publicar o setlist da noite. Setlist este que sempre é fácil no Teatro, já que há sempre a programação da noite faixa-a-faixa, matando metade do nosso trabalho. Isto até chega a tirar um pouco do brilho do show a todo público, no momento em que se perde a surpresa que é ouvir os primeiros acordes de cada faixa.

Pausa para um pequeno intervalo entre as bandas, sai a tralha do HcA, sobe a do Violeta. Voltamos com uma bela iluminação por baixo da bateria, em muitos tons de Violeta: Fábio Golfetti nas guitarras e vocal junto de Claudio Souza na bateria, os dois da formação original do Violeta, que sempre teve em Golfetti a persistência da banda; e Gabriel Costa, mais uma vez no baixo, e Fernando Cardoso, nos teclados e backing-vocal, duas buenas "aquisições" a banda.


Zoppo, lembrando também da passagem de Daevid Allen pelo 1º Festival Contato, vinha com uma camiseta com a ilustração de Camembert Electrique, álbum clássico do Gong. E claro, não podemos nos esquecer das experiências do Golfetti com a Invisible Opera, também idealizada por Allen, lembrada na estampa de sua camiseta também.

Tocando pela primeira vez em São Carlos, a idéia de seu repertório era apresentar inicialmente o material que provavelmente o publico conhecesse. Assim, após uma abertura com Em Toda Parte, trazem as três faixas de seu primeiro EP, Outono, Trópico e Reflexos da Noite, que estariam presentes também em outros de seus álbuns cheios. Claro que aqui, acrescenta-se a sonoridade dos teclados de Fernando Cardoso, que chegou mesmo a criar novas introduções às faixas, como em Trópico.

A esta altura, as cadeiras do teatro já serviam de porto seguro para que todos se segurassem em meio a viagem já iniciada, com Golfetti tirando solos belíssimos.

Após trazer sua identidade conhecida, era o momento de trazer seus novos trabalhos.: Além do Sol, Caravana, Eyes like Butterflies e Fronteira. Novos, já que o Violeta surge em meados da década de 1980 e o último álbum Volume 7 tenha sido lançado em 2007, com a atual formação da banda. E se é o sétimo álbum de fato, lembremos que é o quinto de estúdio. Com a tiragem esgotada, Volume 7 foi relançado recentemente, ao lado de toda a discografia da banda em CD, incluindo aí alguns EP, material mandatório em qualquer coleção. Muito embora uma coleção que se preze deva rastrear o bom vinil, não é?

Embora tenham um instrumental primoroso, sem exageros e ainda assim belo, muito se discute sobre os vocais do Violeta. Fábio Golfetti canta ternamente, como que declamando versos, trazendo suas impressões de mundo numa voz macia, monótona de fato. Contudo, Violeta de Outono é justamente isto, a transposição de imagens da natureza, ambientes, estações, sensações em sonoridades e poesia. Nisto, se não pela música propriamente, que isto seja feito pela lírica das letras. Há uma preferência pelo vocal, muitas vezes mais presente que o instrumental, mas aí está uma justificativa para tanto.

Do instrumental, nada nos resta comentar. Podemos apenas florear as sensações com adjetivos merecidos: Se os Teclados de Fernando não criam uma cena de fundo para a guitarra de Golfetti trazer o calor da luz do sol, enquanto baixo e bateria nos criam texturas quase perceptíveis ao toque, construindo as cenas das canções, não sei mais que poderia descrevê-los.

Enquanto do EP tiramos por destaque Reflexos da Noite, do excerto de faixas do Volume 7 tocadas, Caravana e Fronteira se sobressaiam ali.

Chegando a metade da noite, se voltaram mais uma vez para seus clássicos, trazendo de seu primeiro álbum cheio, o homônimo de 1987, Dia Eterno, Declínio de Maio, Luz, Sombras Flutuantes e sua versão de Tomorrow Never Knows, dos Beatles, onde Golfetti faz de sua Fender uma cítara, também presente no disco.

E mais uma vez, rende-se homenagens ao programa Ummagumma. Desta vez, mais propriamente, trazendo Set the Controls for the Heart of the Sun, uma das faixas do lado ao vivo do álbum que dá título ao programa de rádio, se é que você ainda não sabe disso. Neste excerto do show, todas as faixas são da primeira fase do Pink Floyd, ainda com Syd Barret. E Golfetti confessionou no palco que deve rolar um DVD do Tributo a Syd Barret ainda este ano!

Astronomy Dominé e Interstellar Overdrive, as melhores faixas floydianas a meu ver, que inclusive o Violeta já gravou, não rolaram, apesar de primeira também estar no Ummagumma. Mas deixou-se espaço para que víssemos algo inédito até então, alguém rolando Arnold Lane, ao lado de See Emily Play e Bike.

Saindo do palco, era muito natural esperar um bis. Só que até parecia que não ia rolar, com as pessoas deixando o teatro ali, logo ao fim, sem comentar as muitas que deixaram a apresentação no meio. Felizmente, os Violetas voltaram, com Creme Gelado, Desculpa, do álbum de 1999, Mulher na Montanha, arrebatadora.


Eis uma banda que manteve sua sonoridade preservada através das décadas, a cada álbum, mostrando que há espaço para este Progressivo, mesmo o brasileiro, e, muito possivelmente, dentro de várias gerações.

Neste show belíssimo, ficam os agradecimentos ao Violeta e especialmente a Marco Batalha e Maurício Martucci, apresentadores do programa Ummagumma. Ummagumma este, que além das incursões nas ondas radiofônicas, tem um dos mais respeitáveis fóruns sobre progressivo no país, que vale a pena conferir.

E também tem mais fotos no nosso Picasa!

Fotos: Vincent de Almeida


Agenda: Móveis Coloniais de Acaju + Maquinado no CAASO!


E mais uma vez, São Carlos tem as honras de receber os caras do Móveis Coloniais de Acaju! Tivemos a oportunidade de conferi-los no ano passado, lá na praça do mercado, fechando a segunda edição do Festival de Calouros da UFSCar (também comentado por aqui), e posso dizer que a banda deixou para o povo são-carlense boníssimas lembranças e a esperança de um retorno em breve. Felizmente, esta esperança acabou se revelando uma verdade, e a volta nos parece sinal de que o sentimento foi mútuo (afora os comentários da banda sobre Sanca, aqui, ó)!

O show vem para celebrar também o lançamento do novo álbum, C_mpl_te, e rola em nosso ninho, no CAASO, dia 21 de Maio, quinta-feira. Isto, antes mesmo do show de grande lançamento em sampa, o que significa que teremos um espetáculo com fôlego total!

Aliás, chegam muito bem-acompanhados, junto com o pessoal do Maquinado! Quando achamos que não poderia ficar melhor, temos esta ótima notícia! Imperdível, imperdível.

Já baixou o novo álbum? Se não, dê uma conferida:









E baixe depois no site da Trama, de graça, em 320kpbs.

Relembrando, mais uma vez, que não custa (aliás, quase não custa mesmo, está baratíssimo!):

Show Móveis Coloniais de Acaju
Abertura com Maquinado

Data: 21 de Maio (Quinta-Feira)
Horário: 23h00
Local: Salão de Eventos da USP - São Carlos
Ingressos:
Sócio Caaso R$1,00
Estudante R$3,00
Inteira R$6,00


Cobertura: Virada Cultural 2009: Anelis Assumpção, Lívia Nestrovski, Mass Ensemble e Curumin



Já acompanhamos a Virada Cultural a algum tempo, sempre maravilhados com o caráter de gigantesco festival, pela possibilidade de ver gerações de grandes nomes num mesmo dia e local, embora desconfiados da real imersão cultural ali proposta.

Contudo, este ano é a primeira vez em que fazemos a cobertura, apesar de no ano anterior, quando já havia Programa Bluga, termos deixado a cobertura para os anais da mídia convencional e um sem número de blogs.


Em 2008 vimos muitas, mas muitas atrações das mais interessantes rolando, outras perdemos, mas no final não encontramos um material realmente interessante. É quase cômico procurar por blogs relatando algo da Virada e nos depararmos apenas com compilações da programação da Virada, coisa muito bem disponibilizada já no site oficial. Difícil mesmo encontrar alguém que nos trouxesse mais do que vagas impressões pessoais, gostos e desgostos, mas sim que compilasse informações relevantes de maneira concisa, num formato decente e, sobretudo que transmitisse as sensações de assistir a um show, num jornalismo crítico. Isto, sem a pretensão de entender nossa proposta aqui como a perfeita, mas despendemos tempo e esforço para chegar a um resultado mínimo. Enfim, tentamos.

Claro que talvez muitos blogs tenham tido seu alcance diminuído, senão ofendidos, com a proposta da organização de Imprensa da Virada, feita pela Foco Jornalístico Assessoria de Imprensa. Apesar do simples acesso a seção de Imprensa direto no site oficial da Virada, com direito a milhares de fotos das edições anteriores e outras informações, "a concessão de credenciais para as áreas de acesso privilegiado é restrita à imprensa". Esta foi a resposta a nossa solicitação, ignorando quem mais publica conteúdo hoje, os blogs, especialmente material bom sobre assuntos bastante específicos como é com a (boa) música. Não vamos discutir os méritos dessa consideração aqui ou não, deixando isto para gente grande, já que tínhamos quase certeza dessa negativa, só queríamos entender como tudo iria funcionar.

De qualquer maneira, para a Virada Cultural de 2009, pensamos em fazer uma pré-seleção de material todo o material que já conhecíamos e achávamos relevante, procurando ainda pesquisar algo das centenas de nomes que passariam por lá, tarefa perto do impossível. Nisso, apontamos alguns nomes já no nosso post pré-Virada e já deixamos duas resenhas com boa quantidade de informações e setlist completo, comentando Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno, no Theatro Municipal no álbum Clara Crocodilo, e Iara Rennó, no Largo Santa Efigênia, apresentando seu Macunaíma Ópera Tupi.

Agora, além de depositar alguns comentários sobre mais alguns nomes que presenciamos, deixamos impressões mais gerais sobre a Virada, do ponto de vista organizacional. Afora os comentários ali de cima sobre a própria cobertura do evento.


Como uma postagem sobre o Arrigo Barnabé, que pode ser vista AQUI, não foi suficiente, vamos a alguns detalhes mais sobre a experiência no Theatro Municipal de São Paulo. Como no ano passado, quando quisemos ver Snegs pelo Som Nosso de Cada Dia, chegamos com larga antecedência. Contudo, uma hora e meia não foi suficiente senão para nos deixar lugares nos últimos dois andares das galerias do teatro. Possivelmente teria valido a pena ter perdido mais uma hora ali, especialmente antes da Virada dar a largada propriamente dita. Afinal, perder três horas em uma fila, o que equivaleria a perder no mínimo três outras atrações potencialmente boas em meio as centenas, é quase um sacrilégio. Teria de valer muito a pena.

Felizmente, uma das poucas atrações que valeria a pena de novo no Theatro, Egberto Gismonti, era imediatamente após o Arrigo Barnabé, deixando de lado qualquer possibilidade de ver as duas apresentações. Foi difícil escolha entre os dois nomes, mas não tanto, ponderando sobre perder horas na fila antes da brincadeira começar ou quando tudo já estava rolando. E Tom Zé que nos desculpe, adoraríamos vê-lo, mas as horas de fila nas poucas (poucas?!) 24 horas de Virada não dá. E Violeta de Outono, bom, vamos ver em casa, no Teatro Municipal de São Carlos nesta quinta!

Ainda do Municipal, é bem ridículo darem-nos o ingresso às portas do lugar, para cinco metros depois tomarem-no de nossas mãos, rasgando-o ao meio. Se era para ter uma estimativa da locação, que isso fosse feito com um simples contador de mão. Grande desperdício de papel (que seria mínimo perto do visto depois). Afora que em nenhuma das atrações que ja presenciamos dentro do Theatro, seja nesta Virada ou na passada, a lotação de 1300 e tantos lugares foi atingida. O que nos faz pensar que eles guardam alguns lugares, pra não dizer quase uma centena, bem visíveis das galerias, para convidados especiais, organização e imprensa, que acabam não usando destes (afinal, se esse realmente é o caso, o ideal era assistir atrás do palco).

E claro, falamos mal das filas do Theatro, mas de outra maneira não seria possível. Levar uma atração deste porte a qualquer dos palcos da Virada levaria a situações como qualquer das que aconteceram no Palco da Avenida São João. Toda a massa está lá, impossível de assistir com um mínimo de conforto qualquer apresentação, ou mesmo de ver mais que um ponto. E não, telões não salvam. Afora que alguns daqueles shows, em sua maioria, precisam do espaço de um teatro para serem sua percepção plena. Feito Jon Lord acompanhado da Orquestra Sinfônica Municipal. Não que ele mereça todo o bafafá feito em cima dele.

Nisso, nossa escolha recaiu em palcos menores. Isto em público e tamanho, mas obviamente não na importância de sua música. Saídos do Arrigo, dirigimo-nos então para o Largo Santa Efigênia para quem sabe pegar um poquito da apresentação de Anelis Assumpção. E, de fato, chegamos a tempo de conferir duas ou três faixas finais, mais o bis! Anelis Assumpção esta acompanhada de Maurício Pregnolatto no baixo, Bruno Buarque na bateria e Cris Scabello na guitarra, todos os três do Rockers Control que ainda bateria por ali mais tarde, mais a menina Lelena Anhaia na guitarra. Faltou só a Simone Sou que muita gente se perguntou onde estava. Como nem de longe vimos tudo, vamos deixar apenas um vídeo pra vocês conferirem.



Agora, um comentário a parte é a escolha quase inconsciente de nossa primeira parte da programação de sábado. Começando toda linha de raciocínio com Arrigo Barnabé... Pulando para Anelis Assumpção, quem é menina? Filha de Itamar Assumpção. Para quem não sabe, Itamar é um dos arranjadores de Diversões Eletrônicas, faixa maior do álbum Clara Crocodilo, de Arrigo, tendo também performando em apresentações da Banda Sabor de Veneno, inclusive na ocasião do Festival Universitário da Canção, em 1979 pela TV Cultura, com Diversões Eletrônicas. Não obstante, Anelis Assumpção é integrante do grupo DonaZica, com influências mil das mais honoráveis, passando tanto por Itamar Assumpção quanto por Arrigo, onde também encontramos Iara Rennó. Filha de Carlos Rennó - outro dos sujeitos que compuseram com Arrigo, desta vez em seu segundo álbum, Tubarões Voadores, autor de A Europa curvou-se ante o Brasil e Mirante - e de Alzira Espíndola, outra de parcerias com Arrigo e Itamar, irmã de Tetê Espíndola, que nos canta também em Clara Crocodilo. Sem contar os arranjos de Arrigo para Macunaíma Ópera Tupi. Das meninas, trata-se de um berço pouco promissor, que, ao mínimo, propiciou muito do afloramento destes trabalhos. Mas é claro que o mérito é todo delas. Felizes de nós. E viva a Vanguarda Paulista!

Enfim, já entregamos que vimos Iara Rennó. Se você não viu, está mais que na hora de ler, aqui, ó, com resenha completa do show e fotos! E no meio da platéia tanto de Anelis quanto de Iara, tínhamos uma presença ilustre, camuflada entre a multidão. Alguém notou a Zélia Duncan assistindo as meninas? Também, pudera, participações de Zélia com o DonaZica AQUI, a Anelis no DVD da Zélia AQUI.

E ali naquele palco, no intervalo das apresentações, presenciamos uma das muitas atrações de rua da Virada, com a Troupe Djembedon, com Fanta e Fadima Konatê, cantando, batucando e dançando, tudo ao mesmo tempo, ritmadas por Petit Mamady Keita. Absurda a percussão proposta ali, que vale a pena conferir o som AQUI, especialmente se você gosta de tambores, não é? Só fique ressabiado ao saber que esta iniciativa tem um dedinho do Santo Daime.

E continuando no Largo Santa Efigênia, ficamos para ouvir Lívia Nestrovski Antes de qualquer coisa, mesmo de saber que ela é filha de Arthur Nestrovski, conhecemos a garota por um de seus muitos projetos, o Grupo Cumieira, antes chamado de Banda Hermética. Ali, entre interpretações de Hermeto Pascoal e composições próprias na mesma linha, Lívia desponta fazendo vocalizações surpreendentes. Eles já estão com uma demo gravada, do mesmo material disponível no MySpace e acabaram de receber uma verba para gravar CD do Fundo de Investimento Cultural de Campinas (FICC). Outro de seus projetos é o Grupo Casaforte que ainda precisamos conferir ao vivo.

Naquela noite Lívia se apresentava com o parceiro (e também marido) Fred Ferreira na guitarra, trazendo o trabalho do Duo Jamaxim. Contudo, por mais que a voz de Lívia seja de um timbre gostoso e de uma técnica impecável, beirando o impressionante, apenas o acompanhamento da guitarra parecia pouco para empolgar o público, ficando o clima de barzinho. Claro que o fato de o som naquele palco não estar nem um pouco perto do razoável também não ajudava muito. Assim, não foram muitos que assistiram a apresentação, mas aqueles que ficaram entoavam baixinho junto com Lívia as canções ou dançavam de mansinho no embalo da voz da menina. Ser citada em diversos veículos, ou simplesmente entrando na programação da Virada como um dos novos talentos é um grande passo para a carreira de Lívia, que escolheu um belo repertório, com a MPB de todos os cantos, especialmente o mineiro, com as canções: Estrada do Sol, famosa na voz de Nara Leão; Modinha, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; Zelão, de Sérgio Ricardo; Jogral, de Djavan; Clube da Esquina Nº 1, de Milton Nascimento e Lô Borges do grupo e álbum homônimos, Clube da Esquina; Sonho de Marinheiro, de Fausto Nilo; Um Gosto De Sol e Nada Será Como Antes, as duas de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos; A Sede do Peixe, também de Milton Nascimento, agora com Márcio Borges. Ainda, depois de incursionar por outros ritmos latinos com autores que desconhecíamos mas acabamos apreciando e nos perguntando que era aquilo, Lívia caiu num bom Jazz, com The Dry Cleaner From Des Moines, de Charles Mingus e Johnny Mitchell, onde faz de sua voz instrumento e como que duela com a guitarra de Fred.

Finda a apresentação, já era hora de dar uma olhada na movimentação nas ruas do centro velho de São Paulo, passeando por cada palco. Nisso, nos dirigimos para tirar a dúvida sobre que seria a tal Harpa Monumental. Chegando a Praça Ramos, ao lado do Theatro Municipal, lugar da instalação, deparamo-nos com uma peça que realmente valia seu nome, já que suas proporções eram maiores mesmo que muitos monumentos ali, com suas cordas partindo das balaustras do Theatro, até o meio da praça, cobrindo coisa de 30 metros. Era o Mass Ensemble, grupo americano de Los Angeles, cuja proposta é transformar prédios, montanhas, enfim, qualquer coisa, em gigantescos instrumentos musicais. E esta arte dessa vez foi feita com o Theatro Municipal, sendo tocada de maneira inusitada pela beldade, Andrea Brook, ora acompanhada da bateria, ora da guitarra e voz de Shawn Barry, apresentavam um som de "moderna erudição", que parou uma multidão à praça, dependurada até no parapeito do viaduto do chá, tanto à meia noite do Sábado, quanto às três da tarde de Domingo.



Para se ter idéia uma real idéia do que é o Mass Ensemble com o Earth Harp, somente presenciando. Ou assistindo a um vídeo, como este aqui. Muito do mérito ali é justamente o tamanho do instrumento, realmente impactante. Contudo, o estilo modernoso dos dois, Andrea e Shawn, também era marcante, assim como as incursões corporais solo que eles fizeram: A noite, o sujeito brinca como eu nunca antes havia visto no Brasil, com correntes com maças em chamas; e a garota performando posições impossíveis do ioga, enquanto Shawn usava pela primeira vez da gigantesca cítara elétrica ali exposta que também causava dúvida.

Voltando mais uma vez para o reduto seguro do Largo Santa Efigênia, era a hora de Curumin subir ao palco. Ele já tinha dado o ar de sua graça naquela mesma noite, tocando com Iara Rennó. Também já havíamos visto o camarada apresentando faixas de seus dois discos Japan Pop Show e Achados e Perdidos no Festival Contato, em 2008, então sabíamos que o show seria no mínimo divertido.


Claro que a fama do rapaz se fez sentida, especialmente naquele horário, quando todo canto estava intransitável. A frente do palco estava lotadíssima, parecendo mesmo a São João. Ponto para Curumin, que atingiu com seu som não só Natalie Portman, mas também as massas.


Mais uma vez acompanhado do baixo de Lucas Martins e o MPC de Marcelo Effori, Luciano Nakata Albuquerque, o Curumin, na bateria, cavaco elétrico e vocais, trouxe suas composições e mais umas: Mal Star Card; Sambajapa; Compacto; Sambito; Kyoto; Everybody loves the Sunshine; Caixa Preta; Guerreiro; Magrela Fever. Antes de mandar a última, ainda trouxe ao palco novamente para uma palhinha Anelis Assumpção, já que ela ainda estava por ali de bobeira, para depois fechar com um reggaezinho.

E atravessar as 24 horas da Virada é tão difícil quanto ser um náufrago em meio ao oceano: parar de nadar é a morte. E como não sabemos nadar, fomos para casa, os que restaram, descansar algumas horas e aproveitar melhor o Domingo, já a luz do sol do meio-dia.

Ainda esta semana, se sobrar fôlego, sai mais uma postagem, com mais alguns comentários gerais da Virada e quem sabe uma visão do show da Central Scrutinizer Band acompanhada de Ike Willis. Enquanto isto, propaganda nunca é demais, leia o texto nosso sobre o Arrigo e o outro da Iara Rennó na Virada e também veja uma reunião de fotos destas atrações no nosso Picasa. E pra acompanhar tudo mesmo, nos siga no Twitter!



Fotos: Fernanda Serra Azul (Arrigo); Ariel Martini (Anelis Assumpção, Iara Rennó e Lívia Nestrovski); Danilo Regi (Mass Ensemble); Vincent de Almeida (Curumin); Montalvo Machado (Central Scrutinizer Band e Ike Willis).

Resenha: Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno: Clara Crocodilo - Theatro Municipal, Virada Cultural 2009

Dentro do Theatro Municipal de São Paulo durante a Virada Cultural paulistana a proposta é sempre resgatar os álbuns de destaque de artistas que marcaram época e apresentá-los na íntegra, como no original. Mais uma vez este ano a seleção era boa, com Arrigo Barnabé, Egberto Gismonti e Tom Zé entre outros nomes.

Entre as duas primeiras, optamos por Arrigo, não só pelo gosto pessoal, mas pela representatividade enquanto obra experimental e mesmo importância enquanto produção independente da década de 80. Claro que era já a segunda oferta para conferirmos Egberto Gismonti na Virada, lembrando que o mesmo show não aconteceu em 2008, mas precisávamos ver Clara Crocodilo, expoente da Vanguarda Paulistana.


As expectativas para esta apresentação eram bem altas, já que nunca havíamos visto Arrigo, muito menos interpretações de Clara Crocodilo. O álbum, em si, reflete muito daquilo que incentivamos e invariavelmente gostamos. Quando o cenário do Rock tornava-se enfadonho há trinta anos, este álbum abria novos rumos, enxergava uma nova vertente, ao aproximar o estilo à música erudita, numa dialética então pouco natural especialmente no Brasil. Aqui, seria leviano tratá-lo como Rock Progressivo, que vem abarcando nomes a torto e a direito por falta de taxonomia melhor, como o próprio Rock Independente.

Abordando muito da cultura, ou contracultura, dos anos 1980 envolta numa estória absurda, com influências dos quadrinhos, praticamente numa homenagem ao Lagarto, personagem das histórias do Homem-Aranha, do cinema, das tiradas das Pornô Chanchadas aos contos de terror e ficção científica, e muito do pop vigente a época, com as corridas de autorama, fliperamas, o Ford Maverick, fazia-se uma obra urbana, refletindo muito da época ao mesmo tempo em que fazia contravenção ao que se retratava no período, ao escancarar hábitos promíscuos da sociedade e antevendo temas como a indústria genética.

E este texto era a abertura de pensamento para a verdadeira revolução auditiva, mudando o pensamento estético da música da época ao afastá-lo da idéia de produto da consonância, ao usar de atonalismos e elementos caóticos.

Nas apresentações ao vivo, podia-se pensar que tudo não passava de linhas de improviso, uma grande jam, quando na verdade tudo não passava do fruto de inúmeros e exaustivos ensaios. Contudo, este experimentalismo era perfeitamente dirigido, passível de assimilação pelo público. Dotado do pensamento arquitetônico, construído, projetado, planejado por quase uma década, usando recursos de módulos e séries na composição, as dissonâncias estavam dentro de elementos rítmicos, que apesar de complexos, faziam uma harmonia, descentrada, se é que isto é possível. Era uma desorganização de elementos apenas aparente um caos verdadeiramente estruturado.

E justamente estes elementos rítmicos refletiam uma transição de ritmo vislumbrada em outras linguagens de arte serial, como os quadrinhos e o cinema. Ali se criava o corte de cena, o enquadramento, tudo transposto a música.

E além da música bárbara, a letra das composições narra dois ou três arcos de estórias que podem muito bem ser encaradas em separado, como enxergadas como um todo. Tanto é que Clara Crocodilo, além de álbum, também já foi peça de teatro, quase ópera, quase dança, nas mãos de diretora Lala Deheinzelin, também em 1980, ano de lançamento do disco. Faltam nossos nomes nos quadrinhos, desenhistas e roteiristas adaptarem a história para o acabamento no gibi que ela merece como foi feito com o segundo álbum de Arrigo, Tubarões Voadores, nas mãos de Luís Ge.

Claro que o cenário da música brasileira na época era diferente. Não havia os processos da mídia, hoje massacrantes, nesta preocupação com vendagens que torna a música completamente comercial. Mesmo o cenário independente hoje não consegue fugir desta máquina, servindo quando muito de trampolim para que bandas atinjam o status necessário ao mainstream. Àquela época, mesmo no fim da era dos festivais, havia o forte meio universitário realmente imbuído deste pensamento vanguardista, procurando o novo, aberto às novas idéias deixando margem para que houvesse a aceitação daquele som diferente.

E era isto que estávamos ali para conferir neste espetáculo. Já a entrada dos músicos, um a um assumindo seus lugares, aparecia a ansiedade do público, aplaudindo de mansinho. Havia deixando apenas o vazio do piano, que ultimamente seria logo preenchido por Arrigo, trazendo plenamente o Theatro em palmas. Já para a primeira faixa, escolheram Sabor de Veneno, como que apresentando a banda que trinta anos atrás também performava as mesmas composições.

Isto não necessariamente ia contra a proposta de tocar o álbum na íntegra, apenas criava diferentes climas para a noite. Retomando os eixos, vinha Acapulco Drive-in, dando início a uma das linhas de estória narradas na Ópera Clara Crocodilo. Fizeram-no com uma introdução aparentemente nova, como que aquecendo para trazê-la completamente. E, começado o álbum, também tinham início as encenações do que nos é cantado: Arrigo tirava um molho da chaves do bolso, como o coroa do Maverick da letra de Acapulco, enquanto uma das meninas que faziam as vozes busca em cima do piano a bolsinha que roda na esquina da rua, insinuando-se para o primeiro.

Estranhamente até aqui vínhamos sem guitarra, que estava com problemas no cabo do amplificador, mudo. Nisso, enquanto a técnica do palco sanava o problema, foi a deixa para que Arrigo cria-se outro momento no meio do show, fugindo do álbum Clara Crocodilo, para exaltar a voz de Vânia Bastos, a menina de vermelho das duas ali, numa canção acompanhada apenas pelo piano do mestre.

Com a guitarra já engatilhada, seguindo com Clara Crocodilo com Orgasmo Total. Surgem as primeiras risadas no salão, reafirmando o tom de chanchada do álbum, com as primeiras falas de Arrigo na letra, enquanto nossas moças vêm a frente do grande palco do Theatro, se insinuando para a platéia.

Resta saber se as risadas não eram também daquelas nervosas, servindo para abafar o choque, primeira impressão ao se ouvir o álbum na época de seu lançamento e que ainda parece persistir nestes tempos. Esse choque foi imediatamente sentido por alguns que começaram a deixar a apresentação, quem sabe indignados com aquelas provocação, quem sabe pegos de surpresa apenas pela fama do nome de Arrigo Barnabé, sem entender a proposta ali.

Isso porque faltaram alguns dos gemidos, como bem disse Arrigo ao vivo. Claro que estavam lá os "Ahh, ahh, ahh" a cada "Juro que eu nunca imaginei", afinal estava entregue o orgasmo das meninas. Ficava a promessa de um destes também à platéia pensante, com entrega pelo correio.

Contudo, o clima anos 80 não parecia estar tão presente, daquela aura que o álbum transmite muito bem nos timbres de teclado, "modernos" naquela noite. Talvez, fossem as muitas audições do álbum que fizeram-nos acostumar com essa sensação ou talvez fosse a própria "Sabor de Veneno" que deixou aquela década apenas gravada no nome, e, na memória, imprimindo aqui nova identidade ao som.

Para a próxima faixa, nossa menina de vermelho berrante, Vânia Bastos agora buscava em cima da cauda do piano o xale preto e os óculos escuros, entrando em luto por seu marido perdido. Era o anúncio de Infortúnio, contando-nos esta trajetória da viúva que cai em promiscuidade, outro tapa na cara do ouvinte.


A cada faixa, Arrigo rege a Banda Sabor de Veneno, andando pelo palco de um lado para o outro, pedindo ora para diminuir o peso dos instrumentos, ora para trazer um vibrato aos metais.

Chegava um dos momentos altos do álbum-ópera Clara Crocodilo, com Diversões Eletrônicas. E mais uma vez nossas meninas fazem, como sempre, uma pequena encenação a cada faixa. Dessa vez, eram as luzes do fliperama traduzidas no piscar de suas mãos, a cada vez que o título da faixa era dito. Dá pra conferir na gravação upada no YouTube a seguir! E até que o áudio está razoável.



Aqui poderia-se lamentar por um dos poucos males de se assistir a apresentação da quinta sessão: a perda da pessoalidade, o vínculo criado entre Arrigo, meninas e platéia, enquanto encenavam a nossa ópera Clara Crocodilo. Contudo é interessantíssimo assistir a tudo de uma vista superior, podendo observar cada detalhe. E, do fundo mesmo, sentir momentos únicos, como quando com os três a frente do palco, Arrigo, longe do microfone, vira de soslaio para a platéia e canta um dos muitos versos "fórmica vermelha", ouvido claramente em todo o ambiente, mostrando a excelente acústica do Theatro.

Chegando a metade da apresentação, era a hora de introduzir os integrantes da Banda Sabor de Veneno. Arrigo nos dá os nomes e congratulações a cada um: vinham nossas já citadas damas, fazendo as vozes, Vânia Bastos e Suzana Salles, ainda tão belas e sexy como dantes, senão mais; Tonho Penhasco na guitarra, das primeiras formações da Banda; Paulo Barnabé na bateria, um dos irmãos de Arrigo, também desde o começo da história de Clara Crocodilo, também da Patife Band; Mário Campos no baixo, instrumentista e arranjador; Bozzo Barretti, aquele mesmo do Capital Inicial, outro da formação de sempre da Sabor de Veneno, ao lado de Paulo Braga, de outros trabalhos com Arrigo, atacavam nos teclados, usando o "uniforme" original da banda, a roupa de presidiário; Nos metais, vinham Chico Guedes, no sax tenor, Mané Silveira, no sax alto, e Ronei Stella no trombone, todos do grupo original da Banda Sabor de veneno.

Também ali nos foi revelado uma novidade das mais interessantes, com Arrigo anunciando que sairá um CD de Clara Crocodilo ainda nesse semestre. Seria boníssimo que fosse apenas a remasterização das fitas originais do LP, nem chegando perto da regravação desnecessária A Saga de Clara Crocodilo, trazendo Clara Crocodilo todo rearranjado. E jabá a parte, nos contentaríamos com outro material, de Arrigo e Paulo Braga, em duo de pianos gravado ao vivo em Porto com os principais temas de Clara Crocodilo, sendo vendido no saguão do Theatro

Continuando o enredo e adentrado seu excerto final, Office-boy dá início ao último arco das estórias narradas em Clara Crocodilo. Com Arrigo de pé, a frente dos metais, regendo em tempos estranhos, sinalizava-se a entrada de cada outro naipe de instrumentos na música, na sua introdução. E desta vez, era o sinal do redemoinho hipnótico, visto na TV por Durango, nosso personagem office-boy, que as moças gesticulavam enquanto cantavam. Sinal hipnótico que resultaria no final catastrófico, transfomando-o no monstro Clara Crocodilo.


E neste nome, fica a dualidade entre a harmonia, Clara, iluminada e a dissonância, negra, perdida num pântano, Crocodilo, transposta naquela sonoridade. Vale lembrar que o nome é paralelo com o título do poema Aura Amara, do poeta do século XIII Arnaut Daniel, onde há também esta contradição entre o etéreo da aura e o amargo amaro.

E vale aqui destacar que este não era um espetáculo de Arrigo Barnabé apenas, mas sim de Arrigo Barnabé e da banda Sabor de Veneno, como muito bem anunciado durante toda a Virada e no próprio ingresso do teatro. E não é de se duvidar que a execução deste álbum por outros que não estes beiram o impossível. Por exemplo, nesta faixa, todos os sons "espaciais", o mínimo barulho dos ventos, tudo é feito ao vivo, usando dos teclados e guitarra.

E, encerrando o arco, finalmente a faixa título, Clara Crocodilo. Usando de uma metalinguagem sem igual, aqui se confunde o monstro Clara Crocodilo, a personagem, com o próprio disco e proposta Clara Crocodilo. A música é o monstro e o monstro é a música, atacando não só a cidade da história, mas ao ouvinte, levando-o a loucura. E essa é uma proposição que Arrigo faz, conversando com seu espectador justamente, convidando-o a desvendar este mistério, quase que duvidando de sua inteligência. Pareceu-nos que foram suprimidas algumas das narrações da faixa. E numa dessas narrativas deixadas de lado, o mais interessante é que Arrigo canta (ou narra, mais propriamente) no disco que aquele seria uma peça de colecionador, daquelas que só se acha em sebo, que serve para poucos. E realmente, não há gravações em CD, temos apenas o LP. E mais verdadeiro ainda, não é um trabalho que muitos apreciem.

E parecia que se encerrava o espetáculo esquecendo-se de tocar Instante, que destacaria a voz de Vânia Bastos ao lado apenas dos metais. Apesar de finda a estória nossa e os músicos deixando o palco do grande Municipal, não, as palmas não deixariam acabar tão fácil este momento, que Arrigo confessionava antes não acontecer desde 2005, com todos tocando juntos. As luzes do teatro ainda diminuídas eram o prenúncio de um bis, senão planejado propositadamente, como sempre, devidamente autorizado pela produção do espetáculo: Suave Veneno, agora com a guitarra, já que haviam ficado devendo a contento.

E deixaram Instante de fato sem ser tocada. Talvez, seja um apelo, já que ela anunciava o desaparecer de Clara Crocodilo, em metáforas e mais metáforas. Assim, fica a tentativa de deixar a personagem o monstro, o disco, a música, a idéia, soltas por aí.

Quando se lançou o disco, era uma produção independente, do ainda não nascido indie, ancorada por Robinson Borba. Isto refletia a indisposição da época para com esta proposta. Apesar da genialidade da obra ter sido reconhecida ainda lá atrás, na década de 1980, aparenta que o grande público permanece a parte deste meio. E nisso os próprios músicos não estão em posição muito melhor. Paira um marasmo sobre a música vigente, mesmo a mais underground, cult ou intelectual. Seja no Rock, com o cultivo disfarçado de resgate dos grandes nomes de décadas passadas ou a cópia descarada de estilos lá de fora, seja na MPB, estagnada também na aposta de imitar os grandes letristas feito Chico, Gil e Caetano, ou antes, ainda Vinícius.

Contudo, há esperança de que, como Arrigo, com uma formação erudita ao mesmo tempo em que com o ouvido no mundo, aliado a nomes como Itamar Assumpção, autodidata de percepção única, influenciados pelo meio acadêmico, surjam novas propostas mais uma vez, dentro das universidades quem sabe.

Agora, confira também nosso texto sobre a apresentação de Iara Rennó na Virada AQUI, algumas outras impressões mais gerais NESTE e veja uma bela coletânea de fotos no nosso Picasa. Para nos acompanhar sempre, assine nosso feed RSS! E pra mais um monte de informações, links e novidades, siga nosso Twitter!

Fotos: Fernanda Serra Azul

Resenha: Iara Rennó na Virada Cultural 2009


20h34. Enfim, é chegada a hora do tão aguardado show de Iara Rennó, apresentando Macunaíma Ópera Tupi, ou ainda Macunaó.Peraí.Matupi. A apresentação era uma grande incógnita, ao menos para aqueles de nós que ainda não a tinham visto. Não tanto pela qualidade do álbum, indiscutível, mas mais pela dúvida de como fariam para adaptar uma obra com tantos artistas envolvidos, com tanta diversidade de instrumentos, a um palco com equipamento e espaço tão limitados. Que fariam com a primeira, segunda, n-ésima vozes, com o violino, com o violoncelo, com o berimbal? Felizmente, a surpresa foi deveras prazerosa! Lançando mão de artifícios como samples e sintetizadores, e com arranjos completamente diferentes para diversas músicas, Iara conseguiu manter a essência do álbum, e ainda com elementos a mais. Afinal, o show não é feito só da música, é também enriquecido pelo aspecto teatral da coisa, seja com as dançarinas se apresentando em Bamba Querê,Dói Dói Dói,Valei-me e Boi, seja na performance de Iara nos diálogos de Conversa e na dança em todas as músicas.

Bem, vamos ao show propriamente dito... Que jeito melhor de começar senão com o nascimento do herói? Parafraseando o início do livro, na primeira das três passagens de texto em prosa musicadas, Iara introduz Macunaíma ao público. De começo, o vocal parece um tanto baixo, e tem-se alguns problemas com a guitarra. Ah sim, não podemos deixar de comentar a presença do grande Curumin na bateria, que teria seu próprio show no mesmo palco, algumas horas mais além. Aproveitando a deixa, fica aqui registrado uma pontinha de decepção pela não-participação de Anelis Assumpção. Que custava, ela tinha acabado de sair do palco!(Show este que, infelizmente, perdemos quase todo, em função de Arrigo Barnabé)

Destoando da ordem do álbum, vêm Jardineiro. Aqui, a família Espíndola faz uma falta tremenda nos vocais, sendo substituída por Curumin e Karina Buhr, responsável pela percussão. Ao vivo, vê-se que o teclado ganha importância, aparentemente para tapar o buraco das cordas. A partir daqui, as músicas seguem na mesma ordem, à exceção, obviamente, das não tocadas. Mandu Sara permanece bem fiel à original (Acreditar numa participação especial de Arrigo aqui seria sonhar um pouco alto), já em Conversa Iara se vira sem Tom Zé, fazendo o tio e o sobrinho nos diálogos. A percussão corporal dos Barbatuques em Quando Mingua a Luna também faz falta, mas a guitarra e o teclado preenchem muito bem a lacuna.

O lamento da cascata Naipi traz um clima mais triste e romântico, a esta altura com um vocal muito melhor do que nas primeiras faixas, e com um arranjo perfeito. Até aqui, nota-se um público aparentemente pouco familiarizado com a obra, com um ar de curiosidade, mas carente de empolgação. Bom, Bamba Querê chega para marcar a mudança no comportamento do público, com a entrada das 3 dançarinas ao palco, e o espaço limitado não as impediu de prender ainda mais a atenção do pessoal. O clima extrovertido só aumenta em Dói Dói Dói com uma batida altamente contagiante, dando o tom moderno e urbano que a obra demanda. Ao fim da faixa, Iara diz que se sente o próprio Macunaíma no trecho, muito bem lembrado, em que o herói discursa para o público no centro de São Paulo. Realmente, visto o local e a situação, a comparação fazia bastante sentido.

Hora da oração. As dançarinas voltam em Valei-me, desta vez trajadas de preto e trazendo velas, contando com as luzes do palco para ajudar no clima. O espetáculo vai se encaminhando para o fim com Boi e, no meio da faixa, a apresentação dos músicos: Guilherme Held na Guitarra, Du Moreira no teclado e sintetizadores, Daniel Gralha no trompete, Curumin na bateria, Paulo Henrique no trompete e Karina Buhr na percussão. Apresentação, aliás, feita de modo muito original, com pequenos versos rimados para cada integrante, aparentemente feitos na hora mesmo. Para o encore, Iara resolve judiar um pouquinho mais de Venceslau Pietro Pietra, voltando com Dói Dói Dói. Eu acho que Taperá cairia muito bem ao final, mas talvez tenham optado por Dói Dói Dói pelo fato de ter agradado bastante o público, na primeira vez. E, apesar das nossas tentativas, o show termina sem Na Beira do Uraricoera. É uma pena.

O espetáculo mantém o tom brasileiro do álbum (e do livro), com influências da cultura africana, indígena, nordestina e tantas outras. O resultado é uma sonoridade orgânica e natural, que cumpre muito bem a missão de extrair a musicalidade tão presente na rapsódia. Com uma obra cujas raízes estão tão fincadas na música, aliado à genialidade de Iara Rennó e à incrível habilidade da moça em reunir tantos talentos em um único projeto, seria de se estranhar que o produto não tivesse uma qualidade excepcional.

A apresentação foi inesquecível, sem dúvida, mas acho que Macunaíma Ópera Tupi deveria ser assistido antes em um teatro, com uma boa acústica, e em silêncio, para apreciar melhor todos os aspectos da obra. Com sessenta músicos no projeto, é evidente que uma retratação exata nos palcos seria inviável, mas felizmente os arranjos foram muito bem acertados, tornando o show algo totalmente diferente do álbum, mas nem por isso menos brilhante, de modo que ambos sejam completamente imperdíveis. Mas enfim, agora já podemos riscar um objetivo do nosso caderninho. Uma das metas do Programa Bluga para 2009 alcançada!

Tem mais não.

Aliás, tem sim! Confira o texto de Arrigo Barnabé no Theatro Municipal, e as impressões gerais da Edição 2009 da Virada Cultural!


Fotos: Daniel Mitsuo

Agenda: E que venha a Virada Cultural!

E mais uma vez vamos a Virada Cultural. Afinal, tantos shows de alto gabarito juntos são uma ocasião rara que precisa ser conferida. Muito embora este ano pareça que não será nem de longe melhor que 2008, só teremos uma resposta depois de tudo passado.

Esta impressão é bem latente, ainda mais considerando que começamos o ano passado esquentando com o Terço, tendo vislumbres mágicos com o Terreno Baldio e em êxtase com Som Nosso de Cada Dia. Afora que dos grandes, não sobraram muitos que ou já passaram pela Virada, ou que sempre se tem a oportunidade de ver aqui e acolá.

Desta vez nosso roteiro já começa dispensando Som Nosso. Claro que isso é irretratável, SE você não viu. Mas nós já os vimos. Alguns aqui, mais de uma vez.

E que vamos ver no lugar do Som Nosso? Bom, vamos entregar aqui o nosso roteiro: Começaremos no Teatro Municipal às 18h, com Arrigo Barnabé, imperdível, obrigatoriamente, com seu Clara Crocodilo; Na sequência, em concomitância ao SNCD, Iara Rennó, com Macunaíma Ópera Tupi às 20h30, que afinal, precisamos ver, senão acontecerá como ano passado, quando perdemos de ver Fernanda Takai cantando Nara Leão com Onde brilhem os seus Olhos na vã esperança de que teríamos outra oportunidade e acabamos sem tê-la; E , ainda no Largo Santa Efigênia logo depois de Iara, Lívia Nestrovski, às 22h30. Quem é essa menina? Pouco interessa. Ouvindo a demo do grupo Cumieira, percebe-se que ela canta horrores. Precisamos ver!

Depois, que fazer? O momento decidirá. É sempre interessante ter opções abertas. Temos Macaco Bong, que alguns aqui já viram ontem, rolando pela Virada no CCPC junto com Fóssil, inclusive com épica sessão de improviso das duas bandas juntas. Temos também Curumin, que pode ser uma boa pedida ao fim de noite.

Fim de noite? Não vamos virar? Pelo bem do domingo e pelo resto de uma semana atribulada, não. Assim, quem sabe aproveitemos mais. Que veremos? Não nos resta muito. Ano passado ainda tínhamos vários lances pra ver no domingo, a começar por Tarancón, a Takai e até Malu Magalhães, que não foi nada demais. Esse ano, tencionamos conferir logo "cedo", 12h00, Nação Zumbi, na Praça da República. Palco "Rock". Estranha e perigosa a seleção ali, depois de CPM22 e antes de Nasi, mas tudo bem. No interím, bandeamos para quem sabe o palco da Santa Efigênia ou na Conselheiro Crispiniano, já que não ouvimos tudo que queriamos de antemão, como deveria ser para tudo conhecer, mas é bem possível que algo nos surpreenda.

E terminamos o dia como? Com Ike Willis e Central Scrutinizer Band, às 17h20 na Praça da República novamente, tentando capturar um pouco do espírito de Zappa.

Esta seleção de shows parece pequena perto do que tentamos ver no ano passado. Mas nisso, acabamos descartando várias opções além do Som Nosso, como Egberto Gismonti, já que é impossível (ainda) estar em dois lugares ao mesmo tempo. Mas, pensando nas questões logísticas da Virada, é fácil entender alguns de seus aspectos organizacionais, mesmo olhando daqui. É quase óbvio colocar diversas atrações maiores, ditas principais, num mesmo horário. Isto evita palcos vazios e, logicamente, superlotação também, afinal as platéias acabam por se dividir entre várias atrações principais. Evita-se também um trágico movimento migratório das massas de palco em palco, a procura das atrações FODÁSTICAS. Eis o porque, de, por exemplo, rolar Mutantes e Som Nosso ao mesmo tempo em 2008.

Acabamos deixando de lado muitas das atrações do Teatro Municipal por se perder tempo demais nas filas ali. Iremos ver apenas a primeira do nosso roteiro no Teatro, já que podemos estar lá ANTES das 18h e aí enfrentamos horinhas perdidas, ou não. Também evitamos ao máximo o Palco Principal, já que é impossível ver qualquer coisa com um mínimo de conforto por lá, dada a gigantesca turba. Nisso, perdemos o Jon Lord e afins.

Segue o roteiro do Programa Bluga criado dentro do site da Virada. Aliás, como já dissemos no Twitter, essa iniciativa apesar de louvável, não foi muito bem implementada. O site mudou o visual de repente nesta semana, ficando mais sujo e lento, pouco user friendly, trazendo esta ferramenta, que não funciona 100%. E nada justifica isto, nem dizendo que é uma iniciativa pública. Isto não implica dizer que precisa ser ruim. Afinal, a Virada tem um nível de excelência grande.

Depois, resta-nos escrever algumas impressões e tentar transparecer aqui um pouco do que vimos. Resta saber se ainda teremos fôlego para tanto.

Nos vemos na Virada!