Resenha: Quizumba no Palquinho da Federal

Quizumba! Verdadeiro tesouro do cenário musical são-carlense,não poderíamos deixar de prestigiar mais um show deles, desta vez no Palquinho da Federal, no dia 11 de março. Depois de uma apresentação interrompida na Semana do Bixo, no Palquinho do CAASO, e outra na Praça do Mercado no Dia Lilás, no Mês da Mulher promovido pela Prefeitura Municipal, do qual eu peguei apenas a última música, finalmente pude checar a banda mais uma vez, agora na UFSCar.

Primeiro, uma introdução: a banda Quizumba é composta por Marina Casonato, ou Tika, no vocal, Gui Ambrósio no baixo, Pablo Mendoza na guitarra e Fábio Salvatti nas baquetas. O repertório da banda traz essencialmente música brasileira, de estilos variados, mas todas de extremo bom gosto, misturando clássicos como Chico Buarque, Elis Regina, Milton Nascimento e Secos e Molhados com artistas mais atuais, representantes da "Nova MPB", como Maria Rita, Céu, Marisa Monte, Los Hermanos e Vanessa da Mata. Aqui, um muito obrigado pela valorização dos músicos atuais, mostrando que ainda existe boa música brasileira, infelizmente não mais tão reconhecida como antigamente. Uma das desvantagens do excesso de informação é que muita coisa boa fica no anonimato, debaixo de tanta porcaria. Esperemos que o "P" da sigla volte com força algum dia.

Já que estamos nesse assunto, bem que a banda poderia incorporar mais alguns nomes ao repertório, hein? Meninas como as do DonaZica, Andréia Dias e Iara Rennó. É uma pena ver gente boa assim ser tão desconhecida. Seria um prazer imenso para o pessoal do Programa Bluga vê-los no Quizumba! E, claro, ao vivo também.

Agora, ao show propriamente dito. Infelizmente e mais uma vez, por razões diversas (leia-se "nos perdemos!"), chegamos ao palquinho um tanto quanto atrasados, o que me impossibilita de comentar o início da noite em maiores detalhes. Ao invés disso, me limitarei a dar uma visão geral e uma impressão minha, particular, do evento.

Lá pela meia-noite, o show começa (ao menos para nós) em grande estilo, com Parabolicamará de Gilberto Gil, seguido de Prece Cósmica, de Secos e Molhados, esta que parecia ser bem conhecida do público presente. De cara, destaca-se a linda voz de Tika, e o instrumental bem dosado da banda, transpondo para os instrumentos do rock sambas e afins. Depois de uma pequena pausa, aparentemente por conta de uma corda estourada, a continuação com Além do Que se Vê, original do Los Hermanos (e não Loser Manos, como alguns por aqui insistem em chamar). Mesmo sendo fã dos caras, admito que achei tanto o arranjo quanto o vocal do Quizumba mais atraentes do que o original, um fato que parece se repetir com bastante freqüência (vide Deixa o Verão com Mariana Aydar, Casa Pré-Fabricada com Maria Rita, entre outras mais).

Durante todo o show, vê-se um público bastante animado e familiar com o repertório, o que me surpreendeu muito. O pessoal cantava e dançava junto da maioria das faixas, com destaque para Cara Valente de Marcelo Camelo, famosa na voz de Maria Rita, e A Rita de Chico Buarque. Bom saber que a boa música ainda tem grande audiência, caçando bem os lugares apropriados para ouvi-la. Pablo Mendoza abusa dos pedais em várias partes do show, como em Camisa Listrada da Carmem Miranda, e rouba a cena (coisa bem difícil ali, visto que temos o excelente vocal da Tika na linha de frente) em determinados momentos, como em Mistério do Planeta dos Novos Baianos.

Completam ainda o setlist adaptações muito bem elaboradas de músicas de Céu, Vanessa da Mata, Elis Regina, Marisa Monte e Chico Buarque, este último que, sem querer desmerecer o restante, consideramos o ponto alto do show. A Volta Do Malandro foi onde Tika mostra do que realmente é capaz no vocal fazendo da música algo memorável. Impossível não lembrar da versão da mesma canção que vimos e comentamos com Mônica Salmaso, cantando ao lado do Pau Brasil, mas não vou cometer a injustiça de comparar as duas.

Iniciando-se o fim, a banda continua com Deixa o Verão dos Hermanos, mais uma vez com uma versão mais interessante do que a original. Sinceramente, me passou um pouco batido, já que ainda estava um pouco aturdido com a Volta do Malandro. Depois de Muito Pouco, de Maria Rita, a banda nos presenteia com as duas primeiras músicas próprias da noite em que estreiavamos os ouvidos também: O Cobrador; e a próxima, cujo nome infelizmente desconheço, mostrando que não só de versões e releituras vive Quizumba. Seria deveras interessante ver essas e eventuais outras faixas da banda gravadas em estúdio! Tenho certeza que o resultado seria muito, muito bom. O grupo se despede com Velha Roupa Colorida de Elis Regina, deixando o público pedindo mais. É uma pena que não tenham voltado noutro bis, mas, afinal, tudo que é bom um dia acaba.

Para contentar os ânimos, eis que o próximo show do Quizumba já está marcado, para o dia 19 de Abril, às 15h no SESC de São Carlos, como bem visto na nossa agenda, por sinal. Mais fotos para lembrar do show também na conta do Picasa do Programa Bluga!

Fotos: Vincent de Almeida

Especial: Habemos Agenda!

Depois do nosso "presente" de Natal, vamos recair em mais um monte de clichês e agraciar nossos leitores novamente: Programa Bluga está em seu mês de aniversário, se é que alguém não viu nosso Especial Ano Um, e quem ganha presente é você! Pelo menos podemos dizer que além de clichê, é um costume hobbit, com festa suntuosa onde quem ganha presentes são os convidados mesmo. Grande Bilbo!

Enfim, não é nada de muito especial, isso é só um jaba megalomaníaco em que aproveitamos para divulgar o nosso calendário no Google Calendar (Google Agenda, fugindo de nosso português estuprado) com algumas datas de shows em que há grandes chances de a equiparagem aqui marcar presença. Nem de longe serão todos shows excelentes, mas os ruins não conseguirão fazer grande número, se tivermos sorte. A maioria é sempre interessante, ora mais, ora menos.



Assim, se o leitor não souber para onde ir nas noitadas de São Carlos e região, é só conferir o nosso calendário. Claro que tem trocentos outros serviços nesse sentido, mas o nosso tem grãos seletos. E sempre adicionamos as datas de lances interessantes de outros cantos, feito a Virada Cultural, ou Festival Psicodália.

Claro, se alguma banda, organizador de eventos ou qualquer camarada quiser divulgar algum lance interessante, não hesite em nos comunicar, só mandar um e-mail para programa.bluga@gmail.com.

Bom, pra quem ainda não achou o link, clique AQUI!

Aliás, é possível não só visualizar o calendário, que ficará ali na nossa barra lateral, mas também adicioná-lo ao seu próprio Google Calendar, bastando clicar no ícone no canto direito inferior da tela do link, que te redireciona para sua conta, perguntando se queres ou não. Diga SIM, por favor. Claro, sua conta deve estar ativada, do contrário, toma dois cliques ativá-la. E é altamente recomendável aproveitar dessa funcionalidade hoje para criar uma agenda pessoal online com todos os seus compromissos. E há recursos feito lembretes, via e-mail, pop-ups e até por SMS. É uma puta ferramenta pra todo mundo usar e compartilhar, afinal todos estão rendidos ao Google, seja por conta do GMail, seja por conta do Orkut (ao menos aos brasileños).

E mais, estamos chegando perto da casa dos 3000 acessos. Claro que isso não é nada quando um blog de respeito tem 1000 acessos por dia, mas enfim, nós não temos dez postagens por dia, quando muito duas por mês! Vamos trabalhar melhor isso, mais postagens coisa e tal, o problema é que não há tantos shows bacanas por aí, não é? De qualquer maneira, gostariamos de agradecer a todos que nos lêem com frequência, inclusive ao pessoal que assina o nosso RSS (que aliás, também está ali na barra lateral e lááá embaixo. Quando achares que valemos a pena, só clicar e adicionar). E já que temos leitores de fato, deixem seus comentários, por favor.

E se vocês virem alguém com uma caneta e um bloquinho de papel na mão, não pensem que é um sujeito escrevendo poesia concretista no meio de um show, é um dos moleques aqui. E agora tem também o sujeito das fotos, diretamente da França...

Especial: Programa Bluga Ano Um – Especial de Aniversário


Programa Bluga quer iniciar uma conversa com você.

Vanderlei: Parablugas! Eis que o Programa Bluga faz hoje seu primeiro aniversário. Não que isso seja realmente muito importante, mas é um marco, então comemoraremos a data com alguns comentários sobre o que nós do lado de cá vimos, mas o leitor aí não leu a respeito, porque não escrevemos mesmo. Vamos também relembrar alguns outros fatos memoráveis, claro. Tudo com comentários exclusivos de cada sujeitinho aqui.

Rodrigo: Não é realmente um marco MUITO importante, mas é importante. Pelo menos na medida em que, espero, tenhamos criado alguns leitores assíduos que têm como interesse compartilhar de nossas idéias e críticas em relação ao cenário da música atual.

Com sorte, dentre esses leitores, atingimos algumas cabeças que podem fazer repercutir, pelo menos um pouco, determinados pensamentos aqui expostos.

A todos os músicos e organizadores de eventos que esperam ter um mínimo de feedback (nem que, por vezes, negativo) e a todos que buscam mais informações sobre essa ou aquela banda, vocês são a razão de ser do Programa Bluga e o bolo seria oferecido a vocês, caso fôssemos comer um.

Felipe: Um ano de Programa Bluga! Bom, dou as caras para dar as muitas merecidas felicitações ao blog e, como já dito, comentar os vários eventos que julgamos dos mais notáveis que ocorreram este ano, e também aqueles que passaram sem serem comentados no blog, mas que também achamos relevantes.

Marcelo: Como todo "ano novo" que se preze, vêm também as promessas de mudanças e melhorias. Não que o ano que passou tenha tido cagadas memoráveis que necessitem retificação, mas fica sempre uma vontade de crescimento. Ademais, 2009 pode marcar o ano de um certo êxodo dos blugueiros da cidade de São Carlos que, assim como eu, podem seguir vidas profissionais Brasil, quiçá mundo, afora.

Dessa forma, faz-se necessária a tomada de decisões pelo futuro do blog o que, de minha perspectiva, pode ser uma expansão do blog com novos colaboradores e participação mais ativa em comunidades relevantes. Ou talvez a própria criação de perfis nessa web 2.0 de hoje.

De sobra, temos pique pra continuar e vamos levar o blog ao seu próximo passo, já que nada nessa vida é fixo, muito menos se tratando de música !

Vanderlei: Já que nosso mote são shows, comecemos por eles. No ano que passou não comentamos muito, mas você precisa saber que a Virada Cultural de 2008 foi um lance ALTAMENTE fodástico. Sinceramente é difícil imaginar cenário melhor para o evento, com um show épico do Terreno Baldio, marcando sua volta aos palcos ao lado do Som Nosso de Cada Dia. E isso que perdemos altos lances, como Jair Rodrigues junto com o Zimbo Trio, ou mesmo Tarancón e De Puro Guapos.

Vejamos que acontece na Virada este ano! Conseguirão eles se superarem? Eles abriram inscrições, vamos ver se eles captam algo de novo. Já temos as datas, 05 e 06 de Maio (Não esquecendo da Virada Paulista, dias 16 e 17 do mesmo mês, em trocentas cidades do estado).

Felipe: O primeiro adjetivo que me vem à cabeça pensando na Virada Cultural seria “lendário”. Uma Virada sem precedentes, que reuniu bandas clássicas do estilo favorito dos blugas, o progressivo, contando com bandas como Som Nosso de Cada Dia, que fez um show de retorno memorável no Teatro Municipal de São Paulo, O Terço, Pepeu Gomes, e Terreno Baldio (este que superou as expectativas de todos, e se mostrou o show mais foda da Virada para todos, acredito). Claro, a Virada sempre tem o problema de que você sempre irá perder coisas extremamente fodas, como fizemos com Zimbo Trio, Os Mutantes,Tarancón,Fernanda Takai e vááários outros (que nem faço questão de saber quais são).

Vanderlei: Agora, vamos apostar no que é que vai tocar lá esse ano? Aponto gente feito Marcelo Camelo - que só é grandes-coisa pra um sujeito aqui, e não sou eu - DonaZica ou Iara Rennó ou Andréia Dias - que são muito, MUITO grandes-coisa pra todo mundo do lado de cá. Enfim, entre no bolão e deixe seu chute na nossa seção de comentários, vá lá.

Felipe: Das promessas relativas ao ano que segue, DonaZica, Andréia Dias e Iara Rennó, com certeza. Infelizmente, apenas um dos integrantes aqui teve a oportunidade de comparecer a um show, e nem o viu inteiro por motivos de força maior, mas estas meninas são objetos de profunda admiração a todos do Programa Bluga. Este ano, torcemos tanto para a volta de DonaZica quanto para a continuação do trabalho solo das duas, para o bem da boa nova música brasileira. Lembrando de um dos inúmeros músicos que participa de Macunaíma Ópera Tupi, tivemos a sorte de conferir o grande Guizado ao vivo, que foi um dos pontos altos do Festival Contato de 2008, já comentado por aqui, que se revelou muito mais interessante ao vivo do que em estúdio. Macunaíma Ópera Tupi, de Iara Rennó, é um “must-see” de 2009.

Marcelo: Macunaó.Peraí.Matupi da Iaró.a.renn, eu fui!

Vanderlei: Mas sabe o que seria genial de ver na Virada? Fóssil. Em São Carlos, nossa base de operações pra quem não percebeu ainda, sem sombra de dúvida eu diria que foi o show mais foda que vimos no Armazém Bar em alguns vários anos. Simplesmente explosivo, mesmo tocando para uma platéia de uma dúzia, literalmente. Claro, com o bar vazio e somente pessoas realmente interessadas naquele som, a química não poderia ter sido melhor. O pior é que perdemos a reprise dias depois no Palquinho da UFSCar. Deviamos ter ido à Rio Claro ver de novo. Sério mesmo, fora de série.

Outra apresentação sem precedentes no Programa Bluga, muito bem comentada em postagem por uma convidada nossa, foi a de Mônica Salmaso, ao lado do Pau Brasil, cantando Chico. Dona de voz excepcional, que me comove tanto quanto um nome como Mercedes Sosa, esta senhora-com-ésse-maiúsculo não só fez um show bárbaro como também trouxe possivelmente o melhor álbum nacional do ano um do Programa Bluga.

Felipe: Não poderia deixar de comentar shows como o de Mônica Salmaso com Pau-Brasil cantando Chico, uma preciosidade que quase passou despercebida (graças ao quase!), Fóssil no Armazém, um show quase com exclusividade, que superou em muito as minhas expectativas, Badi Assad no Teatro Municipal de Araraquara (um dos meus preferidos do ano), e mais uma vez Terreno Baldio, dessa vez com algumas falhas técnicas, mas que não ofuscaram o brilho dos caras.

Rodrigo: Não é de se espantar, levando em conta os nomes envolvidos, que um projeto como esse mereça todos os elogios possíveis do Programa Bluga. Mônica Salmaso soma toda sua técnica e potência vocal à genialidade de Chico Buarque, acompanhados do instrumental impecável do grupo Pau Brasil. De cara, vê-se que o resultado não pode ser nada menos do que estonteante!

Marcelo: Ao fazer uma retrospectiva do Ano Um, senti que o Festival Contato não teve o mesmo baque que a primeira edição. Ambos foram fenomenais, mas The DTs e Gong tiveram um grande peso nessa minha percepção.

Ficou foi uma ponta de curiosidade de conhecer os movimentos de outros lugares do país, como em Cuiabá (afinal, é onde nasceu o, agora famigerado, Macaco Bong), ou o Psicodália (que parece ser um lugar onde rock e mulheres aparecem numa mesma proporção).

Vanderlei: Pulando de uma vez para álbuns, dentro do material nacional não se pode deixar de citar o lançamento de Artista Igual a Pedreiro, do Macaco Bong. É quase desnecessário comentá-lo, já que todo canal, seja de música ou não, seja online, impresso, radiodifundido ou televisionado falou dos caras. Enfim, eu diria que ao lado de Noites de Gala, Samba na Rua este álbum é um dos dois melhores de 2008 no Brasil.

Rodrigo: Artista Igual a Pedreiro, que inclusive rolou diversas vezes no ambiente bluguístico que cá nos circunda. Nada demais a acrescentar aqui, exceto talvez a velha pergunta: “Seria Macaco Bong o The Mars Volta brasileiro?” (Não!, obviamente, mas o cabelo de Bruno Kayapy me obriga tal infeliz analogia)

Vanderlei: Já lá fora, altamente recomendável é The Ocean and the Sun, do pessoal de The Sound of Animals Fighting. surpreendente, em especial perante o resto do material da banda, o álbum é fruto de uma evolução constante na discografia da banda, em seus estudos dentro de vertentes mais recentes do Progressivo. Particularmente, imaginemos que o próximo álbum abalará alguns conceitos. Ou não.

Marcelo: Realmente, os kudos de 2008 vão para os sons do álbum The Ocean and the Sun, que aliás me recorda muito a banda Brazil, no The Philosophy of Velocity;

Rodrigo: Interessante observar que todos os integrantes do TSOAF vêm de bandas como Circa Survive, Rx Bandits e Finch. Ou seja, já vêm flertando com o experimentalismo há algum tempo. The Sound of Animal Fighting é uma banda cujo rumo vale a pena ser observado, principalmente para aqueles que buscam algo original (certo, nada é 100% original, mas enfim.) nesse mar de simulacros entediantes que rola pelo meio musical.

Marcelo: E o Death Magnetic do Metallica, que fez de conta não existir um tal St. Anger na história da banda (o que foi ótimo, diga-se de passagem)?

Vanderlei: Pff...

Rodrigo: Uma última recomendação é o álbum Bromio, do trio italiano de jazz experimental, Zu. Composto por saxofone, baixo e bateria, tem um estilo quase indefinível, tendo sido descrito por aí como math-rock/noise-rock/punk-jazz e sabe-se lá o que mais. Interessante e diferente, certamente recomendado pra quem está cansado de ouvir mais do mesmo!

Felipe: Para a parte de recomendações, deixo aqui os nomes de Donazica, Iara Rennó, Andréia Dias (nunca é demais repeti-las), CéU, Badi Assad, para prestigiar a música nacional, e a cabo-verdiana Mayra Andrade, terminando a seção Vocal Feminino.

Vanderlei: Última recomendação? Mais um álbum velho, já que falamos de Zu. Anabelas, dos Argentinos do Bubu. Metais, man, metais!

Felipe: Mais uma vez, deixo meus parablugas ao Programa Bluga, que está começando a engatinhar, e que seja o primeiro de muitos!

Marcelo: E pro Ano 2 do Programa Bluga as esperanças residem em ver um mundo menos sertanejo e mais rock. Como sou um homem simples, só isso já me basta! Não bastando, quero ver um show inteiro da Iara e ouvir Som Nosso e Terreno Baldio novamente. Além de varar várias mais noites em shows, muito bêbado...

Programa Bluga encerrou a conversação com você.

Cobertura: Segunda-feira do Grito Rock São Carlos 2009 - Homiepie e outras histórias

Se fossemos seguir a linha de nosso post anterior sobre o Grito Rock São Carlos deste ano, com certeza não teríamos bons comentários sobre as duas noites de Carnaval, seja Segunda, 23/02, ou na seqüência Terça, 24/02. Contudo, algumas das bandas ali surtiram algum efeito sobre a equiparagem do Programa Bluga, mostrando-se relevantes, tanto é que cá trazemos algumas impressões.

Claro, era Carnaval, mas aparenta-me que para a população do Armazém Bar não fazia muita diferença, tratava-se apenas de mais tempo livre pra ir curtir um bom rock, tomando o Grito Rock como das poucas atividades passíveis de se fazer para os mais incautos nesse feriado prolongado.

A primeira noite do Grito Rock, a mais curta das duas, começava às 21h. Prevendo atrasos, chegamos ao Armazém Bar, palco de quase-sempre, pelas 22h, e como bem suposto, por praxe, algum atraso aconteceu. Enquanto ainda não rolava o som, demos uma olhada na Praça Coronel Salles, recém-reformada, com iluminação charmosa para a noite. Lá aconteceria a Feira de Cultura e Economia Solidária no dia seguinte, em concomitância a terça-feira Grito rock São Carlos. Finalmente às 22h35 abria-se oficialmente a edição 2009 do Grito Rock, como bem anunciava o DJ desse começo de festa e de todo intervalo das bandas, Jovem Palerosi.

Sendo segunda-feira, dia corriqueiro do Programa Independência ou Marte pela Rádio UFSCar, nada mais justo do que fazer a transmissão ao vivo do Grito Rock no Armazém para os ouvintes. Infelizmente alguns problemas técnicos não possibilitaram a empreitada, um dos fatores que atrasou um poquito o começo das atividades.

Não que a primeira banda tenha tido alguma relevância. Dos cinco nomes apontados para esta primeira noite, a abertura do dia, a banda Inventiva, de Sorocaba, se mostrou o mais fraco de todos, uma grande falácia, começando já pelo seu nome. Traziam a ridícula proposta de fazer garage rock mais que propositadamente estúpido, escolhendo temos banais para tratá-los da maneira mais degradante possível. Usando de riffs ainda mais desgastados que esmalte de unha de faxineira, nada acrescentam, se é que não desmerecem algumas ideologias. Se isso é o resgate do espírito rock, lamento, mas eu desisto.

Se alguém se interessar, segue o setlist:
01.Rádio Sapólio; 02.A Vida Secreta de Genésio Tobias; 03.Frito e Assado; 04.Não; 05.Bafo (In the Morning); 06.Mary Jane; 07.Arroz de Puta; 08.Yakult; 09.Papa; 10.Cortaram meus Braços; 11.Beco do Inferno; 12.Cabaret; 13.Viet Nam; 14.Dr. Mastur Bando; 15.Cotidiano; 16.Dorflex.

Essa foi uma das poucas apresentações onde o tempo delimitado para cada banda, de 30 minutos, foi longo demais. Felizmente o intervalo serviu para afastar o som ruim dos ouvidos, com Palerosi relembrando nosso querido Contato, com Bongs, Porcos e Cérebros emendados um atrás do outro. Mas enfim, o Grito Rock ainda daria sua cara como grande festival...

Mudando justamente da sopa sem sal da internação na Santa Casa para as tortas caseiras da mamãe ganso, vinha na seqüência a Homiepie, de São Paulo. Os já-antes-famosos Flávio "Six" Seixlack (voz e guitarra) e Denis "Denem" Fujito (guitarra) mais a menina Bruna (voz, teclado, metalofone e percussão) traziam na bagagem umas poucas faixas, maioria delas já gravada no EP Fireworks, mas que cairiam redondas no seu tempo de palco. Esse material bebe de uma onda que ganha força nos EUA, transparecendo por aqui no cinema, nessas películas estreladas por Michael Cera, como Superdbad, Juno e Nick and Norah's Infinite Playlist. Trata-se da exaltação nerd, que assume o posto de belo, atraente, o novo sexy e cool. Os três trejeitam-se assim do vestuário listrado e tênises all-star-adidas aos óculos fundo de garrafa. Tamanha é a força dessa onda que nos seus pouco mais de seis meses de vida o Homiepie já chamou a atenção da mídia independente e tocou ao lado de gente muito grande, sinal de que há ouvintes para esse som.

Vamos nos delongar poquito mais nesses garotos e dedicar o posto a esse som folk, com estes índios entrando na hora das bruxas para a sua meia-hora de show. Trouxeram de primeira faixa a abertura do EP, I mean, Fire. Ao vivo o som em nada difere do lo-fi das gravações, com direito às incursões de Bruna nos teclados e no metalofone, tão colorido quanto um brinquedo de criança, enquanto Six e Denem criam o clima de madrugada em volta da fogueira com violão e guitarra. Detalhe, a letra traz a frase "Ooh, four... I mean five... I mean fire!" proferidas por Maurice Moss, em The IT Crowd, numas das melhores gags de abertura da série britânica. Mais nerd, impossível.

Na seqüência, Piano, faixa que começa a embalar verdadeiramente a platéia do Armazém Bar. Toda divertida, sai ali pela primeira vez o acompanhamento de Bruna nos vocais em uh-uhs que dão o clima gostoso a faixa, além das palmas dela própria e de Denem acompanhando. São crianças fazendo música! A aura de timidez que os acompanha é mitigada no palco, deixando rolar a voz de Bruna, sem grande embaraço, mas não perdendo o jeitinho de ser. Denem, ao canto com sua guitarra pouco se mostra, aplicando-se tão somente ao instrumento e depositando ali seu sentimento, como que ignorando o restante dos acontecimentos.

Colorblind é a terceira da noite, que me trouxe a mente outro seriado, na abertura de The Office, pelo começo com os teclados e tudo o mais. Na seqüência, uma faixa nova, ainda não gravada, com direito ao Denem tirando uma escaleta sabe-se lá de onde (que TODO mundo está usando, pelos deuses, será que é por que na década de 80 essas coisas eram dos brinquedos mais legais de se ter?). Aparentava será faixa mais morosa até então, até a garota também sacar um pandeiro meia-lua enquanto segue o violão de Six, acompanhando a Escaleta de Denem. Apesar de não ser um vocal trabalhado, Bruna e Six funcionam juntos. Tudo é simples, mas cuidadoso, assim, realmente belo.

Falando em faixa nova, aparenta que eles têm algum material novo, que será liberado aos poucos, até fazer corpo para um álbum cheio. E de material novo seria a próxima faixa, lançada como single: You Melt, we Melt. De últimas, Bye, com mais corais, e Flying Machines, homenagem aos muitos filmes de Hayao Miyazaki, com suas máquinas voadoras. Viva Nausicäa! Flying Machines se mostra das faixas mais divertidas da noite, com direito a um coquinho fazendo as vezes de percussão na mão da menina. Faixa daquelas de chamar a atenção da platéia, que acompanha com um coralzinho de lá-lá-lás.

Em tempos de YouTube, com vídeos de baixa qualidade e áudio mono, o material desses garotos se ressalta. Seja um grande clichê indie ou não, Homiepie faz um som único em terras brasileñas e ganha créditos por conta disso. Seria desmerecido pela óbvia cópia lá de fora, mas enfim, não será nada inusitado se lá-fora vier buscar eles aqui dentro.

Pausa para mais discotecagem, com La Pupunha em lances do Dark Side of The Moon com ritmos paraenses. Nesses momentos, cabe comentar o clima do bar, que já estava muito perto de lotar, se é que não veio a lotar mesmo. Contudo, aparentemente o Armazém Bar não esperava todo este público para o Carnaval, deixando acabar a cerveja mais de uma vez. E esse fim-de-estoque levou a coisas inusitadas, começando a noite com long neck de Bohemia a R$2,50, passando por lata boba de Skol de 269(DUZENTOS E SESSENTA E NOVE)ml por dois paus e terminando com Brahma de 600 ml por R$3,50. Afora a própria lata de refrigerante, por incríveis R$3,00. Até entendo que nem toda a molecada caia na cevada, mas precisava chegar a esse ponto? Nem vou falar da organização da cozinha e as batatas fritas, senão não volto mais no Armazém. Ou volto, porque não tem outro canto mesmo.

Gigante Animal seria a terceira banda a se apresentar nesse pedacinho de Festival em São Carlos. Os rapazes já haviam excursionado por estas terras paulistas de pinheiros-do-paraná, na ocasião do 4x4 promovido pelo Massa Coletiva, em cima do formato do pessoal do Escuta Essa. Mas naquela ocasião não tivemos a oportunidade de vê-los. De qualquer maneira, não é dos sons mais interessantes, em nossa insaciável busca por novos horizontes, mas vamos ao show...

Os quatro rapazes subiam ao palco à uma da manhã em ponto, com Lucas Wirz, empunhando guitarra e ao mesmo tempo a frente dos teclados AND vocais, num lance meio Geddy Lee, tudo junto; ao seu lado, Henrique Zarate no baixo e voz; Renato Ribeiro mais ao canto na guitarra e Thiago Andrade ao fundo com as ferragens da bateria.

Trouxeram de uma paulada só três faixas, Sujeito Oculto ou Caminho Haurido, Santa Paciência e As Mesmas. Intervalinho inteligente em silêncio, fazendo parte da apresentação e emendaram mais duas, Pra Mim e Compasso, onde o vocal se concentrou no baixista, Zarate, que vai se revezando com Lucas Wirtz ao longo do show. Apresentaram a banda finalmente, pra vir ao excerto final do show, com Agora Tanto Faz, Diz Ter Certeza, Conjuntivite e Ah, Tá Bom.

Nos finalmentes, seu som se assemelha com várias outras bandas que vem despontando por aí, num rastro de Loser Manos e Camelos. Refletem a preocupação com certo lirismo nas letras, priorizando-as em relação ao instrumental, por vezes mais simples, mínimo. Em estúdio, notadamente os vocais sobressaem-se, tentando justamente reforças essa impressão. Na mesma pegada de gente como a Instiga, de Campinas, que vimos no Festival Rock na Estação de 2008, de Vanguart, do primeiro Contato, ou em vários aspectos como outra das muitas "revelações", a Ecos Falsos.

Confete e serpentina aos ares, pra lembrar que é carnaval, e às duas da matina sobe o The Violentures. De longe seria a banda mais profissional da noite, por assim dizer. Aparenta-me que em vias de fato assim o é, com os sujeitos tendo alguns anos de palcos, o que explica a postura firme e desenvoltura, bem como o ótimo material. Nas palavras do próprio baixista, Carlão Brando, enfiado em um jeans surrado e coturnos, com tatuagens aos montes nos braços por conta da regata vermelha "...começamos como uma banda de Surf Music e agora colocamos um pouco de garageira no meio", o que com certeza faz um com caldo. Ao seu lado, a guitarra de Stenio Von Zuben, genial. Aliás, guitarra divertidíssima, com tirante de estampa de oncinha e um decalque com o rosto da figura no verso. Fechava o trio Fábio Truck Boy, não menos competente, com muita força na batera.

Apresentaram a maioria das composições de seu último álbum, datado de 2005, Garage Boosters, entremeado por algumas composições mais antigas. Segue o setlist: 01.Shake'n'Move; 02.Astroman; 03.El Cabron; 04.Casbah Fever; 05.Garage Boosters; 06.Octo Punch; 07.REC (Recognize Me); 08.Endless Girls; 09.Poseidon; 10.Black Widow.

Se portando como num grande festival, saíram cobertos de palmas, além de outras tantas despendidas a cada performance música-a-música. Tanto é que foram a primeira banda da noite a deixar o palco sob pedidos de bis, que obviamente não foram atendidos. Lembrem-se, festival, tempo contado, muitas bandas, nada de repeteco.

Para encerrar os shows propriamente ditos da noite, viriam os sujeitos do Narcotic Love, de São Paulo. Encerrar a balada ao som de eletro é exatamente o que o público queria nessa noite de Carnaval, depois da canseira que nos deu o Violentures. Com uma produção visual bacanuda, a entrada arrebatadora do vocalista com um megafone vermelho berrante, combinando com sua camiseta em contraste com o restante da banda trajando preto. Engraçado como o rock usa desses artifícios visuais desde sempre, não?

Vocais de um pop empolgante, bon-joviano, ao lado das maquinadas na bateria acompanhada por um baixo marcado acompanhando a guitarra geniosa, fazia-se o clima dançante. Seu show se centrou nas faixas de seu álbum homônimo, disponível para download no Trama Virtual da banda. Realmente embalaram o pessoal ali, que ora cantava junto os refrões em inglês, mas grudentos de simples, ora acompanhava com palmas, sem nunca deixar de se mexer freneticamente.

E quando pensamos que tudo acabou, lembramos que ainda tem a discotecagem de Humberto Finatti. Aqui dando as caras como DJ, com direito a air guitar usando uma guitarra na real, rolou um som além das cinco da manhã, correndo por várias das décadas indie, quase em retrospectiva, na verdade. Embalou muito bem a galera dando continuidade a festa por boas duas horinhas. Enquanto crítico de música, jornalista que é, fez a cobertura do evento em sua coluna Zap'n'Roll sobre o Grito Rock, com elogios a algumas bandas e à organização, tida como superior a da terra-mãe do festival em Cuiabá. Em paralelo a isso, impossível não destacar, teceu comentários voluptuosos ao mulherio são-carlense e em especial a uma das senhoritas da organização do Massa coletiva. E o Massa, claro, não poderia deixar de aproveitar esse material, divulgou o texto em seu blog. Contudo, tesourou as passagens mais interessantes, pra não dizer as picantes, e a alfinetada ao pessoal do peixe-com-maxixe. Enfim, que fizessem a venda da imagem deles, reapresentassem os comentários, no que comumente chamamos de na tal blogosfera, mas não tesourassem o texto e o vendessem como na íntegra. Mas paremos de falar, senão daqui a pouco barrarão certas pessoas a porta dos eventos. E, apesar dos pesares, os eventos do Massa valem à pena.

E ainda nos resta falar de terça, mas isso fica pra outro post. De qualquer maneira, mais fotos podem ser conferidas na conta do Picasa do Programa Bluga. Confiram!


Fotos: Vincent de Almeida

Ensaio: Do Grito Rock São Carlos - O Massa Coletiva

E eis que o verdadeiro início do ano tem seu lugar, justamente após o Carnaval. Dentro da música, mergulhando no Rock, em São Carlos e tantas outras cidades essa indolência também começa a se firmar, com mais um Grito Rock chutando as portas de 2009.

Na ocasião do Grito Rock São Carlos em 2008 ainda não tínhamos Programa Bluga, mas acompanhamos de perto alguns dos nomes que lá tocaram, como Fenícia, Stranhos Azuis e Plano Próximo. Nesse ritmo um novo nome ganhou forma e tomou para si a organização desta edição: o Massa Coletiva.

Como o próprio nome diz trata-se de um coletivo, visando levar a frente iniciativas que já existiam dentro da cidade principalmente no cenário musical. Agora estão re-unidos todo um pessoal conhecido da Rádio UFSCar, programa Independência ou Marte e de bandas como o já mencionado Plano Próximo e o Malditas Ovelhas! (que a bem da verdade são figuras que se repetem nesses meios). Ponderando os números, ao lado de outros nomes, estes mesmos sujeitos se relacionavam antes sem constituir o grupo de agora, o que já havia nos proporcionado grandes momentos, como o Festival Contato, diversas noites de quarta do chamado Palquinho Maluco na UFSCar e todo mês a Independência ou Marte - a Festa.

O principal aspecto do Massa Coletiva que o torna interessantíssimo é apoiar-se na economia solidária. Isto possibilita grande desprendimento das amarras do capital, priorizando o trabalho do músico unicamente enquanto música. A despreocupação com lucro em si, que toca a questão do cachê das bandas (que vestem verdadeiramente a camisa do coletivismo) leva a festas baratas, senão de graça, o que inegavelmente atrai o público como mel às moscas. Isso também aliado a certa independência financeira, já que o grupo tem acesso a equipamento de som e a alguns locais sem grande ônus, viabilizando facilmente os eventos.

Entretanto, justamente esta vantagem leva a uma disparidade para com as possibilidades deste núcleo. Ao conseguir a atenção de um público maior, seja com palquinhos abertos na Federal ou grandes shows gratuitos na Praça do Mercado, seja com festas quase de graça no Armazém Bar, inicialmente pensa-se que a questão seja criar uma audiência e realmente fidelizá-la, criando um vínculo com a agenda das pessoas, apresentando material um tanto quanto acessível e eclético, ainda dentro do Rock. Isso lembrando que em se tratando do estilo majoritariamente o número de ouvintes é pequeno no nosso país regado a calor. Contudo, transparece uma grande preocupação com o mercado, que tolhe não o músico, mas a música.

Enquanto faz-se ampla divulgação do som das bandas, enfim, do nome dos músicos, o que ocorre com a música em si é seu enclausuramento dentro das formas já conhecidas. Em outros termos, com absurda incidência, o que passa pelos palcos nada mais é do que bandas reprodutoras de estilos já consagrados. Há sim uma nova roupagem, mas que apenas camufla o desgastado, uma casca um tanto quanto fina de tinta sobre paredes com poeira.

O Programa Bluga está perto de fazer um ano e neste espaço de tempo tencionamos escrever sobre bandas que julgamos interessantes na cidade, que faziam um som relevante. Entretanto, a importância da maioria dos sons aparenta ser meramente histórica, especialmente no tocante as bandas covers (algumas delas excelentes, que se conste bem). Poucas são as bandas que excursionam por novos estilos, e quando o fazem estes estilos são apenas o resgate de velhas escolas, mesmo dentro do rock autoral.

Há também aquelas, poucas, que promovem uma inversão dos valores de refinamento musical, com som mais simplista. Embora tenham todo seu mérito, afinal há vertentes e mais vertentes explorando seriamente estas questões, não se aproveita este novo entender para transpor as barreiras da música. De maneira semelhante se há um estudo do old school não se vislumbra o próximo passo. O que fica é uma incômoda sensação de que não se produz nada novo, apenas se cultua as gerações passadas, o que é péssimo em se tratando do Rock, que deveria ser carregado do espírito inovador.

O que se vê é sempre mais do mesmo, com as bandas apresentando sempre o que o público quer e espera, ou gosta. Claro que falta o caráter inquiridor do ouvinte. O que seria ideal é que este mesmo público exigisse mais, que ele buscasse uma experiência completamente nova, o que faria dos músicos uma vanguarda de retaguarda. Isso é um tanto quanto improvável de acontecer, então seria melhor esperar dos músicos que atacassem o inexplorado, caracterizando como vanguarda, tentando estar à frente de seu tempo, afinal eles são os artistas.

Esse questionamento tem sua resposta então justamente no Grito Rock São Carlos de 2009. Com dois dias de shows, uma segunda-feira com cinco bandas e a terça de carnaval com dez, correu-se os mais variados estilos. Desses números, pouca ou nenhuma era a inovação. É bem verdade que uns e outros do pessoal ali apresentaram material que vai de encontro ao que está em voga lá fora, ao mesmo tempo em que metade das bandas tinha alto gabarito e material de boníssima qualidade, mas mesmo assim recaiam no papel de ambíguas mantenedoras de uma tradição não-secularizada.

Claro que se pode pensar no entender da música pelas bandas, que fazem o som que elas gostam e isso é um tanto grande do espírito roqueiro. Isso seria não se preocupar com a reação do público, mercados e afins, mas transpor sentimento à música. Entretanto, este fazer-gosto deveria ser diferente de fazer igual ao som que elas gostam de ouvir. Deveria ser fazer o som que elas gostam de tocar, ou mais profundamente, o som que espelha os músicos enquanto pessoas, enquanto pensamento.

Embora o espaço do Massa Coletiva se mostre o ideal para explorar as possibilidades aqui referidas, ainda resta a vaidade em necessitar da grande platéia, que parece completamente injustificada. Em um cenário otimista, a idéia de formar público primeiro, para depois introduzir este material faz certo sentido, mas vai contra um intuito maior para a coisa. Talvez a questão seja outra ainda, encarando-o como uma incubadora de bandas ou talvez um kibutz musical, proporcionando às bandas sua subsistência. Cria-se inclusive uma corrente entre coletivos de propósito semelhante, que pelo intercâmbio humano, propiciam a sobrevivência das bandas dentro do meio deles, com um circuito de festivais, num mercado independente auto-sustentável.

De toda maneira, do lado das bandas ainda há outro aspecto, onde toda esta máquina mostra-se coerente, afinal, o trabalho das bandas é ganhar fãs. Talvez a justificativa para este caráter do Massa Coletiva seja então o número de músicos envolvidos, que entendem ser este o processo relevante. Apontemos então o papel de divulgar material novo a outros, que não às bandas e seus respectivos coletivos: O problema é que não vislumbro tão facilmente estes outros, enquanto interessados nessa perspectiva.


PS: Claro que gostamos do som que rolou no Grito Rock. Logo mais, traremos uma pequena cobertura com impressões, setlists das bandas que valeram a pena, ao invés desse ensaio pretensiosamente inquisidor. Já é possível conferir uma seleção de foto no Picasa do Programa Bluga, aqui e aqui também.